Jango nunca fez um verso. João Cabral nunca fez um discurso. Jango era um homem simples, quase simplório. João Cabral era um homem simples, quase sumido.
Getúlio fez o primeiro governo que deu vez aos oprimidos, mas o fez como esmola. E ainda sujou a biografia criando uma ditadura.
Jango fez o primeiro governo que deu voz aos oprimidos, deu consciência em vez de esmola e foi expulso por outra ditadura, tão terrível que fez da de Getúlio uma imagem pífia da crueldade.
2 tropeiros
18 de janeiro de 2012 às 8:17 | 7 ComentáriosEu vi Jango Goulart
Tropeiro, suave, fugido.
Eu vi o poeta Cabral
De flor vigilante, escondido.
De pano vermelho, tingido,
Eu vi o toreiro ferido.
De flor sem perfume, ungido,
Eu vi o sangue escorrido.
Não pus perfume na flor
Não pus poesia na dor,
Mas na Ferida tem pus
Que nem poeta espremido.
Não poetize o vermelho,
Pois eu vi Jango Goulart
Ser visto por trás do escuro
Da luz do poeta vendido!
A estupidez nativa
15 de janeiro de 2012 às 10:16 | 1 ComentárioPublicado no Novo Jornal/RN
Começa o ano e a repetição do assassinato das grotas na serra já dá sinais de sua presença.
São chagas imitando a catapora que as queimadas e broques ferram as encostas e descidas de uma serra minimalista, bela e descuidada. Não há governo federal, estadual ou municipal. Não há um órgão sequer de defesa do patrimônio ambiental que se manifeste ou reprima esse crime. Nem Ibama, Idema, Prefeitura ou Ministério Público.
Os santos canalhas
2 de janeiro de 2012 às 8:47 | 2 ComentáriosNO NOVO JORNAL
O moralismo é a mais hipócrita deformação do caráter humano.
Todo moralista carrega sobre a cabeça uma nuvem cinzenta onde se
guardam pedaços escondidos de cada defeito moral que ele ostensivamente
combate. É por isso que não me movem nem comovem certas
campanhas públicas de moralização. Fico sempre com uma orelha atrás
e um olho enviesado. Por que sei que entre os sinceramente honestos, há
os que só reclamam por não participarem da partilha do butim.
O mais belo dos esportes
25 de dezembro de 2011 às 8:46 | ComentarNO NOVO JORNAL
O Santos marcou um encontro com o Barcelona para bater um papo, ou conforme seja, uma bolinha. Tudo começou com a primeira pergunta do Santos ao Barça: “Quem é você”? E o Barcelona respondeu: “Eu sou você ontem”.
O Santos ontem era Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé (ou Almir) e Pepe (ou Abel). Ainda tinha atrás Gilmar ou Laércio. Dalmo, Mauro, Zito e Lima.
A imagem é o indivíduo
18 de dezembro de 2011 às 10:19 | 2 ComentáriosPublicado no Novo Jornal
Primeiro quero registrar a omissão dos nomes de Aluízio Lacerda e Graça no texto sobre a inauguração do Mirante. Inclusive com o presente de um “banner” belíssimo que guardo com muito orgulho. “Amigo é feito casa que se faz aos poucos”.
Inveja minha
15 de dezembro de 2011 às 17:32 | 6 ComentáriosSubi o monte com minha inveja.
Eu e ela, só ela e eu. Amancebo de dor e ranço,
Ódio sofrido que me consome.
Matamos todos os mais sabidos,
Os mais bonitos, os mais queridos.
Matamos os inteligentes, os sorridentes,
Os que agridem a infelicidade!
Ficamos sós, nossos iguais,
Mas mesmo assim não fui feliz.
Porque do monte, em que matava, de morte triste,
Não conseguimos matar estrelas.
Cruz de Cortiça
11 de dezembro de 2011 às 15:35 | 3 ComentáriosNunca votei em João Faustino. Não temos amizade ou convivência. Se nos encontramos três vezes duramente a vida, foi muito.
Mas isso não me desobriga de afirmar que praticaram contra ele uma crueldade que envergonha até a cara da hipocrisia. E que a prisão se constituiu numa desnecessidade processual. O Ministério Público afirma, na mídia, que apenas trinta por cento do material coletado bastam para fundamentar a denúncia. E que ainda dispõe de setenta por cento de elementos probatórios.
Orcrítica
21 de outubro de 2011 às 17:42 | 6 ComentáriosA crítica de arte é orquídea,
pequeno testículo da arte.
Sua seiva não vem da raiz,
mas do caule onde se prega.
A orquídea também é assim:
mais bela que o tronco onde se agarra.
O tronco, nem beleza ostenta.
Sustenta a beleza da flor.
E a flor é uma parasita bela.
A crítica, uma bela parasita.
Rapadura
9 de outubro de 2011 às 11:00 | 7 ComentáriosAlmanjarra puxada pela junta de bois,
Range…range…
Enquanto a cana prensada
derrama a garapa
na caldeira da frente.
Outras caldeiras,
na fila das trempes,
esperam a vez de esfriar a quentura
que cheira na telha.
A concha de cuia,
na ponta da vara,
mantém mais longe
o mestre-de-engenho,
mexendo a garapa e coando a espuma.
Do lado, à espera,
se posta a gamela
que vai receber o melado amarelo.
Depois vai pra forma,
esfriar da quentura,
adoçar a madeira
e virar rapadura.
Feitura de Poesia
5 de outubro de 2011 às 14:40 | 5 ComentáriosNa casa de farinha,
farinha se faz
com o nobre caldo
que decanta a massa primeira.
Do caldo seguinte,
da manipueira,
se forma o que sobra
pra goma que fica
e vira pedra
pra ser desmanchada em tapioca ou beiju.
Só falta a piaba
posta no meio
que alimenta as tripas do verso!
O Capitalismo Soviético do Brasil
28 de agosto de 2011 às 10:18 | 2 ComentáriosNO NOVO JORNAL
O comunismo soviético do Leste europeu praticava o socialismo? Não. O capitalismo soviético do Brasil Também não.
No comunismo soviético, o individuo tinha alguma importância substancial? Não. No capitalismo soviético do Brasil também não.
Agenor ou qualquer outro?
14 de agosto de 2011 às 16:00 | ComentarNO NOVO JORNAL
Da excelente entrevista de Cassiano Arruda, na Palumbo, cada tópico dá um texto. Pincei um deles. A observação de que houve quem não quis ser senador em 1974.
A oposição vinha de uma derrota acachapante, em 1970, quando duas vagas para o Senado foram disputadas e que uma delas seria do MDB, com Odilon Ribeiro Coutinho. Mas a Arena ganhou com Dinarte Mariz e Jessé Freire.
O Estado de Procusto
7 de agosto de 2011 às 9:30 | 2 ComentáriosNO NOVO JORNAL
Foi nesta Quarta-Feira, dia 03 de Agosto, que o Senado da República cumpriu o ritual de sabatinar o indicado Procurador Geral. Que no presente caso é a recondução do atual ocupante da insigne função.
Acompanhei com interesse pela TV-Senado, pois hoje eu sou quase especialista em Ministério Público. Tudo que diz respeito à instituição merece o meu atento, pois somos velhos conhecidos de embates opostos. Desde os tempos da Ditadura, quando um deles me acusou num julgamento da Auditoria Militar do Recife, ali perto do Cais de Santa Rita, e dos confrontos do Tribunal do Júri, ainda como estudante de Direito. Lembro-me daquele Promotor Público lambendo as estrelas dos oficiais, brilhosas pelo kaol. E “provando” juridicamente que um discurso meu na Casa do Estudante de Natal causara sério risco à Segurança Nacional. Fui condenado.
Antígona e o Direito Natural
31 de julho de 2011 às 9:02 | 3 ComentáriosNO NOVO JORNAL
Todos os mitos possuem várias versões. Assim como as lendas vão por veredas diferentes até o miolo da chegada ao quengo da imaginação.
Na mitologia caldaica, bela e pouco conhecida, a deusa do amor, Ihsthar, ameaça Anhur, deus dos céus, de cortar por um segundo o condão do afeto, criando um hiato na sinfonia do erotismo universal. E com a ameaça consegue o benefício reivindicado.
Drama e Tragédia
24 de julho de 2011 às 21:47 | ComentarNO NOVO JORNAL
Na mais recente visita a Natal, chope com Décio Holanda e ida ao Azulão. Lá, o prazer de encontrar Juliano Siqueira e Racine Santos.
Depois, o Bar de Lourival. Esse é que fazia tempo. Ainda eram vivos o velho Lôro, seu filho Luciano e outros que já se foram. Encontrei Nicodemos, meu conterrâneo de Viçosa, a cara esculpida daquele bar. E olhando pra ele vejo o Prof. Melquíades a exclamar sobre tudo: “Pôxa vida, Nicodemos”!
Tá doido o fura-barreira?
17 de julho de 2011 às 10:35 | ComentarNO NOVO JORNAL
Que esfrie cá na Serra por esses tempos até se entende. Que Tude de Osório desaposente o casaco de lã azul, quando passa de sua casa, na Rua de Baixo, em busca das graças da virgem da Conceição ou da capelinha do Rosário, onde Martins Roriz edificou uma Ermida, no mesmo local do encontro do corpo da mulher morta por indígenas, também se entende.
cacto
11 de julho de 2011 às 19:33 | 5 ComentáriosA flor do cacto/ nasce sobre a pedra. Quem é mais dura? / A pedra ou a flor?!
A pedra por baixo/ por cima a flor. Quem tá por baixo? A flor ou a pedra?!
A flor de tão frágil morre primeiro. Quem é mais bela? A que dura mais?!
Isso é poesia? Não sei./ Nunca fui gênio/ nem preso na lâmpada.
Nem impetrei habeas-corpus a Aladim./ Só pra rimar vou pro Alecrim!
A Nova Chicago
13 de junho de 2011 às 8:33 | ComentarCena de Os Intocáveis, do diretor Brian de Palma
Reviraram na cova o esqueleto de Eliot Ness. A capitania hereditária de João de Barros, donatário que aqui nunca pôs os pés, parece que adivinhava o sucesso dos sucessores. Túmulo da dignidade humana e altar ostensivo de nulidades.
Quanto mais ostentação de estufar o peito, mais o ridículo se fronteiriça na ingênua pose da adolescência filosófica.
Ciência
31 de maio de 2011 às 17:58 | 2 ComentáriosA História é a única ciência produzida pelo homem. A única. Todas as outras ciências são de origem natural, com interferência ou especulação humana. A medicina, engenharia ou direito não são ciências. São técnicas aplicadoras de ciências. Matemática, física, biologia, citologia, química ou história são ciências que a medicina, engenharia ou o direito aplicam. Um fofa-bosta do poder não pode excluir ou mascarar fato histórico sob a conveniência do poder temporal. Quando falo de ciência ou aprendizado, cuido da regra. A exceção não abastece argumento, a não ser na ignorância. Que é a mais universal das categorias do conhecimento. A língua do boteco ou da esquina continua na esquina ou no boteco. O que eu conheço é muito pouco, mas me recuso a conhecer o que é pouco demais para que seja conhecimento. Com licença, pra não esquentar a cerveja!







