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15 de março de 2010

No verso da conta

Por Carlos Magno Araújo

Depois de descrever episódio nada edificante a que me submeti na semana passada, dividindo uma hora e meia com novos e estanhos parceiros numa fila de banco na agência do Banco do Brasil, na Ribeira, li um texto da poeta Nivaldete Ferreira {publicado no Novo Jornal} e percebi o quanto a chamada vida cotidiana pode nos roubar de prazer. E também o quanto minha pequenez se agiganta em momentos assim.

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12 de janeiro de 2010

Só o terremoto aproxima

Por Carlos Magno Araújo

Percebi nesta semana que o terremoto aproxima.

O medo da tragédia coletiva nos une a todos.

Bastou a terra tremer em Taipu (foto de Canindé Soares), na mítica Jerusalém, assentamento distante algumas centenas de quilômetros dessa nossa predestinada Natal, para reencontrar, mesmo por telefone, amigos que eu não via nem ouvia fazia muito tempo.

Estão me dando adeus?

Estamos todos fadados a essa emoção sinistra que exige a despedida simbólica.

- Sentiu aí?

- Vôts! O quê?

- O negócio balançando…

- Opa! Agora é que não entendi mesmo..

Só depois compreendi: a terra tremera agorinha mesmo.

Em 1986, a última e traumática experiência com sismos: as idosas da minha rua de camisola, fora de casa, olhando o céu. Eu não sabia se corria para debaixo da cama e pedia, corajoso a enfrentar o pior do males, “mais tremor, Deus, por favor”, ou se desembestava no meio da rua, louco, diante daquela visão, que não era lá nenhum paraíso. Algumas de “bobes” no cabelo, outras com a cara besuntada. Um horror.

Esse terremoto nos encontra mais velhos, mais experiente e com mais olheiras – o que não chega a ser vantagem. E com pensamentos assim, politicamente incorretíssimos.

Por onde andam aquelas senhoras? Terei de encontrá-las no juízo final? Será esta a hora? Elas me reconhecerão? Terei de cumprimentá-las? Vão entrar junto comigo no céu ou no inferno? Serão minhas companheiras na vida eterna?

Meu computador não tremeu, a mesa não balançou, a cadeira permaneceu no mesmo lugar. Talvez, ao contrário da terra, eu esteja mais centrado, mais firme, o que, provavelmente, não corresponde.

Desde segunda-feira, todos que me encontram têm sua história do tremor para contar. Eu não senti nada. Não tenho nenhuma versão, não vivi drama.

Só pode ter uma explicação: deve ser o trauma das minhas velhinhas – de bobes e caras besuntadas. Foram elas, naquele 86, que me fizeram assim, essa fortaleza invencível, esse porto seguro à prova de abalos sísmicos.

22 de dezembro de 2009

O jardineiro infiel

Por Carlos Magno Araújo

canteiroMoleque, ouvia o sujismundo repetir na tevê: povo desenvolvido é povo limpo.

Travestida de brincadeira, era a forma de a ditadura chamar a nós outros de porcos. Eu achava engraçado.

O jardineiro era antes o pintor de hoje. Atendia de casa em casa, marcava o retorno no calendário.

Ainda é assim, verdade. Mas antigamente não havia a concorrência dos especialistas em design de ambientes. Essa, porém, é outra história.

O fato: tratar do jardim era uma arte. Ao administrador público, o correspondente era cuidar de canteiros e praças, chamados também, pomposamente, de logradouros.

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14 de dezembro de 2009

Mamãe, Lombardi e eu

Por Carlos Magno Araújo

lombardiO tempo passou depressa domingo e não se teve notícia de como Sílvio Santos suportou o primeiro programa sem Lombardi.

Tem gente que, mesmo depois de velho, consegue recordar a voz da mãe, durante a infância, cantando as músicas de ninar.

Felizes, eles. Se fechar os olhos e buscar num canto qualquer a voz de minha mãe, vou encontrar é o Lombardi, vendendo carro e os números do sorteio do baú.

É sim, triste, essa minha sina. Mas é, apesar de sina, minha. E está aí.

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22 de setembro de 2009

O antropólogo de shopping, “gauche” na vida

Por Carlos Magno Araújo

tarsila“O Vendedor”, de Tarsila do Amaral

Deve ser a alma danada ou uma praga jogada por algum desses especialistas em gestão de negócios ou gerência de RH.

Se o amigo de vez em quando for como eu, um antropólogo de shopping ou um sociólogo de botequim, talvez perceba o mesmo.

E como eu, também, quem sabe, sofra de saudades do antanho, aquele tempo em que a gente sabia o nome do padeiro, do açougueiro e do atendente da farmácia.

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17 de setembro de 2009

Para os velhos e as cobaias de Deus

Por Carlos Magno Araújo

cazuza

Não há nada pior no mundo do que o cidadão gripado.

E quando a gripe vem desse jeito, atropelando a agenda, pior ainda.

É ainda pior quando se ouve falar tanto da tal gripe suína e o cidadão percebe portar alguns dos sintomas.

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14 de setembro de 2009

Lula, a mãe do juiz, Galeano e o poeta

Por Carlos Magno Araújo

COLUNA DE CMAGNO - 1

Dizem que o futebol evolui. E era como evolução que até pouco tempo atrás andavam saudando o novo papel dos treinadores de futebol.

Antigamente, não passavam de anônimos. Ou quase isso. A maioria vivia escondido ali, no banco de reservas, mal eram vistos pelos torcedores.

Alguns eram tão discretos e tão absortos em seu voluntário anonimato que chegavam a cochilar na hora do serviço.

E ninguém reclamava. Achavam… folclórico, no máximo.

O que aconteceria, hoje, se Wanderley Luxemburgo ou Muricy Ramalho – salários de mais de R$ 300 mil cada um – resolvesse puxar uma palhinha no meio de um jogo?

Quem imagina Vicente Feola, técnico campeão do mundo em 1958, na beira do campo, gesticulando, xingando o juiz e berrando com seus jogadores, feito um Luxemburgo?

Com um time daquele, o gordo se dava ao luxo da sesta em pleno expediente. Se aquela seleção jogava por música, era talvez embalado por ela que Feola dava seus cochilos.

Ao final da partida, um longo bocejo e o bicho garantido no bolso. Nunca foi importunado por um repórter – nem levado para uma sala de entrevista, muito menos vestido com boné do patrocinador.

E quem por acaso lembra o nome do treinador daquele time mágico do Santos, dos anos 60 – Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe num ataque avassalador?

Pois esse tipo de técnico bonachão e sonolento feito Feola desapareceu. Foi engolido pela “modernização” no futebol; pelo espetáculo globalizado da bola, com seus protagonistas e figurantes e suas cifras mirabolantes, inacreditáveis.

Os treinadores modernos vinham sendo saudados como supra-sumo do futebol moderno. Tudo muitíssimo profissional. Muitos são chamados também de “manager”, palavrinha no nível do pedantismo de alguns treineiros contemporâneos.

Mas para quem acha que nada pode ser tão ruim que não possa ser piorado, calma lá. Pode sim.

Agora é a vez dos juízes de futebol. Alguns já brilham mais do que os treinadores. Do que boa parte dos atletas, nem precisa dizer. São as novas estrelas.

Perceberam? Agora, toda vez antes do jogo faz-se o perfil detalhado do juiz, que nem mais juiz é. A maioria chama de árbitro, carregando na formalidade. Tem até comentarista especializado.

Os bandeirinhas sumiram. Agora são auxiliares. E nos torneios mais importantes usam fones de ouvido e microfone para a comunicação mais ágil. Tudo muito supimpa e moderno.

Lendo outro dia Eduardo Galeano, na versão atualizada do seu delicioso “Futebol ao Sol e à Sombra”, edição pocket da L&PM, dei de cara com “Pobre mãezinha querida”, a crônica aludindo ao coro maldoso do qual costumam ser vítimas, ainda, apesar dos tempos modernos, os juízes – ou árbitros – de futebol.

Não pude deixar de pensar nos juízes de antigamente, nos treinadores de antigamente, no futebol de antigamente. Divido, pois, com vocês o texto de Galeano, aliás um clássico:

Pobre mãezinha querida

“No final dos anos sessenta, o poeta Jorge Enrique Adoum voltou ao Equador, depois de longa ausência. Nem bem chegou, cumpriu o ritual obrigatório da cidade de Quito: foi ao estádio, ver jogar o time do Aucas. Era uma partida importante, e o estádio estava repleto.

Antes do início, fez-se um minuto de silêncio pela mãe do juiz, morta na véspera. Todos se levantaram, todos calaram. Em seguida, um dirigente pronunciou um discurso destacando a atitude do esportista exemplar que ia apitar a partida, cumprindo com seu dever nas mais tristes circunstâncias. No meio do campo, cabisbaixo, o homem de preto recebeu o denso aplauso do público. Adoum piscou, beliscou um braço: não podia acreditar. Em que país estava? As coisas tinham mudado muito. Antes, as pessoas só se ocupavam do árbitro para gritar “filho da puta”.

E começou a partida. Aos quinze minutos, explodiu o estádio: gol do Aucas. Mas o árbitro anulou o gol, por impedimento, e imediatamente a multidão recordou a finada autora de seus dias:

- Órfão da puta! – rugiram as arquibancadas.”

PS.1 – Ah! O treinador do Santos supercampeão da Era Pelé se chamava Lula. De batismo, Luiz Alonso Perez. Morreu aos 50 anos, em 15 de junho de 1972, vítima de uma infecção generalizada decorrente de um transplante de rim. Currículo resumido? 38 títulos na carreira, entre 1954 e 1966.

PS. 2 – Na foto que ilustra esta coluna aparecem o técnico Lula e seus dois filhos, Luiz e Marcos. Capturada no globoesporte.com

PS. 3 – O poeta Jorge Enrique Adoum, lembrado por Eduardo Galeano, morreu há cerca de dois meses, com 83 anos. É considerado o maior intelectual do Equador, país que descreveu como “irreal, limitado por si mesmo, cortado por uma linha imaginária”.

PS.3 – Tenho quase certeza que a maioria dos que prestaram atenção ao título da coluna pensou que eu ai espinafrar o presidente ou falar do STF. Não que eles não mereçam; mas me desculpem. Foi só um drible.

10 de setembro de 2009

Neve, Literatura e Tarso Cadore

Por Carlos Magno Araújo

tarso

Tenho um amigo que sonha ser escritor. É um inédito.

É assim que ele se lamenta, choramingando, quando me telefona. “Meu Deus, a cada dia fico mais velho e mais inédito” – a virgindade editorial pesando-lhe como um cancro.

Vez por outra meu amigo se flagra em surtos que ele chama psicóticos ao constatar, frustrado: por mais que tente ser criativo, a realidade sempre o supera.

Toda vez que se acha suficientemente abastecido da tal inspiração e se ajeita na cadeira para iniciar o romance que vai mudar a história da humanidade leva uma rasteira da vida real.

Seu tarja preta muitas vezes é as páginas de jornal, onde repousam também, habitadas em colunas e fotografias, os motivos de sua frustração.

Da última vez que julgou-se pronto para o “start” que o levaria à glória das academias deu de cara com aquela notícia anunciando o projeto revolucionário de retirar as pedras portuguesas do calçadão de Ponta Negra a fim de permitir às mulheres passear ali de salto alto.

Daria um conto lindo, acha ele. Meu amigo pensou num concurso Miss Brasil, talvez um Miss Universo, promovido ali, no calçadão de Ponta Negra, com todas as beldades exibindo sua destreza e sua malemolência num salto quinze. Emoldurando tudo, o nosso Morro do Careca.

Mas seria só uma emenda – a idéia original não fora dele. E ele detesta co-autoria.

Agora que se preparava para o ritual que o defloraria, editorialmente falando, novo debacle.

Me ligou desiludido hoje quando leu sobre o projeto de lei apresentado pela vereadora Sargento Regina sugerindo a criação do evento festivo “Natal o ano inteiro”

Nada contra a iniciativa, me disse ele, mas a proposta de criar neve artificial em datas e horários programados, uma vila encantada com Papai Noel e renas decorativas, o fez mergulhar numa depressão profunda.

Como eu ou Gabriel Garcia Marquez não pensamos nisso antes? – ele bradava ao telefone, na hora do café.

Suspeito que ele vivia mais um momento “tarso cadore” quando elocubrou: você já pensou tudo isso em Ponta Negra? As meninas desfilando no calçadão sem pedras portuguesas, de salto quinze, e um Papai Noel descendo o Morro do Careca num ski-bunda? No pé do morro, renas decorativas…Na hora de premiar a nova Miss Universo helicópteros derramando sobre nós neve artificial. No palco ao lado, a banda Grafite tocando, a emoção transpirando, flor da pele mesmo, “We are the Champion”…Queria ver tirarem a Copa do Mundo daqui???

Não sei se ele chorava ou se ria, mas enchi o peito de coragem e dei meu diagnóstico, pondo fim à novela: seu caso, amigo, é de internação ou de academia de letras mesmo.

4 de setembro de 2009

Toni Tornado, Nasi e a BR-101

Por Carlos Magno Araújo

toni 1

A melhor análise sobre o fracasso da seleção brasileira na Copa de 2006 ouvi de Nasi Valadão, o vocalista do Ira!, mais tarde apontado como louco pela família e pelo resto da banda.

Ele disse que as duas laterais do Brasil deveriam ser desapropriadas para fins de reforma agrária, por improdutivas. Sugeriu até que fossem ocupadas pelo MST.

A metáfora perfeita era para dizer que os laterais Cafu e Roberto Carlos já tinham dado o que haveriam de dar com a amarelinha.

De fato foi o que se viu – enquanto Roberto Carlos ajeitava o meião, Thierry Henri dava um tapa na bola e no sonho do hexa.

Algumas vezes quando atravesso a BR-101 no início da manhã, no sentido Parnamirim-Natal, com seus milhares de carros, lembro da tal história do Nasi. Por quê? Não sei.

Não é que aquele trecho precise ser desapropriado, por desuso.

Ao contrário: só existe ele. Por isso, trafegam por ali centenas ou milhares de carros.

Nos horários de pico, motoristas viram heróis pacientes.

Quando o trânsito segue lento já é chato, ainda que flua na sua lerdeza – mas e quando há um acidente, o menor que seja? O engarrafamento se forma quilométrico, problemático – os carros, quelônios impacientes.

Parnamirim cresceu a ponto de parecer mais um bairro de Natal. Por mês, centenas – ou seriam milhares – de novos veículos são incorporados ao já tumultuado trânsito. Os bairros da Zona Sul de Natal incham.

No entanto, as avenidas para dar vazão a tanto carro permanecem as mesms de décadas atrás, salvo uma ou outra obra pontual e talvez por isso rapidamente defasada.

Navego pela BR-101 lembrando das laterais da seleção brasileira na Copa de 2006, aquelas avenidas largas e em completo desuso, e lamentando espaços assim no tráfego urbano de cada dia.

Na trilha sonora da minha cabeça, também lembro Toni Tornado: “Há um foguete/ Rasgando o céu, cruzando o espaço/ E um Jesus Cristo feito em aço/ Crucificado outra vez”. Mas a gente corre – diz ele, calça boca larga, sapato cavalo de aço – é na BR-3.

TALESE
Estava lendo “Vida de Escritor”, de Gay Talese. Dei um tempo. O cara é fera, não se discute. Mas era abrir jornal, site, ver programa de TV, coluna de jornal ou ler qualquer estudioso de comunicação e deparar ou com uma entrevista ou uma análise sobre o estilo Talese de ser. Vou dar um tempo para depois retomar o livro.

TALESE II
A síndrome Talese pegou também Alberto Dines, que analisou a presença freqüente do jornalista norte-americano nos jornais brasileiros. Dines anotou até algumas besteiras ditas por Talese durante sua visita ao Brasil, como atribuir a onda atual de proliferação de seções de fofoca nos jornais à presença feminina nas redações. Este SP disponibilizou o texto de Dines.

TALESE III
Troquei Talese, por ora, por Joel Silveira. No seu “A feijoada que derrubou o poder”, como nos outros, o Víbora exercita o mesmo jornalismo literário. O texto que trata do bombardeio, por submarinos alemães, de navios brasileiros em 1942 é um dos bons momentos do livro.

LEAD
O que fazem ou fizeram Joel Silveira, Gay Talese e um punhado de outros bons jornalistas? Esquecer essa história de lead e contar, bem, uma história.

LEAD II
Trocando em miúdos: aos poucos, a tal forma de produzir um jornalismo de maneira mais técnica – com a tal pirâmide invertida – parece perder espaço para o bom texto – bem escrito, bem encadeado, com recursos da literatura. Será isso mesmo? O lead, claro, não vai acabar, principalmente por causa da internet, que exige rapidez e concisão, mas como é bom notar essa procura pelo texto jornalístico dito literário, por novas formas de dizer, bem dito, uma notícia.

LEAD III
Perceber essa paixão dos coleguinhas por gente no naipe de Gay Talese numa época em que o jornalismo mundial festeja “vantagens” como rapidez e outras facilidades proporcionadas pela tecnologia não deixa de ser, também, curioso.

TALESE
A análise feita por Nelson Patriota,confesso, me encheu de vontade de retomar a leitura de Vida de Escritor. Mas o melhor livro de Talese é mesmo “Fama e Anonimato”.

JOSÉ MAURO

Boa a lembrança do leitor Janilson, neste SP, faz algum tempo. Dia 25 de julho fez 25 anos da morte de José Mauro de Vasconcelos. Via Abimael, tenho quase todos os livros dele. “Doidão” é massa. Resgata uma Natal dos anos 40/50 – ou por aí – e revela a nós, por exemplo, como era a diversão, as alegrias e as tristezas, enfim, da meninada daquele tempo.

JOSÉ MAURO II
Brinco que José Mauro de Vasconcelos é nosso John Fante.

COR

Faz tempo, mas deixo o registro. Na polêmica toda que se criou após aquela mensagem do humorista Danilo Gentili, do CQC, no twitter, apontada como preconceituosa, a melhor sacada foi a de outro humorista, o Helio de La Peña, dos Cassetas: sem querer opinar, disse: “vocês que são brancos que se entendam”.

1 de setembro de 2009

Sobre Tico

Por Carlos Magno Araújo

Obrigado Tetê, Tácito e Pablo.

31 de agosto de 2009

A alegria e a tristeza de Tico

Por Carlos Magno Araújo

tico

A besta fera que humilha e elimina é cega.

É pistoleira sem mira – cruel e injusta.

Não fosse assim teria atingido tantos outros antes de Tico da Costa. Por aí não há quem não mereça.

É dos artistas de quem se poderia dizer, sem medo de errar, como se disse um dia de Cascudo – genial e humilde.

A convite do meu amigo Roberto Homem de Siqueira estive na casa de Tico da Costa, na Cidade Verde. Deve fazer uns dois anos.

Estava também outro amigo nosso, Carlos Roberto Pereira, também jornalista.

Com Tico, os irmãos, entre os quais João Salinas, talento, bom humor, simpatia, tudo junto e misturado.

Era só uma noite normal de confraternização e amizade.

Tico se re-instalara em Natal havia pouco tempo e Roberto Homem, que fez a melhor entrevista já publicada sobre o artista, queria encontrá-lo.

Fomos noite adentro, entre vinhos, queijos, cervejas, conversas leves entremeadas pelo talento do anfitrião e dos irmãos.

Tico contou sua história desde Areia Branca, como a emoção na infância ao ver dois cantadores de rua tocando violão, num desafio. E lembrou como isso o inspirou.

Falou das andanças pelo mundo, da amizade com Phillip Glass e tocou tudo o que pedimos.

Tico era um mestre do violão. Tocava com o instrumento nas costas e até com os pés. No You Tube, procurando direitinho, dá para achar imagens dele manuseando seu brinquedo.

Era um grande cara que Natal e o Rio Grande do Norte não valorizaram à altura.

Saí daquele encontro cismado e encabulado com o fato de nós, da imprensa, também não termos conseguido apresentá-lo como merecia.

Ao final, Tico me deu um disco de presente – cantando músicas em italiano.

Pediu humilde uma resenha. Não precisava nem ser favorável. Queria apenas ver publicada num jornal local.

Dizia que tinha com ele, guardadas, matérias e análises de seus trabalhos publicados em grandes jornais dos EUA e da Europa, Itália especialmente.

Mas não escondia, dizia ele, certo constrangimento quando em ocasiões que precisava mostrar a repercussão de seu trabalho não aparecia sequer um jornal de sua terra.

Não havia mágoa nem nada – só uma certa tristeza, revelada apenas e certamente, por causa das taças de vinho.

Cheguei a pedir a alguns jornalistas especialistas em música – jornalistas e músicos há aos montes por aqui – que fizessem o texto, para dar a ele (o disco) a importância que eu, provavelmente, não conseguiria alcançar – eu achava que era importante o tal distanciamento crítico. Não consegui que fizessem.

Agora que Tico da Costa se foi me sinto um pouco devedor. Fica comigo, depois que a besta fera aprontou mais essa, o imenso sabor de algo incompleto, de um compromisso a que faltei, de um tipo de justiça que poderia ter feito e fracassei.

Mas Tico na sua grandeza e na sua humildade saberia entender.

Esta é uma segunda-feira, enfim, com gosto de melancolia. Há um belo dia de sol, tanta gente na rua, mas há um sentimento de vazio e perda.

Aí embaixo o link da entrevista que Roberto Homem fez com Tico da Costa – para ler e guardar.

aqui

E aqui, vídeo de Tico com Phillip Glass.

5 de agosto de 2009

Viva a inclusão social

Por Carlos Magno Araújo

Se aprovado, esse projeto para reformar o calçadão de Ponta Negra a fim de permitir o passeio tranqüilo das mulheres que utilizam salto alto será o mais revolucionário programa de inclusão social de que dará notícia essa cidade.

Estava mesmo na hora dessa segregação acabar.

Sempre achei que esse extrato social merecia bem mais do que os passeios no shopping ou os festejos do jet set – ou as idas ao salão.

A cidade inteira precisa interagir.

E qual o melhor local de interação se não as nossas praias, essas belezas naturais que abrimos, quase maritalmente, para o mundo?

É incrível. Por que ao longo de todos esses anos a cidade não permitiu o acesso à praia às que utilizam o salto alto?

É o que me pergunto desde hoje cedo.

Vamos corrigir isso agora com ajuda de estudiosos e técnicos portugueses.

Agora tudo vai mudar.

É preciso, porém, avançar.

A cidade bem que poderia criar ao mesmo tempo o bolsa-salto alto, a que teriam direito todas aquelas que desejam flanar pelos modernos calçadões sem correr o risco de serem confundidas com…..pé rapados!

3 de agosto de 2009

A economia do futuro

Por Carlos Magno Araújo

Salve, Tácito:

O jornalista inglês Chris Anderson, festejado pelos livros que lançou sobre tecnologia, diz que a economia do futuro será a do “tudo grátis”. Editor de uma revista voltada para o setor, 49 anos, ele cita, acredite, a banda Calypso como exemplo de vanguarda ao adotar a tal “cultura do grátis”.

aqui

5 de julho de 2009

Miguel Sousa Tavares

Por Carlos Magno Araújo

Tácito: divida com os leitores do Substantivo essa interessante entrevista com o jornalista e escritor português Miguel Sousa Tavares, autor de livros como “Equador” e “Não te deixarei morrer, David Crockett”. Uma beleza para o domingo de tédio. O cara, um craque, pensa em morar no Brasil e faz críticas à justiça e à imprensa. Será que enlouqueceu?

Abraços.

AQUI

3 de julho de 2009

Sem prosa…

Por Carlos Magno Araújo

Tácito: do computador que acesso também não consigo ler os textos postados em Prosa. Abraços

28 de junho de 2009

O futebol está no mundo…

Por Carlos Magno Araújo

Tácito!

Agradeço a você pela divulgação do lançamento do nosso A Cabeça do Futebol, posto na rua sexta-feira passada na Siciliano do Midway. Foi bacana ver lá os amigos e os amantes do futebol e da literatura, compartilhando da alegria daquele momento. Os meus agradecimentos são os de Samarone Lima e Gustavo de Castro, que organizaram o livro comigo, e de Elianne Diz de Abreu, psicanalista que esteve na livraria também autografando os volumes e conversando com os leitores.

Um grande abraço!

24 de junho de 2009

Todos estão convidados

Por Carlos Magno Araújo

Tácito: reforço aqui o convite ao amigo e aos inúmeros leitores do Substantivo para comparecerem na Siciliano do Midway nesta sexta-feira. Vamos lançar “A Cabeça do Futebol”, um conjunto de textos sobre o nobre esporte bretão. Samarone Lima, outro dos organizadores, estará presente, assim como a escritora e psicanalista Elianne Abreu e o jornalista/cronista Rubens Lemos Filho. Moacy Cirne, um dos colaboradores potiguares, infelizmente, não poderá estar aqui, mas no “balaio” dele há hoje uma postagem bastante interessante. Você, Tácito, que entende dessas mumunhas da internet e de tantas outras, se puder, dê aí o link do grande Moacy (AQUI)para a moçada. Como não imprimimos convites, não precisa dizer que todos os que gostam de futebol, literatura e jornalismo serão muito bem vindos.

Abraços

12 de junho de 2009

Câmbio!?

Por Carlos Magno Araújo

Tácito: tô zonzo, mas consegui entrar e dar boa sorte a você e ao nosso Substantivo Plural. Se essa mensagem chegar até você, um abraço!!!! Alô, câmbio, câmbio…

DO EDITOR
kkkkkkkkkk. Deixe de onda, cmagno, todo mundo sabe que você é o “cara” em informatica. Câmbio, desligo!