As Cosmicômicas, de Italo Calvino, tiradas das Microcômicas, de Voltaire, talvez seja o livro de grau máximo de sonho e potência aeroespacial – científica – imaginária do autor italiano. Qfwfq, XhP, a Lua, as lesmas, são alguns dos personagens do livro. São contos de possibilidades, narrativas que começam com um parágrafo científico sobre as origens do universo e dos planetas e depois, propositadamente, muda de assunto de forma desconcertante. A base lógica de tudo é o pensamento mágico. A série termina com as Biocômicas. A partir desta obra passaram a dizer que Calvino vivia no mundo da Lua.
Tinta da China
24 de janeiro de 2012 às 11:45 | ComentarUma intensa dança de cadeiras no jogo editorial brasileiro acontece neste momento. Gente cai p q perdeu Drummond para outro editor; outro é acusado de má gerência e de ser enrolão; outra editora demite lá para contratar cá; um monte de jovens – em todo o país – criando selos editorais. Que acorre?
E de nau em nau, os portugueses aportam novamente em nossas praias. Aliás, a primeira editora brasileira ficava em Lisboa, chamava Casa Editorial do Arco do Cego.
Agora quem chega é a Editora Tinta da China. Veja-na aí, se quiserem:
Sobre quadrinhos
12 de janeiro de 2012 às 8:23 | 1 ComentárioCrítica, teoria, história, cobertura jornalística e a socialização dos quadrinhos no site www.raiolaser.net
O “eu” de Pessoa
5 de janeiro de 2012 às 17:01 | 7 ComentáriosMeu eu não gira em torno a mim. Se girasse zigue-zague dando voltas e rodopios seria rei: falaria de todas as estações, em todos os idiomas de A a Z; seria muito além de um eu fantasma, de palavras, melhor até do que o eu real; arremessaria-me pra cá, pra lá, sendo o pingue-pongue que o destino quisesse que eu fosse; sorriria versos todo o tempo pra todo mundo desmelindrar, por escrito, de A a Z. Seria assim como Pessoa: “Ser tudo de todas as maneiras, contradizer-se a cada instante só pela liberdade de ser assim”. Álvaro de Campos (Fernando Pessoa).
Uma lágrima por Daniel Piza
31 de dezembro de 2011 às 19:38 | ComentarGrande perda a morte do Daniel Piza. Tive prazer de conhecê-lo em 2001 quando preparava, com Alex Galeno, o livro Jornalismo e Literatura – A Sedução da Palavra (Escrituras, 2002). Depois voltamos a nos falar muitas outras vezes, sempre por e-mail ou telefone. Em 2008, pedi a ele um ensaio para o livro A Cabeça do Futebol (Casa das Musas, 2009), organizado por mim, Samarone Lima e Carlos Magno Araújo. O ensaio dele é o maior do livro e contém uma bela revisão da relação literatura X futebol. Há duas semanas voltamos a nos falar por conta da pós em Comunicação e Literatura, que a Faculdade de Comunicação da UnB organiza para o segundo semestre de 2012. Sempre que morria alguém ele escrevia, em sua coluna Sinopse, do Estadão: “Uma lágrima para”. Fará falta sobretudo na cobertura do jornalismo cultural.
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Do editor
Gustavo está em Natal. Retorna amanhã para Brasília. Almoçamos juntos hoje, nós dois mais Lícia, sua namorada, linda, simpática e culta, e no final da tarde voltamos a nos encontrar no café da Siciliano. Está cheio de planos, os quais me inclui, com aquela generosidade que lhe é peculiar, que me deixa todo sem jeito. Como é bom rever os amigos queridos. Falamos de tudo, e, claro, de Piza. Na foto deste post, Piza aparece no Festival de Pipa de 2009, onde falou sobre Euclides da Cunha. Esta mesa foi mediada por mim. No link abaixo tem o que escrevi sobre esse encontro.
Acesse: estecomcultmassa.jimdo.com/
20 de dezembro de 2011 às 9:54 | 2 ComentáriosSomente agora comentando o post “Monstros” me dei conta que não divulguei aqui o site que coordeno sobre Estética e Mídia, o Belo e o Feio. É um site destinado a curiosos no assunto, estudantes, pesquisadores e professores. Colocamos várias aulas em PPT lá, textos, filmes, músicas e artigos. Tácito, vc já viu minha foto lá? Veja como fiquei igualzinho.
Acesso: http://estecomcultmassa.jimdo.com/
Crítica de cinema
19 de dezembro de 2011 às 14:14 | 3 ComentáriosUma amiga, Lília Lustosa, nascida em Fortaleza, criada em Brasília e que mora na Suíça, concluiu o seu mestrado em História e Estética do Cinema pela Universidade de Lausanne e abriu um blog de crítica cinematográfica. Para conferir clique: www.lilialustosa.com
Pequeno bilhete deixado à mesa
2 de dezembro de 2011 às 0:12 | 12 ComentáriosJairo, entendo vc. Isto aqui é msm uma droga. Não tem mesa, nem vinho, nem chão. Não tem o silêncio dos olhos, as milongas da vida empenhada no verso. Nada mais. Apenas isto: Batman não consegue voltar da guerra, ainda busca desbelezas, o coitado. Acho que perdeu o cinto que tudo contém. Batmam espera uma luz do céu, só pode. Duvido se ele tem medo de algo. Homem de capa que é…! – Ok! Entende-se sua tristeza, seu trauma, a noite sob o céu de chumbo. Batman é um poeta da noite, Jairo. Um nada, como nós. E nós inda pior – pois sequer capa temos.
Cooperativa Cultural da UFRN
29 de novembro de 2011 às 14:18 | 11 ComentáriosNunca mais tive notícias da Cooperativa Cultural da UFRN a não ser por aqui, via SP. Cada vez mais vejo como aquela livraria teve importância na minha formação. Tácito, a Cooperativa voltou a ser Editora? Se não voltou, o que está esperando? Assim com a FJA, o que ela está esperando para editar livros?
Cannabis Natural
27 de novembro de 2011 às 0:10 | 3 ComentáriosNunca duvidei dos poderes terapêuticos da escrita. Cada vez mais compreendo a necessidade da palavra, vendo e participando de todas as bodegas onde ela está. Recentemente li um texto, do Boris Cyrulnik, no livro Sexto Sentido, em que ele fala lá no finalzinho da “Cannabis natural” que o cérebro humano produz, sem que homem algum faça esforço ou consuma substância para isso. Somos doidões por natureza. “Homo Demens”, chama Edgar Morin. Foi necessário a criação de cercas mentais, assim como ordens, famílias, regras, sistemas, entre eles, a escrita ou a linguagem de forma ampliada, para segurar o bicho homem.
Vendo os meus amigos, alunos e aqueles que conheço mais ou menos, estão todos escrevendo, poetando, filmando, fuçando artes diversas, enfim, participando daquilo que chamo de corrida humana à linguagem. Ouvi dizer que duzentas mil pessoas por dia estão acessando a internet pela primeira vez.
É a busca ensandecida pela expressão. As relações são formas de esfoliações.
Golpes e contragolpes
22 de novembro de 2011 às 0:30 | 6 ComentáriosOs desvios das estradas de ferro, o trem do porvir, o amor sem registro, a balada de Keats, as gaivotas cantonais, o golpe e o contragolpe do Destino.
As bocas desencontradas do beijo; as três tendências: rajas, sattvas e tamas; as garras fechadas e a alta podridão natalina agindo em golpes e contragolpes de Destino.
Toda palavra lembra espírito, fantasma, alma penada, golpe e contragolpe do Destino. É ele que assobia o sinal combinado entre palavras ocas.
É só o que eu sei: golpear, diz. E assobia: “Foi um erro conhecer-nos”. Delira, Delira, diz, “por que só o delíro traz a certeza”.
O poeta que acabou com a bienal de poesia
18 de novembro de 2011 às 10:11 | ComentarPor um acaso do destino, acompanhei o último dia do poeta Antonio Miranda a frente da Biblioteca Nacional de Brasília (BNB), inaugurada há quatro anos. Ele foi demitido ontem, 16.11, pelo Sec. de Cultura do GDF, o também poeta Hamilton Pereira da Silva, mais conhecido como Pedro Tierra (foto).
Literatura e Performance
8 de novembro de 2011 às 16:02 | ComentarDia 18 de novembro, no auditório 1007 da Faculdade de Letras da UFMG, será lançada a 21ª Edição da Aletria – Revista de estudos literários.
Publicar poesia, por Roberto Juarroz, 1980.
6 de novembro de 2011 às 0:41 | ComentarNão quis apressar-me em publicar. Não se escreve para publicar senão para viver. Ainda que seja transitório, viver é a dimensão definitiva do homem, e a poesia é o culto dessa dimensão. Por isso sua extrema e autêntica gravidade. E por isso, talvez, pode dizer Manoel Bandeira: “Eu faço minha poesia como quem morre.” Em meu caso, tive sempre a mesma sensação com respeito ao que podemos chamar “a obra” ou “a expressão” ou “a poesia” , que se trata de algo assim como um organismo vivo, que cresce, amadurece e em algum momento – por natural necessidade – se manifestará, se é que tem que fazê-lo.
De um poeta, por Robert Walser (Histórias, 1914)
4 de novembro de 2011 às 13:17 | 4 Comentários“Um poeta se inclina sobre seus poemas: fez vinte. Passa uma página atrás de outra e descobre que cada poema desperta nele um sentimento muito particular. Fere o cérebro tentando averiguar o que planeja acima e entorno a suas poesias. Pressiona, mais não sai nada, golpeia,mas não consegue extrair nada, insiste, mas tudo segue tal qual, isto é, obscuro. Se apoia sobre o livro aberto entre seus braços cruzados e começa a chorar. Enquanto isso, eu, o pícaro autor, me inclino sobre sua obra e descubro com infinita indecisão no que consiste o problema. Se trata simples e planamente de vinte poemas, um dos quais é sensível, outro pomposo, outro mágico, outro aborrecido, outro comovedor, outro delicioso, outro infantil, outro muito mal, outro bestial, outro inibido, outro ilícito, outro incompreensível, outro repugnante, outro encantador, outro comedido, outro extraordinário, outro esmerado, outro abjeto, outro pobre, outro inefável e outro que já não pode ser mais nada, porque são só vinte poemas que na minha boca encontram valor, senão justo, ao menos rápido, o que para mim supõe sempre o mínimo esforço. Uma coisa é, contudo, segura: o poeta que os escreveu ainda segue chorando, inclinado sobre o livro; o sol brilha sobre ele; e o meu sorriso é o vento que corta impiedoso e frio os seus cabelos”.
Robert Walser. (Trad. GC)
SP Candido
30 de outubro de 2011 às 21:59 | 1 ComentárioTácito, Nicolau, parabéns pelo trabalho. O SP está lindo! Clean. Candido. Gostei de ficar à esquerda de quem entra. Obrigado.
Por três vezes este ano entrevistei o prof. Antonio Cândido para a pesquisa sobre Orides Fontela. Em uma das entrevistas quis saber porque, no Brasil, não temos a tradição do debate forte e da crítica sistemática.
Mulher e Literatura
29 de julho de 2011 às 16:59 | ComentarEscritora moçambicana Sonia Sultuane participará do Congresso
De 4 a 6 de agosto agora, na UnB, acontece o XIV Congresso Nacional e o V Seminário Internacional a Mulher e a Literatura. Desta vez as homenageadas são as escritoras afro-brasileiras. Quem quiser ter acesso ao encontro basta clicar:
O FAX
25 de julho de 2011 às 14:15 | 5 ComentáriosEu o meu nada
Tantico
Tampico
Tampax
Eu o meu tudo
O mudo
Cu cuido
Passo fax
dois poemas à meia noite em Paris
27 de junho de 2011 às 17:51 | 1 Comentário1.
o pensamento
colocado sobre
outro pensar
ou outro
qualquer vento
provoca fuuuu
massa
2.
deixa doer
e vai vivendo
acende os lampiões
tampa os venenos
guarda a caixa de fotos
esconde a lembrança
fuma teus cigarros
e cala tua boca
volta a teus começos
tuas únicas sinceridades
sabes que só amas
a verdade e os deuses
Filosofia Brasileira
8 de junho de 2011 às 13:52 | ComentarProssegue até o dia 10 de Junho, a 39ª Semana de Filosofia da UnB, com o tema Filosofia Brasileira. Dei uma rápida olhada na programação e eis os nomes em destaque: Tobias Barreto, Eudoro de Souza, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Miguel Reale e Oswald de Andrade. Faltou o Benedito Nunes, creio, para completar o time. Gostei da inclusão do Oswald de Andrade como filósofo brasileiro a partir dos seus aforismos, diálogos, entrevistas e narrações, um viés de investigação experimental. Quem quiser mais informações vá até:
http://39semanadefilosofiaunb.blogspot.com






