1.
Comecei a ler História da Literatura Portátil (Cosac), de Enrique Vila-Matas. Fui até a metade e gostei muito. Acho que amanha ou sei-lá-quando termino a leitura. O livro conta a história de uma sociedade secreta de artistas, que existiu na França, no início do séc. XX.
2.
Comecei também a ler Fernando Pessoa – Uma Quase Autobiografia (Record), do José Paulo Cavalcanti Filho. Achei (estou achando) o livro fraco, misto de relato com documento, nem auto, nem bio… Vamos ver se o livro decola.
3.
Também comecei a ler Borges, biografia do escritor argentino, escrita por Edwin Williamson, depois de nove anos de pesquisa. Enquanto o livro de Cavalcanti parece bastante pretensioso, este já é mais simples, sem firulas desnecessárias, um livro interessante e profundo.
Só agora me dou conta de que ele se foi. Em 2000 fui a Santos Lugares, bairro de Buenos Aires onde morava Ernesto Sábato. Ele tinha na época 88 anos. Não dei sorte por que ele estava com um leve resfriado e não pode me receber. Por esta época, ou antes, não lembro agora, escrevi um pequeno texto sobre ele, publicado depois no meu livro O Mito dos Nós (2005), que agora compartilho com vocês.
Anverso e reverso
Imagine um pêndulo que oscila entre a luz e as trevas, a ordem e a desordem, o apolíneo e o dionisíaco. Imagine agora que alguém imagina a sua existência assim. Imagine também que o ritmo musical que domina o movimento em questão seja o do tango, un pensamiento tristes que se baila. Ernesto Sábato, argentino de Rojas, escritor de uma verve ao mesmo tempo forte e melancólica, compreende em suas memórias (Antes do fim, Cia das letras, 2000) o movimento do espírito humano de forma reversível, como um pêndulo, um ir-e-vir em si mesmo, que faz com que não nos encontremos nunca no que fomos; que nenhuma identidade seja capaz de fotografar-nos de forma definitiva.
teoria poética da incomunicação
9 de abril de 2011 às 9:19 | 4 ComentáriosEntrevistei ontem longamente Davi Arrigucci Jr.(foto) e Olgária Mattos, em São Paulo, para o livro sobre Orides Fontela. Das duas conversas, longas e instigantes, ficaram mares de coisas. A solidão e o silêncio de Orides na São Paulo dos anos 70, 80 e 90… A eremita na grande cidade. Olgária Mattos falou da “Capacidade de abreviação da vida pelo olhar”, Davi Arrigucci soltou esta ao final: a poesia pode exprimir a própria incomunicação do poeta. Sai das duas entrevistas me sentindo ainda mais burro.
No divã com Tácito
6 de abril de 2011 às 9:04 | 4 ComentáriosO SP sempre se renova, realmente. A Net tem ciclos mesmo, como todos dizem, “ondas” nét? É bom ler mais Carlão aqui. O Daniel Dantas reaparecendo, Chico Guedes ressurgindo. Lívio dando um tempo. Tácito, gostei do texto-de-arrumação que vc escreveu e que me ajudou a compreender algumas cositas. É verdade que uns tão mais calados, se precavendo, contra gente de coração pesado. É verdade que alguns são Quixotes e que o sexo feminino tenha chegado com tudo, também acho que seja verdadeiro. Já cheguei a achar que os homens deste SP nem se afirmavam tanto assim… Ô Marcos, somos femininos, querido… Enfim, a difícil convivência, seja quem for, enfim, o necessário silêncio, enfim, o que temos a contribuir?
Como Dilma começou a ler Dostoievsky
4 de abril de 2011 às 8:43 | ComentarNo site da Rádio Metrópole, o Affonso Romano de Sant’anna conta como Dilma começou a ler Dostoievsky:
Bolo-de-rolo
31 de março de 2011 às 23:27 | 22 ComentáriosE então, amigas, amigos, vamos ou não vamos tomar uma? Bebo em qualquer bar que o João da Mata sugerir. Samarone tá chegando e levo ele junto. Ontem tomei uma no Tomatino e gostei muito de lá. Foi lá que revi minhas amigas Josimey e Ângela Almeida. Conheci ainda Ângela Pavan. Também acompanhei ABC 0X0 Vasco, um jogo muito mais ou menos… Topei com Osair Vasconcelos na Tv apresentando, na Band, um jornal e falando de “jornalismo independente”. Osair, sai dessa, não tenha medo de ter opinião. Mude junto com o jornalismo, por favor. Minhas duas mães, Elza (84) e Tita (73) me informaram que a casa onde moram havia sido assaltada duas vezes e que nossa vizinha, dona Conceição, havia sido assaltada três. A praça de São Pedro tem mais vagabundos do que o Congresso Nacional. (Perdão aos da Praça de São Pedro, em Roma). Morreu José Comblin e não saiu nota em jornal nenhum. Na cidade inteira, só se fala de roubos e assassinatos. Deixa quieto: quando a Copa do Mundo chegar tudo melhora. Natal não será sede da Copa das Confederações: é o atraso do finado Machadão. É verdade mesmo que, em Natal, tudo chega por último? Na padaria alguém fala mal de Micarla; no açougue, Tião Navalha só fala mal de Micarla; na tinturaria a tintureira fala mal de Micarla; só no SBT não se fala mal de Micarla. No Novo Jornal leio da criação de uma nova entidade cultural que reunirá entidades culturais. Será uma legítima entidade Cunha Lima. No SP, a esquizofrenia tomou conta de vez… Na Tribuna do Norte, o jornalismo piorou de vez… No Aeroporto, graças-a-deus, agora tem bolo-de-rolo pra vender. E então, Damatta, amigas, amigos fakes, em que bar boteco biroska vamos beber desta vez?
ok mas…
2 de março de 2011 às 11:11 | 4 ComentáriosIsto aqui tá ficando muito cafona.
Uma pena
1 de março de 2011 às 18:08 | 9 ComentáriosÉ uma pena, mas parece que o Marcos Silva se foi de verdade. Fiquei dois dias pensando no texto que o Lívio escreveu lá atrás, “A liberdade campeã”, acho, onde ele falava da responsabilidade de cada um, aqui neste espaço.
Sinceramente, sinto a falta do Marcão. Com o tempo aprendi a admirar sua sensatez, cousa rara nestas plagas; lia seus conselhos, ponderações, críticas, com se fossem a mim, enfim, a gente aprende um bocado quando não tem os punhos levantados.
Sinto também a falta do Charles Phelan, do Jairo Lima, do Chico Guedes e do Lawrence Bitencourt, entre outros, gente com quem aprendi também. Tácito acha que a internet é um lugar de conflagrações. Ele está certo. Mas às vezes eu penso o quanto isso custa.
“A cada um a dor e a delícia de ser o que se é”.
O homem mais invejoso do mundo
26 de fevereiro de 2011 às 12:24 | 4 ComentáriosNem faço de idéia de quem seja o Sr. Laélio Ferreira, não o conheço, nada sei dele, a não ser que é filho de poeta. Mas garanto que o texto que li dele hoje foi a maior declaração de inveja da história do Rio Grande do Norte, quiça do Nordeste.
O homem se superou tristemente, destilando “bílis negra” (essa aprendi com Lívio), pq o Marcos é professor doutor (agora pronto, Marcos tem culpa de ter estudado), ser poeta, tradutor (de Baudelaire, diga-se), cantor, uspiano, compositor, cacete-a-quatro, putz, que incapacidade de admirar uma pessoa. Que falta de alteridade! O homem, Laélio, só respeita gênios?
Bom, Tácito, desculpe a minha ignorância, mas quem é Laélio Ferreira, hein?
Marcos, amigo, aprendi com você a engrossar o couro. (Ops!) Liga, não, rapaz. Não se esqueça do que você disse, outro dia: “sou um nadador medíocre”, achei isso simples e belo, superior a qualquer poema, a qualquer xingamento, inveja, Laélio, a qualquer um de nós, todos nós, nadadores medíocres, péssimos poetas, insignificantes seres de cultura.
Estava pensando na poesia e no zen
25 de fevereiro de 2011 às 14:19 | ComentarEstava pensando na poesia e de como fomos acossados por ela. Houve a invasão das palavras, dos poetas, das metáforas, da imagens e das estéticas: da sutil à esgarçada; do mau, vil e reles ao sublime, alto e aberto, qual aquele quadro de Brennand.
Da poesia não sabemos mesmo nada. Falamos tanto, escrevemos tanto, vemos a sua eclosão em todas as partes: festivais, recitais, colunas, concursos, publicações e ainda assim nada sabemos da poesia.
Quando perguntavam para Roberto Juarroz o que era a poesia, ele gostava de contar uma parábola zen. Diz a parábola que o mestre esteve a falar do zen por toda a manhã e que ao final disse “tenho falado do zen por toda a vida e ainda assim não sei o que é o zen”, ao que um discípulo contestou: ‘mas como? como alguém pode falar do zen por toda a vida e ainda assim não saber o que é?
Ao que o mestre, concluiu:
- Tenho que saber também isto?
p o e s i a b e r t a
23 de fevereiro de 2011 às 14:25 | ComentarO XX Prêmio Reina Sofia de Poesia Iberoamericana está com inscrições abertas.
Cartas do Pai
21 de fevereiro de 2011 às 21:18 | 2 ComentáriosMinha amiga, a cineasta Érika Bauer, anda lendo 32 mil cartas do mestre Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Athaíde, para a realização de um longa metragem. Ela criou um blog, que é um diário de produção do documentário em construção Cartas ao Pai. Lá encontramos vídeos das cartas de Manoel Bandeira e Oswald de Andrade, entre outros. Para conferir, clique: http://cartasdopai.blogspot.com/
Despalavra
18 de fevereiro de 2011 às 22:48 | 2 ComentáriosQuando as palavras
vestem o mundo
tudo fica
impermeável.
É quando precisamos
do poema
do quadro
do canto.
Para desmamar
o mundo
só templos
aflitos.
O ó
15 de fevereiro de 2011 às 11:38 | 14 ComentáriosCom quantas
contradições
se faz
um poeta?
Com quantos
poetas
se faz
um cometa?
I’m reading a book
11 de fevereiro de 2011 às 8:02 | 1 ComentárioEduardo Galeano manda mensagens para estudantes de Letras
11 de fevereiro de 2011 às 8:01 | ComentarPreá
2 de fevereiro de 2011 às 11:00 | 4 ComentáriosFico pensando se existe alguma razão convincente para que a Preá volte a ser em papel.
Pq não só digital?
Ah, que saudade das texturas da folha de papel, dos bons desenhos gráficos, das fotografias em duas páginas, coisa que, infelizmente, a tela do computador não permite.
Ah, que saudade dos bons ensaios, dos textos rápidos, ligeiros, vivos como um açoite, das aventuras jornalísticas na área cultural.
Juremir Machado costuma dizer que o Jornalismo Cultural morreu no Brasil. Tudo virou roteiro e eventos, lançamentos, shows.
Faltam as boas entrevistas os bons perfis a grande reportagem tenho saudade do texto que tira o fôlego e deixa saudade.
Onde foram parar os meus heróis do jornalismo?
Thais Mallon nasceu:
1 de fevereiro de 2011 às 21:16 | Comentar“Vem acaso, vem Que o mundo já virou abóbora”
História natural da poesia
19 de janeiro de 2011 às 11:30 | 2 ComentáriosMeu sobrenome é Juízo.
Meu primeiro nome é Sem.
A CADA HORA
7 de janeiro de 2011 às 14:25 | 1 ComentárioPoema em PDF para preservar a diagramação original:


