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12 de agosto de 2010

Sete e Um

Por Cláudia Magalhães

Blog: www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com

Vivemos num mundo onde almas se procuram e quando se encontram morre parte do nosso céu ou inferno. Nessa oração, a vida nos aprisiona com o que nos resta dessas curas até o encontro fatal, derradeiro, que, independente de ser predestinado ou apenas uma questão de sorte, nos prova que estamos sempre em busca da morte. E foi num duelo com esta que conheci o riso e o choro, mas aprendi a não debochar.

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17 de julho de 2010

As Fotografias

Por Cláudia Magalhães

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O mal-estar que sinto antecipa o erro que estou prestes a cometer. Clarice, cega há um ano, devido ao acidente que sofreu com Paulo, seu atual marido, precisa do meu relato. Tenho medo, mas não vejo outra saída. Encontrei-a, alguns meses atrás, saindo de um restaurante japonês com sua mãe, e tornei-me, novamente, sua grande amiga. Falou da sua eterna paixão pela cozinha italiana e japonesa. Para meu espanto, estava segura e feliz com seu novo amor. Leia o resto desse post »

8 de julho de 2010

Terra dos Sonhos

Por Cláudia Magalhães

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O teu sorriso devorava encantadoramente os meus pensamentos, contrastando e, por isso, enaltecendo, o som melancólico da música Send in the clowns, na voz inconfundível de Carmem MacRae, enquanto eu dirigia embevecida, em direção ao nosso apartamento. Será esse sorriso que ele me dará como grata recompensa quando eu lhe mostrar a grande surpresa da noite: As nossas passagens para a Terra dos Sonhos, Paris! A nossa primeira viagem depois de dois anos de casados! Lá, na terra mágica, ele me fará um filho, Vinícius, ou uma filha, Diadorim… Pensei, deixando-me embriagar, sem rédeas, pelo encanto da tua bela imagem que me guiava. Ah, o teu sorriso… A minha ligação com o divino. Nele, se acham contidas todas as leis do amor, todo o poder dos sentidos… Ele estava tão presente, tão luminoso em meus pensamentos, que não enxerguei o carro a minha frente. Escuro.

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30 de junho de 2010

Em Pedaços

Por Cláudia Magalhães

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A noite corria doce. As águas do rio lembravam calda de açúcar e as nuvens do céu, tufos de algodão. Ele esperava por seu amor na ponte dos desejos, sentindo-se um novo homem. Cantarolava sua música preferida, com a felicidade no peito alcançando as notas da loucura, que em seguida, perdiam-se no vento, num vôo belo e insano. Sentia-se livre de todos os erros. Paria a si mesmo e fazia-se anjo. Milagres do amor…
Ela chegou na hora marcada. Era alta, branca, de cabelos pretos e olhos amarelos. Vestia um vestido de algodão com estampa de flores miúdas que lhe ia até os pés. Ele aproximou-se, segurou-lhe a cabeça com as duas mãos e beijou-lhe a testa, o que a fez levar a mão esquerda até os lábios, num gesto de timidez. Ele é tão gentil!, Pensou entregando-lhe a mão. Venha, vamos caminhar um pouco, ele pediu com doçura. Com trinta e poucos anos, sentiu-se uma adolescente. Nunca foi feliz no amor, embora tivesse tido vários relacionamentos. Todos terminaram de forma pacífica, sem grandes traumas, exceto o último, o grande amor da sua vida, mas que a abandonara com violência, deixando-a em pedaços que agiam como se fossem independentes, correndo, se humilhando por uma migalha daquele amor, destruindo sua essência, reduzindo-a a carne e ossos.
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21 de junho de 2010

A Carta

Por Cláudia Magalhães

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O relógio da parede marca as primeiras horas do anoitecer de uma sexta-feira. O silêncio escuta com paciência as batidas descompassadas do coração de Dona Alma, que sentada à pequena mesinha redonda do terraço fracamente iluminado, observa atentamente a rua comprida que segue ladeira abaixo. São fortes, as lembranças do passado. Sente uma saudade tão assustadora e, ao mesmo tempo, tão infinitamente sedutora, que é impossível rejeitá-la. Há um ano, um amor que era tudo na sua vida, foi embora, deixando o seu coração cheio de agonia. Desde então, dorme e faz as refeições na pequena varanda. Ele pode voltar a qualquer momento, pensa. Abre o bloco grande de papel e começa a escrever:

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19 de junho de 2010

A Queda dos Anjos

Por Cláudia Magalhães

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Ilustração: A queda dos Anjos (Marc Chagall)

Morrerei, pontualmente, às dezoito horas. Hora da queda dos anjos que, quebrando suas máscaras, fazem lobos uivarem na terra. A minha alma branca, mistura das cores e manchas do meu passado, partirá vendo o Sol, com seu hálito quente, levantar a saia da Lua e entregar-lhe os desejos da saliva do dia, fazendo-a parir estrelas.
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18 de junho de 2010

A maior Flor do Mundo – José Saramago

Por Cláudia Magalhães

Nestes momentos em que prestamos mais atenção aos talheres que usamos do que na qualidade da comida, mais no casaco de Dunga do que no jogo (embora muitos nos lembrem jogos de totó rsrsrs), vale lembrar das flores que existem em nossos quintais…
Beijos

Curta-metragem de animação baseada no livro “A Maior Flor do Mundo”, de José Saramago:

14 de junho de 2010

Espelho, espelho meu!

Por Cláudia Magalhães

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Estava nu diante do espelho. Olhou seus pés, as pernas finas, o tórax pouco definido, os braços longos, as mãos grandes e magras, o rosto delicado, quase feminino. Gostou do que viu, exceto os pelos insuportáveis que o deixavam nervoso, como se tivesse um grave defeito físico. Tinha dezoito anos e era virgem. Seu nome, Pedro, que significa pedra, contrastando com sua alma de cristal. Uma alma, com um brilho intenso, ofuscada pela imagem que sorria falsamente diante do espelho. Entrou no banheiro e depilou-se por inteiro. Lavou o corpo com água do chuveiro, e a alma, com água de chuva. Secou-se com cuidado e sentado diante do espelho, que ficava ao lado dos porstes de Oscar Wilde e Arthur Rimbaud, seus ídolos, colocou as meias finas que estavam sobre a cama, cobrindo o sangue que teimava em lhe escorrer pelas pernas. É preciso ferir-se para continuar vivo, pensou observando os pequenos cortes sobre a pele. Roçou as pernas uma na outra. Nunca experimentara nenhum prazer maior que aquele. Colocou a sandália prateada, de salto fino e, por último, o vestido vermelho de seda que lhe ia até a altura dos joelhos e que revelava seus ombros delicados. Em seguida, seguindo a geografia da alma, pintou o rosto. Olhou-se no espelho e gostou do que viu. Pedro não mais existia. Pegou a bolsa e atravessou a sala com cuidado para não acordar sua mãe. Quando já estava próxima a porta de saída, escutou um leve ranger na madeira da escada. Sentiu o sangue gelar e, devagar, olhou para trás. A sua mãe a observava, na penumbra, imóvel. Abriu a porta e saiu para o deserto do mundo com as pernas bambas, pisando no chão firme como quem pisa em areia fofa e quente. Com sede de vida, como um criminoso, um homicida.

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11 de junho de 2010

Deus e o Diabo

Por Cláudia Magalhães

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Quero deixar bem claro que não estou aqui em busca de compaixão. A minha única intenção é a de compartilhar a minha história com o maior número possível de pessoas, já que, a qualquer momento a vida poderá me cuspir, e sempre que falo sobre o assunto em questão, sinto um grande alívio na alma. Alguns de vocês podem ficar horrorizados, outros, talvez, admitam para si, que já cometeram algo do gênero em pensamento, e um ou outro, o tenha realizado com a mesma intensidade e o ache bastante natural.
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7 de junho de 2010

A Primeira Mulher de Deus

Por Cláudia Magalhães

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Nas primeiras horas do anoitecer de uma sexta-feira, depois de desejar fortemente fugir daquele maldito lugar, a primeira mulher de Deus sentiu nascer do centro das suas costas, um enorme par de asas negras. Descobriu, então, que a liberdade nasce no centro escuro de todas as coisas, onde moram os desejos mais secretos, nas tocas, nos cárceres, nos lugares fechados, onde a saída não é visível ao olhar humano.
Amava Deus com todas as suas forças. Ele, na sua infinita bondade, dera-lhe a vida, e sentia-lhe uma enorme gratidão por isso. Ensinara-lhe tudo. Falou-lhe da existência do diabo, seu maior inimigo, e do seu enorme poder de sedução. Disse-lhe que ele habitava nas terras além do abismo e, que deixar-se seduzir por ele, só lhe traria grande dor, grande tormento. Inexplicavelmente, a partir desse momento, desejou fortemente conhecê-lo. Condenada a viver isolada naquele lugar chamado Paraíso, pensava, dia e noite, numa maneira de atravessar o abismo e fugir da solidão.
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1 de junho de 2010

Ele

Por Cláudia Magalhães

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Ele foi, aos poucos, abrindo o seu enorme baú de vergonhas. Vinícius era o seu nome. Conheço-o desde a mais tenra idade. Crescemos juntos. No início, eu o achava destemido, inteligente, ousado, mas, com o passar dos anos, ele foi se revelando um ser repugnante, capaz das piores baixezas para conseguir o que queria. Aos 22 anos, nos formamos em jornalismo e começamos a trabalhar na redação do jornal de um amigo em comum. Apesar dos vexames que ele me causava, não conseguia me afastar dele. Sentia, por Vinícius, medo e fascínio, uma espécie de obsessão. Com o início do trabalho no jornal, vi a adolescência ir embora. Deslocado, no meio daqueles homens mais velhos, eu me refugiava, cada vez mais, em sua companhia. Saíamos todas as noites, depois do trabalho, para beber. Ele foi se afogando, rapidamente, na bebida. Confesso, que sempre senti uma forte atração pelo lado escuro da vida. Mas, depois da falsa alegria, só me restava uma forte depressão. Apesar disso, não saberia o que fazer da minha vida sem Vinícius. Tinha medo da solidão, de ser consumido pela ternura e amor que existiam em mim.
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28 de maio de 2010

Meia-noite

Por Cláudia Magalhães

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Meia-noite. Desde que você partiu levando o Sol, é sempre meia-noite. Todos os dias, na beira do abismo, entre a carne e a sombra, como os poetas, os bêbados, os loucos, eu te procuro, amor. Você nunca saiu do meu pensamento… Quantas lágrimas… Quanta dor… Não te peço pra voltar. Hoje, não te quero mais. Quando você partiu, amaldiçoei a minha vida. Em desespero, a solidão arrancou a minha língua, mas não calou os meus gritos. Sem suportar o peso da saudade, essa maldita ferida do amor, o meu coração parou de bater. Parado em minhas veias, o meu sangue, louco, fazendo-se de tinta, escorre pelos meus dedos e reinventa a vida sobre o papel. Nessa batalha contra a morte, busco nas palavras, alguma idéia que acalme o meu medo, quase insuportável, de morrer. E escrevendo eu te reencontro, amor… Brincando de ser Deus, crio um mundo onde você não é capaz de me dar adeus, de ir embora. Nesse mundo de milagres, não existe o certo, nem o errado. Encharcado de sangue, suor, saliva e vida, te faço meu herói. Queimo o teu corpo. Em seguida, mergulho as tuas carnes em minhas águas profundas, até você morrer, ressuscitar e, novamente, me ver chorar… Chorar pelo sexo como faz toda mulher diante do amor…
Não! Não precisa voltar! Hoje, aprendi a te amar… Entre o mundo definido e o indefinido, eu te perco e te reencontro, sob o comando da voz louca do meu cérebro que, sem juízo, entrega-se com violência ao que me resta: escrever, escrever, escrever…

27 de maio de 2010

Monstros

Por Cláudia Magalhães

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Depois de quarenta anos sonhando acordada com um mundo que não fosse manipulado pelas emoções, onde não existissem sentimentos de horror, nem de piedade, esse monstro de riso abafado, grosseiro, preso na garganta por um bolor de futilidade, aprendi a enfrentar minhas emoções. Hoje, sou eu quem me persigo. Às vezes, tiro-as do comando, me enxergo, descubro a inteligência e colho flores; Em outras, deixo-me guiar até meu centro escuro, sem limite de espaço e de tempo, perco a chave, fujo de mim mesma, sangro. Ingerindo razão e emoção no mesmo prato, decido qual dos dois será o excremento. Não sei em qual desses opostos me ofereço amor, pensou observando o filho cair em sono profundo no seu colo, causado pelo efeito dos sedativos.
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25 de maio de 2010

Lua Negra

Por Cláudia Magalhães

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É através da vontade, de uma grande vontade, que um amor se prende a outro, o resto é solidão, erro que cola à alma dos que não cedem, não insistem ou simplesmente não o aceitam em sua essência, penso eu. Como me chamo? Ora, que importa meu nome? Iguais a ele existem milhares no mundo, e o que difere as mulheres uma das outras são as intensidades de suas vontades, metade delas na cabeça, a outra metade em suas luas que renovam o mundo quando levantam as saias.
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23 de maio de 2010

O Jantar

Por Cláudia Magalhães

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Minha pequena lua, ele dirá sussurrando ao meu ouvido, sob o som sensual de Guess who, de B.B. King. Alguém, realmente, te ama… Quem será?, perguntarei e ele me responderá com um sorriso tão doce e tão suave quanto o vinho… Interrompendo e excitando o tempo, tão veloz quando encontra a paz, jantaremos a luz de velas… Com a confiança de um amor invisível aos olhos da morte, faremos amor com o céu ao alcance das mãos e comeremos estrelas…

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23 de maio de 2010

“Entre Nós” na Casa da Ribeira!

Por Cláudia Magalhães

VÍDEOS (Entre Nós):
http://www.youtube.com/watch?v=EsRm1u_1MIU

http://www.youtube.com/v/y1tFMP6s2Jo&hl=pt-br&fs=1&”><param

“O meu amor me fez comer estrelas. Hoje, tenho verrugas no coração.”
Cláudia Magalhães

“Entre Nós”

Prêmio Klauss Vianna/FUNARTE

“Entre Nós”, estreou em setembro de 2009, passando pelas cidades de Mossoró, Caicó, Santa Cruz e São Gonçalo do Amarante, sempre com grande aceitação pelo público. Após as apresentações, convidamos o público para um bate papo, sobre o tema, sempre inquietante, do isolamento do homem na sociedade atual. Para nossa surpresa, tanto no interior, como em Natal, a aceitação do debate foi imensa. Mais de 30 minutos de indagações e reflexões acaloradas. Em outubro, as apresentações na Casa da Ribeira, dentro do projeto “Cena Aberta”, foi sucesso de crítica e público. Satisfação plena por parte da equipe, pela realização de um trabalho que, sem dúvida, se tornará um marco na arte contemporânea do nosso estado.

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20 de maio de 2010

Meio Fio

Por Cláudia Magalhães

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Há dias que possuem vida própria e são dotados de uma consciência má, hábil, que adora o perigo das coisas subterrâneas, de tudo o que nos causa espanto, nos fazendo em poucos segundos beber a beleza e vomitar os desejos de uma vida inteira. Em mais um desses dias, sentado no meio fio, ele mergulha a mente na idéia de felicidade, aproveita a distância da mulher amada, toma por vezes o seu lugar, moldando-a de tal forma que ela atenda a todos os seus desejos e, em menos de uma hora, mesmo ausente, ele jura ser capaz de apalpá-la.

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19 de maio de 2010

A Noiva

Por Cláudia Magalhães

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Saltou da cama, temendo chegar atrasada. Era o dia do seu casamento! Ah, esse dia jamais será esquecido! A felicidade, assim como a tristeza, tem cheiro de fruta doce, pensou inspirando o suave odor do ar. Correu até o velho baú e retirou, com cuidado, seu velho vestido de noiva. Vestiu-se com dificuldade. O seu corpo agitava-se num vai e vem frenético. Estava, sempre, num balanço, tentando entrar em harmonia com o tempo. E nesse balanço, atingia vôos cada vez mais distantes. A porta do quarto foi aberta por um rapaz de rosto duro e frio, como todos naquele lugar. Não se importaria com ele, estava feliz demais para isso. Poderia, finalmente, reencontrar seu grande amor!

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18 de maio de 2010

Luz e Sombra

Por Cláudia Magalhães

http://teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/

Seja bem-vindo! Estava em companhia da solidão com meus devaneios e delírios, mas sua presença trouxe grande conforto ao meu coração e tenho absoluta certeza que nosso convívio será bem agradável. Deixe o espírito livre. Leia com os olhos da alma. Livre-se de tudo o que causa novas formas de aprisionamento. Há ou não algum juízo no amor? Não fuja! Vamos, responda! Eles estão aqui em suas realidades de luz e sombra e interrogam cada um de nós.

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18 de maio de 2010

Senhor dos Destinos

Por Cláudia Magalhães

Quarta-feira, 18 de março de 2009

Caro Sr. Fulano,

Possuo uma crueldade excepcional que, quando adormecida, cede lugar a uma ternura intrigante, curiosa, que me entorpece, me alivia. Sou escravo dessas duas realidades. Elas me fazem nascer e renascer, todos os dias, e me tornam humano. Sempre que atravesso a delicada e invisível fronteira que as separam, sou tomado por uma espécie de estupidez execrável que, com o passar dos anos, me fez perceber que o espaço que separa a vida da morte é feito de silêncio, do simples quebrar de um salto, de uma brevidade não medida pelo tempo. Somos movidos por uma bomba-relógio chamada coração, cujo controle não nos pertence. Deixei de sentir revolta, aprendi a não brigar com o que desconheço, perdi o sentido do pecado.

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16 de maio de 2010

Amor em Paris

Por Cláudia Magalhães

Clara está no tempo dos amores mal curados, onde o gozo é controlado por um anjo ou demônio, e este ou aquele, deitado a seu lado, com a mão esquerda torna febril e trêmula a sua fenda e com a direita injeta em sua mente doces recordações do passado, paralisando-a por completo.

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