﻿<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Substantivo Plural &#187; Cláudia Magalhães</title>
	<atom:link href="http://www.substantivoplural.com.br/author/claudia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.substantivoplural.com.br</link>
	<description>CULTURA + IDÉIAS + INFORMAÇÕES</description>
	<lastBuildDate>Sat, 11 Feb 2012 18:47:35 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>A Noiva</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/a-noiva-2/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/a-noiva-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 00:10:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=39363</guid>
		<description><![CDATA[www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com
BLOG: http://www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2009/01/noiva.html
Saltou da cama, temendo chegar atrasada. Era o dia do seu casamento! Ah, esse dia jamais será esquecido! A felicidade, assim como a tristeza, tem cheiro de fruta doce, pensou inspirando o suave odor do ar. Correu até o velho baú e retirou, com cuidado, seu velho vestido de noiva. Vestiu-se com dificuldade. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Noiva.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-39366" title="Noiva" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Noiva.jpg" alt="" width="113" height="136" /></a><a href="www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com" target="_blank">www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com</a></p>
<p>BLOG: <a href="http://www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2009/01/noiva.html" target="_blank">http://www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2009/01/noiva.html</a></p>
<p>Saltou da cama, temendo chegar atrasada. Era o dia do seu casamento! Ah, esse dia jamais será esquecido! A felicidade, assim como a tristeza, tem cheiro de fruta doce, pensou inspirando o suave odor do ar. Correu até o velho baú e retirou, com cuidado, seu velho vestido de noiva. Vestiu-se com dificuldade. O seu corpo agitava-se num vai e vem frenético. Estava, sempre, num balanço, tentando entrar em harmonia com o tempo. E nesse balanço, atingia vôos cada vez mais distantes. A porta do quarto foi aberta por um rapaz de rosto duro e frio, como todos naquele lugar. Não se importaria com ele, estava feliz demais para isso. Poderia, finalmente, reencontrar seu grande amor!</p>
<p><span id="more-39363"></span>Em busca do seu coração, seguiu em direção ao pátio. Por que quanto mais queremos chegar a um determinado lugar, mais ele se torna longe?, pensou ao atravessar o longo e frio corredor. As pessoas, que por lá circulavam, não notaram sua chegada. Nenhuma alma. Nem grande, nem pequena. De nada adiantava expirar, com seu deslumbrante vestido branco, tanta felicidade. As pessoas não gostam do sucesso alheio. A felicidade, sempre, incomoda, pensou sentindo toda sua alegria pesar o ar.</p>
<p>Correu em direção ao que chamava de “pequeno jardim”. Nesse lugar, todos os dias, na mesma hora, o esperava sentada num banco, branco, de ferro, que ficava sob uma enorme mangueira. A vida é uma enorme repetição, pensou observando uma manga rosa, tão doce quanto seu coração, pendurada na frondosa árvore. Era a fruta mais bela que já vira. Precisava pegá-la, ela seria seu buquê e quando terminasse a cerimônia, a ofertaria ao homem amado. Ela representaria seu amor! Teria presente mais doce? Não, definitivamente, não! Ah, como o amava! Esse amor tomou conta do seu corpo e tornou-se seu universo. Não entendia o real motivo de ter sido abandonada por ele naquele lugar frio e autoritário, dependendo da bondade, indiferente, daquelas pessoas que entendiam, somente, de bulas de remédio. É certo que estivera completamente no escuro por algum tempo e que andara com as mãos no lugar dos pés, mas, agora, estava “recuperada”. Lutaria pelo homem amado. Subiria na árvore, mesmo que se machucasse. Seus arranhões seriam como uma carta de amor. Era necessário mutilar-se com algumas farpas para provar a grandeza do seu sentimento. Toda carta de amor deveria ser escrita na carne, com sangue, dessa forma, todas as promessas de amor virariam cicatrizes, acompanhariam todos nossos passos e jamais seriam esquecidas com o tempo, pensou ao subir na árvore. Alcançou a manga e colocou-a, com cuidado, no banco. Limpou o vestido. Arrumou os cabelos, jogando-os para o alto e, dando-lhes um nó, improvisou um rabo de cavalo. Estaria impecável quando ele chegasse. Depois de alguns segundos de silêncio, retomaria o fôlego e lhe daria um longo e caloroso beijo. Diria que o amava com loucura e sairiam, de mãos dadas, daquele inferno. Escreveriam uma linda história de amor no tempo e mostrariam as pessoas que o amor necessita de perdão. Pensou em como seria bom tê-lo de volta. Preparar com carinho suas comidinhas preferidas, fazer amor e adormecer em seus braços com a certeza da existência de coisas que nunca se acabam e que nos voltam mais fortes quando a esperamos com paciência e determinação. Limpou, novamente, o vestido. Desmanchou o rabo de cavalo e o refez com agilidade. Nunca estava bom o suficiente. O amor, também, é assim. Nunca é bom o suficiente. Por essa razão fora abandonada. Essa sua mania imbecil de querer tudo no seu devido lugar, de arrumar, incansavelmente, a louça, a casa, era uma prova do seu amor. Ao ter a certeza disso, ele a abandonou. Ele passou a odiá-la pelo simples fato dela o amar. Pegou a manga e observou-a com atenção. Nunca vira uma manga tão bela! Cheirou-a e, novamente, colocou-a sobre o banco. Tinha absoluta certeza de que, em algum momento, ela a faria sofrer. Todas as coisas boas nos fazem sofrer. Elas moram na esquina do amor com o ódio, concluiu com tristeza. Limpou o vestido, refez o rabo de cavalo, pegou a manga, cheirou-a e pensou com uma estranha surpresa: Nunca vi uma manga tão bela! Por duas horas, repetiu esse ritual, incansavelmente. Quando ele chegar, direi que o amo com loucura até a exaustão. Repetirei inúmeras vezes. A vida é uma grande repetição e usarei isso a meu favor, repetindo, somente, as coisas boas, concluiu com satisfação refazendo o penteado.</p>
<p>Faltavam poucos minutos para o pôr-do-sol, quando escutou o som de passos firmes. Eram eles. Malditos! Sanguessugas do inferno!, pensou sentindo um medo quase insuportável. Nesse instante, o céu fechou as pernas arrastando nuvens pesadas e cinzentas, e escondeu o seu azul mais profundo. Tudo ficou plano, reto, uniforme. Não havia estrelas, nem firmamento. Sumiram as cores e do arco-íris, somente o nada. Estava tudo acabado. Fechou os olhos e deixou-se molhar pela água que derramava em seu peito. Sem o seu amor, tudo seria somente chuva. Uma chuva que traria seu passado em relâmpagos, queimaria suas lembranças, reduziria tudo a cinzas, fazendo seu futuro fugir pela boca feito fumaça. Cantou em silêncio, vendo-o morrer arrastado pelo tempo. Olhou a manga e constatou que, em breve, ela seria apenas uma fruta podre ou, então, seria devorada por algum estranho. Soltou um terrível grito de dor. Não! Não deixaria ninguém meter as mãos no que tinha de mais doce. Aquela fruta era seu amor. Se alguém tinha que provar sua doçura, esse alguém seria ela! Devorou a manga e sentiu sua felicidade escorrer pelos dedos. Os dois homens observaram com uma estúpida frieza, por alguns segundos, aquela mulher de rosto inquieto, dando as costas à razão em nome do amor. Não entendiam que não existe nenhuma arma contra ele, somente uma defesa: a loucura. Essa fuga dos perigos da vida. É nesse repouso dentro de nós, que ela nos desmonta e nos torna vítima e algoz.</p>
<p>Deixou-se agarrar por eles. Não se moveu, nem falou nada. Tudo poderia ser usado contra ela. Atravessaram o longo e frio corredor. Deitaram-na na cama, deram-lhe alguns comprimidos e saíram. Nenhum sorriso, nenhum carinho. Não chorou, já estava acostumada com a frieza dos homens sem coração. Enfrentaria a insignificância dos momentos em que teria que viver como se nunca tivesse experimentado um grande amor. Não tinha escolha. Tomaria todos os remédios, faria todas as refeições, como um animal domesticado. No início, quando chegou naquele maldito lugar, tentou se rebelar, mas, tal qual um amor contrariado, todas as suas tentativas de se fazer ouvir foram usadas contra ela. Esperaria a próxima oportunidade e fugiria dali. As pessoas enlouqueceram. Elas não sabem mais amar, constatou com a loucura dos que amam demais.</p>
<p>Ele não apareceu. Teria mais uma chance? Não sabia. Restava-lhe sonhar. Talvez, a forma mais humana, mais justa, de viver. Nos sonhos, encontraria o poder da loucura, do seu lirismo, indispensável para alcançar o amor. Somente os loucos amam. Em algum deles, o reencontraria num lugar chamado poesia. E, com uma flor na boca, ele lhe diria, somente, palavras de amor. Ela escutou o barulho de risadas debochadas, dos enfermeiros, vindas do corredor. O mundo ignorava sua tristeza. Adormeceu chorando baixinho, sentindo o gosto, agora, amargo, do que já lhe fora doce, extremamente doce.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/a-noiva-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Espetáculo &#8220;Dolores&#8221;, que será apresentado em Recife dia 24, é citado na seleção dos melhores espetáculos da Bravo!</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/espetaculo-dolores-que-sera-apresentado-em-recife-dia-24-e-citado-na-selecao-dos-melhores-espetaculos-da-bravo/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/espetaculo-dolores-que-sera-apresentado-em-recife-dia-24-e-citado-na-selecao-dos-melhores-espetaculos-da-bravo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 16:05:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agenda]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=39200</guid>
		<description><![CDATA[Foto da Capa da Revista BRAVO deste mês e da matéria com Cláudia Magalhães e Isaque Galvão na foto que destaca a participação do musical, dia 24 deste mês, no 18º FESTIVAL INTERNACIONAL JANEIRO DOS GRANDES ESPETÁCULOS em Recife!


]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foto da Capa da Revista BRAVO deste mês e da matéria com Cláudia Magalhães e Isaque Galvão na foto que destaca a participação do musical, dia 24 deste mês, no 18º FESTIVAL INTERNACIONAL JANEIRO DOS GRANDES ESPETÁCULOS em Recife!</p>
<p><span id="more-39200"></span><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DOLORES-NA-REVISTA-BRAVO.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-39207" title="DOLORES NA REVISTA BRAVO!" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DOLORES-NA-REVISTA-BRAVO.jpg" alt="" width="420" height="578" /></a></p>
<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DOLORES-NA-REVISTA-BRAVO-DESTE-M+èS-PARA-TODO-O-BRASIL.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-39208" title="DOLORES NA REVISTA BRAVO DESTE M+èS PARA TODO O BRASIL!" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DOLORES-NA-REVISTA-BRAVO-DESTE-M+èS-PARA-TODO-O-BRASIL.jpg" alt="" width="326" height="448" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/espetaculo-dolores-que-sera-apresentado-em-recife-dia-24-e-citado-na-selecao-dos-melhores-espetaculos-da-bravo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Monstros</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/monstros-2/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/monstros-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 17 Dec 2011 19:22:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=38429</guid>
		<description><![CDATA[Blog: http://teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2009/08/monstros.html

Depois de quarenta anos sonhando acordada com um mundo que não fosse manipulado pelas emoções, onde não existissem sentimentos de horror, nem de piedade, esse monstro de riso abafado, grosseiro, preso na garganta por um bolor de futilidade, aprendi a enfrentar minhas emoções. Hoje, sou eu quem me persigo. Às vezes, tiro-as do comando, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Blog: <a href="http://teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2009/08/monstros.html" target="_blank">http://teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2009/08/monstros.html</a></p>
<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Conto-MONSTROS.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-38431" title="Conto MONSTROS" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Conto-MONSTROS.jpg" alt="" width="235" height="276" /></a></p>
<p>Depois de quarenta anos sonhando acordada com um mundo que não fosse manipulado pelas emoções, onde não existissem sentimentos de horror, nem de piedade, esse monstro de riso abafado, grosseiro, preso na garganta por um bolor de futilidade, aprendi a enfrentar minhas emoções. Hoje, sou eu quem me persigo. Às vezes, tiro-as do comando, me enxergo, descubro a inteligência e colho flores; Em outras, deixo-me guiar até meu centro escuro, sem limite de espaço e de tempo, perco a chave, fujo de mim mesma, sangro. Ingerindo razão e emoção no mesmo prato, decido qual dos dois será o excremento. Não sei em qual desses opostos me ofereço amor, pensou observando o filho cair em sono profundo no seu colo, causado pelo efeito dos sedativos.</p>
<p><span id="more-38429"></span>Sim, essa massa branca, disforme, que há quarenta anos rasteja pela casa soltando grunhidos, é o meu filho! Como eu o amo!, constatou com tristeza, acariciando o fruto de um amor que teve aos trinta e cinco anos e que desapareceu logo após o parto, deixando como única prova de sua existência os míseros depósitos feitos, todos os meses, em sua conta. Não sabia o real motivo daquele gesto, talvez ele estivesse envenenado de piedade, ou quem sabe, guiado pelo medo de se perder da estrada que acredita um dia levá-lo ao Paraíso. Desde então, ela passou a dedicar-se religiosamente a seu filho e a protegê-lo de um mundo de olhos amedrontados, de nojo, de conversas rasteiras e tolas, de orações sem fé perdidas ao vento. Bom dia, Senhora! Como vai o seu filho?, lembrou da pergunta da vizinha que encontrara, pela manhã, no mercado da esquina. Como Deus quer!, respondeu secamente. Todos os dias, eu oro por ele e por meu filho, que, agora, passou a andar com gente da pior espécie!&#8230; Cada um com a sua dor!, concluiu com um olhar de mártir. Mal sabe essa mãe o quanto eu gostaria de chamar meu filho de ladrão, de mentiroso, de homicida. De vê-lo chegar tarde da noite com cheiro de vida, sangue, lágrimas, suor, saliva, com sede de rua. De quantas vezes desejei amar novamente, mas não poderia suportar ver no ser amado, desejado, a expressão miserável de escarro, o vômito reprimido, uma compaixão monstruosa que só serviria para aumentar a vaidade de Deus, pensou com amargura. Lembrou, então, de todas as noites, durante quatro décadas, em que colocou aquela cabeça disforme em seu colo e lhe falou da existência de monstros, de todas as espécies e de todas as cores, que, até hoje, evitam a sua calçada com medo da casa, que para eles é mal-assombrada, pois nela mora um anjo. Essa noite, doente e cansada, ela começa a falar sem conter as lágrimas:</p>
<p>- Um lindo anjo, com pernas de fogo, que desceu a terra escorregando pelo arco-íris, sentado sobre uma nuvem e vestido de Sol. E quando observava o meu semblante triste e cansado, deitava a cabeça em meu colo e, sem mover os lábios, aliviava meu pranto, dizendo-me que por trás desse mundo de sombras, a esperança é preservada. Não é sem razão que o amo! Hoje, meu anjo, nós vamos para o mundo dos sonhos, onde habitam seres encantados, iguais a você! Eles possuem um coração puro, não conhecem orações e nem pedidos. Não se importam com as aparências, vivem do simples e podem rir até mesmo de seus pequenos hábitos. Brincam de se reunir em volta de uma grande fogueira, onde contam histórias que nos enriquecem a sabedoria.</p>
<p>Trocam presentes que se chamam: Amor pelo próximo! Amor abnegado! Amor! Lá, ninguém precisa falar! Tamanha é a cumplicidade que proferir uma palavra seria um desperdício. Nesse mundo, teu espírito será livre, minha criança. Lá, não existe velhice, ninguém dá adeus, ninguém vai embora, e eternamente te chamarei de: meu filho!</p>
<p>Levanta com passos firmes, decididos, joga gasolina em seu corpo e em seu anjo adormecido. Espalha o líquido pelo chão do quarto e pela casa inteira. Volta até o quarto do filho, coloca novamente sua cabeça em seu colo, e pega, sobre o criado-mudo, o pedaço de papel com a oração de todas as noites, desta vez, com um cuidado demoníaco, pois chegara o dia da cobrança e não poderia esquecer nenhuma palavra. Risca o fósforo, joga-o sobre o tapete do quarto e começa a sua oração:</p>
<p>- Ave-Maria cheia de graça&#8230; Que graça é essa que se faz presente agora? O Senhor é convosco&#8230; Ele não enxerga o meu sofrimento? Ele não vê que a minha alma não encontra consolo porque não nos achamos na mesma condição! Bendita sois vós entre as mulheres&#8230; Mulheres? As mulheres da terra existem para o sofrimento e são entregues a dor sem piedade. Ao conceber o seu filho concebe também um amor que nenhum freio segura e a vida, no momento que lhe convém, o transforma em nosso maior inimigo, fazendo-nos pagar tão caro a maternidade! Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus!&#8230; Porque o meu já caiu na desgraça. Vejo aquele que gerei, que deveria ser testemunha da minha velhice e enterrar-me com suas próprias mãos, entrar e sair desse mundo como um verme! Será esse nosso castigo: Dormir sonhando com o céu e acordar no inferno? Santa Maria, mãe de Deus!&#8230; Eu quero a sua presença agora! Receba em teu reino o filho dessa tua miserável serva para que nada lhe falte. É o seu dever, pois és mãe e és Santa! Rogai por nós pecadores&#8230; Porque toda mãe ama seus filhos de alma para alma, com suas faltas, seus erros e seus sonhos inúteis! Que em teu seio, ele encontre morada; nas tuas palavras, a luz; no teu amor, o perdão de ter nascido torto!</p>
<p>Peço-te agora a morte! A velhice já me destrói as carnes, a qualquer momento a vida poderia me cuspir e o meu anjo viveria nesse mundo como um cadáver. Estou pronta, e já aguardo o momento de reencontrar o amor perdido&#8230;<br />
Nesse momento, o fogo estende-se na direção deles. Um fogo real consome o corpo da velha mãe e do seu herói, que tantas vezes sonhou em chamar de ladrão, de mentiroso, de homicida. Agora, a terra gira devagar, cuspindo o amor nobre, que tanto procuramos e que, cansado, punido, foge da vida, buscando refúgio em nossos sonhos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/monstros-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Nosso Musical &#8220;DOLORES&#8221; no Festival Internacional Janeiro de Grandes Espetáculos!!!</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/nosso-musical-dolores-no-festival-internacional-janeiro-de-grandes-espetaculos/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/nosso-musical-dolores-no-festival-internacional-janeiro-de-grandes-espetaculos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 19:44:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agenda]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=38130</guid>
		<description><![CDATA[O Musical &#8220;DOLORES&#8221; representará o Nordeste no Festival Internacional Janeiro de Grandes Espetáculos realizado há 18 anos, em Recife, pela APACEPE, com o apoio da Prefeitura do Recife e Governo do Estado de Pernambuco.
O Janeiro de Grandes Espetáculos é uma mostra anual, realizada em Recife, a preços populares, em todos os teatros da cidade, composta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Musical &#8220;DOLORES&#8221; representará o Nordeste no Festival Internacional Janeiro de Grandes Espetáculos realizado há 18 anos, em Recife, pela APACEPE, com o apoio da Prefeitura do Recife e Governo do Estado de Pernambuco.</p>
<p><span id="more-38130"></span>O Janeiro de Grandes Espetáculos é uma mostra anual, realizada em Recife, a preços populares, em todos os teatros da cidade, composta prioritariamente por espetáculos de teatro, dança e música que mais se destacaram durante o ano anterior em Pernambuco. Participam também, espetáculos convidados no âmbito estadual, nacional e internacional. Outras atividades também compõem o Janeiro, como cursos, oficinas artísticas e técnicas, palestras, discussões culturais e leituras dramatizadas.</p>
<p>O projeto irá realizar sua 18ª edição entre 13 e 29 de janeiro de 2012.</p>
<p><strong>Musical &#8220;DOLORES&#8221;<br />
</strong>Cláudia Magalhães (Dolores) e Isaque Galvão (Antonio Maria) cantam e interpretam as eternas canções de Dolores Duran e os belos textos de Antonio Maria.<br />
Direção: Diana Fontes<br />
Co-direção: Jonas Sales<br />
Produção: Ronaldo Negromonte</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/nosso-musical-dolores-no-festival-internacional-janeiro-de-grandes-espetaculos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Deus e o Diabo</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/deus-e-o-diabo-2/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/deus-e-o-diabo-2/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 12:06:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=37615</guid>
		<description><![CDATA[
Blog: http://teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2008/06/deus-e-o-diabo.html
Quero deixar bem claro que não estou aqui em busca de compaixão. A minha única intenção é a de compartilhar a minha história com o maior número possível de pessoas, já que, a qualquer momento a vida poderá me cuspir, e sempre que falo sobre o assunto em questão, sinto um grande alívio na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Conto-Deus-e-o-Diabo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-37620" title="Conto Deus e o Diabo" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Conto-Deus-e-o-Diabo.jpg" alt="" width="294" height="300" /></a></p>
<p>Blog: <a href="http://teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2008/06/deus-e-o-diabo.html" target="_blank">http://teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2008/06/deus-e-o-diabo.html</a></p>
<p>Quero deixar bem claro que não estou aqui em busca de compaixão. A minha única intenção é a de compartilhar a minha história com o maior número possível de pessoas, já que, a qualquer momento a vida poderá me cuspir, e sempre que falo sobre o assunto em questão, sinto um grande alívio na alma.<br />
<span id="more-37615"></span>Alguns de vocês podem ficar horrorizados; outros, talvez, admitam para si, que já cometeram algo do gênero em pensamento; e um ou outro, o tenha realizado com a mesma intensidade e o ache bastante natural.<br />
Eu me chamo Carlos. Sempre fui amável, bem-humorado e comunicativo. Uma excelente companhia na roda de amigos. Tive inúmeras namoradas e com todas o relacionamento foi bastante equilibrado. Até que conheci, aos 35 anos, Helena. Aos 34 anos, ela era bela, inteligente e tinha um humor como poucos. Fui tomado por um sentimento monstruoso, forte, que me deixava insuportavelmente feliz. Não demorou para nos casarmos. No início, tudo tranqüilo, mas com o passar dos meses fui ficando cada vez mais inseguro, com fortes crises de ciúmes. Passei a beber compulsivamente. Sentia um ciúme especial por Marcos, um amigo em comum, e que sempre estava presente na roda de amigos. Ele era um empresário bem sucedido, metido a galã, boa conversa. Todas as pessoas o admiravam, inclusive Helena. No bar, ele fazia questão de sentar ao lado dela. Como isso me irritava! E os olhares? Ah&#8230; Os olhares que eles trocavam cúmplices, cheios de desejo. O ódio que passei a sentir por ele, é difícil de descrever. Quando nos encontrávamos o meu corpo era tomado por um pavor que me causava espanto. Tentei, juro que tentei, reverter essa situação, me aproximando mais dele. Mas quanto mais agradável e amigo ele era, mais ameaçador ele se tornava para mim. Entrei no inferno. Pensava, em Carlos e Helena se amando, o dia inteiro. Até que, numa terça-feira, não suportando mais essa situação, saí mais cedo do trabalho. Fui direto para o bar. Para minha surpresa, lá estava ele, o meu rival, sozinho numa mesa lendo o jornal do dia. Maldito! O meu corpo todo tremeu, Não sabia se estava com boa ou má sorte. Demônio! Entrou em minha vida pra tentar destruir o meu amor e estava lá, tranqüilo, sereno. Ele sorriu na minha direção. Um sorriso largo, amigo. Canalha! Ele nunca pareceu tão demoníaco quanto nesse momento. Não havia mais ninguém conhecido no bar. Era a minha grande oportunidade. Desliguei o telefone e fui em sua direção. Nunca fui tão agradável, tão simpático como naquele dia. Conversamos sobre futebol, livros, filmes&#8230; Enquanto isso, um filme, em especial, ia passando na minha cabeça, onde ele e Helena eram os protagonistas&#8230; Filho do cão! Fingindo ser meu amigo com um único objetivo: seduzir Helena, a minha doce Helena! Entrei no jogo pra vencer. Ele só sai daqui embriagado, pensei. Dito e feito. Paguei a conta. Disfarçadamente, peguei uma das facas que serviu para cortar o tira gosto e coloquei dentro do meu casaco. Era pequena, porém pontuda e muito afiada. Serviria para o meu intento. Saímos do bar abraçados. Vou levar você em casa e de lá eu pego um táxi.Onde está o seu carro?, perguntei. Está na rua ao lado, respondeu, me entregando a chave. Era uma rua perfeita, deserta. Entramos no carro. Fechei a porta. Carlos, embriagado, logo adormeceu no banco do passageiro com a cabeça encostada no vidro, deixando o lado esquerdo do pescoço completamente exposto. Me senti Deus naquele momento, ou o Diabo, se preferirem. Qual é mesmo a diferença de um para o outro? Não importa. Eu transpirava muito. Pensei em Helena, meu grande amor&#8230; Ela era inocente, eu conhecia bem o seu caráter, era somente uma vítima daquele canalha! Estava decidido. Peguei a faca e mirei na jugular. Quando desferi o golpe ele se mexeu, acertando no seu ombro. Ele acordou assustado. Olhou pra mim com aqueles malditos olhos do inferno. O meu sangue fervia. Estava possesso e deixei os meus instintos me guiarem. Desferi vários golpes, na barriga, no rosto, na perna&#8230; Eu sentia prazer enquanto ele gemia de dor. Sinto-me constrangido ao dizer isso, mas não é esse alternar de estado de espírito dos homens, onde uns tem que chorar para que outros possam sorrir, que sustenta a vida? Sim, eu sentia um enorme prazer ao ver o seu espírito se contorcendo, lutando contra a morte. Até que, finalmente, puxei a cabeça dele para trás e desferi o golpe fatal. Pronto. Estava tudo acabado. Estou preso há dois anos. Fui condenado pelo assassinato de um homem que todos consideravam bom, um santo&#8230; Ele foi o culpado! Ele estava infernizando a minha vida! Eu não tinha saída. Se algum de nós é Deus ou o Diabo, pouco importa, os dois gostam muito de sangue&#8230;<br />
Desde aquele dia, nunca mais vi Helena&#8230; A minha doce Helena&#8230; Matei um homem pensando em começar uma vida nova ao lado do meu grande amor. Mas, desde aquela noite, o Sol se recusa a nascer.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/deus-e-o-diabo-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Música &#8220;Luz e Sombra&#8221;</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/musica-luz-e-sombra/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/musica-luz-e-sombra/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 21:48:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=37486</guid>
		<description><![CDATA[LUZ E SOMBRA (Parte 1)
 (Danilo Guanais e Cláudia Magalhães)
 
Onde estão as flores?
Onde estão as dores?
Pra que servem as cores do amor?
Elas se misturam
Elas se completam
Para, então, um dia desbotar.
Se conhecer, responda, por favor&#8230;
Isso é lógico?
De onde vêm as mágoas?
De onde vêm os sonhos?
Não se vive uma vida sem sofrer?
Se responder, entenda, por favor&#8230;
Isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>LUZ E SOMBRA (Parte 1)</p>
<p><strong> (Danilo Guanais e Cláudia Magalhães)</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Onde estão as flores?<br />
Onde estão as dores?<br />
Pra que servem as cores do amor?<br />
<span id="more-37486"></span>Elas se misturam<br />
Elas se completam<br />
Para, então, um dia desbotar.<br />
Se conhecer, responda, por favor&#8230;<br />
Isso é lógico?<br />
De onde vêm as mágoas?<br />
De onde vêm os sonhos?<br />
Não se vive uma vida sem sofrer?<br />
Se responder, entenda, por favor&#8230;<br />
Isso é estúpido&#8230;<br />
Isso é irônico&#8230;<br />
É ridículo&#8230;<br />
E o que estamos guardando<br />
Dentro de nós<br />
é irreal, é demente, é devastador!<br />
Pra onde vão as sombras?<br />
Pra onde vão as luzes?<br />
Se a vida desiste de atuar?<br />
Se entender, decida, por favor&#8230;<br />
Quando é hábito&#8230;<br />
Quando é rótulo&#8230;<br />
Quando é cênico&#8230;<br />
Pois meu número,<br />
obra póstuma,<br />
ficou célebre.<br />
Quem vai dar respostas?<br />
Vamos aguardar&#8230;<br />
(Parte 2)<br />
Onde fica o inferno?<br />
Onde é o paraíso?<br />
Vida só é vida com os dois&#8230;<br />
Quem decide ao certo?<br />
Será Deus ou o diabo?<br />
A hora exata de partir?<br />
Pois nessa esquina da desilusão<br />
tudo é trágico&#8230;<br />
Seja errado ou certo,<br />
por mal ou por bem,<br />
somos tiro e alvo também&#8230;<br />
E é só vendo o outro<br />
que a gente se enxerga.<br />
Ou no espelho de um simples olhar<br />
Pois nessa esquina da transformação<br />
tudo é mágico&#8230;<br />
tudo é místico&#8230;<br />
tudo é cínico&#8230;<br />
E por trás desse mundo de sombras<br />
A esperança é preservada&#8230;<br />
Ô Ô Ô&#8230;<br />
Quem feriu não lembra&#8230;<br />
Qual será o castigo?<br />
Quem morreu se foi&#8230;<br />
Quem matou?<br />
Nossa vida tem suas próprias leis,<br />
mas nessa esquina da contradição,<br />
nada é válido&#8230;<br />
nada é lícito&#8230;<br />
nada é lúcido&#8230;<br />
nada é explícito&#8230;<br />
Mesmo uma vida inteira é pouco<br />
pra no final ficar em paz,<br />
nesse lugar de onde ninguém jamais partiu.<br />
Vamos ficar, pra nunca dar adeus&#8230;. Adeus&#8230;<br />
Adeus&#8230;</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/jfPmAtiiKFE&amp;feature" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/jfPmAtiiKFE&amp;feature"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/musica-luz-e-sombra/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Lua Negra</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/lua-negra-3/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/lua-negra-3/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 12:15:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=37447</guid>
		<description><![CDATA[Blog: http://teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2009/06/lua-negra.html
É através da vontade, de uma grande vontade, que um amor se prende a outro, o resto é solidão, erro que cola à alma dos que não cedem, não insistem ou simplesmente não o aceitam em sua essência, penso eu. Como me chamo? Ora, que importa meu nome? Iguais a ele existem milhares de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/11/lua.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-37453" title="lua" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/11/lua.jpg" alt="" width="141" height="194" /></a>Blog: <a href="http://teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2009/06/lua-negra.html" target="_blank">http://teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/2009/06/lua-negra.html</a></p>
<p>É através da vontade, de uma grande vontade, que um amor se prende a outro, o resto é solidão, erro que cola à alma dos que não cedem, não insistem ou simplesmente não o aceitam em sua essência, penso eu. Como me chamo? Ora, que importa meu nome? Iguais a ele existem milhares de outros no mundo, e o que difere as mulheres uma das outras são as intensidades de suas vontades, metade delas na cabeça, a outra metade em suas luas que renovam o mundo quando levantam as saias.</p>
<p><span id="more-37447"></span>É certo que essa renovação depende, por um lado, da qualidade do ventre, um ventre imundo só pode gerar criaturas imundas, e por mais que a alma seja limpa, perfumada, o simples contato de um com o outro acaba por contaminá-la. Por outro lado, temos a participação do sêmen que, movido pelo acaso, pode doar sua melhor ou pior parte. É dessa forma que construímos o mundo, sim, nós, posto que deus é puro demais para isso.</p>
<p>Nesse mundo, nasci. Em uma rua qualquer, numa cidade qualquer. Informações que não posso revelar, pelo simples fato que, algumas horas após meu nascimento, ainda cheirando a sangue, fui posta enrolada num lençol sujo, fétido, presumo, na porta de Carmem e Manoel, um casal distinto, donos de uma pensão.</p>
<p>Seja por bondade divina, seja por desejar algum lugar no paraíso ou por mera curiosidade humana, ou seja ainda por pura piedade desprovida de qualquer interesse (Se é que isso, realmente, existe!), os donos da pensão me adotaram como filha, a partir daí, passamos a sentir um amor grande demais para não matar, roubar ou trair.</p>
<p>Tímida, cresci indo da escola para casa durante a semana, e de casa para a igreja aos domingos, onde conheci o meu marido, Paulo, primeiro e único namorado, ambos com dezessete anos, no ano em que concluíamos o segundo grau e que nos preparávamos para o vestibular. Infelizmente, minha mãe veio a falecer nesse período, o que me fez adiar a faculdade para cuidar do meu pai, já com setenta e dois anos, e da pensão. Nesse mesmo ano, me casei e, no ano seguinte, realizei o maior sonho dele, ter um neto. Nunca morri de amores por Paulo. Éramos na verdade mais amigos que amantes, além disso, éramos bem parecidos, extremamente tímidos. Na verdade achava a minha vida monótona e sem graça.</p>
<p>Cuidava da pensão sozinha, desde as refeições servidas até a troca de uma lâmpada, posto que Paulo tem aversão a qualquer tarefa doméstica. A pensão é pequena. Um primeiro andar cor de abóbora, recuada, sem muro, com um pequeno jardim na entrada. No térreo, temos uma espaçosa varanda, onde geralmente me deito para ler enquanto meu filho brinca, uma sala de tv, a cozinha, dois banheiros e um enorme quintal. No andar superior temos seis quartos, um do meu pai, outro meu e de Paulo, e o restante são ocupados geralmente por estudantes universitários.</p>
<p>No quarto ano de casamento, enquanto meu filho tirava um cochilo depois do almoço, e eu descansava na rede da varanda lendo Bel-Ami, de Maupassant, Clara apareceu. Era uma estudante de jornalismo e procurava um lugar mais barato e próximo da faculdade. Extremamente comunicativa, não necessariamente bonita, mas tinha certo charme. Alta, cabelos castanhos, curtos e um sorriso cheio, encantador. Acertamos sua estadia e conversamos por horas sobre a minha grande paixão, os livros. À noite, apresentei-a a Paulo, que chegava do trabalho. Ele trocou meia dúzia de palavras e subiu para o quarto. Continuamos nossa conversa literária durante o jantar. Estava extremamente feliz, tínhamos tantas afinidades e ela era uma excelente companhia. Passei a esperar, com ansiedade, a hora dela voltar da universidade para as nossas longas e intermináveis conversas. Observei que, todos os dias, ela e Paulo chegavam juntos por volta das dezenove horas. Paulo trabalhava numa loja de informática perto da faculdade e, coincidentemente, eles pegavam o mesmo ônibus. Chegavam sempre sorrindo, animados. Na segunda semana, isso passou a me incomodar, o que fez com que eu passasse a evitá-la. Clara passou a ser uma obsessão. Passei a ter insônias terríveis imaginando um possível romance entre os dois e todas as noites, antes de dormir, eu perguntava as mesmas coisas:</p>
<p>- Clara lhe atrai, não é mesmo?</p>
<p>- Porra, eu já pedi que parasse com essas perguntas idiotas!</p>
<p>- Está gostando dela, não é?</p>
<p>- Claro que não! Quantas vezes eu vou ter que repetir isso!</p>
<p>- Você fica todo alegrinho quando ela está por perto.</p>
<p>- Você é louca!</p>
<p>- Eu sei de tudo&#8230;</p>
<p>- Tudo o quê?</p>
<p>- Você sonha com ela todas as noites&#8230;</p>
<p>- Eu vou embora daqui. Estou falando sério!</p>
<p>- Tanto faz&#8230;</p>
<p>Ele achava ridículo o meu ciúme, o que me causava grande revolta. Senti algo estranho, um deserto no peito. Passei a não suportar as luzes e a andar pela pensão feito um réptil, grudando nas paredes, me arrastando pelos cantos, pisando mole no chão, para poder vigiá-la. Ela não saía do meu pensamento&#8230;</p>
<p>Certa manhã, encontrei a porta do seu quarto entreaberta. Entrei e a vi adormecida sobre a cama. Senti uma vontade enorme de destruí-la. Não sabia de onde vinha tanto ódio, não ainda&#8230; Observei, pendurado por um fio de nylon grosso na parede mofada da cama, um enorme espelho. Peguei uma vassoura que estava próxima a porta e com o cabo empurrei com cuidado o fio até a pontinha do prego enferrujado e saí com o coração aos saltos em direção à cozinha. Coloquei uma xícara de café e fiquei esperando. E se ele não cair? Bem, só me resta esperar&#8230; Nesse momento, escutei uma pancada seca seguida de um grito fino, estridente. Maldita! Eu sou uma grande Maldita!, pensei correndo em direção ao quarto dela. Ela estava em pé, de costas, aparentemente sem nenhum arranhão. Sem que ela me visse, voltei para meu quarto e encontrei Paulo sentado na cama.</p>
<p>- Que barulho foi esse? – perguntou ainda sonolento</p>
<p>- O espelho do quarto de Clara caiu – falei andando, sem parar, de um lado para o outro</p>
<p>- Essas paredes estão podres, a qualquer momento essa pensão desaba.</p>
<p>- Infelizmente ela não morreu!</p>
<p>- Você me dá medo&#8230;</p>
<p>- Então morra logo de uma vez ao escutar essa: Eu armei para o espelho cair! Entrei no quarto dela, hoje cedo, e enquanto ela dormia, com um cabo de vassoura puxei o fio de nylon até a pontinha do prego, mas o maldito espelho só resolveu cair quando ela já não estava mais na cama!</p>
<p>- Chega! Não agüento mais, vou embora desse inferno!</p>
<p>Arrumou, rapidamente, a mala e, sem dizer uma palavra, saiu. Fui em direção ao quarto dela, e a encontrei, sentada de costas, observando pela janela Paulo partir.</p>
<p>- Ele foi embora, está feliz por isso?</p>
<p>- Você sabe o que é frustração? – perguntou num fiapo de voz</p>
<p>- O quê? – perguntei sem entender qual era sua real intenção</p>
<p>- Frustração é querer, realmente, algo e covardemente deixá-lo pra trás</p>
<p>Apesar da penumbra vi que ela chorava. Senti um medo insuportável quando descobri, naquele instante, que todos os sentimentos que passaram pelo meu coração eu sabia diagnosticar, exceto o que passei a sentir naquele momento. Sem saber ao certo o que fazer, nem dizer, fui até a janela e fiquei observando o céu coberto de nuvens, e não menos nublado estava o meu olhar. Ela continuou baixinho:</p>
<p>- O amor foi criado por algum louco, de alguma parte de seu corpo, menos dos olhos, pois nada vê e por isso não privilegia os que enxergam. Talvez tenha sido criado da cabeça, pois seus atos são estranhos e incoerentes; para os que tentam compreendê-lo, queima-lhes o juízo; para os que tentam contradizê-lo, cava-lhes um buraco no peito, pintando seus dias de cinza; para os que tentam fugir, corta-lhes as pernas, fazendo dos que querem correr, rastejar. Somos parecidas, sonhamos com manhãs abençoadas por luas&#8230; e para os covardes essa lua é negra&#8230;</p>
<p>Um misto de medo e vergonha me invadiu quando senti suas mãos puxando levemente meus cabelos pra trás e com delicadeza serem trançados. A cada movimento delas, sentia nossas mentes se enlaçando como uma espécie de ritual maligno e irresistível. Não sei ao certo se perdia ou ganhava sensatez, quando minha mente, no lugar do recuo, resolveu ultrapassar a linha tênue que separa o amor do ódio, e este, quanto mais próximo do amor, mais terrível se torna e mais escorregadio, pois é feito de lama. Desabei no choro, sentindo minha alma viva, e nela restando, do meu passado, somente a estranheza dos sentimentos vazios. Vai amanhecer e o sol vai aparecer em forma de lua&#8230; , pensei prevendo o futuro. Segurei seu punho, sentindo seu coração pulsar fortemente, e sem poder suportar mais, entre soluços, desabafei: Eu te amo, Clara! Eu te amo&#8230;</p>
<p>Há dois anos estamos juntas e esse amor me realiza. Às vezes, ele se transforma num ódio passageiro causando grande confusão em meu coração. Qual a diferença do amor e o ódio, mesmo? Não importa! O importante é que, hoje, ele é apenas um pretexto para que eu possa dizer Eu te amo, e me fazer sentir viva, extremamente viva.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/lua-negra-3/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ah, essa mulher&#8230;</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/ah-essa-mulher/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/ah-essa-mulher/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 01:40:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=37368</guid>
		<description><![CDATA[
Vídeo &#8220;Lamento de Zé&#8221;:
AH, ESSA MULHER&#8230;
(Danilo Guanais/Cláudia Magalhães)
Sei que vou morrer um dia desses.
Não sei de quê&#8230; Não sei aonde&#8230;
Mas vai ser por causa dessa mulher!
Hoje um dia a mais, um dia a menos,
esse meu olhar sereno
Já cansado, então, desiste
de só olhar o que os outros tocaram&#8230;
&#8230; de cumprir esta sina tão triste.
Sem saber se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/qoJ0KvG7src&amp;feature" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/qoJ0KvG7src&amp;feature"></embed></object></p>
<p>Vídeo &#8220;Lamento de Zé&#8221;:</p>
<p><strong>AH, ESSA MULHER&#8230;<br />
(Danilo Guanais/Cláudia Magalhães)</strong></p>
<p>Sei que vou morrer um dia desses.<br />
Não sei de quê&#8230; Não sei aonde&#8230;<br />
Mas vai ser por causa dessa mulher!<br />
Hoje um dia a mais, um dia a menos,<br />
esse meu olhar sereno<br />
Já cansado, então, desiste<br />
de só olhar o que os outros tocaram&#8230;<br />
&#8230; de cumprir esta sina tão triste.<br />
Sem saber se um dia eu chego lá&#8230;<br />
Sei que vou sofrer dia após dia.<br />
Por não saber&#8230; O que é preciso&#8230;<br />
Pra ter do meu lado essa mulher!<br />
Hoje nem por tanto nem tão pouco,<br />
ela vai me deixar louco<br />
destruído pela fome<br />
de comer o que os outros provaram&#8230;<br />
&#8230;pra sentir que também sou seu homem.<br />
Pra saber que um dia eu chego lá&#8230;<br />
&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br />
Não vou ao barbeiro pra ela ir ao salão.<br />
Me encho de pão, pra ela se fartar no restaurante.<br />
E no instante de ternura, a dois<br />
Descobrir que só a vida é dura,<br />
Depois tentar me levantar&#8230; e seguir a vida&#8230;<br />
&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br />
Sei que vai doer, mas sei que um dia.<br />
Pode até ser&#8230; Até quem sabe&#8230;<br />
Eu vou dar um jeito nessa mulher!<br />
Hoje tanto fez, ou tanto faz,<br />
mas eu não vou me rebaixar mais!<br />
É o bastante, é minha vez<br />
de ter pra mim o que os outros já tinham&#8230;<br />
Pra sonhar que ela hoje é só minha.<br />
E dizer para ela: Eu chego já!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/ah-essa-mulher/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Alma do Beco</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/a-alma-do-beco/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/a-alma-do-beco/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Nov 2011 21:05:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=37139</guid>
		<description><![CDATA[
Vídeo da música &#8220;A Alma do Beco&#8221; do musical &#8220;Beco da Alma&#8221; no Teatro Alberto Maranhão:
http://youtu.be/Ex5ttck7oBM
A ALMA DO BECO
(Danilo Guanais/Cláudia Magalhães)
Eu tenho alma de artista.
Nessa mistura de céu e inferno
eu encontrei a esquina do mundo
Aqui ele ri, ele chora.
Toma cana com limão,
Pra jogar conversa fora,
Pra curar solidão!
Eu sou na vida um poeta.
Nunca cansei de sonhar,
vivendo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Ex5ttck7oBM&amp;feature" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/Ex5ttck7oBM&amp;feature"></embed></object></p>
<p>Vídeo da música &#8220;A Alma do Beco&#8221; do musical &#8220;Beco da Alma&#8221; no Teatro Alberto Maranhão:</p>
<p>http://youtu.be/Ex5ttck7oBM</p>
<p><strong>A ALMA DO BECO<br />
(Danilo Guanais/Cláudia Magalhães)</strong></p>
<p><span id="more-37139"></span>Eu tenho alma de artista.<br />
Nessa mistura de céu e inferno<br />
eu encontrei a esquina do mundo<br />
Aqui ele ri, ele chora.<br />
Toma cana com limão,<br />
Pra jogar conversa fora,<br />
Pra curar solidão!<br />
Eu sou na vida um poeta.<br />
Nunca cansei de sonhar,<br />
vivendo ao mesmo tempo alegria e tristeza.<br />
Aqui ele encontra os amigos<br />
pra curtir mesa de bar.<br />
Pra ficar de bem com a vida,<br />
vendo a vida passar!<br />
É! A cidade dos becos,<br />
É! São os becos da alma,<br />
É! Nossas almas na lama, mesas<br />
bares, copos, bancos,<br />
traumas, medos, choros, culpas, sonhos,<br />
Onde tudo e todos se misturam&#8230;<br />
E é nesse beco da alma<br />
que a gente vai se encontrar.<br />
Na hora do cão lobo, quando o sol beija a lua.<br />
Aqui só se tem companheiro.<br />
Todo mundo é como irmão.<br />
Seja rico ou sem dinheiro,<br />
tenha juízo ou não.<br />
É! A cidade dos becos,<br />
É! São os becos da alma,<br />
É! Nossas almas na lama, mesas<br />
bares, copos, bancos,<br />
traumas, medos, choros, culpas, sonhos,<br />
Onde tudo e todos se misturam&#8230;<br />
E é nesse beco da alma<br />
que a gente vai se encontrar.<br />
Na hora do cão lobo, quando o sol beija a lua.<br />
É fé, caju.<br />
É sangue.<br />
É tormento.<br />
Papa-figo.<br />
Urubu.<br />
Blecaute.<br />
Gentileza.<br />
Virtude, talento.<br />
Badalo, fineza.<br />
Tristeza, lamento.<br />
Cascudo, a história.<br />
Siqueira, poesia.<br />
Djalma, a vitória.<br />
Navarro, alegria.<br />
Tributino, destreza.<br />
Carrapicho, flores.<br />
Zé Areia, esperteza.<br />
As Marias, os amores, loucura, coragem.<br />
Óvni, verdade.<br />
Nasi, meladinha&#8230;<br />
É! A cidade dos becos,<br />
É! São os becos da alma,<br />
É! Nossas almas na lama, mesas<br />
bares, copos, bancos,<br />
traumas, medos, choros, culpas, sonhos,<br />
Onde tudo e todos se misturam&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/a-alma-do-beco/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Senhor dos Destinos</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/senhor-dos-destinos-2/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/senhor-dos-destinos-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Nov 2011 01:59:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=37075</guid>
		<description><![CDATA[Quarta-feira, 18 de março de 2009
Caro Sr. Fulano,
Possuo uma crueldade excepcional que, quando adormecida, cede lugar a uma ternura intrigante, curiosa, que me entorpece, me alivia. Sou escravo dessas duas realidades. Elas me fazem nascer e renascer, todos os dias, e me tornam humano. Sempre que atravesso a delicada e invisível fronteira que as separam, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/11/SD.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-37078" title="SD" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/11/SD.jpg" alt="" width="83" height="129" /></a>Quarta-feira, 18 de março de 2009</p>
<p>Caro Sr. Fulano,</p>
<p>Possuo uma crueldade excepcional que, quando adormecida, cede lugar a uma ternura intrigante, curiosa, que me entorpece, me alivia. Sou escravo dessas duas realidades. Elas me fazem nascer e renascer, todos os dias, e me tornam humano. Sempre que atravesso a delicada e invisível fronteira que as separam, sou tomado por uma espécie de estupidez execrável que, com o passar dos anos, me fez perceber que o espaço que separa a vida da morte é feito de silêncio, do simples quebrar de um salto, de uma brevidade não medida pelo tempo. Somos movidos por uma bomba-relógio chamada coração, cujo controle não nos pertence. Deixei de sentir revolta, aprendi a não brigar com o que desconheço, perdi o sentido do pecado.</p>
<p><span id="more-37075"></span>Acredito basicamente em três coisas: na inexistência de Deus, na existência da maldade e na magia da Literatura. Ah&#8230; A Literatura! Ela coloca fantasia na sola dos meus pés, arranca minha língua, educa meus ouvidos e quando dou por mim, sou mais um personagem dos Deuses de minha vida. Identifico-me bastante com Édipo, todos os dias, quando acordo, furo meus olhos para não enxergar a podridão do mundo.</p>
<p>O que falar da Literatura que provoca? Que destrói o belo e se masturba quando apresenta as baixezas do homem? Engana-se quem acredita que ela não espera por resposta. Todo bom livro delira de gratidão quando nos arranca uma lágrima, de alegria ou de dor, que usa, sabiamente, para afogar suas traças.</p>
<p>Nada há de extraordinário em minha vida. Rejeitado pelos meus pais, ainda adolescente, eu roubava para sobreviver. Amante da solidão, usava o dinheiro para pagar o quartinho fétido da pensão, comprar comida e livros nos sebos da cidade. Antes de dormir, sentava com alguma bebida barata e escrevia sobre o meu dia, hábito que mantenho até hoje. Escrever é minha única forma de perder a sanidade quando não estou vendo um bom filme ou lendo um bom livro. Não conseguindo viver na “normalidade”, escondo-me em qualquer lugar dentro das infinitas possibilidades das palavras, em seus altares devassos, em seus inferninhos divinos, onde o ponteiro do relógio move-se na velocidade e na direção dos meus pensamentos, onde a única lei é a de perder o juízo. Sem escrever, enxergaria minha existência da mesma forma que meus olhos, desprovidos de um espelho, enxergariam minhas costas.</p>
<p>Aos vinte e dois anos, cometi meu primeiro crime. A boa quantia em dinheiro apagou, rapidamente, qualquer possibilidade de remorso, afinal, aquele pobre homem poderia, ao atravessar uma avenida, tropeçar em alguma pedra solta e ser fatalmente atropelado. Quem pode prever o futuro nessa bola que gira manipulada pelo desconhecido? Desde então, passei a viver, sempre, de malas prontas. Não permaneço mais que uma semana na mesma cidade. Motivo pelo qual dou de presente meus livros assim que os termino de ler, mas sempre com a dedicatória: Cuide bem deste livro, ele salvará sua vida!</p>
<p>Hoje, o senhor me fez viver um fato curioso, mágico. Quero que atire nas duas partes podres do corpo daquela filha da puta: na buceta e no coração! Foram suas últimas palavras no início da noite. Depois de anotar o endereço, seu rosto, antes nervoso, estampou uma sensação de solidão absurda. Seria essa a face do amor contrariado? Por que sofrer por um simples abandono? Desgraça maior é morar num apartamento luxuoso sem estantes, sem livros! Bem, isso, agora, não importa. Saí da sua cobertura elegante, parei num boteco de esquina, em frente ao fatídico hotel e pedi um conhaque. Quanto mais aproximava a hora marcada, mais aumentava minha excitação. Uma espécie de gozo contido queimava meu juízo e me fazia beber compulsivamente. Não tardou para que ela aparecesse na rua deserta, com um vestido solto, preto, que lhe ia até a altura dos joelhos. Aproximei dela com a fúria de um animal selvagem desprovido de alimento. Assustada com o barulho dos meus passos, ela virou abruptamente e protegeu o peito segurando com as duas mãos um livro: Diário de um Ladrão, de Jean Genet! Gelei até os ossos. Em minha mente, somente, as palavras daquele Deus, cujo túmulo não poderia depositar flores: Conservei-me atento para agarrar esses instantes que, errantes, me pareciam estar a procura, como de um corpo, uma alma penada, de uma consciência que os anote e os experimente. Quando a encontram, param: o poeta esgota o mundo. Essa lembrança eletrizou meus cabelos, escorreu pelas minhas costas, preencheu minha coluna e virei verso. A minha alma farta de poesia assumiu proporções indescritíveis. Vestindo de letras as minhas fraquezas e a minha maldade, tornei-me a mais bela das criaturas. Observando a minha cara assassina coberta de vergonha, ela correu assustada, em direção ao hotel. Se prosseguisse com meu plano, desmoronaria. Não poderia matar alguém com um livro que me fez encontrar o vazio, a existência do mundo e a certeza de saber que não o possuo.</p>
<p>Coloco, agora, sob o seu cadáver essa carta para que outros a leiam quando o encontrarem em sua luxuosa cobertura &#8220;sem livros&#8221;. Peço-lhe perdão, embora não sinta o menor arrependimento, afinal, você poderia tentar, novamente, matar o que temos de mais belo e raro: bons leitores! Quanto ao senhor, quem se importa? O senhor poderia atravessar uma avenida, tropeçar em alguma pedra solta e ser fatalmente atropelado. O que me resta dizer? Desgraça maior é ser Lady Macbeth e ser coroada com a loucura, é ser Othelo e não poder viver em paz seu grande amor, é viver numa mansão sem livros, é saltar para o nada sem ter conhecido o lirismo de Genet!</p>
<p>Ass.: Um amigo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/senhor-dos-destinos-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Amor em Paris</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/amor-em-paris/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/amor-em-paris/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Nov 2011 17:44:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=37033</guid>
		<description><![CDATA[
Clara está no tempo dos amores mal curados, onde o gozo é controlado por um anjo ou demônio, e este ou aquele, deitado a seu lado, com a mão esquerda torna febril e trêmula a sua fenda e com a direita injeta em sua mente doces recordações do passado, paralisando-a por completo.
É meia-noite. Há horas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/11/AP.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-37042" title="AP" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/11/AP.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a></p>
<p>Clara está no tempo dos amores mal curados, onde o gozo é controlado por um anjo ou demônio, e este ou aquele, deitado a seu lado, com a mão esquerda torna febril e trêmula a sua fenda e com a direita injeta em sua mente doces recordações do passado, paralisando-a por completo.</p>
<p><span id="more-37033"></span>É meia-noite. Há horas, ela permanece imóvel em sua cama, lugar onde dormiu por seis anos com um amor que, por ingratidão e egoísmo, há uma semana não está mais ali. Algo difícil demais para se compreender e que torna loucos os que andam pela terra.</p>
<p>Ela leva a sua mão em forma de concha até o sexo, pois é assim que rezamos para o amor, e sonhando com os míseros segundos em que tocaria as estrelas, tenta acariciar sua lua úmida até ela tornar-se, novamente, seca, fazendo girar mais rápido o mundo, mas as lembranças do passado estrangulam seus dedos, enchendo-os de verrugas e vergonha.</p>
<p>A enorme vontade de tê-lo, de possuí-lo, a faz perder o juízo. Vou a Paris. Vou em busca de Vinícius!, pensa. Segundos depois, ela enfrenta descalça as ruas desertas e o frio da madrugada, usando apenas seu vestido longo, florido que, por vezes, usava como camisola. Seus gritos entram pelas frestas das portas e das janelas quebrando o silêncio que comanda a decência. Quando um ou outro a pergunta, O que aconteceu, mulher?, ela responde, Vou a paris. Vou em busca de Vinícius!, e segue andando pelas ruas do outro lado do mundo como se fosse a dona delas. Pergunta a todos os que cruzam seu caminho por um homem alto, barbudo e grisalho e diante do silêncio ela responde, Ele está em Paris! Ele está me esperando em Paris! E segue falando da importância das mãos, pois nelas moram as vontades mais urgentes, falando da imensidão do mundo e do desejo que tinha com o homem amado de morar na Cidade dos Sonhos, para novamente, falar das mãos e do desejo, repetindo, incansavelmente, as mesmas palavras. Tenta, por vezes, se calar e escutar as histórias sem pé nem cabeça dos homens, mas ela tem pressa em se livrar dos sofrimentos da vida e segue sem escolher o caminho e sem saber ao certo quem ela é, molhando os pés na lama acreditando que é o mar, vivendo de esmolas, bebendo cachaça ou conhaque, pedindo a benção a Deus que segurando-lhe o juízo não precisa fingir que lhe deu, até adormecer nos bancos das praças ou nas portas das igrejas e sonhar voando.</p>
<p>Uma hora depois que ela partiu, Vinícius, arrependido de mais uma vez tê-la abandonado, entra no apartamento. Vou pedir perdão e milhões vezes milhões de vezes direi que a amo e nunca mais a farei chorar!, pensa, procurando-a com o peito sufocado pela saudade, mas é tarde demais.</p>
<p>Ele a encontra no quarto com a alma liberta. Ora caminhando como uma rainha, ora curvando-se e implorando coisas ao vento. Minha carne foi criada do pó impuro. Meu cérebro, uma grande duna, com a memória e os desejos dos ventos, encheu com o mel do mundo e com os ferrões das abelhas o meu sangue, que de tanto morrer, gerou em meu peito um enorme coágulo chamado coração. Uso salto, quero meus pés com gosto de rua na direção dos abismos. Há muito tempo, o amor me ensinou a cair, agora quero aprender a voar, diz olhando para ele, mas nada vê. A sua carne está acorrentada pelas vontades de sua alma, que cansada de sofrer liberta-se de si mesma, vai a todas as partes do mundo e confunde-se com outras. Desatenta e livre, muda de vontade de uma hora para outra, se reinventa a todo instante. Suas pernas encontram becos escuros, lama, sargaço, o mar e a imensidão das águas, enquanto sua cabeça de lua abraça o cruzeiro do sul, a Ursa maior, as três marias, e não somente elas, mas toda a constelação. Múltipla, infinda, ela é a dama, a mendiga, a poeta, a vítima, a algoz, a que ri e chora ao mesmo tempo. Ela é Clara, a sua Clara! Ele observa a mulher que ama, que partiu sem volta para a cidade dos sonhos, deixando em seu peito uma chuva que nunca vai parar e os seus olhos enchem-se de lágrimas.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/amor-em-paris/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>31</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Santa e a Puta</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/a-santa-e-a-puta/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/a-santa-e-a-puta/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Nov 2011 17:35:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=37032</guid>
		<description><![CDATA[Música (Luiz Gadelha/Cláudia Magalhães)
Quer saber como me chamo?
Que importa o meu nome?
Iguais existem muitos
Todos com sede e fome
O que Importam são as intensidades
A força das nossas vontades
Metade delas em nossas cabeças
A outra metade estão em nossas luas
Sem escolherem quem as mereçam
Renovam o mundo nuas, nas ruas
Me dominar é uma idéia louca
Só me curvo quando tiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Música (Luiz Gadelha/Cláudia Magalhães)</p>
<p>Quer saber como me chamo?<br />
Que importa o meu nome?<br />
Iguais existem muitos<br />
Todos com sede e fome<br />
O que Importam são as intensidades<br />
A força das nossas vontades<br />
Metade delas em nossas cabeças<br />
A outra metade estão em nossas luas<br />
Sem escolherem quem as mereçam<br />
Renovam o mundo nuas, nas ruas<br />
Me dominar é uma idéia louca<br />
Só me curvo quando tiro a roupa</p>
<p><span id="more-37032"></span>Quando sou santa, sou apenas santa<br />
Mas quando sou puta, sou aquela que pariu<br />
Beleza no espanto, bis nos quadris<br />
Sou hoje, agora, já, sou tudo que se abriu<br />
Sou chave mestra pra quem nunca me viu</p>
<p>No espaço entre a vida e a morte<br />
Sou a bomba-relógio coração<br />
No simples quebrar de um salto<br />
Mudo meu rumo, minha direção<br />
Me dominar é uma idéia louca<br />
Só me curvo quando tiro a roupa</p>
<p>Quando sou santa, sou apenas santa<br />
Mas quando sou puta, sou aquela que pariu<br />
Beleza no espanto, bis nos quadris<br />
Sou hoje, agora, já, sou tudo que se abriu<br />
Sou chave mestra pra quem nunca me viu</p>
<p>Sou a puta que pariu!</p>
<p>Blog: <a href="www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com" target="_blank">www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/a-santa-e-a-puta/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Se é pra brindar!</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/se-e-pra-brindar/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/se-e-pra-brindar/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 12:01:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=36378</guid>
		<description><![CDATA[
SE É PRA BRINDAR&#8230;
(Danilo Guanais e Cláudia Magalhães)
Comigo ela já funciona normalmente&#8230;
E dela eu não consigo resistir.
Eu não existo sem ela.
Com ela eu levo a vida a brindar&#8230;
Bebo por não suportar desgraça
quero rir e achar graça
dar no tempo uma rasteira, certeira.
Bebo só pra ver se o tempo passa,
bebo mais essa cachaça e
choro por qualquer besteira
Quero [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/eGUx_BluwIc&amp;feature" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/eGUx_BluwIc&amp;feature"></embed></object></p>
<p>SE É PRA BRINDAR&#8230;<br />
<strong>(Danilo Guanais e Cláudia Magalhães)</strong></p>
<p>Comigo ela já funciona normalmente&#8230;<br />
E dela eu não consigo resistir.<br />
Eu não existo sem ela.<br />
Com ela eu levo a vida a brindar&#8230;<br />
Bebo por não suportar desgraça<br />
quero rir e achar graça<br />
dar no tempo uma rasteira, certeira.<br />
Bebo só pra ver se o tempo passa,<br />
bebo mais essa cachaça e<br />
choro por qualquer besteira<br />
Quero ter direito de não ser mais quem eu sou<br />
sair por essa vida sem lembrar nem onde eu tô<br />
Por isso bebendo eu vou [BIS]<br />
Ninguém tem nada com isso, faz favor!<br />
Bebo porque sei que nunca é tarde<br />
bebo sem fazer alarde<br />
fico aqui no meu cantinho, quietinho<br />
Quando eu bebo eu nunca olho pra trás<br />
eu bebo aqui e fico em paz<br />
porque esse beco é meu mundinho<br />
Nem pensar que o dia pode ter hora marcada<br />
não quero nem sonhar que a minha vida é<br />
controlada<br />
Quem manda em mim sou eu! [BIS]<br />
Eu tenho e pago por isso, o estrago é meu!<br />
Pode ser cachaça, uísque ou vinho<br />
o que vier bebo tudinho<br />
até ver tudo terminado, zerado<br />
e, se for cerveja, é geladinha<br />
mas se for uma meladinha<br />
não me faço de rogado<br />
Bebo porque tudo nessa vida tem um preço<br />
e se é pra brindar, eu brindo à vida e sei por que<br />
mereço<br />
Ter encontrado o amor. Eu tenho hoje um grande<br />
amor<br />
Eu levo a vida com isso, onde ela for&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/se-e-pra-brindar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Música &#8220;Ela é demais&#8221;</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/musica-ela-e-demais/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/musica-ela-e-demais/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 18:56:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=36373</guid>
		<description><![CDATA[
ELA É DEMAIS!
(Danilo Guanais e Cláudia Magalhães)
Quando eu nasci, minha sina
Foi coisa assim do destino.
Eu vi que eu era menina,
Mas todos só viam um menino!
Papai gritou: “Esse é meu macho!
Vai ser o varão da família”
Mas, quer saber, no fundo, o que é que eu acho:
é que eu nasci pra ser&#8230;
Uma boa filha!
Nem todo touro é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/xBJTUc3f7Ec&amp;feature" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/xBJTUc3f7Ec&amp;feature"></embed></object></p>
<p>ELA É DEMAIS!<br />
<strong>(Danilo Guanais e Cláudia Magalhães)</strong></p>
<p>Quando eu nasci, minha sina<br />
Foi coisa assim do destino.<br />
Eu vi que eu era menina,<br />
Mas todos só viam um menino!<br />
Papai gritou: “Esse é meu macho!<br />
Vai ser o varão da família”<br />
Mas, quer saber, no fundo, o que é que eu acho:<br />
é que eu nasci pra ser&#8230;<br />
Uma boa filha!</p>
<p>Nem todo touro é valente,<br />
Nem toda gente é capaz.<br />
Se quiser me encarar frente a frente,<br />
Eu posso lhe passar pra trás!<br />
Nem todo touro é valente,<br />
Nem toda gente é capaz.<br />
Se não puder nem tente&#8230;<br />
Talvez não agüente,<br />
É que ela é diferente demais&#8230;<br />
Se não puder nem tente&#8230;<br />
Talvez não agüente,<br />
É que ela é quente, quente demais!</p>
<p>Você que mostra essa força,<br />
e vem se botando demais,<br />
vai descobrir que essa moça<br />
no fundo, no fundo é um rapaz!<br />
Eu posso não ser Lampião,<br />
mas, sendo Maria Bonita,<br />
me livro do que é pura obrigação<br />
e vivo de prazer&#8230;<br />
Pelo que me excita!</p>
<p>Nem todo touro é valente,<br />
Nem toda gente é capaz.<br />
Se quiser me encarar frente a frente,<br />
Eu posso lhe passar pra trás!<br />
Nem todo touro é valente,<br />
Nem toda gente é capaz.<br />
Se não puder nem tente&#8230;<br />
Talvez não agüente,<br />
É que ela é surpreendente demais&#8230;<br />
Se não puder nem tente&#8230;<br />
Talvez não agüente,<br />
É que ela é quente, quente demais!</p>
<p>Não tem aqui quem me dome.<br />
Fazer de mim o que bem quer?<br />
Não sigo ordem nem se “for de” homem,<br />
Muito menos se “for de” mulher!<br />
E se você já ta surpreso,<br />
já quer chamar toda a polícia,<br />
Cuide pra você não se ver preso<br />
por não se conter&#8230;<br />
Por essa delícia!</p>
<p>Nem todo touro é valente,<br />
Nem toda gente é capaz.<br />
Se quiser me encarar frente a frente,<br />
Eu posso lhe passar pra trás!<br />
Nem todo touro é valente,<br />
Nem toda gente é capaz.<br />
Se não puder nem tente&#8230;<br />
Talvez não agüente,<br />
É que ela é realmente demais&#8230;<br />
Se não puder nem tente&#8230;<br />
Talvez não agüente,<br />
É que ela é quente&#8230;<br />
É que ela é quente&#8230;<br />
É que ela é quente&#8230; Quente&#8230;<br />
Quente&#8230;<br />
Quente demais!<br />
Quente demais!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/musica-ela-e-demais/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Música &#8220;Liberdade&#8221;</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/musica-liberdade-2/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/musica-liberdade-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 19 Oct 2011 17:20:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=36336</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Minha carne, criada do pó impuro
E meu cérebro, desejos dos ventos,
Encheram com os ferrões e com o mel das abelhas
Meu sangue, que de tanto morrer em meu peito
Gerou um enorme coágulo chamado coração&#8221;
Cláudia Magalhães
LIBERDADE
(Cláudia Magalhães)
Música (Luiz Gadelha-Cláudia Magalhães)
Na queda, descobri que a liberdade
Nasce no centro escuro de tudo
Onde moram os desejos secretos
Nas tocas, nos cárceres [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Minha carne, criada do pó impuro<br />
E meu cérebro, desejos dos ventos,<br />
Encheram com os ferrões e com o mel das abelhas<br />
Meu sangue, que de tanto morrer em meu peito<br />
Gerou um enorme coágulo chamado coração&#8221;</p>
<p>Cláudia Magalhães</p>
<p><strong>LIBERDADE</strong></p>
<p><strong>(Cláudia Magalhães)</strong></p>
<p><strong>Música (Luiz Gadelha-Cláudia Magalhães)</strong></p>
<p>Na queda, descobri que a liberdade<br />
Nasce no centro escuro de tudo<br />
Onde moram os desejos secretos<br />
Nas tocas, nos cárceres mudos<br />
Nos lugares fechados, nos umbrais<br />
Onde dar adeus ninguém é capaz</p>
<p>Minhas pernas buscam becos escuros<br />
Sargaço e a imensidao do mar<br />
Enquanto minha cabeça de lua abraça<br />
O cruzeiro do sul, querendo amar</p>
<p>Uso salto, tenho pés com gosto de rua<br />
Na beira do abismo querendo saltar,<br />
Há muito tempo, o amor me ensinou a cair,<br />
Agora, quero aprender a voar.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/musica-liberdade-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Paraíso perdido</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/paraiso-perdido/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/paraiso-perdido/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 16 Jun 2011 21:09:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=32207</guid>
		<description><![CDATA[
www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com
Um velho sobrado com paredes e teto de vidro. Ao redor, árvores altas, frondosas, em meio a inúmeras folhas secas que completam o cenário sépia, banhado pela luz da lua e do Sol que se despede deixando no ar uma aura de tristeza, de melancolia.
Ao adentrarmos no teto de vidro, observamos uma mulher, Dolores. Os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/06/desilusão-2.jpg"></a><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/06/claudia-m.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-32212" title="claudia m" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/06/claudia-m.jpg" alt="" width="246" height="320" /></a></p>
<p><a href="http://www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/" target="_blank">www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com</a></p>
<p>Um velho sobrado com paredes e teto de vidro. Ao redor, árvores altas, frondosas, em meio a inúmeras folhas secas que completam o cenário sépia, banhado pela luz da lua e do Sol que se despede deixando no ar uma aura de tristeza, de melancolia.</p>
<p><span id="more-32207"></span>Ao adentrarmos no teto de vidro, observamos uma mulher, Dolores. Os seus olhos olham fixamente para o homem com os pulsos cortados, sentado numa velha poltrona a seu lado. Pedro, seu grande amor. Ele foi embora, deixando um olhar sereno, doce. O amor dorme ao sabor dos ventos e seguindo os caprichos de Deus ou do Diabo ele pode dormir no céu e acordar no inferno, ela pensa, imóvel, sentada sobre o chão frio. Nenhuma lágrima. A dor velha, agora, flutua de mãos dadas com a loucura e sente-se feliz. Seus olhos cansados comprovam as inúmeras noites em claro em que andou pela casa como uma morta viva. Desvia o olhar e observa sobre a mesa, o pequeno aquário, que ganhou no início do relacionamento, com dois peixinhos, um azul e um vermelho. Eles são parecidos conosco: o azul é você, tranqüilo&#8230; e o vermelho sou eu, afogueada, acelerada&#8230;. disse, certa vez, com alegria. Eles se amavam demais. Era um amor forte, belo, verdadeiro&#8230; O paraíso. Fugiam de tudo e de todos, eles se bastavam. Caminhavam sempre juntos, ela com o pé direito sobre o pé esquerdo dele. Comiam do mesmo prato, bebiam do mesmo copo&#8230; O amor perfeito&#8230; Perfeito demais&#8230;</p>
<p>Até que veio o medo quase incontrolável da perda e passaram a cobrar provas constantes de amor, no início controláveis, depois perderam o freio. O amor estava ameaçado&#8230; Descobriram o inferno&#8230; A casa perdeu o perfume, ficou fétida, as paredes mofadas de lágrimas virou um ninho de vermes. Os pés, que antes flutuavam em perfeita sintonia, agora, andavam grudados no chão com suor e saliva onde se arrastavam cobras com línguas afiadas e gargalhadas alucinantes&#8230; Deitavam, todas as noites, com as mãos entrelaçadas sobre o peito, feito cadáveres. Adormeciam e acordavam na mesma posição. Dormiam a noite inteira e amanheciam com olheiras&#8230; Não tinham sonhos.. Até que passaram a não dormir mais&#8230;</p>
<p>Dolores aproxima-se de Pedro, segura o seu pulso esquerdo com as mãos, leva-o até a boca&#8230; Como é doce, pensa. Fecha os olhos e lembra dos últimos momentos com o seu amor:</p>
<p>- Antes de você, eu só fazia envelhecer. Você trouxe a vida e a partir desse momento eu só desejei a morte. Você entrou por uma porta que eu não sabia existir. Vi o teu amor se aproximar e entrar em mim com a ternura de uma lâmina afiada. Sangrei e chorei. Quanto mais aumentava a tua doçura, mais eu me cortava. Quanto mais eu sangrava, mais eu te amava. Queríamos o céu e entramos no inferno. Cortamos os pés com os restos de nossas vidas e nos mutilamos com as nossas mãos de céu&#8230; – ela disse com tristeza &#8211; Estamos diante do abismo, em busca da morte&#8230;</p>
<p>Silêncio.</p>
<p>- É o que você quer? – ele falou com ternura.</p>
<p>- É o que eu mais desejo.</p>
<p>Ele se levanta num impulso violento. Com passos largos, segue em direção ao armário da cozinha e retira de uma das gavetas uma faca.</p>
<p>Ela o observa com as feições e a postura de quem ama demais, característica essencial para as maiores desgraças. Ele volta à sala e corta, sem titubear, os pulsos. Ela sorri agradecida.</p>
<p>- Eu te amo, Dolores&#8230; Acredita em mim?</p>
<p>- Sim, eu acredito&#8230;</p>
<p>Ele se foi provando o seu amor. Sentia-se, novamente, feliz e amada. Ela levanta, segue em direção ao velho baú e retira uma corda.</p>
<p>Volta à sala e com a ajuda de uma cadeira, prende-a num lastro de madeira do teto. Vê o seu corpo tingir-se de vermelho. Enlaça a corda no pescoço e joga-se no abismo como quem deseja voar&#8230; Sente o coração acelerado livrar-se das dores e das saudades&#8230; Nada mais importa, os peixes do aquário estão mortos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/paraiso-perdido/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>&#8220;Beco da Alma&#8221;</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/beco-da-alma/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/beco-da-alma/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 03 Apr 2011 15:38:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=29294</guid>
		<description><![CDATA[Os ingressos para o musical &#8220;Beco da Alma&#8221; podem ser retirados gratuitamente nas lojas Sherwin-Williams (Av. Bernardo Vieira e Av. Engº Roberto Freire), Padaria São Miguel (Av. Jaguarari, Lagoa Nova) e na bilheteria do Teatro Alberto Maranhão.
NA TRIBUNA DO NORTE
O universo urbano em desencanto e o turbilhão de sentimentos de quem nele vive é apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os ingressos para o musical &#8220;Beco da Alma&#8221; podem ser retirados gratuitamente nas lojas Sherwin-Williams (Av. Bernardo Vieira e Av. Engº Roberto Freire), Padaria São Miguel (Av. Jaguarari, Lagoa Nova) e na bilheteria do Teatro Alberto Maranhão.</p>
<p><span id="more-29294"></span>NA TRIBUNA DO NORTE</p>
<p>O universo urbano em desencanto e o turbilhão de sentimentos de quem nele vive é apenas um dos olhares do musical “Beco da Alma, que estreia temporada no próximo mês de abril, com apresentações de 4 a 7, e dias 23 e 24, no Teatro Alberto Maranhão, sempre às 20h. O espetáculo é baseado no livro “Esquina do Mundo: A Hora do Cão Lobo”, de Cláudia Magalhães. A concepção e as canções são de Danilo Guanais, direção de João Marcelino e produção executiva de Ana Lira. Leia mais:<a href="http://tribunadonorte.com.br/noticia/um-beco-rodrigueano/177334" target="_blank"> aqui</a></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/jfPmAtiiKFE   " /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/jfPmAtiiKFE   "></embed></object></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/beco-da-alma/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Musical Dolores, hoje, 20h, na Casa da Ribeira!!!!!!</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/musical-dolores-hoje-20h-na-casa-da-ribeira/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/musical-dolores-hoje-20h-na-casa-da-ribeira/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 02 Apr 2011 15:30:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=29260</guid>
		<description><![CDATA[
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/epd9_tVkJ4M" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/epd9_tVkJ4M"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/musical-dolores-hoje-20h-na-casa-da-ribeira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dolores</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/dolores/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/dolores/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Mar 2011 01:03:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=28775</guid>
		<description><![CDATA[
Cláudia Magalhães e Isaque Galvão interpretam Dolores Duran e Antonio Maria no Teatro Alberto Maranhão
O espetáculo musical &#8220;Dolores&#8221;, uma homenagem a compositora e cantora Dolores Duran e ao compositor, humorista e cronista Antonio Maria, será encenado com a direção musical de Maria Clara Gonzaga e direção geral de Diana Fontes e Jonas Sales. A estréia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Dolores1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-28777" title="Dolores" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Dolores1.jpg" alt="" width="450" height="311" /></a></p>
<p><strong>Cláudia Magalhães e Isaque Galvão interpretam Dolores Duran e Antonio Maria no Teatro Alberto Maranhão</strong></p>
<p>O espetáculo musical &#8220;Dolores&#8221;, uma homenagem a compositora e cantora Dolores Duran e ao compositor, humorista e cronista Antonio Maria, será encenado com a direção musical de Maria Clara Gonzaga e direção geral de Diana Fontes e Jonas Sales. A estréia será no dia 26 de março, às 20h, no Teatro Alberto Maranhão.</p>
<p><span style="font-size: small;"><strong> </strong></span><strong><span style="font-size: small;">Dolores</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Com Isaque Galvão e Cláudia Magalhães</span></strong></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><strong>Direção Musical: Maria Clara Gonzaga<br />
Direção geral: Diana Fontes e Jonas Sales<br />
Produção: Ronaldo Negromonte Produções<br />
Piano:</strong> <strong>Maria Clara Gonzaga. Baixo: Franklin Nogvaes. Bateria: John Fidja</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><strong>Local: Teatro Alberto Maranhão</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><strong>Data: 26 de março</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><strong>Hora: 20h</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><strong> </strong></span></span></p>
<p><strong>Entrada: R$ 30 e R$ 15 (meia) </strong></p>
<p><strong>Cláudia Magalhães</strong></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com/" target="_blank"><span style="color: #3b5998;"><strong>http://www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com</strong></span></a><br />
<a rel="nofollow" href="http://twitter.com/claudiamaga" target="_blank"><span style="color: #3b5998;"><strong>http://twitter.com/claudiamaga</strong></span></a><br />
<a href="http://facebook.com/teatroclaudiamagalhaes" target="_blank"><span style="color: #0068cf;"><strong>http://facebook.com/teatroclaudiamagalhaes</strong></span></a><strong><br />
9103-5285</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/dolores/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Amor Meu</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/amor-meu/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/amor-meu/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Jan 2011 17:24:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=26430</guid>
		<description><![CDATA[www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com
&#8220;Que nosso amor rime com dor somente nas poesias que lemos e relemos nas noites regadas a vinho e nas músicas que ouvimos como quem ouve a voz dos querubins&#8221;
&#8220;Observo-te então pela derradeira vez na noite como quem se despede, agradecendo a um deus desconhecido, a um deus em que não acredito pela dádiva de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com"><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/01/claudia-m-2.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-26437" title="claudia m 2" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/01/claudia-m-2-112x150.jpg" alt="" width="112" height="150" /></a>www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com</a><br />
<em>&#8220;Que nosso amor rime com dor somente nas poesias que lemos e relemos nas noites regadas a vinho e nas músicas que ouvimos como quem ouve a voz dos querubins&#8221;<br />
&#8220;Observo-te então pela derradeira vez na noite como quem se despede, agradecendo a um deus desconhecido, a um deus em que não acredito pela dádiva de partilhar com você o momento do teu sono. Durma em paz, amor!&#8221;</em></p>
<p>&#8220;Amor que não rima com dor&#8221; e &#8220;Teu sono&#8221;, <em>Cefas Carvalho</em></p>
<p><em></em><br />
<span id="more-26430"></span>Não sei o que é melhor, dormir ou acordar com o homem amado, penso ao velar teu sono, com a certeza que o amor não é um final feliz, mas o desejo de tê-lo, é a tua carne dentro da minha alma depois do gozo e tudo o que ela me diz no silêncio do teu sono tentando fugir do perigo, é a calma e a delicadeza que experimento no momento em que me dizes que não sonhas e com as pálpebras cansadas despede-se dos odores do amor, do gosto do vinho, da música suave, murmurando com ternura que não sabes se é melhor dormir ou acordar comigo e reforçando o laço que nos une, oferece-me teu ombro, onde fico até que o corpo exija que me afaste, mas não sem antes colar meu pé direito em teu pé esquerdo &#8211; talvez desejando que sob o encanto desse instante, algum milagre se manifeste sob nossos dedos e me leve contigo dividindo os mais doces prazeres pelos astros e estrelas &#8211; e assim permanecer até saber que já voas alto, sim, não sonhas porque sabiamente depositas com grande zelo no portal do esquecimento as lembranças do dia, cria asas e voas como uma ave aventureira, audaciosa, que desobedece à ordem habitual do mundo, observando os tesouros e as mazelas deste como quem gera a si mesmo, enquanto nesse instante, observando teu corpo morno e nu, não resisto ao desejo de acariciar tuas costas livres, asas da minha mente, e sentindo uma ternura que afasta qualquer violência, uma espécie de força singular capaz de destruir um exército de ladrões que por algum motivo queiram te roubar a paz, beijo tua nuca, murmuro em teu ouvido que te amo com paixão e com loucura, em pensamento desejo que voes bem alto, pois continuarei atenta, distante dos seres das trevas com suas inteligências desesperadas &#8211; a posse, a hipocrisia, o egoísmo, o rancor &#8211; que esses vermes que cortam o ar com suas línguas afiadas fiquem para sempre esmagados sob a terra, longe do nosso amor e dos nossos filhos, pois quero-te livre e sorrindo (quando vi teu sorriso pela primeira vez, te amei!), penso velando teu sono até as exigências do corpo cansado me fazer adormecer com o coração acordado, e assim permanecer até o meu despertar com o teu abraço repleto de carinho e desejo, e com um simples movimento de quadris recebo tua carne dentro da minha, arrastando o fogo que nos escapa feito fumaça pelos poros, pelo olhar, pela saliva, pelos sexos inchados, por cada parte do meu corpo dizendo que somente tu, amor, me enrubesce, me emociona, que nosso amor não rima com dor, que antes dele surgir em minha vida eu era pedrinha miúda, pisada, carne sem alma, sem rumo, sem destino, as linhas das mãos tortas, embaralhadas, meus pés andavam em desalinho, sem destino, em busca do nada, dizendo como eu quero que o nosso amor seja eterno, sem prazo pra acabar, sem hora marcada, e, por ser o amor tudo o que entra e sai, te vejo com um sorriso e com os olhinhos brilhantes entrar e se renovar em meu peito, em minhas pernas, essa cerca que queima, que arde, até me levantar da terra &#8211; sim, amor meu, nessa hora me fazes voar &#8211; e, com metade do sangue em meu sexo, meu corpo treme e me dissolvo em água, fazendo nesse instante, à minha volta, não existir mais nada além do enorme desejo de ficar a teu lado por seis eternidades e meia, e assim, com esse amor que não é dobrável, te vejo sair para o mundo com a certeza de que, sem trapaças, sem roubo, como um sábio conforto, possas recorrer a ele para dividir um sorriso pelos quatro cantos da terra ou um choro do qual te aliviarei distraindo teu coração com poesias regadas a vinho, filmes perfumados com temperos irresistíveis, músicas que te transformam em astro, viagens que nos façam sonhar acordados, com um sorriso que em silêncio te diga o quanto sou grata pela oportunidade de estar novamente a teu lado e ao fim de mais um dia velar teu sono, tentando descobrir os mistérios que envolvem teu corpo nu, pois observando-te dormindo, tentando te proteger de qualquer inimigo, tornei-me bela diante do mundo, que admirado em me ver envolvida por tamanha ternura, todas as noites me desafiando com o mesmo enigma &#8211; se é melhor dormir ou acordar contigo &#8211; me fez descobrir exatamente os riscos que me acompanham e que assumo, e que por ti, homem amado, através do teu sono, aprendi a entrar para dentro de mim, a não ter medo do perigo, e que por tudo isso, desejo que durma em paz, querido, porque juntos dormimos com o amor.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/amor-meu/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dorme Neném</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/dorme-nenem/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/dorme-nenem/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 20:33:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=23531</guid>
		<description><![CDATA[www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com
&#8220;Tutu-Marambá não venha mais cá, que a mãe da criança te manda matar, bicho-papão sai de cima do telhado, deixa a menina dormir sossegada&#8230;&#8221;, Ofélia acordou com a voz da criança cantando e sentiu um forte mal-estar, uma náusea que fazia seu estômago dar voltas e mais voltas. As pancadas da chuva na janela só [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Conto-Novo-claudia-magalhaes.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-23535" title="Conto Novo - claudia magalhaes" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Conto-Novo-claudia-magalhaes.jpg" alt="" width="181" height="225" /></a><a href="http://www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com" target="_blank">www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com</a></p>
<p><em>&#8220;Tutu-Marambá não venha mais cá, que a mãe da criança te manda matar, bicho-papão sai de cima do telhado, deixa a menina dormir sossegada&#8230;&#8221;,</em> Ofélia acordou com a voz da criança cantando e sentiu um forte mal-estar, uma náusea que fazia seu estômago dar voltas e mais voltas. As pancadas da chuva na janela só aumentavam sua dor de cabeça. Com as pernas trêmulas seguiu em direção a porta de entrada e ao tocar no trinco pensou que ia desmaiar. Ela estava fechada, não havia como escapar. Segundos depois, andava de um lado para o outro da sala buscando o controle da situação, mas o mundo insistia em correr mais rápido. Foi até o outro quarto e encarou com espanto o rosto quadrado, esquálido da velha. <em>&#8220;Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta&#8230;&#8221;, </em>ouviu a voz da criança que cantava sem parar e sentiu o peito fervilhar como se estivesse dentro de um forno. <em>Por que não nos deixa em paz? Por que nos manter presas aqui?,</em> gritou encarando a velha. Sentiu uma forte dor no estômago. Há quanto tempo não comia algo? Não lembrava. Pobre criança, já não sabe mais sorrir!, pensou com tristeza.</p>
<p><span id="more-23531"></span>Correu até a cozinha e encontrou uma garrafa de gim fechada. Que alívio, ela vai se sentir melhor!, pensou enquanto abria a bebida. Encheu o copo e, em seguida, voltou ao quarto com a garrafa e ofereceu a bebida a velha que tomou de um só gole. <em>Não gosto de você, te odeio o suficiente para te matar. Por favor, desista! Não me olhe assim, com esse olhar caído, fraco, não terei pena de você! Não use seu sofrimento como pretexto para nos prender aqui! Vou revirar cada canto dessa casa e descobrir onde escondeu a chave. Vou pegar a criança, sair por aquela porta e encontrar meu amor. Sim, eu sei viver um grande amor, ao contrário de você! Por isso fica assim com essa inveja no peito e com esse desejo de morte,</em> disse vendo a velha virar mais um copo de gim.<em> Por que não se mata de uma vez? Não sabe que não pode manipular os desejos do mundo? Não são nossas vontades que fazem a faca cortar nossos pulsos, mas nossas fraquezas. São elas que dão poder às coisas. Então, vá em frente, velha! Pegue essa faca que você deixou sobre a cama, pois fraqueza é o que não lhe falta! Você não consegue, não é? Não minta pra si mesma, não esconda suas limitações. O nome disso é covardia!, </em>disse encarando a velha que, nesse instante, tomava mais uma dose de gim. <em>&#8220;Dorme neném que a cuca vem pegar, papai foi pra roça, mamãe foi trabalhar&#8230;&#8221;, a voz da criança a deixava em pânico. O que você fez com a menina? Vamos, diga! E as chaves, onde estão as chaves?, </em>gritou estérica. <em>Por que você faz isso? Por quê?,</em> perguntou com um fiapo de voz. <em>Você foi amada, descobriu o real sentido de levantar a saia e no lugar de se sentir feliz, se tornou inquieta e medrosa. Penetrou mais em você do que no amor que poderia ter te dado tudo e não gostando do que viu, se tornou sua maior inimiga. Perdeu e diante do abandono e da solidão só fez envelhecer,</em> disse revirando tudo pelo quarto. <em>Essa brincadeira toda me perturba. Vou encontrar essa chave e, ao contrário de você, uma fracassada, vou em busca da felicidade. Vou em busca do amor perdido. Vou dizer que ao seu lado dou as costas a tudo que faz tremer a felicidade, que sua companhia me rouba de uma vida miserável e que isso me deixa mais distante da morte. Direi que o amo e se minhas palavras não forem suficientes para trazê-lo de volta, não ficarei de braços cruzados como os covardes que tentam se matar com as mãos nuas, falarei com o olhar, com as mãos, com as coxas, com os pêlos, com o sexo faminto e de cada uma dessas partes que fazem esse amor doarei sua porção mais generosa, doce e erótica, até ele purgar todas as dores, tristezas e dúvidas e me levar ao gozo dos que amam deixando escapar da sua boca um &#8220;eu te amo&#8221;! Seremos causa e efeito, sob o comando da emoção no espaço e no tempo encontraremos a inteligência do amor e reduziremos a estupidez a pó. </em>Vê a velha tomar mais um gole de gim e sente a cabeça girar. <em>Amamos de maneira diferente. Não vou deixar você tirar ele de mim porque não suporta me ver feliz. &#8220;O cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada, o cravo ficou ferido e a rosa despetalada!&#8221;, </em>a voz da menina em sua cabeça a deixava cada vez mais desorientada e a amargura da velha já cobria por completo seu juízo. <em>Sei que perdi, não precisa me lembrar disso. Eu vou gritar. Vou gritar até que apareça alguém para me salvar,</em> disse correndo desesperada até a porta de entrada.</p>
<p>A chave está na porta!, constatou em pânico. Como não a vira antes? Deu altas risadas. Gargalhou muito, até a exaustão, até dobrar a esquina daquela emoção extrema e desabar num choro grave, sofrido.<em> &#8221; O anel que tu me deste era vidro e se quebrou. O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou!&#8221;, </em>era a voz da criança que escutava cada vez mais forte. Voltou ao quarto sentindo a alma pesada, capaz das piores atrocidades. Ficou mais uma vez em frente ao espelho e encarou os olhos da velha Ofélia dentro dela, observou sua inércia, seus lábios enrugados que jamais ousariam dizer o que sonhava, que nunca soube se enfeitar de sonhos, seus pés fincados no chão frio e decidiu se salvar daquele mal que a atormentava. Pediu ajuda a pobre criança Ofélia, mas ela desaprendeu a sorrir, desaprendeu a brincar. Antes tão cheia de vida, agora, um pequeno raio de luz, muito fino e frágil, uma voz de saudade, doces lembranças pulando corda, caindo no poço, chupando manga nos quintais. A criança, a velha e a mulher, três forças desordenadas que formavam a Ofélia. Três em uma. Quantas faces cabem em nossa alma? Qual delas irá cuspir na vida enterrando os desejos das outras sete palmos debaixo do chão? Não importa. A velha venceu. Há momentos em que devemos proibir a compaixão pois ela torna santo o que devemos desprezar. <em>&#8220;A canoa virou, por deixá-la virar, foi por culpa de Ofélia que não soube remar.&#8221;</em> Nenhuma palavra mais foi dita. Entre ela e a realidade, somente o silêncio e a distância. Ali, diante do espelho, com a certeza de que todas as promessas e desejos da infância se perpetuam, Ofélia deu adeus a si mesma. Sem rodeios, cortou os pulsos, matando a mulher, a velha e a criança Ofélia de trinta e cinco anos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/dorme-nenem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Uma das canções do &#8220;Beco da Alma&#8221;, um musical de Cláudia e Danilo Guanais</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/uma-das-cancoes-do-beco-da-alma-um-musical-de-claudia-e-danilo-guanais/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/uma-das-cancoes-do-beco-da-alma-um-musical-de-claudia-e-danilo-guanais/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Oct 2010 03:57:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=22452</guid>
		<description><![CDATA[(Baseado no livro &#8220;Esquina do Mundo &#8211; a hora do Cão Lobo&#8221;) 
Música: Danilo Guanais e Cláudia Magalhães
[CANÇÃO] 
Bebo por não suportar desgraça
quero rir e achar graça
dar no tempo uma rasteira, certeira. 
Bebo só pra ver se o tempo passa,
bebo mais essa cachaça e
choro por qualquer besteira 
Quero ter direito de não ser mais quem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/10/marca-CrisB-esboco1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-22457" title="Microsoft Word - Documento2" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/10/marca-CrisB-esboco1-185x300.jpg" alt="" width="144" height="234" /></a>(Baseado no livro &#8220;Esquina do Mundo &#8211; a hora do Cão Lobo&#8221;) </strong><br />
Música: Danilo Guanais e Cláudia Magalhães</p>
<p><span><span style="color: #000000;">[CANÇÃO] </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;">Bebo por não suportar desgraça<br />
quero rir e achar graça<br />
dar no tempo uma rasteira, certeira. </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;">Bebo só pra ver se o tempo passa,<br />
bebo mais essa cachaça e<br />
choro por qualquer besteira </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;"><span id="more-22452"></span>Quero ter direito de não ser mais quem eu sou<br />
sair por essa vida sem pensar por onde eu vou<br />
Por isso bebendo eu vou [BIS] </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;">Ninguém tem nada com isso, faz favor! </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;">Bebo porque sei que nunca é tarde<br />
bebo sem fazer alarde<br />
fico aqui no meu cantinho, quietinho </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;">Quando eu bebo eu nunca olho pra trás<br />
eu bebo aqui e fico em paz<br />
porque esse beco é meu mundinho </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;">Nem pensar que o dia pode ter hora marcada<br />
não quero nem sonhar que a minha vida é controlada<br />
Quem manda em mim sou eu! [BIS] </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;">Eu tenho e pago por isso, o estrago é meu! </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;">Pode ser cachaça, uísque ou vinho<br />
o que vier bebo tudinho<br />
até ver tudo terminado, zerado </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;">e, se for cerveja, é geladinha<br />
mas se for uma meladinha<br />
não me faço de rogado </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;">Bebo porque tudo nessa vida tem um preço<br />
e se é pra brindar, eu brindo à vida e sei por que mereço<br />
Ter encontrado o amor. Eu tenho hoje um grande amor </span></span></p>
<p><span><span style="color: #000000;"><span>Eu levo a vida com isso, onde ela for&#8230;</span></span></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/uma-das-cancoes-do-beco-da-alma-um-musical-de-claudia-e-danilo-guanais/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Esquina do Mundo &#8211; a hora do Cão Lobo</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/esquina-do-mundo-a-hora-do-cao-lobo-2/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/esquina-do-mundo-a-hora-do-cao-lobo-2/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 23:26:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=22276</guid>
		<description><![CDATA[(Trecho do Livro &#8220;Esquina do Mundo &#8211; a hora do Cão Lobo&#8221;)
Não me condene, não sou vagabundo
Nem tampouco vigarista
Sou um boêmio, um sonhador
Eu tenho alma de artista.
Na mistura do céu e do inferno
Encontrei a esquina do mundo
Da vida, do poeta,
Do doutor, do moribundo.
Aqui ele ri, ele chora,
Toma cana com limão e mel
Toma rum com coca-cola
Com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Beco-da-Lama-início-do-século-XX.-Fotografia-Manoel-Dantas.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-22281" title="Beco da Lama, início do século XX. Fotografia Manoel Dantas" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Beco-da-Lama-início-do-século-XX.-Fotografia-Manoel-Dantas.jpg" alt="" width="191" height="160" /></a>(Trecho do Livro &#8220;Esquina do Mundo &#8211; a hora do Cão Lobo&#8221;)</p>
<p>Não me condene, não sou vagabundo<br />
Nem tampouco vigarista<br />
Sou um boêmio, um sonhador<br />
Eu tenho alma de artista.<br />
Na mistura do céu e do inferno<br />
Encontrei a esquina do mundo<br />
Da vida, do poeta,<br />
Do doutor, do moribundo.<br />
Aqui ele ri, ele chora,<br />
Toma cana com limão e mel<br />
Toma rum com coca-cola<br />
Com os pés na lama<br />
Olhando para o céu<br />
Desabafa, se esfola<br />
Vai afogando a sua dor.<br />
É a Ribeira dos becos<br />
Da lama, da amargura<br />
Onde tudo e todo sentimento se mistura:</p>
<p><span id="more-22276"></span></p>
<p>Fé, Cajú,<br />
Sangue, Coentro,<br />
Papa-Figo, Urubu,<br />
Medo, Tormento,<br />
Black-Out, Gentileza,<br />
Virtude, Desalento,<br />
Badalo, Fineza,<br />
Tristeza, Lamento.<br />
Cascudo, História,<br />
Siqueira, Poesia,<br />
Djalma, Vitória,<br />
Navarro, Alegria.<br />
Tributino, Destreza,<br />
Carrapicho, Flores,<br />
Zé Areia, Esperteza,<br />
As Marias, Os Amores.<br />
Coragem, Velocidade,<br />
Loucura, Lambretinha,<br />
Óvni, Verdade,<br />
Nazi, Meladinha.</p>
<p>É do resultado dessa mistura<br />
Que se faz esse lugar.<br />
Venha, amigo, se sentar<br />
Não precisa documento<br />
Basta só ter sentimento<br />
E entre uma alegria e outra<br />
Um pouco de lamento<br />
Porque daqui ninguém sai isento<br />
Sem vontade de chorar!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/esquina-do-mundo-a-hora-do-cao-lobo-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sete e Um</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/sete-e-um/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/sete-e-um/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Aug 2010 16:54:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=20706</guid>
		<description><![CDATA[
Blog: www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com
Vivemos num mundo onde almas se procuram e quando se encontram morre parte do nosso céu ou inferno. Nessa oração, a vida nos aprisiona com o que nos resta dessas curas até o encontro fatal, derradeiro, que, independente de ser predestinado ou apenas uma questão de sorte, nos prova que estamos sempre em busca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Sete-e-Um1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-20709" title="Sete e Um" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Sete-e-Um1.jpg" alt="" width="255" height="320" /></a></p>
<p>Blog: www.<a href="http://teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com" target="_blank">teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com</a></p>
<p>Vivemos num mundo onde almas se procuram e quando se encontram morre parte do nosso céu ou inferno. Nessa oração, a vida nos aprisiona com o que nos resta dessas curas até o encontro fatal, derradeiro, que, independente de ser predestinado ou apenas uma questão de sorte, nos prova que estamos sempre em busca da morte. E foi num duelo com esta que conheci o riso e o choro, mas aprendi a não debochar.</p>
<p><span id="more-20706"></span>O amor nunca me pegará! Esse pensamento me acompanhava desde a mais tenra idade. Na verdade, não queria conhecê-lo, pois sempre tive medo dos heróis, eles não são perfeitos e suas falhas me aniquilariam. Tamanho era o meu medo de encontrá-los ou reconhecê-los que passava grande parte do meu tempo dentro de mim. Em minhas tocas, em minhas esquinas, virei a morte dos humanos, a que vive onde a vida escarra. Seguia diante da vida impondo meus desejos de céu e minha sede de inferno, mudando a realidade, moldando-a de tal forma que ela atendesse a todos os meus desejos. Eu, algoz e vítima, a todo instante me perseguia e, com medo do amor, acelerava o tempo levantando minha saia de solidão e revelando minhas vergonhas. Precisava enrubescer para me sentir viva.</p>
<p>Aos vinte e dois anos quando meu primeiro namorado, com um buquê de flores, pediu-me em casamento, meia hora depois desejei ardentemente que ele tivesse um infarto fulminante na hora do jantar. O segundo, quando eu tinha vinte e cinco anos, pediu-me em casamento e me entregou um jogo de panelas, imaginei ele, que tinha Hipsifobia, medo de altura, seguindo até a varanda do meu apartamento e se atirando do sétimo andar. Aos trinta anos, desejei que o meu terceiro candidato a marido perdesse a consciência durante sua caminhada matinal, enquanto eu manuseava com tédio o presente que acabara de ganhar, um álbum de fotografias. Aos trinta e três imaginei meu quarto pretendente, depois do pedido, morrendo com uma dor torácica ao tentar levantar o meu presente que estava sobre o meu tapete, uma televisão. Aos trinta e seis, enquanto eu estampava minha cara de tédio ao abrir meu presente, uma caixa com três perfumes doces, imaginei o quinto, que sofria de síndrome do QT longo, indo dessa para uma melhor, sofrendo um gatilho emocional ao conferir que acertara todos os números do bilhete da loteria que esquecera de apostar. Aos trinta e seis, imaginei o sexto, que sofria de Wolff-Parkinson-White, uma doença que atinge em média quatro a cada cem mil pessoas, morrendo por excesso de exercícios na bicicleta que me trouxera de presente e aos trinta e nove anos senti uma enorme felicidade imaginando meu sétimo pretendente morrendo com uma parada cardíaca depois de me presentear com um livro de auto-ajuda e não teria desfibrilador portátil, ressucitação cardiopulmonar e nenhum medicamento que o salvasse. Embora as situações fossem outras, as vítimas e o que tem dentro delas também, na hora do pedido de casamento sentia uma espécie de assombração por todos e assustada sempre dizia: Não! Ao desejar suas mortes não tinha o menor rasgo de sofrimento, pelo contrário, um enorme alívio me consumia.</p>
<p>O oitavo pretendente, depois de tomar uma garrafa de vinho, na mesma noite em que nos conhecemos, me pediu em casamento e, sem nenhum presente em mãos, aproximou-se com gestos rápidos e tirou minha roupa. Senti um tremor na alma que a cada olhar dele se emocionava e tentando recusar essa emoção perdi a lucidez. Lembro que em pensamento o chamei de irritante, vadio, louco, mas um turbilhão de sentimentos me invadiu, o que não ousaria resumir em uma única palavra. Entrei na mais perigosa fuga. Ali, num assalto do tempo ou num acordo cúmplice com a morte, o amor me alcançou. Feito flores &#8220;bocas-de-lobo&#8221; em meio a espinhos encheu-me de um carinho violento e passei a me sentir em perigo. Ele despertou a beleza e a ternura que me inquietava, penetrou minha carne seguindo o terço das emoções, rezou sobre meu sexo sem pressa, elevando sua temperatura tal qual um vulcão prestes a entrar em erupção e com seu líquido quente eletrizou meu corpo até as pontas dos meus cabelos, as raízes do meu tempo, de uma maneira tal que, naquele instante, eles pararam de crescer. Em seguida, levou-me até o inferno sem tirar-me do altar. Depois das horas de amor, o vi perdendo os sentidos. Em desespero, toquei em sua carne fria, em suas mãos roxas, em seu rosto distante dos sorrisos que exaltaram e iluminaram a noite. Diante da sua morte, pude ver o mundo faminto desde sua criação devorar-me, enquanto pessoas vestidas iguais me ofereciam flores sob murmúrios que exprimem grande devoção a dor ou total ausência desta, cheios de horror diante do infeliz destino da assassina, da desgraçada, da besta-fera, da que seria infeliz no amor até o momento da terra cuspir em sua cara. Com a dor fazendo ondas em meu peito, pensando em sua ausência, em sua carne apodrecendo, entrei em desespero! Foi preciso vê-lo frágil, fraco, ver a vida cuspí-lo para descobrir que ele pertencia à minha vida. Minutos depois, o perfume da paixão me subiu às narinas e me trouxe à realidade. Com grande alívio, observei seu rosto cheio de cor e o seu sorriso que antecipava as horas de prazer, as quedas livres do gozo e tudo o que até hoje me exprime ternura. O seu amor me torna invisível aos olhos da morte, ele disse feliz, como se lesse os meus pensamentos. Há dez anos ele repete essa frase e, nus, continuamos roubando os sonhos do mundo, nada mais justo quando se quer viver um grande amor.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/sete-e-um/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>As Fotografias</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/as-fotografias/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/as-fotografias/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 22:44:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Magalhães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=19937</guid>
		<description><![CDATA[www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com
O mal-estar que sinto antecipa o erro que estou prestes a cometer. Clarice, cega há um ano, devido ao acidente que sofreu com Paulo, seu atual marido, precisa do meu relato. Tenho medo, mas não vejo outra saída. Encontrei-a, alguns meses atrás, saindo de um restaurante japonês com sua mãe, e tornei-me, novamente, sua grande [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com" target="_blank">www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com</a></p>
<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/07/picasso_3.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-19941" title="picasso_3" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/07/picasso_3.jpg" alt="" width="140" height="113" /></a>O mal-estar que sinto antecipa o erro que estou prestes a cometer. Clarice, cega há um ano, devido ao acidente que sofreu com Paulo, seu atual marido, precisa do meu relato. Tenho medo, mas não vejo outra saída. Encontrei-a, alguns meses atrás, saindo de um restaurante japonês com sua mãe, e tornei-me, novamente, sua grande amiga. Falou da sua eterna paixão pela cozinha italiana e japonesa. Para meu espanto, estava segura e feliz com seu novo amor. <span id="more-19937"></span>Ele se tornou mais carinhoso e mais apaixonado. O amor que recebo é tão grande e verdadeiro que, depois de cega, passei a enxergá-lo. Ele tem a forma mais-que-perfeita e a palavra esperada como guia. Diante da vida, ele é tudo. Quando surge calmo e sereno, me faz chorar de emoção, e quando fica chateado, faz uma cara tão feia que me dá vontade de rir. Todos os dias, sem susto, ele queima minhas inseguranças, me livra de futuras cicatrizes, me deixa leve a alma e em fogo a carne, pronta para cheirar as cores, pra enxergar o que não pode ser visto, pronta para o amor, disse-me, certo dia, com lágrimas nos olhos. Observo, agora, sua vulnerabilidade e uma espécie de coceira na alma, que não consigo descrever bem, me impulsiona a falar:</p>
<p>- Eles chegaram. É uma bela mulher!</p>
<p>- Como ela é? Não me poupe dos detalhes, por favor! – implora com docilidade.</p>
<p>- Ela usa um vestido azul, justo, que revela um belo corpo e sandálias altas deixando-a na mesma altura que ele, que está de calça jeans e com uma camisa verde de mangas curtas&#8230;</p>
<p>- Eu dei essa camisa de presente a ele quando completamos dois anos de casados. É a minha cor preferida&#8230; – parou com a voz embargada. Respirou fundo e pediu &#8211; Continue.</p>
<p>- Ele a abraça com ternura e ela retribui o carinho cobrindo-o de beijos no rosto, até alcançar-lhe a boca. Quanta paixão eles exalam. Ela, agora, cochicha algo em seu ouvido arrancando-lhe um enorme sorriso. Isso me faz lembrar Carlos, de quando estamos em nossa intimidade e sussurro palavras picantes ao seu ouvido, ele fica louco de desejo&#8230;</p>
<p>- Pare! Não quero ouvir mais nada &#8211; interrompeu-me aos prantos.</p>
<p>- Entendo.</p>
<p>Ela chora baixinho por alguns segundos. Abre a bolsa nervosamente, retira um elástico e prende os cabelos negros, que tanto realçam sua pele clara, num rabo de cavalo. Não resisto e começo a chorar, afinal, conheço bem essa dor. Quando ligo o carro para irmos, ela segura em meu ombro e implora:</p>
<p>- Vamos ficar mais um pouco. Continue, preciso recorrer às suas palavras, ao menos elas serão fiéis aos fatos e darão a medida exata da dor que devo sentir.</p>
<p>Continuo narrando sabendo que a natureza da minha ação não é bondosa. Desejo fugir, mas a minha vontade de ficar pesa e esmaga o meu medo. Uma vontade machucada, e por isso, inteligente, criativa. Agora, não é somente essa vontade que pesa, mas todo o meu corpo. Algumas pessoas dariam o nome de “maldade” a esse peso, mas na verdade é somente um meio de salvação. Olhando para o vazio, para o nada, continuo inventando uma paixão rica em detalhes. Criando uma situação que não existe, me vingo, destruo o amor cego de Clarice.</p>
<p>Uma hora depois, paro o carro em frente à sua casa. Por um instante, tenho a vontade de lhe contar uma história bonita, de voltar atrás.</p>
<p>- Chegamos, amiga – digo com ternura.</p>
<p>- Não queria me separar de você. Não queria ficar só – fala com voz trêmula.</p>
<p>- Gostaria de ficar e te fazer companhia, mas infelizmente preciso ir. Carlos deve estar me esperando para o jantar. O que você pretende fazer?</p>
<p>- Ainda não sei. De qualquer forma, obrigada por tudo – fala entregando-se a um choro profundo.</p>
<p>- É para isso que servem as amigas, querida – Nos abraçamos por um bom tempo. Ela estava nitidamente abalada. Sabia que rumo sua mente tomaria de agora em diante. Se antes era capaz de acreditar no sofrimento das flores, agora pregaria a inexistência de Deus. Parti me sentindo suja, vil, pérfida. Mas a certeza que tenho, minutos depois, de que o amor é realmente cego, esmaga a minha violência, a minha injustiça.</p>
<p>Chego em casa antes das seis da tarde. Carlos ainda não chegou do trabalho. Vou direto ao guarda-roupa e retiro, debaixo de uma pilha de casacos, duas fotografias. Na primeira, Clarice e Carlos sentados na areia de uma praia que costumamos freqüentar. Ele está lindo, com um sorrido doce, encantador. Na outra, uma foto nossa, também sentados na mesma praia, onde ele sorri com amargura. Amargura, talvez, imperceptível para alguns, mas não para mim. Através dessas duas fotografias descobri o seu segredo. O seu olhar, a sua postura, o seu sorriso na primeira, revelam o real motivo de continuarmos freqüentando, sempre, a mesma praia, da sua paixão por comida italiana e japonesa e da cor verde nas paredes do nosso quarto. Choro, agora, diante da nossa fotografia. Pintei meus cabelos de negro e há muito não tomo sol. Talvez eu fosse mais feliz se fosse sozinha, não precisaria dar beleza ao que deveria desprezar. Escuto o barulho da porta se abrindo. Segundos depois, Carlos entra no quarto, me beija apaixonadamente e diz que sou a mulher da sua vida. Fala tão docemente que chego a ter total certeza do seu amor. Lembro de Clarice, e nesse momento ela não é mais inatingível, não é maior ou melhor que eu. Eu a atingi no peito e fui embora, deixando-a em sua casa e no meu passado, até chegar o momento de, novamente, encarar as fotografias.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/as-fotografias/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

