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	<title>Substantivo Plural &#187; Denise Araújo</title>
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	<description>CULTURA + IDÉIAS + INFORMAÇÕES</description>
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		<title>E começa mais um carnatal</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 10:54:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Enquanto alguns brincam o carnatal, outros, inevitavelmente, vivem o &#8220;caosnatal&#8221;. É isto.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto alguns brincam o carnatal, outros, inevitavelmente, vivem o &#8220;caosnatal&#8221;. É isto.</p>
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		<title>Vamos alterar o projeto que cria a Comissão da Verdade</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Oct 2011 18:21:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Abaixo reproduzo matéria publicada na Revista Caros Amigos online em 02/10/2011, e repasso o link para que os interessados possam assinar o manifesto: http://www.petitiononline.com/PL7376/petition.html
Segue matéria:
Passeata em São Paulo pede punição para torturadores da ditadura
Dilma recebe por fax manifesto entregue por familiares de vítimas da repressão que pede alteração no projeto que cria Comissão da Verdade
Por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abaixo reproduzo matéria publicada na Revista Caros Amigos online em 02/10/2011, e repasso o link para que os interessados possam assinar o manifesto: <a href="http://www.petitiononline.com/PL7376/petition.html" target="_blank">http://www.petitiononline.com/PL7376/petition.html</a></p>
<p>Segue matéria:</p>
<p><strong>Passeata em São Paulo pede punição para torturadores da ditadura</strong></p>
<p>Dilma recebe por fax manifesto entregue por familiares de vítimas da repressão que pede alteração no projeto que cria Comissão da Verdade</p>
<p><strong><span id="more-35958"></span>Por Lúcia Rodrigues</strong></p>
<p>A presidente Dilma Rousseff já tem em mãos o manifesto, assinado por intelectuais, artistas, ativistas de direitos humanos, parentes de vítimas da ditadura militar, ex-presos políticos e representantes de movimentos sociais, que pede alterações no projeto de lei do Executivo que cria a Comissão da Verdade. O projeto, aprovado na Câmara dos Deputados no último dia 21, aguarda para ir a voto no Senado. Se aprovado, segue para sanção da presidente.</p>
<p>O documento foi entregue à chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, por uma comissão de familiares de vítimas da ditadura militar, ao final da passeata que ocorreu na última sexta-feira, 30, na avenida Paulista, para exigir a punição dos torturadores. Dentre os vários pontos que os ativistas reivindicam que sejam modificados no projeto de lei do governo, está o que impede que o resultado das investigações da Comissão da Verdade seja encaminhado ao Judiciário, para a responsabilização de militares que torturaram e assassinaram ativistas de esquerda durante a ditadura que vigorou no país de 1964 a 1985.</p>
<p>Clique aqui para ler e assinar o Manifesto</p>
<p>Os manifestantes não aceitam que militares integrem a Comissão da Verdade e pedem a abertura imediata dos arquivos das Forças Armadas para se conhecer a verdade sobre o que aconteceu no período. Eles também querem que a Lei de Anistia, que indultou os militares, seja revista e que a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA, a Organização dos Estados Americanos, que condenou o Brasil no final do ano passado pelos crimes cometidos por agentes das Forças Armadas durante a ditadura, seja cumprida.</p>
<p>Rosemary informou à comissão de parentes e aos jornalistas, que a presidente Dilma ainda despachava no Palácio do Planalto e que receberia o documento por fax. A Carta Aberta do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça distribuída à população durante a passeata também foi entregue à chefe de gabinete da presidente.</p>
<p>Segundo ela, Dilma irá dar uma resposta aos parentes de mortos e desaparecidos, mas não soube precisar se o retorno será dado ainda esta semana.</p>
<p>Pressão popular<br />
Ativistas que participaram da passeata na avenida Paulista estão convencidos de que somente manifestações públicas podem pressionar pela efetivação de uma Comissão da Verdade que apure os crimes da ditadura militar. Eles não acreditam que o texto possa vir a ser alterado no Senado e apostam na conscientização da população.</p>
<p>&#8220;Passeatas como está são muito importantes. A pressão da sociedade alarga os objetivos e a correlação de forças muda. Temos de estar nas ruas para informar a população sobre o que ocorreu na ditadura militar&#8221;, frisa a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que acompanhou todo o trajeto à frente da marcha e sob uma faixa que pedia punição para os torturadores da ditadura.</p>
<p>A luta de Erundina para passar o país a limpo é antiga. Quando foi prefeita da capital paulista (1989 – 1992) sua administração localizou uma vala no Cemitério de Perus, na periferia da cidade, onde vários militantes políticos assassinados pela ditadura foram enterrados com nomes falsos por agentes da repressão.</p>
<p>O ex-ativista da Ação Libertadora Nacional (ALN) e ex-senador na Itália José Luiz Del Roio é outro que não acredita em mudanças no texto e aposta na mobilização da sociedade para reverter o projeto que deverá ser chancelado no Senado. &#8220;Sinceramente não acredito que ocorra nenhuma alteração. Fui parlamentar e sei como a máquina funciona. Mas mobilizações como esta ajudam a acumular forças. A divulgação do que aconteceu é fundamental.&#8221;</p>
<p>Ele explica que em outros países, os projetos que criaram comissões da verdade também apresentaram vários problemas e não previam a responsabilização dos torturadores no início. No caso da Argentina, Del Rio conta que foi o relatório do escritor Ernesto Sábato que possibilitou a formação de uma segunda comissão da verdade, que pode promover a responsabilização dos agentes da ditadura naquele país.</p>
<p>&#8220;O relatório Sábato chocou a sociedade por sua contundência e isso permitiu que fosse convocada outra comissão da verdade que responsabilizou os torturadores&#8221;, ressalta. &#8220;Aqui temos o problema da Lei da Anistia, mas na Argentina também havia. Se tiver mobilização da sociedade o quadro muda. E se tivermos um Sábato na Comissão aí podemos ter esperança&#8221;, completa Del Roio, ao se referir à importância na escolha dos nomes que irão compor a Comissão da Verdade.</p>
<p>Contra ditadura<br />
A estudante de Artes Plásticas da USP, Cândida Guariba, neta da teatróloga Heleny Guariba, assassinada na Casa de Petrópolis e que até hoje engrossa a lista de desaparecidos, afirma que a pressão popular é fundamental para se conseguir uma Comissão da Verdade que realmente investigue os crimes da ditadura militar. &#8220;A sociedade precisa se organizar&#8221;, enfatiza.</p>
<p>Cândida integrou a comissão de parentes que entregou o Manifesto à chefe de gabinete da presidente Dilma, ao lado da ex-guerrilheira do Araguaia Criméia Almeida e de Angela Mendes de Almeida, ex-companheira do jornalista Luiz Eduardo Merlino, assassinado sob tortura no DOI-Codi paulista em julho de 1971, comandado pelo coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra.</p>
<p>&#8220;É muito duro e difícil de entender que em uma democracia não se investiguem os crimes da ditadura. Eu queria perguntar para a Dilma porque não se faz isso. É muito frustrante&#8221;, ressalta Criméia, que foi torturada pelo coronel Brilhante Ustra aos sete meses de gravidez. Ela também perdeu o companheiro, André Grabóis, e o sogro, Maurício Grabóis, assassinados pelas Forças Armadas, no início dos anos 1970, na Guerrilha do Araguaia. Os corpos dos dois guerrilheiros estão desaparecidos até hoje.</p>
<p>Angela considera as adesões ao Manifesto, que tem entre os signatários o cantor e compositor Chico Buarque, a juíza Kenarik Boujikian Felippe, a procuradora da República Eugênia Gonzaga, o dirigente nacional do MST João Pedro Stedile, o ator Osmar Prado, a atriz Bete Mendes, o escritor Frei Betto e o sociólogo Michael Löwy, entre outros, ao lado de manifestações de rua contribuem para pressionar por uma Comissão da Verdade que possa responsabilizar os crimes da ditadura. &#8220;Tem muita gente assinando o Manifesto. Isso é o que vai fazer a configuração mudar.&#8221;</p>
<p>&#8220;Não acredito em nenhuma modificação do texto no Senado. O importante é fazer com que a informações sobre o que ocorreu na ditadura cheguem à população&#8221;, afirma Marco Antonio Santos, do Coletivo Contra a Tortura. Ele considera que a passeata da última sexta-feira em São Paulo &#8220;é o embrião para se ganhar mais pessoas para formação de um bloco de resistência&#8221;.</p>
<p>Para o vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, Marcelo Zelic, os documentos que fazem parte do acervo Brasil Nunca Mais devem servir de base para o aprofundamento das investigações pelos integrantes da Comissão da Verdade.</p>
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		<title>Questão de Justiça II: rápido e menos profundo</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/questao-de-justica-ii-rapido-e-menos-profundo/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 14:02:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao ler o texto Questão de Justiça, de Jânio de Freitas, e também por interesse no assunto, pequeno comentário (e menos profundo):
Com os grandes tentando exercer temeridade e intimidação pelo poder que representam, escondendo a realidade que de fato permeia os corredores do Judiciário, e perseguindo os que exercem, além da ética profissional, a autocrítica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao ler o texto Questão de Justiça, de Jânio de Freitas, e também por interesse no assunto, pequeno comentário (e menos profundo):</p>
<p>Com os grandes tentando exercer temeridade e intimidação pelo poder que representam, escondendo a realidade que de fato permeia os corredores do Judiciário, e perseguindo os que exercem, além da ética profissional, a autocrítica necessária a própria práxis, denunciando os maus colegas ( e não generalizando, como autoritariamente afirmou Cezar peluso e consortes), lamentável e cada vez mais aterrador nosso futuro de nação.</p>
<p>Avante Brasil! Percorramos todos juntos o caminho da descarga até chegarmos à fossa.</p>
<p>Obs.: Parabéns aos três corajosos, além da corregedora Eliana Calmon, que não assinaram a nota de repúdio. São motivos de orgulho nacional para quem deseja instituições públicas cada vez mais probas e transparentes. Pena que a História geral deste país vai contra tudo o que é honesto. Pena que meu apoio não vale de nada.</p>
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		<title>Sobre os 11 de setembro</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 18:45:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foi por ter gostado do último post do Profº. Marcos Silva que agora escrevo. Muito oportuna e necessária esta reflexão dele. Também senti muita vitimização na cobertura dos ataques terroristas aos EUA.
Não sou antiamericanista, e por isto critico qualquer ato terrorista porque considero terrorismo um dos piores assombros na nossa atual geopolítica, visto que abala [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi por ter gostado do último post do Profº. Marcos Silva que agora escrevo. Muito oportuna e necessária esta reflexão dele. Também senti muita vitimização na cobertura dos ataques terroristas aos EUA.</p>
<p><span id="more-35135"></span>Não sou antiamericanista, e por isto critico qualquer ato terrorista porque considero terrorismo um dos piores assombros na nossa atual geopolítica, visto que abala governos, diplomacias, paz social, e faz sucumbir vidas.</p>
<p>No entanto, lembremos quantos atos os Estados-Unidos não já praticaram ou ajudaram a encampar, como Marcos exortou. A imprensa está sendo muito condescendente com certas barbáries quando consegue enlevar a dor de certos fatos e renegar a de outros. Vejamos se não seria o caso de avaliarmos os precedentes deste 11 de setembro de 2001, lembrando que nada jamais justificaria qualquer ação criminosa. Vejamos também se não seria o caso de observamos os fatos posteriores, como as guerras iniciadas nos últimos anos, por exemplo. No Afeganistão de fato encontraram-se células de líderes da Al Qaeda, mas no Iraque não encontrou-se vestígio de arma química ou grupos terroristas. Patrimônios históricos de antigas civilizações mesopotâmicas foram destruídos, sem nenhum pesar. Nas duas guerras, muitas baixas civis ocorreram, inclusive muitas crianças iraquianas.</p>
<p>Nenhuma lembrança sequer sobre outra vergonha para a história de nossa América, que foi o outro 11 de setembro, o de 1973, quando Pinochet bombardeou o Chile e depôs Salvador Allende, primeiro presidente socialista eleito pelo povo na América Latina. Tal golpe militar, que teve forte apoio dos EUA, fez emergir uma sangrenta ditadura que durou quase trinta décadas e ceifou mais de 40.000 mortos (números oficiais). Para este vexame histórico a mídia não declinou atenção.</p>
<p>Esta invisível hierarquia que a imprensa (eu diria até mundial) tem para definir suas coberturas não nos ajuda a romper com pensamentos hegemônicos, não nos encoraja à cidadania, não nos fortalece humanos, não nos adverte dos mais sintomáticos erros do passado (para que não os repitamos), não nos une em nenhum propósito verdadeiramente democrático e justo de comunidade global.</p>
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		<title>Carta Pública de Agradecimento</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2011 16:53:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[“O homem inteligente aprende com seus próprios sofrimentos;O homem sábio aprende                          com os sofrimentos alheios.”    Platão
Os meus ais não são maiores que os de ninguém. Não são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“O homem inteligente aprende com seus próprios sofrimentos;O homem sábio aprende                          com os sofrimentos alheios.”    Platão<br />
Os meus ais não são maiores que os de ninguém. Não são menores. Não são especiais. Não são únicos.  Mas são sentidos. Se estes ais juntam-se aos outros, então fabrica-se o clamor dos clamores, pois vem do infortúnio comum. Se qualquer vivente que seja sofre na pele a peleja e luta da vida que é difícil para todos, toda a gente é também capaz de ocupar o ai alheio? Tomar-lhe o lugar e a dor para si? Pensemos e reflitamos. Acomodar-se a qualquer realidade perversa é instaurar justamente este perigoso tempo de ais.</p>
<p><span id="more-34202"></span>Quando criança, ouvia estes ais de minha mãe e impacientava-me. Achava que dor era próprio de idoso. Mais tarde finalmente compreendi: apesar de jovem, os ais dela vinham em virtude da flebite. Longo e arduoso caminho percorrido. Peregrinação em hospitais, leitos de internação, secretarias estaduais e municipais de saúde, consultórios médicos, exames e mais exames, medicamentos que não resolviam, médico que nada ajudava, dias e noites de fragilidade pensando se o pior viria&#8230; Nada adiantou. Só o abandono, o desprezo, enfim, a desumanidade.</p>
<p>Os dezoito anos de espera da minha mãe Maria de Lourdes Araújo não comovia ninguém. Não encontrei alguém capaz de imaginar para si os ais sentidos por aquela que esperava por uma cirurgia vascular na fila do Hospital Onofre Lopes. A letargia foi coisa reinante por onde passamos. A desumanidade, infelizmente soberana. Parte considerável da sociedade perdeu a capacidade do altruísmo, da solidariedade. O infortúnio do outro é sempre coisa muito amena, não merece preocupação, comoção. Tempos difíceis estes nossos.</p>
<p>Foi num misto de suprema revolta e de desespero que escrevi uma carta denunciando o caso particular de minha mãe, bem como o descaso com a saúde pública. Minha consciência cidadã também sabia importante aquele ato, visto que chamava a atenção para um problema de grande alcance social: a enorme ineficiência do SUS, mesmo quando o Ministério da Saúde tenta empurrar garganta abaixo que trata-se do maior sistema público de saúde do mundo.</p>
<p>Na semana passada o Jornal Diário de Natal fez repercutir o caso em sua manchete de capa. Merece os méritos por isto, visto que foi o único veículo que divulgou o fato e sensibilizou-se com a  calamitosa situação de abandono em que o SUS deixa seus usuários e também mantenedores, divulgando o vexame público que são as filas gigantes para cirurgias existentes nos diversos hospitais públicos do país. A postura democrática e consciente de tal jornal em divulgar informação relevante e contribuir com o bem estar e a justiça na sociedade geral foi fundamental para o desfecho feliz desta história. A jornalista Maiara Felipe foi a responsável por sugerir o tema na pauta e por isto a agradeço pela atenção ao nosso caso. No mesmo dia em que a matéria foi divulgada, o Dr. Napoleão Veras, médico e diretor do Hospital-Maternidade Guiomar Fernandez, localizado em Alexandria/RN, exerceu a sensibilidade e a humanidade que fizeram mudar a vida de minha família. Propôs operar minha mãe em tal hospital, encerrando nossa longa marcha por um direito constitucionalmente instituído, que é o da saúde.</p>
<p>Rapidamente tudo foi providenciado: a conversa, a atenção, o zelo, os exames faltantes e, finalmente a cirurgia. Quatro dias após, no dia 13/08 último, ocorreu  o procedimento cirúrgico. Não poderia deixar de agradecer à competente e ética equipe médica: o angiologista Jaime César, o anestesista Ricardo Maia, a chefe de enfermagem Cristiane e aos demais que não me foi permitido conhecer o nome. Vocês fizeram a diferença em nossas vidas. Foram a única flor existente no vasto campo de urtigas, como falou certa vez Victor Hugo.</p>
<p>Quão feliz aurora eu tive no município de Alexandria/RN. Conheci um verdadeiro lugar de referência, que é o Hospital-Maternidade Guiomar Fernandes. Um exemplo de local onde o SUS deu certo e certamente um modelo a ser seguido por todo o país. O SUS deve olhar para este hospital, sem dúvida alguma. Deve observar o seu feliz exemplo de gestão. Deve enviar seus pesquisadores, observadores, consultores, os gestores de saúde, os profissionais da saúde, os estudantes de enfermagem e medicina, enfim, deve enviar todas estas pessoas para lá, pois a estrutura que encontrei não compara-se nem aos hospitais da rede privada de Natal/RN. Exemplo que deve ser entendido e expandido para todos os demais hospitais públicos. Este hospital tem uma grande estrutura, pois possui quarenta e sete leitos, vários ambulatórios, e realiza inúmeras cirurgias de grande porte, tais como as vasculares, oftalmológicas, de vesícula, cesarianas, histerectomia. Soube que em breve terá a parte de traumatologia. Ou seja, é um achado.</p>
<p>Eu realmente fiquei impressionada com tamanha estrutura de um hospital filantrópico do interior do Estado, com recursos todos oriundos do SUS, e creio que esta unidade hospitalar deve ser amplamente divulgada para toda a população potiguar, como uma importante opção existente. Lugar administrado com cuidado, ética e muito carinho. Lá os pacientes são tratados com atenção por todos, desde a diretoria e equipe médica até todos os funcionários envolvidos. O clima é de casa de família, tranquilo. Até mesmo quem não gosta de hospital (como eu) sente-se bem estando lá, pois somos tratados como velhos amigos, verdadeiramente acolhidos. Pela primeira vez presenciei um  tratamento de fato humanizado. Alexandria/RN está de parabéns por guardar instituição tão modelar. Fui assegurada pela própria direção do hospital que o Secretário de Saúde do RN, o Dr. Domício Arruda, tem contribuído sobremaneira para que ele funcione com tamanha excelência. Parabenizo-o, então, por este grande mérito que o cabe. Não poderia, no entanto, deixar de cobrar que ele estenda esta proatividade e este exemplo de sucesso aos demais hospitais regionais. Que invista principalmente na parte ambulatorial e de pronto-socorro, para poupar gastos futuros e consideravelmente maiores, como os cirúrgicos. São nestas duas áreas que o SUS mais agoniza.</p>
<p>Agradeço a todos os funcionários que nos atenderam com tamanho amor no Hospital-Maternidade Guiomar Fernandes. Vocês são uma bênção. Também a toda a família do Dr. Napoleão Veras, pelo amor que nos dispensaram e por terem o coração tão nobre (Drª Diana e Drª Zumira em especial). Pessoas raras neste mundo. À equipe médica por toda a atenção e cuidado. Se todos os profissionais da medicina tivessem a competência e o amor à profissão que vocês têm, certamente o SUS seria referência em saúde no mundo (de fato). Alexandria deu-nos a humanidade perdida em todos os lugares por que passamos. Quando se quer é assim que se faz. O Dr. Napoleão e o Dr. Jaime resolveram em quatro dias aquilo que o Estado e o País não resolveram em dezoito anos. O problema não é a falta de recursos, é a falta de vergonha. É urgente que as autoridades neste país tomem, portanto, a devida e necessária vergonha para mudar a situação do Sistema Único de Saúde, quer em quais áreas as maiores deficiências e faltas existam..Os motivos são muitos: porque saúde é direito constitucional; porque somos contribuintes; porque em virtude do descaso com a saúde muito já morremos, estamos morrendo e ainda morreremos&#8230;</p>
<p>Natal, 15/08/2011<br />
Denise Araújo Correia</p>
<p>Obs.: Tácito, você também foi um amigão e imprescindível, pois foi quem me incentivou a enviar a denúncia para os jornais. Não teria feito isto se não fosse seu conselho. Obrigado por tudo. Minha mãe agora encontra-se bem. Finalmente estou em paz.</p>
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		<title>Pedido</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/pedido/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 11:23:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Peço aos que puderem, leiam a edição do Diário de Natal online de hoje, 09/08/2011, que realizou matéria sobre a denúncia divulgada por mim no Substantivo Plural ontem. Caso sintam vontade de comentar, façam-no lá.
Ficarei muito grata.
Abraços,
Dê
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Peço aos que puderem, leiam a edição do Diário de Natal online de hoje, 09/08/2011, que realizou matéria sobre a denúncia divulgada por mim no Substantivo Plural ontem. Caso sintam vontade de comentar, façam-no lá.<br />
Ficarei muito grata.</p>
<p>Abraços,<br />
Dê</p>
<p><a href="http://www.diariodenatal.com.br/2011/08/09/indice.php" target="_blank">aqui</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Carta-Denúncia Aberta às Autoridades e à Sociedade Civil</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/carta-denuncia-aberta-as-autoridades-e-a-sociedade-civil/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/carta-denuncia-aberta-as-autoridades-e-a-sociedade-civil/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Aug 2011 11:58:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[“Plantar carvalhos? Como, se já se decidiu que somente eucaliptos sobreviverão? Plantar tâmaras, para colher daqui a cem anos? Como, se já se decidiu que todos teremos de plantar abóboras, a serem colhidas daqui a seis meses?” Rubem Alves
O belo excerto acima ocorreu-me em situação nada alegre e digna. É sabido que o Hospital Monsenhor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Plantar carvalhos? Como, se já se decidiu que somente eucaliptos sobreviverão? Plantar tâmaras, para colher daqui a cem anos? Como, se já se decidiu que todos teremos de plantar abóboras, a serem colhidas daqui a seis meses?” <strong>Rubem Alves</strong></p>
<p>O belo excerto acima ocorreu-me em situação nada alegre e digna. É sabido que o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, Natal/RN, encontra-se em estado de calamidade pública há muito, não conseguindo prestar decentemente a assistência à saúde que o SUS arrazoa oferecer. Os corredores estão, como sempre, excelsamente lotados. Muitos pacientes com quadros de tratamento que necessitam de UTI são obrigados a amontoarem-se por lá. Nem os idosos merecem a mínima atenção, o que fere o Estatuto do Idoso.</p>
<p><span id="more-33933"></span>Nesta semana entendi a macabra lógica que instituiu esta atitude. Após ter passado várias “temporadas” em tal pronto-socorro, acompanhando meus pais internados, não conseguia entender o porquê dos idosos não serem privilegiados no atendimento. Em 01/08/2011 finalmente entendi. Nesta data foi noticiado no RN TV noturno que os profissionais do referido hospital estão escolhendo atender os pacientes que têm mais chance de sobrevida. Os demais são abandonados para morrer. O pior é que a matéria, apesar de denunciar tamanho vexame, transmitiu um clima de inércia, visto já ser vergonha pública há tanto tempo e nada mudar. É como se neste lugar não houvesse uma ética humana, ou instâncias fiscalizadoras, ou o próprio Ministério Público ou, ainda, uma sociedade com a capacidade coletiva de repúdio. Destarte, os doutos seguem a escolher se plantarão eucaliptos ou carvalhos, se colherão neste ou naquele pomar, se as rosas nos são necessárias ou não, se os jardins existirão ou serão incinerados, se ainda sentiremos ao menos o aroma de qualquer flor&#8230;</p>
<p>Apesar de em nossa Carta Constitucional constar o direito à vida no caput do artigo 5º, e enfatizá-lo de alguma forma com o direito à saúde, descrito no caput no artigo 6º, vê-se uma desobediência sistêmica a tais princípios constitucionais pelo sistema de saúde que tem por atribuição garantir o “acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país”, segundo o próprio Ministério da Saúde. No preâmbulo de sua cartilha “Entendendo o SUS”, desenvolvida por tal ministério, a humildade comove quando afirma-se que o SUS “transformou o Brasil no país de maior atendimento gratuito de saúde do mundo”, já que é “impar no mundo,  garante acesso integral, universal e igualitário do simples atendimento ambulatorial aos transplantes de órgãos”. Perfeito aos anais ministeriais. Boa intenção que não deixa de conter uma perigosa alienação beletrista. Realidade ocultada digna de grandes regimes ditatoriais. Não é deste invólucro almiscarado que frui as condições de atendimento reais dos brasileiros que procuram o SUS. As “Cartas dos direitos dos usuários da saúde”, outra iniciativa do MS, estão sendo descumpridas sempre que eu e minha família acessamos tal sistema. Favor, a quem denunciar?</p>
<p>Daqui de Natal/RN os descasos com minha família são só mais uns dos casos na multidão deste país de tantos excluídos. Após acompanhar meus pais constantemente em postos de saúde e em hospitais públicos daqui, presenciei realidades horrendas, por diversas vezes comparáveis a cenas dantescas, de difícil imaginação. Pisei em territórios de mortos-vivos, pois era a isso que os usuários assemelhavam-se. Nem pareciam gente, tão pungentes as suas dores, tão sérias as suas enfermidades, tão vergonhosos os abandonos, e tão pios os seus corações, já cansados de lutar, pelo que parecia. Quase catatônicos, eu diria. Lembrei-me do depoimento de uma sobrevivente da bomba atômica atirada sobre Hiroshima, em 06/08/1945. Livrados de pertencerem aos mais de setenta mil mortos, os sobreviventes pareciam mortos-vivos, fantasmas, contou ela. Após a tragédia, todos andavam com os braços estendidos para a frente, talvez porque isso aliviasse a dor da pele descolando em virtude das latentes queimaduras. Caminhavam sem nenhuma referência de vida. Estavam calados, emudecidos, num estado que parecia transe. Tal imagem fazia assemelhá-los a fantasmas de fato. Uma imagem que certamente quem presenciou não esquecerá. Uma hecatombe nuclear de inigualável alcance letal não pode ser usada como justa comparação aqui, mas o SUS não pode ser subestimado em sua podre herança legada a nós: vem na prática trucidando muitas vidas ano após ano neste país, fazendo crescer uma fila de mortos tal qual em guerras civis. Vem, na prática, arruinando jardins pelo que com chãos de cinza cadavérica tem acobertado o que dantes eram chãos de férteis possibilidades&#8230;</p>
<p>Acostumar-se a este ambiente desolador, aonde as pessoas, além da miséria, têm de conviver com o destratamento e a desumana indiferença dos profissionais da saúde nunca será cabível a mim, visto atos desta natureza nunca encontrarem compreensão em minha mente, nunca se conciliarem com a maneira de sentir meu coração. Sempre que o governo eximir-se de seu papel de ofertar a tão aclamada saúde pública de qualidade, começa a vida correr perigo, começa a sociedade correr perigo, começa a legalidade correr perigo. Enfim, começa a cidadania correr perigo, pois o acesso pleno e de qualidade a tal serviço é urgente, visto ter como pena consequente do abandono a morte.</p>
<p>Não poderia generalizar, contudo, tal conduta de mal profissionalismo e de uma falta de postura médica ética. O executivo em suas três instâncias é que deveria aparelhar todo o sistema para melhor atender-nos, bem como pagar salários dignos aos profissionais, que ganham pouco diante de tão séria atribuição: salvar vidas humanas. Também há muitos profissionais da saúde interessados e dedicados ao seu trabalho, tratando o paciente com a dignidade que ao menos os tributos recolhidos fazem merecer. Deparei-me também com estes bons funcionários e afirmo que é como avistar um girassol em meio ao sertão torrente, quase uma catarse, um alumbramento. Um deles foi o Dr. Luiz Antônio Paes Garcia, CRM 2424-RN, que atendeu minha mãe recentemente de forma exemplar e feliz, em meio ao caótico pronto-socorro já citado. Não poderia, sobremaneira, deixar de denunciar a situação de abandono e humilhação a qual foi submetida minha família nos últimos anos. Apenas mais uma, dentre as milhões, é sensato lembrar.</p>
<p>Sou Denise Araujo Correia, filha de Maria de Lourdes Araújo, que é portadora de flebite, doença que consiste em inflamação das veias, e no caso dela já atingiu o sistema venoso profundo. Ela é paciente do Hospital Universitário Onofre Lopes há quase vinte anos, estando na fila para operar suas varizes desde então. Ou seja, há quase duas décadas ela está desassistida do único tratamento necessário para seu caso, que é a cirurgia. É algo avultante: a fila para tal cirurgia no hospital citado não para de crescer. Um pequeno número de pessoas é operado e tal fila segue crescendo e matando várias pessoas que morrem esperando por tal cirurgia. Os professores universitários não ganham praticamente nada para operar, por isto não sentem-se motivados a fazê-lo. O governo federal, década após década, mantém-se omisso diante da situação. Há mais de dez anos, o Hospital Onofre Lopes chegou a requisitar doações de sangue com o intento de operá-la. Apesar de termos providenciado tais doações, a cirurgia nunca foi realizada. Por volta do ano de 2000, em mais um de seus quadros de grande piora e há quase dez anos aguardando na fila para a cirurgia, minha mãe foi até o hospital universitário para verificar sua colocação na tal fila. Para sua surpresa, o hospital informou que havia perdido seu cadastro, e seu nome não mais constava lá. Refizeram, então, seu prontuário e recolocaram-na na fila em último lugar, o que a prejudicou de toda forma.</p>
<p>Tal protela, que não é culpa nossa, tem mudado inevitavelmente nossas vidas, pois a saúde dela vive um cotidiano de altos e baixos. O caso de minha mãe já é grave e necessita de cirurgia desde quando ela entrou na fila (em torno de 1993), tendo documentos muito antigos que comprovam esta necessidade. Neste ínterim, sua vida tem sido muito restrita e ela já internou-se várias vezes no Hospital Walfredo Gurgel e Hospital dos Pescadores, por ocorrência de trombose venosa. A gravidade de seu problema é visível até num rápido olhar para suas pernas, que ela nunca exibe por vergonha. Tal doença, a flebite, em estágio avançado pode causar danos e problemas ao sistema cardíaco, por possuir ligação com veias relacionadas ao coração, segundo o médico Carlos Leon Camacho, que a acompanha durante este longo período. Foi o que ocorreu , pois visto sua doença seguir destratada, ocasionou agora o comprometimento do coração. Agora ela também sofre de pressão alta e tem tido batimentos cardíacos muito elevados, mesmo estando medicada para o controle disto. Recentemente fomos a três pronto-socorros distintos durante três dias consecutivos, e não sei até agora julgar qual deles é o pior, tamanhas as calamidades, tamanhas as faltas. Pela demora de mais de um semestre na marcação de consultas pelo SUS, seus últimos atendimentos com o angiologista foram particulares, pois não tivemos escolha diante da urgência de seu quadro. Seu médico informou que sua internação e sua cirurgia são “para ontem”.</p>
<p>Entrarei com uma ação na Justiça Federal para conseguir a internação e a cirurgia no referido hospital universitário, pois não suporto mais presenciar imune a este sofrimento. Além de negar a cirurgia após quase duas décadas, o Hospital Universitário Onofre Lopes ainda tem protelado a entrega da cópia do prontuário, pois isto foi requisitado há mais de uma semana e só poderá ser entregue após uma “entrevista” com o senhor Gilmar, a ocorrer no dia 10/08/2011. É mole? Outro descumprimento ao direito constitucional presente no inciso XXXIII do artigo 5º, o de receber dos órgãos públicos informações de interesse particular.</p>
<p>Para recorrer ao judiciário foi pedido um laudo médico favorável à cirurgia. Isto só pode ser dado após a realização de alguns exames pré-operatórios, que o SUS, claro, leva meses para fazer (ou não faz, como em nosso caso). Mais uma vez foi necessário pagar por alguns exames e restou apenas o ecodopler de membros inferiores, o qual solicitei urgência de marcação através de pedido no Ministério Público da Saúde do RN. Tal requisição, bem como minha denúncia de protela, está desde o último 25/07 emperrado na Secretaria Municipal de Saúde, e não foi marcado até agora. Ao telefonar para lá em 04/08 último, deparei-me com mais uma daquelas figuras já folclóricas que nosso país com sua intrínseca corrupção, cultura de apadrinhamentos políticos e falta de senso de justiça geral aprendeu a perpetuar: o mau servidor público. A funcionária Nísia, que trabalha na sala 212 e atende pelo telefone 3232-8588 assombrou-me por sua forma infeliz e despreparada de atendimento, tão minimamente disposta a ouvir qualquer necessidade ou justificativa de exame urgente. Pena que o serviço público sustente este tipo de gente que não é capaz de atender as demandas dos serviços básicos aos cidadãos. São ineficientes, incautos, sequer sabem falar, pois respondem robótica e grosseiramente ao que lhes é cobrado. Dizer apenas que minha mãe deve obedecer a uma fila de interminável tamanho, sem levar a consideração de qualquer particularidade de urgência é inconcebível, pois fere um direito de saúde constitucional, um direito cidadão, um direito humano; enfim, fere o bom senso. Sou obrigada a concordar com o amigo e escritor Eduardo Gosson, quando diz que um dos grandes problemas de nossa contemporaneidade diz respeito à questão da ética. Logo ele, que há três anos perdeu sua mãe por ocasião de negligência no atendimento médico público.</p>
<p>A divulgação deste caso ocorre pela grande aflição que acorre à minha alma, num sentimento tão comum a qualquer que encontre-se com parente tão amado prestes a ter complicações que podem levá-lo a morte. Os servidores da área de saúde (mesmo os administrativos) deveriam ter o mínimo de coração e preparo para saber lidar com estas situações, pois não é nada fácil passar pela odisseia que estamos passando há quase duas décadas de humilhação pelo SUS e, para coroar tal momento, o desastroso atendimento de um servidor insensível e incompetente só piora qualquer estado de total abandono e vergonha.</p>
<p>A luta é grande, já tem durado muitos anos, e intensificou-se nos últimos dias, em virtude de um agravamento da flebite e a necessidade do embróglio judicial. As humilhações sofridas no meio do caminho entristecem. A desumanidade por parte de muitos é grande, chegando a assustar. Só não esmoreci ainda porque trata-se de minha mãe. Espero em Deus sairmos vitoriosos desta situação tão desigual e vergonhosa, pois não posso contar com a livre e espontânea ajuda do SUS, através do Hospital Universitário Onofre Lopes.</p>
<p>Não deveria ser assim. Estou saindo agora para pagar uma pilha de contas e, embutidas nelas, uma das maiores taxas tributárias do mundo&#8230;* Nisto o Brasil sabe bem ter inegável liderança.</p>
<p>Natal, agosto/2011<br />
Denise Araujo Correia<br />
Contribuinte e usuária desassistida pelo SUS</p>
<p>* Pagamos caro não só pelo SUS, mas por tudo. Pagamos para viver e para morrer, pois sustentar o SUS tem sido na prática pagar pela morte, nossa e alheia. 35,13% do PIB brasileiro em 2010 foi arrecadado de impostos: em média R$ 6.722,38 por brasileiro, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário. O poeta e professor Xavier, do RN, segue sempre a musicar em pandeiro nos sarais do Poesia Esporte Clube uma frase sua bem verdadeira: “Pague para viver. Pague para morrer.” Ele que está certo. O SUS que o diga.</p>
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		<title>Permanência de Micarla é amoral</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jun 2011 19:24:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tácito, Lívio e demais
Não sou a que comenta por saber jurídico. Apenas cidadã desta Capital.
Aos concordantes com o impeachment, apoio. Aos contrários por defesa de princípios legais ou de defesa ao Estado Democrático, ressalvas. Historicamente a moral surgiu antes do direito, mas não por isto. Sempre pressenti o ato moral superior ao legal. Se um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito, Lívio e demais</p>
<p>Não sou a que comenta por saber jurídico. Apenas cidadã desta Capital.</p>
<p>Aos concordantes com o impeachment, apoio. Aos contrários por defesa de princípios legais ou de defesa ao Estado Democrático, ressalvas. Historicamente a moral surgiu antes do direito, mas não por isto. Sempre pressenti o ato moral superior ao legal. Se um é coercitivo e o outro não&#8230; O fato é que as regras morais para mim estão acima das normas jurídicas. Nem tudo que é legal é moral. Então concluo que Micarla não tem mais autoridade moral para exercer cargo de prefeita. Ficou insustentável a sua permanência por comprovada incompetência, ingerência e improbidade administrativa (processos rolam a solto).</p>
<p><span id="more-31758"></span>Se comparativamente um político brasileiro teve forte apoio popular ao impeachment por esquemas  de corrupção bem superiores, não consigo fazer esta comparação e resignar-me com aquele outro político que teve desmandos menores. Não consigo perdoá-lo por ter roubado menos dinheiro meu que o outro, ou por ter sido menos vilipendiada de qualquer forma. Eu era criança em 1992. Assisti ao vivo pela TV à votação do impeachment de Collor. Vi naquilo, anos depois, claro, um emblema puro do quão bom é estar sob a égide de um regime de democracia. Todos os contextos sempre serão diferentes, mas em todos eles a sociedade pressente (até mesmo parte daquela parcela do senso comum) quando os que estão no poder abusam e torna-se incabível a permanência do que já foi por demais nocivo. No Brasil de Collor de 1992 ou na nossa Natal de agora, a “sem vergonhice” é a mesma, não tem grau menor ou maior. Já fora disto, se Ben-Ali, Mubarak ou Kadafi assumiram o poder através de golpes, foram diuturnamente mais desumanos e sempre governaram ilegitimados, bem compreendo sintomáticas diferenças. Contudo, se há de atentar-se contra algo, que seja contra a decisão de uma votação popular (mas através de outro instrumento popular), e até mesmo a lei, e não a moral de que tanto a nossa administração pública brasileira prescinde. Natal não está entregue a uma pessoa apática ou vazia ( se fosse não ia tão mal). Ela está nas mãos de alguém que é realmente falha, conscientemente errada e filha de alguém que recebeu a concessão de um canal de TV como prêmio por apoiar os militares nos idos da ditadura. Que ninguém daqui cuide de esquecer disto.</p>
<p>Obs.: Ao ler o Decreto-Lei que Lívio indicou, entendi legal e oportuno à ocasião a cassação da prefeita. Mas não debato nesta seara pela falta do saber jurídico&#8230;</p>
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		<title>Abaixo-assinado pela aprovação da Comissão da Verdade</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Mar 2011 17:15:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tácito e leitores, extraí o texto a seguir do site da OAB-RJ. Assinei o abaixo-assinado e conclamo para que os pluralistas que ainda não o fizeram, assinem agora.
02-03/2011 – Conta com cerca de 30.000 assinaturas um abaixo-assinado online a favor da campanha pela memória e pela verdade. O movimento, que defende a abertura dos arquivos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito e leitores, extraí o texto a seguir do site da OAB-RJ. Assinei o abaixo-assinado e conclamo para que os pluralistas que ainda não o fizeram, assinem agora.</p>
<p>02-03/2011 – Conta com cerca de 30.000 assinaturas um abaixo-assinado online a favor da campanha pela memória e pela verdade. O movimento, que defende a abertura dos arquivos da ditadura, está sendo organizada pela OAB do RJ.</p>
<p>Acesse o seguinte site para participar: <a href="http://www.oab-rj.org.br/forms/abaixoassinado.jsp" target="_blank">http://www.oab-rj.org.br/forms/abaixoassinado.jsp</a></p>
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		<title>A maior biblioteca digital do Brasil</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Mar 2011 19:51:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tácito, compartilho com você e demais pluralistas este e-mail importante que recebi:
Com seu acervo exclusivamente composto de acessos a textos completos e itens digitais integrais como sons e imagens, a Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho ultrapassou a marca de 1 milhão de itens neste início de fevereiro de 2011, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito, compartilho com você e demais pluralistas este e-mail importante que recebi:</p>
<p>Com seu acervo exclusivamente composto de acessos a textos completos e itens digitais integrais como sons e imagens, a Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho ultrapassou a marca de 1 milhão de itens neste início de fevereiro de 2011, e torna-se a maior Biblioteca Digital do Brasil.</p>
<p><span id="more-27997"></span>Como referência para esta marca podemos citar a BDTD &#8211; Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, mantida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e baseada no mesmo conceito de compartilhamento de arquivos abertos, que segundo seu site possui um acervo de 152.546 itens de textos completos produzidos pelas universidades brasileiras.</p>
<p>Outra referência é a Biblioteca Domínio Público, mantida pelo Ministério da Educação, que disponibiliza para a população um total de 186.740 itens digitais integrais segundo seu site</p>
<p>A Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho é um serviço de extensão universitária que disponibiliza gratuitamente para a população a totalidade dos acervos digitais de texto completo de bibliotecas de 1.435 universidades, artigos de 48 mil periódicos científicos, além dos bancos de dados de centros de pesquisa, bibliotecas nacionais e órgãos governamentais de 62 países, através da participação no consórcio internacional OAI &#8211; Open Archives Initiative, o maior compartilhamento de informação científica da história.</p>
<p>O acervo da Biblioteca Digital da central de cursos é formado pelas teses e dissertações de mestrado e doutorado de importantes universidades do exterior como, por exemplo, Harvard, Yale, Berkeley, Oxford, Cambridge, Universidade de Paris, Universidade Complutense de Madrid e Universidade do Porto, além de instituições de ensino superior brasileiras como a USP, Unicamp, UFRJ, UFMG, UNB e FGV.</p>
<p>Também estão integrados acervos digitalizados de várias Bibliotecas Nacionais, como a do Congresso Americano, Biblioteca Nacional da França, da Espanha e de Portugal.</p>
<p>O usuário encontra os artigos completos de periódicos como os precedings da Revista Nature e as coleções abertas da PubMed Americana e PubMed Britânica. A integração ibero-americana é enfatizada através da integração com a REDALYC, a maior rede científica de publicações da América Latina.</p>
<p>No âmbito do direito nacional, a Biblioteca Digital da Central de Cursos é integrada com o CNJ &#8211; Conselho Nacional de Justiça, STJ &#8211; Supremo Tribunal de Justiça, além de vários Tribunais Regionais do Trabalho, que disponibilizam milhares de pareceres, teses, discursos e sessões jurídicas.</p>
<p>Tendo em vista o cenário nacional, 55% do acervo é formado por produções em língua portuguesa, com destaque para as 22 universidades de Portugal participantes do consórcio OAI. A biblioteca apresenta uma interface simples e intuitiva, com resultados rápidos e relevantes, de modo a ser usável por todos os públicos.</p>
<p>Em dois meses de existência, foram registradas 5 milhões de buscas, demonstrando a aceitação &#8211; inclusive entusiasmada conforme repercussão na mídia &#8211; do grande público a esta iniciativa. Visite, conheça, e ajude a divulgar este serviço gratuito!</p>
<p><a href="http://www.posugf.com.br/biblioteca" target="_blank">http://www.posugf.com.br/biblioteca</a></p>
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		<title>Desta vez a carta</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Feb 2011 21:05:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Tácito, desculpas. Aqui segue o texto publicado no blog do Lula Borges.
Carta aberta de indignação de artista natalense a Prefeitura de Natal

É com profunda tristeza e grande indignação que escrevo esta carta aberta.
Sou Lula Borges, Quadrinista e animador, trabalhando no mundo da arte sequencial a mais de 30 anos, com trabalhos realizados no Rio Grande [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito, desculpas. Aqui segue o texto publicado no blog do Lula Borges.</p>
<p><strong>Carta aberta de indignação de artista natalense a Prefeitura de Natal<br />
</strong></p>
<p>É com profunda tristeza e grande indignação que escrevo esta carta aberta.</p>
<p>Sou Lula Borges, Quadrinista e animador, trabalhando no mundo da arte sequencial a mais de 30 anos, com trabalhos realizados no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio grande do Sul, Maranhão, entre outros e também com trabalhos feitos em outros países como Estados Unidos, França, Itália, Inglaterra, Índia e Japão. Só em outros países, mais de 200 publicações em histórias em quadrinhos e 5 desenhos animados em curta metragem. Em termos de Brasil torna-se incontável a quantidade de publicações assinadas.</p>
<p><span id="more-27384"></span> Trabalho em prol da arte e da cultura a muito tempo, ministrando aulas de artes e ganhando reconhecimentos e prêmios no setor da arte sequencial e tornando-me presidente de uma entidade cultural e vice-presidente de outra, o qual faço tudo para as duas caminharem a frente do que se destinam.</p>
<p>Dos prêmios que ganhei, em 2010, um foi pelo FUNDO DE INCENTIVO A CULTURA DO MUNICÍPIO DE NATAL, no setor do audiovisual. Fundo este totalizando duzentos mil reais. meu prêmio, dentre os outros é de pouco mais de 12 mil.</p>
<p>Bem, este prêmio está sendo impedido de ser pago pela PREFEITURA DE NATAL desde outubro de 2010, quando saiu o resultado do mesmo, onde, no edital se dizia &#8220;pagamento imediato&#8221;, com várias desculpas e sempre deixando para o dia 20 do próximo mês, do próximo mês, do próximo mês e assim por diante. as desculpas são variadas, &#8220;está com o secretário, está com o financeiro, está com o planejamento, voltou do empenho, está com fulano está com cicrano&#8221;, mas nunca conosco, artistas que, o que apenas queremos é trabalhar e, trabalhar, para também engrandecer o nome do município, melhorar as técnicas existentes, ensinar aos novos as técnicas que conhecemos, fazer o nome da cidade crescer em termos culturais, mas a prefeitura está sempre impedindo que trabalhemos.</p>
<p>Este fundo é de 2009, onde foi feito o edital de 2010, ou seja, deve haver um fundo também para 2010, e estamos agora em 2011, onde estará o dinheiro, então de todo esse tempo? se esse dinheiro não existe atualmente então onde está? se alguém pegou ele, quem é essa pessoa? por que pegou e o que fez com o mesmo? o pior, para nós, produtores da cultura do município é que vem as secretarias e dizem &#8220;sabem aquele premio de 200.000 do fundo de cultura? A gente paga em duas parcelas, mesmo sabendo que o dinheiro total já existe a mais de 2 anos, mas vamos pagar metade e depois a outra metade&#8221; sabe-se lá quando.</p>
<p>Editais devem ter garantia de funcionamento e pagamento. Nós artistas não somos bolas de basquete onde devemos pular de secretaria em secretaria a busca de um direito garantido. Quando ganhamos um edital temos muitas obrigações com o financiador, mas aparentemente a prefeitura do natal não tem obrigação nenhuma com seus contratados.</p>
<p>Só resta a nós muita indignação e tristeza por nossos gestores usarem tão pouco sua inteligência em prol do que se propôs a fazer. Eles devem a nós seus cargos. Eles devem dar o exemplo de bom direcionamento aos órgãos que estão a frente; se não, não deveriam estar lá.</p>
<p><strong>Lula Borges</strong></p>
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		<title>Carta-protesto de Lula Borges</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Feb 2011 12:13:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Tácito e leitores do SPlural, Como forma de solidariedade ao amigo Lula Borges, grande quadrinista local, divulgo agora a carta-protesto escrita por ele.
Obs.: Esta prefeitura de borboleta realmente persiste em não sair da vala, parece que por não desapegar-se de sua primariedade. Mas se lagartas praguejam num locus e ruminam mesmo contra seus comensais, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito e leitores do SPlural, Como forma de solidariedade ao amigo Lula Borges, grande quadrinista local, divulgo agora a carta-protesto escrita por ele.</p>
<p>Obs.: Esta prefeitura de borboleta realmente persiste em não sair da vala, parece que por não desapegar-se de sua primariedade. Mas se lagartas praguejam num locus e ruminam mesmo contra seus comensais, o extermínio não seria o mais urgente?</p>
<p>******</p>
<p><strong>Do editor<br />
Denise, faltou enviar a carta ou o link para a mesma.</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Lívio e nossa presidenta</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 17:15:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Só lembrando que parte de nosso léxico linguístico é oriundo da consagração pelo uso, tornando tais vocábulos, portanto, não só possíveis como adequados ao uso, a depender da ocasião. Entretanto, como contextos vários ainda exigem uma excessiva formalização da língua (entenda-se correção gramatical), é importante que o falante ciente seja flexível para usar a língua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só lembrando que parte de nosso léxico linguístico é oriundo da consagração pelo uso, tornando tais vocábulos, portanto, não só possíveis como adequados ao uso, a depender da ocasião. Entretanto, como contextos vários ainda exigem uma excessiva formalização da língua (entenda-se correção gramatical), é importante que o falante ciente seja flexível para usar a língua em suas variantes.</p>
<p>Como praticamente a maioria dos filólogos (dentro destes os gramáticos)consideram a palavra presidente um substantivo comum de dois gêneros, classifiquemos desta maneira, quando apenas rigorosamente necessário (exemplo: em seleções públicas, é bom não arriscar “presidenta” sem saber se o avaliador é estudioso mais prescritivista ou descritivista, embora as avaliações caibam recurso).</p>
<p>Abraços,</p>
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		<title>Eles passarão. Você, passarinho</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Oct 2010 22:26:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tácito, apesar de agora pouco participar do blog, creio que sabes que ele está em lugar cativo de meu coração. Claro que o conhecimento que daqui tiro e o contato virtual com determinados internautas superam quaisquer atitudes lamentáveis. E você bem sabe que em tempos idos eu já fui alvo de séria covardia neste espaço. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito, apesar de agora pouco participar do blog, creio que sabes que ele está em lugar cativo de meu coração. Claro que o conhecimento que daqui tiro e o contato virtual com determinados internautas superam quaisquer atitudes lamentáveis. E você bem sabe que em tempos idos eu já fui alvo de séria covardia neste espaço. Mas, posto que o indesejado não acaba neste mundo tupiniquim, que fazer, caro amigo? Burlando o meu Mário Quintana, digo: Eles passarão. Você, passarinho&#8230;</p>
<p>OBS.: Em ocasião do post &#8220;moderação dos comentários&#8221;.</p>
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		<title>Centenário da peregrina da paz</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 19:50:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicação: 26 de Agosto de 2010 às 00:00 no site da Tribuna do Norte
O mundo comemora hoje o centenário de nascimento de Madre Tereza de Calcutá, uma pacifista que amava os pobres, por quem trabalhou ao longo da sua vida. Requisitada diariamente a levar a sua palavra de conforto aos mais necessitados, Madre Tereza dizia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/08/MadreTeresa.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-21088" title="MadreTeresa" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/08/MadreTeresa-105x150.jpg" alt="" width="105" height="150" /></a>Publicação: 26 de Agosto de 2010 às 00:00 no site da Tribuna do Norte</em></p>
<p>O mundo comemora hoje o centenário de nascimento de Madre Tereza de Calcutá, uma pacifista que amava os pobres, por quem trabalhou ao longo da sua vida. Requisitada diariamente a levar a sua palavra de conforto aos mais necessitados, Madre Tereza dizia que “viajar pelo mundo cercada de tanta publicidade é cansativo e duro. Porém, eu utilizo tudo o que se me apresenta para a glória de Deus e o serviço aos mais pobres. É preciso que alguém pague esse preço.” Madre Tereza costumava dizer, nas suas pregações, que não há amor sem sofrimento. “O verdadeiro amor faz sofrer. Cada vida, e cada vida familiar, deve ser vivida honestamente. Isso supõe muitos sacrifícios e muito amor. Porém, ao mesmo tempo, esses sofrimentos vêm sempre acompanhados de muita paz.”</p>
<p><span id="more-21085"></span>Agnes Gonxha Bojaxhiu, a futura madre Tereza, nasceu no dia 26 de agosto de 1910 em Skopje, Macedonia, de una familia de ogirem albaneza. O pai, respeitado homem de negócios, morreu quando ela tinha oito anos, deixando a mãe de Agnes na condição de ter que abrir uma atividade de bordado e fazenda para poder manter a família. Depois de ter transcorrido a adolescência impenhada fervorosamente nas atividades paroquiais, Agnes deixou a sua casa em setembro de 1928, entrando no convento de Loreto a Rathfarnam, (Dulim), Irlanda, onde foi acolhida como postulante no dia 12 de outubro e recebeu o nome de Tereza, como a sua padroeira, Santa Tereza de Lisieux.</p>
<p>Agnes foi enviada pela congregação de Loreto para a India e chegou em Calcutá no dia 6 de janeiro de 1929. Tendo apenas chegado lá, entrou no noviciado de Loreto, em Darjeerling. Fez a profissão perpétua come irmã de Loreto no dia 24 de maio de 1937, e daquele dia em diante foi chamada Madre tereza. Quando viveu em Calcutá durante os anos 1930-40, ensinou na escola secundária bengalese, Sta Mary.</p>
<p>No dia 10 de setembro de 1946, no trem que a conduzia de Calcutá para darjeeling, Madre Tereza recebeu aquilo que ela chamou “a chamada na chamada”, que teria feito nascer a família dos Missionários da Caridade, Irmãs, Irmãos, Padres e Colaboradores. O conteúdo desta inspiração é revelado no objetivo e na missão que ela teria dado ao seu novo Instituto: “Saciar a infinita sede de Jesus sobre a cruz de amor e pelas almas, trabalando para a salvação e para a santificação dos mais pobres entre os pobres”. No dia 7 de outubro de 1950, a nova congregação das Missionárias da Caridade foi instituida oficialmente como instituto religioso pela Arquidiocese de Calcutá.</p>
<p>Ao longo dos anos 50 e no inicio dos anos 60, Madre Tereza estendeu a opera das Missionárias da Caridade seja internamente dentro Calcutá, seja em toda a India. No dia 1 de fevereiro de 1965, Paulo VI concedeu à Congregação o “Decretum Laudis”, elevando-a a direito pontificio. A primeira casa de missão aberta fora de Calcuta foi em Cocorote, na Venezuela em 1965. A congregação se expandiu em toda a Europa (na periferia de Roma, a Torre Fiscale) e na Africa (em Tabora, em Tanzania) em 1968.</p>
<p>Missionárias da Caridade, uma grande obra de Madre Tereza</p>
<p>Do final dos anos 60 até 1980, as Missionárias da Caridade cresceram seja em número de casas de missão abertas em todo o mundo, seja no número dos seus membros. Madre Tereza abriu fundações na Australia, no Vizinho Oriente, na America do Norte, e o primerio noviciado fora de Calcutá em Londres. Em 1979 Madre Tereza recebeu o Premio Nobel pela Paz. No mesmo ano existiam já 158 casas de missão.</p>
<p>As Missionárias da Caridade chegaram aos países comunistas em 1979, abrindo uma fundação em Zagabria, na Croácia, e em 1980 em Berlim Este. Continuaram a estender a sua missão nos anos 80 e 90 abrindo casas em quase todos os países comunistas, incluindo 15 fundações na ex União Soviética. Não obstante os repetidos esforços, Madre Tereza não pode abrir nenhuma fundação na China.</p>
<p>Em outubro de 1985 Madre tereza falou no quadragésimo aniversário da Assembleia Geral das Nações Unidas. Na vigilia de Natal do mesmo ano, abriu em Nova York o “Dom de Amor”, a primeira casa para os doentes de AIDS. Nos anos seguintes, outras casa seguiram esta casa de acolhimento nos Estados Unidos e alhures, sempre especificadamente para doestes de AIDS.</p>
<p>No final dos anos 80 e durante os anos 90, não obstante os crescentes problemas de saúde, Madre tereza continuou a viajar pelo mundo para a profissão das noviças, para abrir novas casas de missão e para servir os pobres e aqueles que tinham sido atingidos por diversas calamidades. Foram fundadas novas comunidades na Africa do Sul, Albania, Cuba e Iraque, que estava dilacerado por causa da guerra. Em 1997 as irmãs eram cerca de 4000, presentes em 123 países do mundo nas mais ou menos 600 fundações.</p>
<p>Depois de ter viajado por todo o verão a Roma, New York e Washington, em condições de saúde delicadas, Madre Tereza voltou a Calcutá em 1997. Às 9:30 da noite do dia 05 de setembro de 1997, ela morreu na Casa Geral. O seu corpo foi transferido para a Igreja de São Tomas, adjacente ao Convento de Loreto, exatamente onde tinha chegado 69 anos antes.</p>
<p>Madre Tereza e Lady Diana, duas grandes amigas</p>
<p>A princesa da Inglaterra Diana Spencer foi uma das pessoas tocadas diretamente pelo exemplo e sabedoria da princesa da paz, Madre Tereza de Calcutá. Acostumada ao luxo e à formalidade, aos poderes e obrigações da realeza, Diana modificou sua vida de modo decisivo, após um encontro com a religiosa. Passou a exercer sua realeza em prol de causas nobres.</p>
<p>Embora vivessem em contextos completamente diferentes, Madre Tereza e Lady Diana se aproximaram em 1992, quando a princesa procurou a religiosa, para falar de sua angústia e perguntar o que poderia fazer para seguir o exemplo de dedicação, humildade e pacifismo.</p>
<p>Sensibilizada pela ternura da célebre princesa, Madre Teresa orientou Diana não a deixar sua posição na realeza, mas a utilizar seu poder e a influência de sua imagem em prol dos mais necessitados. Principalmente às crianças de países com conflitos militares e gravíssimos problemas sociais.</p>
<p>Pela TV, Madre Tereza veria, nos próximos anos, que a conversa com a princesa surtira efeito. Diana passou a ser mundialmente conhecida não apenas como membro da família real britânica, mas principalmente como ativista dedicada a visitar diversos países. Crianças vítimas da Aids ou mutiladas por minas terrestres foram as principais beneficiadas pelas ações da princesa, que ajudou a engajar lideranças políticas e grandes empresas, para ajuda a essas pessoas.</p>
<p>Quis o destino que Diana e Madre Teresa, que se aproximaram em vida, partissem também em ocasiões muito próximas. Em 18 de junho de 1997, na Casa das Missionárias em Nova Iorque, tiveram seu último encontro. Um acidente de carro, em Paris, vitimou a princesa, em 31 de agosto do mesmo ano.</p>
<p>Na Índia, Madre Teresa se apressava em cancelar compromissos e partir para o funeral de Diana. Não conseguiu. A instabilidade de sua saúde a deixou mais uma vez acamada. Apenas seis dias depois, quando o sepultamento da princesa comovia os ingleses e o mundo, um ataque cardíaco levava Madre Teresa de Calcutá, reverenciada em todo o globo por suas ações de caridade e pela paz.</p>
<p>O ativista e coordenador do MOVPAZ, Clóvis Nunes, comentou a aproximação entre as duas: “Realmente, Madre Teresa influenciou muito a vida da Princesa Diana. Em um primeiro diálogo, Diana teria manifestado o desejo de abandonar a família real, deixar o título de princesa para se unir à missionária, para ser uma pessoa como a madre. E Teresa lhe disse que não, que Diana poderia ajudar muito mais o mundo sendo a princesa que era, do que se deixasse de ser.</p>
<p>E Diana então, no silêncio, foi ajudando muitos trabalhos sociais, inclusive na campanha de desarmamento das minas no Oriente Médio, no Camboja, minas que vitimaram milhares de pessoas e que ainda vitimam outras tantas. Com certeza, nessa militância de Diana houve uma influência muito forte de Madre Teresa. E a comoção que a princesa Diana despertou, quando de sua morte, pelo que representava pra solidariedade do mundo, foi a prova que Teresa de Calcutá estava certa quando a incentivou a se dedicar à solidariedade. Foram duas mulheres extraordinárias, que marcaram o século. Uma pela nobreza e solidariedade e outra pelo amor à pobreza e à compaixão.</p>
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		<title>Como o verão segue a primavera</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 22:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Sentiu um peso, mas não era o peso do fardo e sim da insustentável leveza do ser”
Milan Kundera

Assim como o verão segue a primavera foi-se feito o rincão de todos nós. O local do qual ninguém escapará por não evitar a desgraça suprema. A trágica morte que nem com coroas de quase jardins e pavios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Sentiu um peso, mas não era o peso do fardo e sim da insustentável leveza do ser”<strong><br />
Milan Kundera</strong></em></p>
<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/07/primavera.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-20216" title="primavera" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/07/primavera-510x382.jpg" alt="" width="510" height="382" /></a></p>
<p>Assim como o verão segue a primavera foi-se feito o rincão de todos nós. O local do qual ninguém escapará por não evitar a desgraça suprema. A trágica morte que nem com coroas de quase jardins e pavios cheirosos consegue aliviar a profundeza dos sete palmos do sepulcro. A bestial rainha que não cansa de reinar um só segundo, ceifando a todo tipo de gente. Do meu vizinho ao emérito ministro, do desleixado até quem pensa muito nisso, do zelador ao doutor, do sapateiro Luís ao emérito Juiz Joaquim Barbosa Nabuco Castro de Alves Bourbom. Todos chagam dessa peste maior e nela velam e são velados. Não voltaremos deste labirinto sem porta de saída, porque todos morreremos e nisso não há volta. Não há fortuna que dê jeito, lábia que amoleça ou rebolado que entonteça. Dela não voltaremos (só em assombração). E nisso não há eufemismos.</p>
<p><span id="more-20215"></span>Ele viu-se no espelho do lago em seu maior horror e nisso não teve sorte. A bestial rainha levou-o tão depressa que sequer pôde profanar. Engasgou molhado todo o peso da mal fadada vida e dela finalmente logo livrou-se. Toda a gente em volta comprovou mais um espetáculo da vida. Sim, a morte é um espetáculo que tem prelúdio em vida.  Ninguém acanhou-se de não ajudá-lo. Ninguém quis ao menos fazer o sinal da cruz. E toda essa falta de religião não é boa para o povo não, é intemperança da mais séria. Não interessa. Todo aquele povo queria vê-lo morrer em mar seco de eufemismo. O porquê disto é presumido só se levarmos o moribundo para um pouco antes do seu inesperado fim.</p>
<p>Apesar de rapaz robusto, altivo e sabido além da conta, Félix cativava poucas pessoas, exceção das moças, de pronto. Por ter vindo da cidade grande, exercia certo feitiço sobre a gente daquele acanhado lugar. Ele adorava adornos de palavras. Louvava eufemismos. Não vivia uma situação grotesca, não em sua cabeça, pois tudo de sofrível era suavizado por aquela linguagem enrolada. Ah, aquelas palavras&#8230; Moldavam e mudavam praticamente tudo. Estava sempre a fugir dos dilemas que aparecessem. De alguns convivas ele não tinha respeito. De outros, tirava o máximo proveito. Sabe como é, bom falante em terra de iletrados é autoridade desde já constituída. Os eufemismos soavam para ele funcionais, apaziguadores, verdadeiras primazias da arte da língua. Exímia terapia, há quem diga.</p>
<p>Quando a avó morreu, ele falou aos filhos que ela foi coabitar entre as estrelas. Ao casar-se, propagou aos seus que os dias feitos de solidão agora eram pretérito. Quando galgou o cargo no banco, falou que o tempo mais do que nunca seria engrenagem de dinheiro. Em alguns casos as pessoas nem entendiam a situação, visto em tudo colocar firula. Até para ir ao banheiro Félix dizia ir acertar os ponteiros do seu relógio intestinal. Uns até achavam que ele era veado. Exceção das moças, claro.</p>
<p>Muito solerte, ele também sabia tirar proveito do que queria. Acaso quisesse uma garota, não era tão previsível, tão óbvio. Ia de mansinho, comendo pelas beiradas. Em pouco tempo virou o quindim de Iaiá, para desespero dos pífios homens que não podiam concorrer em atrevimento, digo inteligência, com ele. Com as meninas, era um algodão-doce: lia poemas, mostrava as fases da lua e era suave como o canto do bem-te-vi na quietude da aurora. Elas passavam mal de tanto deslumbramento. Eita que moço pra falar bonito! Dois meses depois, quando pretendia livrar-se delas, os olhos eram infantes e da boca ainda jorrava certo mel. “Tudo sempre acaba bem”- ele disparava com conveniente resignação.</p>
<p>Para aquele homem de mil encantos sentido algum naquela província havia. Nem beleza. Nem nobreza. Somente passadismos, efemérides. Todos eram tão iguais. Em resumo: insignificantes. Exceção das moças, mais uma vez. Diante disso, somente os eufemismos para acalantar. Ao final, as coisas nunca precisavam ser ditas como são. Bastava que já acontecessem. O próprio casamento era um todo de conquista e um todo de quimera. Não enxergava contentamento em casa. Extravasava besteiras e impropérios poucas vezes, pois nem para isso tinha saco. Os eufemismos tomaram conta dos seus ridículos dias.</p>
<p>E eis que no derradeiro dia aquele pequeno lugar fez todo o sentido. Aliás, todos os lugares fizeram um só sentido. Toda a vida fez a essência do sentido. O sentido real e uno de que nem tudo tem sentido, ou necessita dele. Finalmente percebeu. A sapiência dos percalços de nossos dias não é estratagema de poucos entendidos. Nossa existência é algo estupidamente real e urgente para que não sejamos tão prementes em sentir a vida. Viver, no seu sentido mais lato. Não se trata de exortar para que sejamos todos iguais ou displicentes. Isso nunca será possível. Algumas pessoas carregam asas nos olhos; outras carregam prensas. Não há como mudar. Os frutos do engano serão sentidos por tantos quanto ensaiem esta peça chamada “vita”. Mas como negar que um fato universal ali se apressava a caminhar para o rumo mais que certo, mais que infalível? Sim, a morte é soberana. Também infalível. Pode educar na hora mais inverosímil, e da forma mais reversa. Todos falham. Ela não. Nem adianta choro. Nem adianta filosofia. Félix não imaginava encontrar naquele escorrego o início de todo o sentido. O solerte nem imaginava se irmanar aos outros no terminal espanto. Enquanto caminhava na beira do lago que era caminho do pequeno Clube dos Bancários, ele escorregou rente às pedras que avizinhavam-se da parte funda. Tudo mais que depressa. Imergiu no lodo macio e quase invisível das duras rochas. Ao menos um eufemismo. Apesar do desespero, ninguém ouviu gritos. Ele desceu suave. Pôde enxergar através do espelho d’água que acobertava a cabeça todo o mundo que o azedume da sua antipatia ignorava. Outrora, teve covardia de amanhecer em quedas, de anoitecer entre retalhos. Pena. Acompanhou-se apenas de sua revolta. Depois, da auto-compaixão.</p>
<p>No velório, o grande comentário da província, a presença daquelas pessoas tão previsíveis. Não sabiam artifícios de linguagem. Não sabiam enfeitar a verdade dos fatos. Ainda não conseguiam entender as clausuras daquele homem: clausura das pessoas, clausura da própria vida, pelo menos em seus meandros. Pudera, ele nunca deixou-se transparecer. Exceção das moças, por fim. Viver dá trabalho. Furtar-se por esconderijos pode ser caminho, mas não destino que vingue bem. Os eufemismos acompanharam-no sempre, isso não é dúvida. Seguiu a viagem solitário. Livrou-se da vida que em tudo amargava-lhe. A inteligência nunca o permitiu um momento sem confusões.</p>
<p>Acabado o enterro, todos tomaram o rumo de suas casas. Ao cair o anoitecer, fez-se o churrasco já esperado há um mês, quando combinaram o aniversário de Antônio. O lugar era modesto, mas o forró era danado de animado. Entre brasas e bebidas geladas, os sorrisos inocentes dos que verdadeiramente têm maior suavidade nos dias, sem nenhum arrufo, sem anunciação de ordem alguma. A ciência das coisas nunca suavizará a complexidade da vida, às vezes pode complicar a nossa já tão combalida natureza. O homem simples não deixa de viver seus complexos. Não deixa de ser profuso e profundo. A diferença é que não encara com insuportável peso as circunstâncias mais indizíveis e perversas que vivemos. Nosso espelho sempre nos retorna uma única imagem. Se tolerável ou não, poderá depender apenas do incômodo de perceber-se observador e observado numa ótica de observação que é infinita ou da aparência da camisa, que de tão puída afrouxou as linhas dos botões e ao vestir deixou dois deles caírem.</p>
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		<title>07 de abril &#8211; Dia do Jornalista</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 18:58:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tácito, fiquei sabendo agora que hoje é dia do jornalista. Sem profissionais como você os dias soariam silentes. O mundo não pareceria tão diminuto e conexo. Não apenas o avanço da tecnologia, mas os que comunicam são também os  responsáveis por toda a fortuna de saberes e conhecimentos divulgados sem os quais nem seria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito, fiquei sabendo agora que hoje é dia do jornalista. Sem profissionais como você os dias soariam silentes. O mundo não pareceria tão diminuto e conexo. Não apenas o avanço da tecnologia, mas os que comunicam são também os  responsáveis por toda a fortuna de saberes e conhecimentos divulgados sem os quais nem seria possível pensar numa sociedade global da informação. Parabéns.</p>
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		<title>Um sopro de Adélia Prado</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 17:15:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Que fazer se a paloma voou e soprou nos meus ouvidos essa bela poesia abaixo da Adélia Prado? Ofereço-a para todas nós. É verdade que hoje não amanheci mais mulher, mas nesta tarde de um torpor caloroso, penso o que seria  de mim se não vivesse mulher. Apesar disto, ser macho ou fêmea não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que fazer se a paloma voou e soprou nos meus ouvidos essa bela poesia abaixo da Adélia Prado? Ofereço-a para todas nós. É verdade que hoje não amanheci mais mulher, mas nesta tarde de um torpor caloroso, penso o que seria  de mim se não vivesse mulher. Apesar disto, ser macho ou fêmea não é o dominante. Nem mesmo discutir ser o alfa ou não tem importância. O importante é que aceitem-me ser. Independente do que seja. Sou e preciso ser alguém sem mais ou menos. Se ser mulher na prática implica ser mais difícil, então aceito esse fardo que não me dói. Já venci por ter nascido. Venci novamente por ter vingado em meio cada vez mais hostil ao humano. Quando adolescente, sobrevivi às confusões existenciais. Quando adulta, sustentei família e fiz instrução com coturno molhado. Diante disto, não negarei a identidade. Sou prêmio de mim. Permanecerei assim amanhecendo&#8230;</p>
<p><strong>COM LICENÇA POÉTICA<br />
<em>Adélia Prado<br />
</em> </strong></p>
<p>Quando nasci um anjo esbelto,<br />
desses que tocam trombeta, anunciou:<br />
vai carregar bandeira.<br />
Cargo muito pesado pra mulher,<br />
esta espécie ainda envergonhada.<br />
Aceito os subterfúgios que me cabem,<br />
sem precisar mentir.<br />
Não tão feia que não possa casar,<br />
acho o Rio de Janeiro uma beleza e<br />
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.<br />
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.<br />
Inauguro linhagens, fundo reinos<br />
(dor não é amargura).<br />
Minha tristeza não tem pedigree,<br />
já a minha vontade de alegria,<br />
sua raiz vai ao meu mil avô.<br />
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.<br />
Mulher é desdobrável. Eu sou.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sugestão</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/sugestao-3/</link>
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		<pubDate>Sat, 06 Mar 2010 19:36:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Sugiro ao professor Marcos Silva que envie seu último post oportuno para a sessão de leitores da FSP para, quem sabe, ser publicado.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Sugiro ao professor Marcos Silva que envie seu último post oportuno para a sessão de leitores da FSP para, quem sabe, ser publicado.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Cursos gratuitos no Senac</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 17:23:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Tácito, favor postar esta matéria publicada no Diário de Natal de hoje – 05/02/2010 -, pois é de grande interesse social. É importante que todos divulguem esta informação.
Obrigado,
Denise

Senac abre hoje inscrições para mais de duas mil vagas em cursos grátis
O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) do Rio Grande do Norte abre hoje inscrições [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Tácito, favor postar esta matéria publicada no Diário de Natal de hoje – 05/02/2010 -, pois é de grande interesse social. É importante que todos divulguem esta informação.<br />
Obrigado,<br />
Denise<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Senac abre hoje inscrições para mais de duas mil vagas em cursos grátis</strong></p>
<p>O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) do Rio Grande do Norte abre hoje inscrições para 2.050 vagas para cursos gratuitos. Voltados para pessoas com renda média de até 1,5 salário mínimo (R$ 765), os treinamentos serão realizados em Natal, Parnamirim, Macaíba, Assu, Mossoró e Caicó, em diversas funções nas áreas de comércio e serviços. Aberto até o dia 21 deste mês, o cadastro dos interessados pode ser feito pelo site da entidade &#8211; www.rn.senac.br . São cursos que vão preparar o aluno para ocupações como cabeleireiro, manicure, frentista, guia de turismo e técnico em podologia.</p>
<p><span id="more-14022"></span>Os cursos integram o Programa Senac Gratuidade (PSG), implantado em 2009 no Rio Grande do Norte. Resultante de um acordo firmado em julho de 2008 com o governo federal, ratificado por força de Decreto-Lei, o PSG atribuiu ao Senac o compromisso de ampliar a oferta de vagas gratuitas nos cursos de formação inicial e continuada e de educação técnica de nível médio, incluindo aprendizagem.</p>
<p>Além de possuir renda de até 1,5 salário mínino (R$ 765), o interessado deve preencher os requisitos do índice PSG, que estabelece uma pontuação para priorizar o preenchimento das vagas oferecidas. Os critérios levam em consideração a condição de trabalho do aluno (empregado, desempregado ou candidato a primeiro emprego); a condição física do candidato (se tem deficiência); a escolaridade (se é egresso ou está matriculado na educação básica); a quantidade de membros da família; e, por fim, se o mesmo já foi beneficiado pelo programa ou por outro treinamento gratuito oferecido pelo Senac.</p>
<p>Pelo segundo ano consecutivo, o Senac ultrapassa as metas do PSG. Em 2010, serão destinados cerca de 30% de sua receita compulsória líquida para custear os cursos gratuitos, quando o percentual definido pelo Decreto é de 25% para o período. Este percentual será crescente, chegando a 35% em 2011 e assim progressivamente, até atingir 66,67% em 2014, priorizando o atendimento a alunos matriculados ou egressos na educação básica e a trabalhadores empregados ou desempregados. &#8220;Com o PSG, o Senac RN consolida sua missão social de educar para o mercado de trabalho, proporcionando acessibilidade àquelas pessoas que não têm condição de arcar com os custos de um curso&#8221;, pontua o diretor regional do Senac RN, Laumir Barrêto.</p>
<p>Vagas por função</p>
<p>Aprendizagem &#8211; 1.050 vagas : Assistente administrativo, vendas e telemarketing, operador de supermercado, serviços de almoxarifado e serviços hoteleiros<br />
Capacitação &#8211; 815   :  Cabeleireiro, manicure, frentista, porteiro e vigia, auxiliar administrativo, operador de caixa, operador de telemarketing, recepcionista, vendedor, camareira em meios de hospedagem, cozinheiro, cozinheiro básico, garçom básico, recepcionista em meios de hospedagem e operador de computador<br />
Qualificação e Habilitação<br />
Técnica de Nível Médio &#8211; 185   :  Guia de turismo regional, técnico em enfermagem, técnico em estética, técnico em podologia e técnico em saúde bucal<br />
Onde os cursos serão ministrados?  Em Natal (unidades Centro, Alecrim, Zona Sul, Zona Norte e Barreira Roxa), Parnamirim, Macaíba, Assu, Mossoró e Caicó, com carga horária variando entre 160 e 1.800 horas<br />
Onde me inscrevo? No site www.rn.senac.br até o dia 21 deste mês. Durante a inscrição, o candidato deverá optar pelo curso e pela unidade de seu interesse.<br />
Como posso saber mais detalhes? Através do telegone 4005-1000 ou através do site<a href="www.rn.senac.br" target="_blank"> <strong>www.rn.senac.br</strong></a>.</p>
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		<title>Ao Profº. João da Mata</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 20:58:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Melhor que falem por nós nossas obras do que nossas palavras”. Frase dita por Mahatma Gandhi, que apesar de ter estudado direito em Londres, foi peça excelsa para a libertação indiana do colonialismo inglês.
Palavras são psiquê, colossos, fortalezas, rios caudalosos, mas também podem ser estreiteza, pois não emergem em si a totalidade das coisas. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Melhor que falem por nós nossas obras do que nossas palavras”. Frase dita por Mahatma Gandhi, que apesar de ter estudado direito em Londres, foi peça excelsa para a libertação indiana do colonialismo inglês.</p>
<p>Palavras são psiquê, colossos, fortalezas, rios caudalosos, mas também podem ser estreiteza, pois não emergem em si a totalidade das coisas. Não apagam feitos. Não apagam o amor.</p>
<p>Eu, de minha parte, guardarei nas lembranças de graduação a presença sempre cativa em tantos eventos artísticos e literários de um entusiasta professor do departamento (pasmem) de física. Algo, ao meu olhar, muito virtuoso. Um abnegado na defesa da apreciação à arte, aos bons literatos.</p>
<p>Nada apaga isso. Nada.</p>
<p>Volte a este Substantivo.</p>
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		<title>Um Presente</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 13:41:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A entrevista de Fernando Monteiro dada a Laurence Bittencourt é caro presente aos amantes da literatura, às cabeças que pensam arte. Devidamente lúcida, esclarecedora e contundente em tudo aquilo que o entrevistado desclassifica qualitativamente como bem artístico.
Vai para minha coleção pessoal.
Parabéns.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A entrevista de Fernando Monteiro dada a Laurence Bittencourt é caro presente aos amantes da literatura, às cabeças que pensam arte. Devidamente lúcida, esclarecedora e contundente em tudo aquilo que o entrevistado desclassifica qualitativamente como bem artístico.<br />
Vai para minha coleção pessoal.<br />
Parabéns.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Vida vadia</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 12:47:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Embalada por O mundo é um moinho, de Cartola
“Te avisei que a vida é um vão”. A mãe sempre repetia isso. Queria alertar que a vida é curta.  Mas embora sabendo que qualquer situação de desgaste é passageira, ela teve que sair de casa cedo. Sem certezas. Sem planos. Estava fatigada do pai, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img class="alignright size-medium wp-image-13350" title="moças picasso" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moças-picasso-234x300.jpg" alt="" width="234" height="300" />Embalada por O mundo é um moinho, de Cartola</em></p>
<p>“Te avisei que a vida é um vão”. A mãe sempre repetia isso. Queria alertar que a vida é curta.  Mas embora sabendo que qualquer situação de desgaste é passageira, ela teve que sair de casa cedo. Sem certezas. Sem planos. Estava fatigada do pai, que a abusava. Procurava-a todo dia, toda hora. A infância passou rápida e suja. A adolescência veio como num porre, com gargalos de garrafa e bitucas de cigarro atiradas a esmo. O som era o de uma seresta mal arranjada.  As horas perdiam em cor, até que veio o vácuo, quando ela desapercebeu qualquer céu, qualquer chão, então realmente foi chegada a hora de abandonar aquela casa de alvenaria. Pura miséria.</p>
<p>Depois da resolução, pouca coisa a amedronta. Não teme ruas vazias ou vielas escuras, pois ela também é o submundo. A vida na zona não é tão diferente da que levava com a família: privação, violência, abandono. E foi numa noite dessas que a música mudou. Foi quando no carro de mais um homem ela ouviu uma melodia diferente. Apesar da pouca embriaguez, pôde escutar: “Em cada esquina cai um pouco a tua vida/ e em pouco tempo não serás mais o que és” . Estarreceu. As músicas frívolas do seu dia a dia não consternavam aquela vida sem vida, aquela vida tão sua.</p>
<p><span id="more-13349"></span> Quem nasceu na vala encara diferente todos os valores sociais. Qualquer alegria é festa. Qualquer vantagem é arrombo. Qualquer maleita é algo já sentido. Quem vem de baixo pode conformar-se com tudo. Pode também soterrar os poucos restos que restam, basta sonhar. Por isso ela não entende sonhos. Não sente saudades do passado nem espera alegre o futuro. Nada a escandaliza, nem ela mesma. Se é o corpo que prostitui, mais fácil a limpeza. Sabe que o movimento é inverso: o que ela faz não é desconcertante para a sociedade, o meio foi que a desconcertou. Sem nenhuma vida boa. Sem farsas aos de casa. Sem sorrisos aos cretinos. Sem o garbo que a grana solta traz. Sem nada. Só o aroma chinfrim da colônia tipo Patchouli a permeia.</p>
<p>Dizem que os corpos nunca esquecem que um dia se pertenceram. Isso para ela é mentira, pois só lembra que aquele homem era alto, tinha no toque das mãos o peso da surra e cheirava a mosto. Aquele mesmo do carro. Aquele da música que a fez chorar, pois resta-lhe esta falha nos nervos. São fracos, por isso a emoção vem fácil. Ao perguntar pela música ao homem, quase nada ouviu. Apenas balbúcios. Algo como Cartola. Algo como samba. Cantado devagar, preguiçoso. Com uma tristeza muito simpática. Nunca ouviu uma canção tão chorada, e uma admoestação cantada com tanta doçura. Nada no mundo vence a beleza daquele samba, pois naqueles minutos ela foi quase feliz. Sentiu-se levitar. Era agora passarinheira. Em mais um programa casual ela quase apagou. O samba bonito a deu vertigem. É ela que agora agoniza.</p>
<p>“ Ainda é cedo amor<br />
Mal começaste a conhecer a vida&#8230;”</p>
<p>Sinto que minha vida ainda não começou. Há pouco ainda retirava as cascas das baratas nas duas meias do meu pai. Na falta de lugar, guardava-as em cima de uma taba. O solerte me expelia e me precisava. Em minha boca, o cuspe enojado era constante. Alguns acham que ainda tenho quinze anos.</p>
<p>“ &#8230; Já anuncias a hora de partida<br />
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar&#8230;”</p>
<p>É só na miséria e na indigência que as relações verdadeiras aparecem. Ontem, minha família fazia em mim o serviço do verme atinente às carnes do cadáver fresco. Corroía, doía. Hoje, alguns acham que eu tenho AIDS; outros, porfíria; os demais, os dois. Tanto faz. Entre mim e o outro pode haver abismos bastantes, mas não na miséria da errância. Não sou como toda a gente que passa em gargalhadas. É tudo tão igual, parecido, que lembra um bloco. Pensamentos iguais, palavras iguais, movimentos iguais. É tudo tão tanto faz, que todos assemelham-se a porcos. Pensamentos tanto faz, palavras tanto faz, movimentos tanto faz.  Diante de tantas regras, não passamos de seres domesticados pela sociedade. Quase animais de coleira guiados pelo intangível. Se transgrido as normas, o dever ser, o meu conviva também. Minha lascívia não supera a de ninguém. Somos todos filhos da culpa ou redimidos. As diferenças existentes são que meu ar não é solene, meu garbo não é nobre. A minha coisa é toda diferente das outras, pois enquanto planejam, eu angustio; enquanto negam o abismo, eu me abrigo nele com calor; enquanto só cuidam da aparência, eu sou verminose nesse meio hostil.</p>
<p>“&#8230; Preste atenção querida,<br />
embora eu saiba que estás resolvida<br />
em cada esquina cai um pouco a tua vida<br />
e em pouco tempo não serás mais o que és&#8230;”</p>
<p>Ontem acordei com o desejo de morrer. Nada latejava, a não ser a alma. Dela emanava um choro feliz insano, assim meio confuso. Chorava com tanta força que as lágrimas fartas escoavam em cócegas no inteiro rosto acneico. Feito isso, logo um sorriso involuntário aparecia. E mais um dia começava. Desencorajado, por demais longo. As miudezas minhas podem fazer desconfiar. Podem até alardiar saber, mas as fomes do meu corpo e do meu eu só eu bem conheço. Podem mais uma vez duvidar, desconfiar do que sinto, mas música mais bonita que aquela ainda não ouvi. Agora ela até parece um espetáculo de fogos:</p>
<p>“&#8230; Ouça-me bem amor,<br />
preste atenção, o mundo é um moinho.<br />
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos.<br />
Vai reduzir as ilusões a pó&#8230;”</p>
<p>Olho como quem toca. Toco como quem abre. Farejo como quem descobre, mas de nada adianta. Todos estão embriagados de si, ensimesmados. Em mim correm larvas de efusivo descontrole. O que poderia ter quisto para mim, não quis. O que poderia ter feito, também não fiz. Até o colorido dos meus penduricalhos já perdeu o furta-cor. A vida vadia arrastou comigo todas as náuseas. Os vômitos diuturnos, que até fazem bem, limpam o estômago. Neles, regurgito todas as amarguras da lua acesa, da vida, dos homens, de mim. Ao fim da noite, é como se explodisse nos espaços do meu corpo o tédio comprimido dentro daqueles ternos caros. Meus fluídos todos já curaram mais que elixir.</p>
<p>“ &#8230;Preste atenção, querida<br />
De  cada amor tu levarás só o cinismo&#8230;”</p>
<p>Sempre achei que os homens fossem feitos de nove partes de vaidade e uma parte de alguma outra coisa. Quando comecei na vida, tive a certeza disso. São vaidosos e alardiosos. Não acredito em alardes. Pessoas felizes não têm gritos. A quem for descuidado: cuidado. A solidão que por aí verseja não é menor que a minha. As mágoas nossas não acordam mais a um ou a outro.</p>
<p>“&#8230;Quando notares, estás à beira do abismo.<br />
Abismo que cavastes com teus pés.”</p>
<p>O meu atrevimento é verdade. A minha tristeza é mero revide. Ambas, estratégias de comércio. Sem escândalos ou exclamações. O dinheiro pode comprar apartamentos, antiguidades ou uma mulher. Tenho o olhar morto, a boca encarnada e o corpo precário, por demais usado. Alguns fingem que não me veem, outros tratam-me como se tivesse cometido um latrocínio ou o pior dos desvios morais. Ao cabo de tudo, não há que se consternar, não há solução entre ninguém. Anoiteço meu fim como a cobra que morre ao ser atingida pela própria peçonha. Eis a vida vadia. Cartola cantou sem saber.</p>
<p><em>Ilustração: Pablo Picasso</em></p>
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		<title>Tremores Sísmicos e Espaço Plural</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 19:57:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Levei um susto hoje. Pouco tempo depois de chegar ao trabalho, senti o chão tremer. Coisa nunca sentida antes. Logo após, o telefone arrastou em zig zag pela mesa e o monitor do computador balançou. Cheguei a segurá-lo. Após olhadas nas edições on-line dos jornais locais, nada. Tinha que estar no Substantivo Plural a explicação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Levei um susto hoje. Pouco tempo depois de chegar ao trabalho, senti o chão tremer. Coisa nunca sentida antes. Logo após, o telefone arrastou em zig zag pela mesa e o monitor do computador balançou. Cheguei a segurá-lo. Após olhadas nas edições on-line dos jornais locais, nada. Tinha que estar no Substantivo Plural a explicação até para isso. O professor João da Matta esclareceu-me sobre o que precisava. Esqueci que este espaço conta com a colaboração de diferentes e por isso é pluri, plural. Da Arte à Física, da Culinária à Filosofia. Que 2010 frutifique próspero neste farto pomar que é o Substantivo Plural.<br />
Abraços,<br />
Denise</p>
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		<title>A professora e suas lágrimas</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/a-professora-e-suas-lagrimas/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 19:49:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Impossível estar lecionando em sala de aula e não conhecer lamúrias e também superações. Não há como não sabê-las, assim sendo. Em certa ocasião, em determinada escola na qual ministrei um Programa de Combate às Drogas e à Violência com crianças e adolescentes, resolvi fazer uma homenagem singela. Nas proximidades do dia 15 de Outubro, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Impossível estar lecionando em sala de aula e não conhecer lamúrias e também superações. Não há como não sabê-las, assim sendo. Em certa ocasião, em determinada escola na qual ministrei um Programa de Combate às Drogas e à Violência com crianças e adolescentes, resolvi fazer uma homenagem singela. Nas proximidades do dia 15 de Outubro, as únicas coisas visíveis naqueles muros e murais escolares faziam alusão ao dia das crianças. Foi quando fiz vários cartazes comemorativos do dia do professor e fixei em cada sala na qual dei as aulas e também na sala dos docentes. Fiquei surpresa quando duas professoras, uma delas entre lágrimas, vieram me agradecer pela única lembrança que, segundo elas, alguém tinha tido naquele dia. Elas quiseram desabafar dissabores, mas não precisaram, a emoção comunicou tudo. Não imaginei que o meu ato fosse ter esse alcance tão grande. Fiquei feliz e triste. Um misto de flor vivaz alaranjada e botão que não quer brotar&#8230;</p>
<p>Sem a hipocrisia da propaganda que o MEC está divulgando atualmente, eu digo: Feliz dia dos professores àqueles que têm cumprido a sina da superação diária de inúmeros obstáculos pelo amor aos alunos, ao aprendizado, ao desenvolvimento humano ou ao amor que pareça e seja&#8230; Professor tem que amar muito e muito. Às vezes chorar também.</p>
<p>Atenciosamente,</p>
]]></content:encoded>
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