A PREFEITA DO MUNICÍPIO DE NATAL (RN) sancionou a Lei da Política Municipal do Livro.
http://www.natal.rn.gov.br/_anexos/publicacao/dom/dom_20111007.pdf
O silêncio dos domingos
27 de setembro de 2011 às 11:26 | 1 ComentárioAs mãos engelhadas do velho de cabelos brancos, bem penteados, apanhavam os objetos e os acomodavam dentro da sacola de algodão cru, obedecendo à hierarquização do caixa e do seu inseparável leitor ótico.
Os domingos e suas calçadas largas
9 de setembro de 2011 às 9:45 | 3 ComentáriosNo último domingo atravessei algumas ruas e avenidas dos bairros do Alecrim, Tirol e Petrópolis em direção a Ribeira e senti uma beleza solitária na cidade. As ruas com poucos automóveis e com os passeios públicos desfrutados por velhos e crianças me trouxeram as lembranças das corridas, quando criança, no bagageiro da Monark Barra Circular nas calçadas em frente ao Cine Rio Grande. O sol das dezesseis horas causava um alastramento de um vazio, deixava os mosaicos mais ousados e ruas com um perder-de-vista que há tempo não surgia para mim.
Nome de família
1 de setembro de 2011 às 13:46 | ComentarUma ação costumeira de gerações antigas que ainda subsiste em nosso cotidiano, conservado pelos filhos, netos e bisnetos, é a de perguntar a um estranho – visto pela primeira vez – qual o nome de sua família.
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Essa minha falsa vontade de escrever
23 de agosto de 2011 às 9:16 | 2 ComentáriosÉ um abismo essa ação de escrever. Temem os bons escritores, atrevem-se os aprendizes desse ofício. Passei os olhos há pouco no conto ‘Um escritor nasce e morre’ de Drummond e senti pela primeira vez o cheiro da velha sabedoria de quem conhece as astúcias do ato. Confesso que nunca o conheci além daquela pedra no meio do (meu) caminho. Tentei. Juro! Nunca consegui triscá-lo, nem mesmo pousado na ponta dos meus pés. De todos os contos – que se dependuram numa linguagem nitidamente poética – assombrei-me com esse pela sua coloração cinza, antiga, quase morna. Drummond, para mim, já nasceu velho, enrugado, assim como, quando criança, pensava de meus avôs e avós; aqueles que me acarinhavam com mãos ressequidas ou os que me olhavam nas velhas fotos quase sem preto, quase sem branco.
Temperos (Microconto)
3 de agosto de 2009 às 15:43 | ComentarSua mão firme rasgou a garganta de cima abaixo. Escorria pelo cabo da faca um fio leve de sangue. Sentiu o corpo esmorecendo e aqueles olhos pequenos perderem lentamente o brilho. Deixou-o esfriar e, enquanto lavava as mãos e a faca, sentiu um arrependimento na alma. A família reunida esperava o inicio do almoço de domingo quando ela apareceu, já recomposta, com a travessa e os pedaços cortados e temperados. Agora eram os olhos dela que perdiam o brilho, mas o que importava era a felicidade de todos após a morte da inócua e minúscula ave.







