Uma pena

1 de março de 2011 às 18:08 | 9 Comentários
Por Gustavo de Castro

É uma pena, mas parece que o Marcos Silva se foi de verdade. Fiquei dois dias pensando no texto que o Lívio escreveu lá atrás, “A liberdade campeã”, acho, onde ele falava da responsabilidade de cada um, aqui neste espaço.

Sinceramente, sinto a falta do Marcão. Com o tempo aprendi a admirar sua sensatez, cousa rara nestas plagas; lia seus conselhos, ponderações, críticas, com se fossem a mim, enfim, a gente aprende um bocado quando não tem os punhos levantados.

Sinto também a falta do Charles Phelan, do Jairo Lima, do Chico Guedes e do Lawrence Bitencourt, entre outros, gente com quem aprendi também. Tácito acha que a internet é um lugar de conflagrações. Ele está certo. Mas às vezes eu penso o quanto isso custa.

“A cada um a dor e a delícia de ser o que se é”.

O homem mais invejoso do mundo

26 de fevereiro de 2011 às 12:24 | 4 Comentários
Por Gustavo de Castro

Nem faço de idéia de quem seja o Sr. Laélio Ferreira, não o conheço, nada sei dele, a não ser que é filho de poeta. Mas garanto que o texto que li dele hoje foi a maior declaração de inveja da história do Rio Grande do Norte, quiça do Nordeste.

O homem se superou tristemente, destilando “bílis negra” (essa aprendi com Lívio), pq o Marcos é professor doutor (agora pronto, Marcos tem culpa de ter estudado), ser poeta, tradutor (de Baudelaire, diga-se), cantor, uspiano, compositor, cacete-a-quatro, putz, que incapacidade de admirar uma pessoa. Que falta de alteridade! O homem, Laélio, só respeita gênios?

Bom, Tácito, desculpe a minha ignorância, mas quem é Laélio Ferreira, hein?

Marcos, amigo, aprendi com você a engrossar o couro. (Ops!) Liga, não, rapaz. Não se esqueça do que você disse, outro dia: “sou um nadador medíocre”, achei isso simples e belo, superior a qualquer poema, a qualquer xingamento, inveja, Laélio, a qualquer um de nós, todos nós, nadadores medíocres, péssimos poetas, insignificantes seres de cultura.

Estava pensando na poesia e no zen

25 de fevereiro de 2011 às 14:19 | Comentar
Por Gustavo de Castro

Estava pensando na poesia e de como fomos acossados por ela. Houve a invasão das palavras, dos poetas, das metáforas, da imagens e das estéticas: da sutil à esgarçada; do mau, vil e reles ao sublime, alto e aberto, qual aquele quadro de Brennand.

Da poesia não sabemos mesmo nada. Falamos tanto, escrevemos tanto, vemos a sua eclosão em todas as partes: festivais, recitais, colunas, concursos, publicações e ainda assim nada sabemos da poesia.

Quando perguntavam para Roberto Juarroz o que era a poesia, ele gostava de contar uma parábola zen. Diz a parábola que o mestre esteve a falar do zen por toda a manhã e que ao final disse “tenho falado do zen por toda a vida e ainda assim não sei o que é o zen”, ao que um discípulo contestou: ‘mas como? como alguém pode falar do zen por toda a vida e ainda assim não saber o que é?

Ao que o mestre, concluiu:

- Tenho que saber também isto?

p o e s i a b e r t a

23 de fevereiro de 2011 às 14:25 | Comentar
Por Gustavo de Castro

O XX Prêmio Reina Sofia de Poesia Iberoamericana está com inscrições abertas.

http://campus.usal.es/~rrii/reina_sofia/reinasofia.htm

Cartas do Pai

21 de fevereiro de 2011 às 21:18 | 2 Comentários
Por Gustavo de Castro

Minha amiga, a cineasta Érika Bauer, anda lendo 32 mil cartas do mestre Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Athaíde, para a realização de um longa metragem. Ela criou um blog, que é um diário de produção do documentário em construção Cartas ao Pai. Lá encontramos vídeos das cartas de Manoel Bandeira e Oswald de Andrade, entre outros. Para conferir, clique: http://cartasdopai.blogspot.com/

Despalavra

18 de fevereiro de 2011 às 22:48 | 2 Comentários
Por Gustavo de Castro

Quando as palavras
vestem o mundo
tudo fica
impermeável.

É quando precisamos
do poema
do quadro
do canto.

Para desmamar
o mundo
só templos
aflitos.

O ó

15 de fevereiro de 2011 às 11:38 | 14 Comentários
Por Gustavo de Castro

Com quantas
contradições
se faz
um poeta?
Com quantos
poetas
se faz
um cometa?

I’m reading a book

11 de fevereiro de 2011 às 8:02 | 1 Comentário
Por Gustavo de Castro

Eduardo Galeano manda mensagens para estudantes de Letras

11 de fevereiro de 2011 às 8:01 | Comentar
Por Gustavo de Castro

Preá

2 de fevereiro de 2011 às 11:00 | 4 Comentários
Por Gustavo de Castro

Fico pensando se existe alguma razão convincente para que a Preá volte a ser em papel.

Pq não só digital?

Ah, que saudade das texturas da folha de papel, dos bons desenhos gráficos, das fotografias em duas páginas, coisa que, infelizmente, a tela do computador não permite.

Ah, que saudade dos bons ensaios, dos textos rápidos, ligeiros, vivos como um açoite, das aventuras jornalísticas na área cultural.

Juremir Machado costuma dizer que o Jornalismo Cultural morreu no Brasil. Tudo virou roteiro e eventos, lançamentos, shows.

Faltam as boas entrevistas os bons perfis a grande reportagem tenho saudade do texto que tira o fôlego e deixa saudade.

Onde foram parar os meus heróis do jornalismo?

Thais Mallon nasceu:

1 de fevereiro de 2011 às 21:16 | Comentar
Por Gustavo de Castro

“Vem acaso, vem Que o mundo já virou abóbora”

História natural da poesia

19 de janeiro de 2011 às 11:30 | 2 Comentários
Por Gustavo de Castro

Meu sobrenome é Juízo.
Meu primeiro nome é Sem.

A CADA HORA

7 de janeiro de 2011 às 14:25 | 1 Comentário
Por Gustavo de Castro

Poema em PDF para preservar a diagramação original:

aqui

A TI

1 de janeiro de 2011 às 15:53 | 1 Comentário
Por Gustavo de Castro

Você é
Mundo.

No amor
Não existe
Último afago.

Todo vazio
é nossa
figura-fundo.

SP 2010-2011

29 de dezembro de 2010 às 22:36 | 3 Comentários
Por Gustavo de Castro

Ano passado, por estas épocas, o Marcos Silva fez uma bela avaliação do nosso SP, jamais esqueci aquele post.

Ele falava da importãncia de agregar, somar esforços, avançar, prosperar a proposta do SP.

E olhe só o que vem acontecendo…

Clique aqui para ler mais »

Poesia e incomunicação

18 de dezembro de 2010 às 8:11 | 4 Comentários
Por Gustavo de Castro

amigas e amigos

Estou embrenhado em uma pesquisa sobre a poeta Orides Fontela. É uma pesquisa longa e calma. Biográfica. Se tiverem alguma história da poeta conhecida ou vivida, peço a gentileza de assinalar escrevendo para este Substantivo ou para gustavodecastro@unb.br

att

Dois temas à saudade

13 de dezembro de 2010 às 23:03 | 2 Comentários
Por Gustavo de Castro

1.

Nunca estive
à altura do amor.
Os pássaros voam
mais alto.
Felizes.

2.

Saudade
de quem me
desorienta
e ajuíza.

Z

11 de dezembro de 2010 às 8:19 | 5 Comentários
Por Gustavo de Castro

O poeta
Vez ou outra
é qual o raio.

Freqüenta
Quedas.

aisthesis

28 de novembro de 2010 às 9:33 | 1 Comentário
Por Gustavo de Castro

Gosto da estética do cangaço com ou sem espelhinhos, perfumes e sangue. Para mim, no fundo, a questão não são os cangaceiros, mas o Sertão. Neste sentido, sou mais a estética do sertão do que a do cangaço. Dá para pensar um sem o outro. Estranha mistura. No fundo, o que interessa hoje é a estética do feio. O belo morreu na idade clássica renascentista. Bom, mas há controvérsias. Assim como há controvérsias e apostas de que Rodrigo Levino está ou não adotando o estilo Veja de escrever. Mas este assunto é outro tiroteio. A estética do feio também vale e também ensina. Prefiro pensar no que de beleza aprendo do Sertão.

Notas de cultura mínima

10 de novembro de 2010 às 17:09 | 2 Comentários
Por Gustavo de Castro

1.

Passei a semana no II Simpósio de Crítica da Poesia, organizado pela professora Sylvia Cintrão, do Departamento de Teoria Literária, da UnB. Durante quatro dias, várias pesquisas nacionais sobre poesia (e suas intersecções) foram apresentadas e deu para perceber bem o panorama da “área”. O Seminário terminou hoje, com a mesa “O lugar da poesia na mídia”, formada por José Castello, Sérgio de Sá e Maurício Melo, da TV Senado. Depois que todos falaram, um poeta da cidade (ninguém soube me dizer o seu nome), levantou e começou a protestar veementemente pelo fato da imprensa não dar importância a poetas iniciantes. Ele se incluía. ”Veja o meu caso, ninguém jamais escreveu um livro de poesia sobre o negro na Bíblia”, e começou a listar os nomes de todos os negros da Bíblia. Ele parecia acusar Sérgio de Sá, que fora colunista de literatura do Correio Braziliense por dez anos, de não dar a mínima ao seu trabalho. Foi constrangedor, irônico e pertinente, tudo ao mesmo tempo. Fico espantado como os poetas nunca deixam de ser inconvenientes.

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AGENDA

Esposição de Ana Prata - Instituto Tomie Ohtake

A artista apresenta tanto telas pequenas, como também trabalhos grandiosos, usando o efeito de escorrido; até agora não acho razão para que alguns [leia mais]

Recital de piano com Guilherme Rodrigues nesta quinta - Entrada grátis

O professor da Escola de Música da UFRN Guilherme Rodrigues apresenta recital de piano esta quinta-feira no auditório da EMUFRN. O recital começa [leia mais]

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Acontece de quarta a sábado desta semana na Escola de Música da UFRN o evento Oboé, Música de Câmara e Tecnologia. Na ocasião, [leia mais]

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Será aberta quinta-feira, 17, às 18 horas, na Galeria Newton Navarro (sede da Fundação José Augusto - Rua Jundiaí, 641 - Tirol) a [leia mais]

Festival “Thomaz Babini” da Escola de Música da UFRN – 22 a 25 de maio

No mês de Maio um evento histórico acontecerá na cidade de Natal. Italo Babini (FOTO), violoncelista natalense, considerado um dos mais importantes violoncelistas [leia mais]

"Mattinata", de Fernando Monteiro, será lançado em Natal quinta-feira, 17

Anote aí na agenda: na próxima quinta-feira, dia 17, a partir das 19 horas, o escritor e pluralista Fernando Monteiro lança na Livraria [leia mais]

OUTROS EVENTOS

POESIA

    Névoa
    16-05-2012 às 9:40 - 7 Comentários
    Por Jarbas Martins

    Carl Sandburg

    Vem a névoa
    em breve pisar de gata.

    Queda-se olhando
    o porto e a cidade
    sentada em seu silêncio e
    esgueirando-se em seguida.

    (Tradução de Jarbas Martins)

    * * *

    Fog

    The fog comes
    on litlle cat feet.

    It sits looking
    over harbor and city
    on silent haunches
    and then moves on.

    (Carl Sandburg, “Selected Poems”, G.Books,1992)

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Amigo Carlão, Vejo com muita alegria a sua inquietação e leitura. Tb indico fortemente o livro .Jerônimo, A Técnica do Livro de autoria do grande Dom Paulo Evaristo Arns ( Sua tese de doutorado) , trad. de Cleone Augusto Rodrigues e prefácio de Alfredo Bosi . Belíssimo livro em capa dura Jeronimo traduziu a vulgata da biblia e é considerado o patronomo dos bibliófilos e amantes do livro. Saudações bibliófilas. ab imo corde - Help
    • edjane linhares: Muito lindo, Jarbas. A experiência do haicai, como Fernando nos lembrou, ajuda muito neste processo de contemplação e silêncio, ato solitário e sublime. Quero agradecer a homenagem às mães no seu último haicai (único vestígio da data por aqui). Aguardo coletânea deles. Um abraço. - Névoa
    • Jarbas Martins: Amigo Jóis: gosto da sua poesia e da sua prosa digressiva, inflada de saberes e sabores, biscoito fino para raros paladares.Nem precisava dizer isso, mas como em seu comentário você se reportou a um incógnito Aguinaldo Soares, usando termos utilizados por ele contra mim - deu-me vontade de voltar ao assunto. Repito mais uma vez: Aguinaldo Soares sabe escrever, e a expressão "sólida cultura" é tão infeliz que não me restou outra alternativa: pedi desculpas ao ilustríssimo desconhecido.Não conheço o Aguinaldo, mas presumo que ele, como eu, temos algo em comum: fizemos o curso de direito.Daí o nosso gosto pelas sentenças líquidas e certas. Abraços, Poeta ! - Ditirambo
    • Marcos Silva: Li um livro interessante sobre Jerônimo, A Técnica do Livro Segundo São Jerônimo, de Paulo Evaristo Arns - Help
    • Jarbas Martins: Tradução inventiva a tua, Marcos. Nenhuma novidade nisso. Você é um reconhecido mestre na arte tradutória. - Névoa
    • Jóis Alberto: O poema é bom! Afirmo isso, embora não tenha plena consciência do ofício de poeta. Porque se eu for intelectual, sou dos mais incompletos – em meio a preconceitos, totens e tabus, como vocês já tiveram oportunidade de ler mais de uma vez, aqui neste democrático SP. Além do mais, como posso ter sólida base cultural nesses tempos em que tudo que é sólido se desmancha no ar? Tempos de modernidade e amores líquidos, de fodas em excesso e entediadas, blasé até – foda blasé é ‘foda’! – de gente que trepa com a mesma rotina de quem escova os dentes, tema objeto das sátiras ingênuas de meia dúzia dos meus poemas eróticos. Ingênuas não só se comparadas às sátiras e poemas eróticos/pornográficos de um grande poeta, Bernardo Guimarães, por exemplo, mas ‘ingênuas’ também no sentido libertino, filosófico, da palavra ‘ingênuo’! Ou então as fodas são escassas como as leituras de gente que, se leram os gregos, leram em traduções, não no original, e fazem a pose erudita de quem muito entende esses clássicos da filosofia, da poética e da ética, da antiguidade greco-romana. O que danado é ‘inveja poética’? Se é inveja não é poética, nem ética! Porque a ética, é verdade, pode tratar da inveja, da emulação, mas a inveja despreza a ética. O que danado significa ‘fracasso moral da estética’? De qual moral estamos falando? Da moral burguesa? Sinceramente! Qual o poeta que não esconde a fonte onde bebe? Como poeta bissexto, escondo e revelo fontes. Sem maiores dificuldades coloco as cartas na mesa, porque nesse jogo de cartas – de cartas muitas vezes marcadas, e viciadas – uma das minhas cartas prediletas é a do coringa, do joker! Porém, como há muito não jogo nem pif-paf, buraco ou sueca, uso essa expressão ‘jogo de cartas marcadas’ como um dos inúmeros clichês que pululam por aí, em discussões de intelectuais de prestígio... - Ditirambo
    • Cássio: Biografia eu não sei, mas recomendo o filme do júlio bressane. No seu livro Cinemancia tem também uma tradução interessante da "epifania" de são jerônimo. - Help
    • Marcos Silva: Belo poema, bom poeta, boa tradução. Sugiro a alternativa: NÉVOA. Névoa vem em pés de gatim Senta e olha sobre porto e cidade ancas silêncio e se moveu - Névoa
    • Jarbas Martins: Tenho a honra e o dever de confessar que a tradução que fiz do poema "Dormire", de Ungaretti, publicado há alguns dias neste SP - teve a orientação do poeta Fernando Monteiro ! Obrigado, mestre Fernando, obrigado poetas Anne Guimarães e Lívio Oliveira. - Névoa
    • Nina Rizzi: "A capa já dá o tom da revista. Uma foto de Câmara Cascudo passeando de riquexó (uma espécie de carroça de duas rodas e movida a tração humana) em Moçambique, ao lado de uma pessoa não identificada. A foto - de autoria desconhecida - foi clicada em 1963, quando o folclorista estudava costumes e tradições africanos. As observações e anotações depois seriam o mote para o livro Made in África. A imagem foi cedida pela família. E a filha, Ana Maria Cascudo, escreve artigo contando as inúmeras viagens do pai, em um diálogo emblemático entre Natal e o estrangeiro." Viu, neguinho não existe não, ô rapá! - Tributo ao mar