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	<title>Substantivo Plural &#187; Laurence Bittencourt</title>
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	<description>CULTURA + IDÉIAS + INFORMAÇÕES</description>
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		<title>James Joyce, um vidente na virada do século</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2011 13:15:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[James Joyce]]></category>

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		<description><![CDATA[James Joyce  nasceu em 1882, em Dublin, na Irlanda, onde fincou os pés até os 20 anos, quando decidiu bater em retirada em um exílio voluntário. A partir daí não mais parou. As raízes, porém já estavam entranhadas em sua alma o que podemos deduzir pela sua obra, em que as estórias contadas se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/03/james-joyce.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-27875" title="james joyce" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/03/james-joyce-133x149.jpg" alt="" width="106" height="119" /></a>James Joyce  nasceu em 1882, em Dublin, na Irlanda, onde fincou os pés até os 20 anos, quando decidiu bater em retirada em um exílio voluntário. A partir daí não mais parou. As raízes, porém já estavam entranhadas em sua alma o que podemos deduzir pela sua obra, em que as estórias contadas se passam quase sempre em sua terra natal adorada e odiada. Pintar o próprio chão é se tornar universal, já disse Tolstoi.</p>
<p><span id="more-27874"></span>Joyce escreveu alguns dos livros seminais da literatura mundial e que são motivos de pesquisa acadêmica até hoje. Ele estréia com um livro de contos chamado “Dublinenses”, em que pinta um retrato vivido da decadência irlandesa. Na seqüência veio “Retrato do artista quando jovem” bastante autobiográfico, “Ulisses” em que Joyce procura contar um dia na vida de um sujeito, Leopold Bloom e por fim, “Finnegans Wake” um livro difícil e que parece mais um discurso onírico tamanho os experimentalismos e desconstrucionismos na ordem da linguagem mais parecendo um discurso esquizo. Aliás, será por causa dessa linguagem fragmentada, cheios de trocadilhos multilíngües que o psicanalista francês Jacques Lacan vai perceber em Joyce uma estrutura psicótica não consumada. O próprio Joyce, no entanto, irá dizer, diante do estranhamento que “Finnegans Wake” causou no público e na critica, que seria capaz de justificar cada frase do livro. Há ainda “Stephen Hero” inacabado e uma peça de teatro “Exilados”.</p>
<p>Mas, independente de questões pessoais (quase sempre interessantes) o certo é que a obra desse irlandês irá produzir e deixar marcas profundas na literatura moderna. A começar pelos seus personagens. Os personagens de Joyce são ricos no sentido humano do termo, entendam bem, de não aderirem a separações dicotômicas ou maniqueístas idealizadas tão ao gosto do ideário marxista da época e quiçá ainda hoje. Joyce irá romper com as dicotomias radicais tão aceitas pela ideologia esquerdista. Aliás, Joyce sempre foi muito mal avaliado pelas esquerdas. Mas é justamente ai que reside sua grandeza como escritor, penso eu. É preciso dizer que seus personagens convivem com os opostos dentro de si, como todos nós. Um dos méritos de Joyce foi ter conseguido a façanha de ter criado o ordinário e o extraordinário em seus personagens e isso através de uma linguagem completamente inovadora.</p>
<p>No sentido político e social (que me desculpem a redundância) Joyce teve dois grandes inimigos: o Império Britânico e a Santa Igreja Católica Apostólica e Romana. Contra o primeiro o escritor transferiu seu ódio a ponto de em “Retrato do artista quando jovem” terminar o livro com a perspectiva de que era preciso “forjar a consciência incriada de sua raça”. A ira contra o império britânico deve-se em muito ao fato dos irlandeses falarem o inglês, língua do opressor, contra o idioma gaélico que era a língua natural antes do domínio inglês. Sua fúria não menos intensa será dirigida também contra a Igreja católica, a ponto de sua mãe no leito de morte ter pedido para que Joyce fizesse as pazes com a religiosidade cristã, mas cujo pedido não foi atendido.</p>
<p>No entanto, será com seu estilo literário cujo consenso é inconteste que Joyce irá figurar como um dos precursores do movimento modernista, ainda que paradoxalmente o mesmo nunca tenha visto com bons olhos a modernidade, tida por ele como o palco ou o “lócus” da destruição, das perdas de referências (sintomático?), do anonimato e do desencanto.</p>
<p>Joyce como todo grande artista nunca se sentiu confortável no mundo que ajudou a criar e descrever. É sua a frase famosa em carta a Nora (sua esposa, uma camareira de hotel antes de conhecê-lo e o grande amor de sua vida ao lado da literatura) em que, num profundo reconhecimento de si disse: “não posso ingressar na ordem social exceto como vagabundo”.</p>
<p>Em outro artigo que certa vez escrevi, já faz tempo, cunhei a frase ou a perspectiva de que Joyce foi um dândi, um errante por toda a vida. Continuo pensando assim. Mas foi esse errante genial que legou para a posteridade uma obra extramemente inovadora e que como ele mesmo disse certa vez antevendo o seu futuro de que daria “trabalho aos acadêmicos por mais de 200 anos”. Se todo grande artista é uma espécie de vidente da raça, Joyce também foi um.</p>
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		<title>A obra prima de Miguel de Cervantes</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Feb 2011 19:23:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Dom Quixote, de Orson Welles (aqui)
A obra prima de Miguel de Cervantes “Dom Quixote” não é leitura para neófitos em literatura. Seria essa uma frase esnobe? Não acredito. Harold Bloom que é um crítico de peso coloca Cervantes no mesmo patamar de Shakespeare, o que vindo de Bloom é na verdade o maior dos elogios. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/02/D.-QUIXOTE.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-27662" title="D. QUIXOTE" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2011/02/D.-QUIXOTE.jpg" alt="" width="464" height="336" /></a></p>
<p><span style="color: #3366ff;">Dom Quixote, de Orson Welles (<a href="http://cinebuli.blogspot.com/2010/12/realismo-e-idealismo-no-quixote-de.html" target="_blank">aqui)</a></span></p>
<p>A obra prima de Miguel de Cervantes “Dom Quixote” não é leitura para neófitos em literatura. Seria essa uma frase esnobe? Não acredito. Harold Bloom que é um crítico de peso coloca Cervantes no mesmo patamar de Shakespeare, o que vindo de Bloom é na verdade o maior dos elogios. A admiração do critico norte-americano pelo teatrólogo inglês parece não ter limites, a ponto de Bloom colocar o próprio Shakespeare ausente de sua teoria da “Angústia da Influência”, defendendo (um paradoxo?) outra tese, qual seja, a de que Shakespeare não teve rival, ou melhor, não teve pais poéticos anteriores que o moldaram.</p>
<p><span id="more-27661"></span>Mas “Dom Quixote” além de inaugurar o romance moderno, faz escola pelo seu senso de humor, sua desconstrução do real, inaugurando também o que mais tarde viria ganhar “forma” em especial com Gabriel Garcia Marques no livro “Cem anos de solidão” como realismo fantástico. Mas Cervantes não é só um mestre da escrita. Lembro de uma aula que tive com Francisco Ivan onde ele falava da diferença entre o grande artista e o criador. O primeiro, dizia ele, nos levava a mundos desconhecidos, mas o segundo além dessa qualidade também criava novas formas no próprio ato criativo. Perfeito.</p>
<p>Um mestre e criador nós temos também em Edgar Allan Poe. Nunca me esqueci da abertura com que Adriano Schwart deu inicio a sua resenha sobre Poe intitulada “Edgar Allan Poe, o filósofo da composição”, em que diz: “Viveu pouco, sofreu muito e produziu contos, poemas e ensaios que o tornam um dos mais influentes escritores da história da literatura”.</p>
<p>Bastaria apenas a criação do detetive Auguste Dupin para imortalizá-lo, ou seja, a Poe. Quem não leu fascinado a pericia técnica e intelectual com que Dupin nos guia em contos como “Os crimes da Rua Morgue” ou “A carta roubada”? Como diz Schartwrt “de Piratas do Caribe a Lost, de Indiana Jones a House, qualquer narrativa na qual um detetive se dedique a desvendar um caso a partir de seu intelecto” tem a marca da criação de Poe. Isso para ficarmos nos populares, sem contar com Conan Doyle, Agatha Christie e Phillip Marlowe, ou nos mais atuais, Stephen King ou Dean Kootz. Todos beberam na mesma fonte. Alguns assumem, outros não.</p>
<p>Mas voltando a Cervantes. O grande mérito do criador de “Dom Quixote” com essa obra prima, na minha avaliação, tem a ver com sua intuição sobre o mundo que estava por nascer, o mundo de massas. Nenhum grande artista se sente confortável nele. De Cervantes a Flaubert, de Dostoievski a Joyce e Proust, há claramente uma recusa a se tornar mais um parafuso na engrenagem. Flaubert rejeitou o capitalismo mas não via saída no comunismo, tão massificante quanto o rival que se opunha.</p>
<p>Quem elevou a status de grande obra foi George Orwell atacando de frente o totalitarismo stalinista em obras como “1984”, “A revolução dos bichos” ou no menos conhecido “Um pouco de ar, por favor” em que expôs o perigo da massificação. Há, ou é possível enxergar o contra-ponto em um autor como George Bernard Shaw, mas este enfrentou com a única arma possível que foi o humor. Na verdade, Shaw é um caso raro entre os autores modernos e suas relações não pacificas com o mundo de massas. Há o caso de Heiddeger numa outra linha que propôs a volta a um misticismo e a crença numa possível individualidade radical que lhe acenou o nazismo como o combate ao capitalismo.</p>
<p>Cervantes preferiu a criação e usou como saída a sátira. Criou uma obra prima que serve como modelo até os nossos dias, quando encontramos paredes, obstáculos, “moinhos gigantes” que parecem representar o sistema com suas barreiras e limites. É um bom ponto de partida.</p>
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		<title>História da Inteligência Brasileira</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 23:09:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Tácito, descobri Wilson Martins e a sua maior obra, quando era estudante em São Paulo, na Faculdade Metodista em São Bernardo do Campo. Wilson escreveu a “História da Inteligência Brasileira” quando o país estava imerso na ditadura militar de 1964. Foi com essa obra que aprendi mais sobre o Brasil do que quase todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Tácito, descobri Wilson Martins e a sua maior obra, quando era estudante em São Paulo, na Faculdade Metodista em São Bernardo do Campo. Wilson escreveu a “História da Inteligência Brasileira” quando o país estava imerso na ditadura militar de 1964. Foi com essa obra que aprendi mais sobre o Brasil do que quase todos os livros que já tinha lido. O fato de sermos “palco morto” em relação ao Renascimento que explodia na Europa, o que nos atravancou para o Humanismo, foi um desses achados que Wilson nos ensinou. A natureza e raiz de um país autoritário (quem tem o mínimo de conhecimento sobre a nossa historia sabe disso) são explicadas didaticamente por Wilson nessa obra monumental. E como critico literário foi singular e brilhante quase que permanentemente.</p>
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		<title>Sobre Wilson Martins</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 19:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tácito, soube da morte do escritor Wilson Martins através de uma colega professora.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito, soube da morte do escritor Wilson Martins através de uma colega professora.</p>
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		<title>Morre o escritor Wilson Martins</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 14:49:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Tácito acabo de saber que morreu um dos maiores intelectuais deste país: o escritor e critico literário, Wilson Martins. Sua “Historia da Inteligência Brasileira” em 12 volumes, é desses livros que qualquer pessoa cultivada não pode deixar de ter e ler. Além de “História&#8230;”, Wilson é autor de “A idéia modernista”, “Crítica literária no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-13820" title="wilson martins" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/wilson-martins.jpg" alt="" width="150" height="199" />Caro Tácito acabo de saber que morreu um dos maiores intelectuais deste país: o escritor e critico literário, Wilson Martins. Sua “Historia da Inteligência Brasileira” em 12 volumes, é desses livros que qualquer pessoa cultivada não pode deixar de ter e ler. Além de “História&#8230;”, Wilson é autor de “A idéia modernista”, “Crítica literária no Brasil”, entre outros. Uma perda inestimável.</p>
<p>Textos do crítico <strong><a href="http://www.revista.agulha.nom.br/wilsonmartins.html" target="_blank">aqui</a></strong></p>
<p>***********</p>
<p><em>Pesquisei no Google. Somente dois blogs registraram a morte do crítico. O de Lívio Oliveira (<strong><a href="http://oteoremadafeira.blogspot.com/" target="_blank">aqui</a></strong>) e o Nilnews (<strong><a href="http://kiminda.wordpress.com/2010/01/31/morre-o-escritor-e-critico-literario-wilson-martins/" target="_blank">aqui</a></strong>). Os portais de notícias ainda não noticiaram, o que achei muito estranho. Quem informou a Lívio foi o escritor Miguel Sanches Neto, por e-mail. O jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, onde morava o escritor, traz curto texto sobre a morte (<strong><a href="http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=969160&amp;tit=Morre-o-escritor-e-critico-literario-Wilson-Martins" target="_blank">aqui</a></strong>).<br />
</em></p>
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		<title>Entendido</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 12:24:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Perfeito Marcos, valeu.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Perfeito Marcos, valeu.</p>
<p>Abs, Laurence.</p>
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		<title>A qualidade do produto</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 02:15:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Marcos, me desculpe mas sua resposta me pareceu um escape. Postular que o problema de Paulo é a qualidade do produto depois de dizer que “não devemos discriminar ninguém pelo fato de vender muito”, perceba, me parece um contrasenso. Se não devemos discriminar, então que se tenha a fila. E de fato é bom [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-13784" title="clarice" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/clarice-300x294.jpg" alt="" width="156" height="156" />Caro Marcos, me desculpe mas sua resposta me pareceu um escape. Postular que o problema de Paulo é a qualidade do produto depois de dizer que “não devemos discriminar ninguém pelo fato de vender muito”, perceba, me parece um contrasenso. Se não devemos discriminar, então que se tenha a fila. E de fato é bom que os escritores vivam do seu oficio. Não foi esse o caso de Lima Barreta, Cruz e Souza, Clarisse (<em>foto</em>) e tantos outros. Se tivéssemos menos preconceitos para com o que é nosso, e principalmente para o fato do escritor vender, talvez estivéssemos discutindo de uma forma mais livre.</p>
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		<title>Uma outra coisa</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 12:44:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Marcos, você tenta relativizar as cosias onde eu busco outro caminho. Mas leia a sua conclusão: se você mesmo disse que “não devemos recriminar ninguém pelo fato de vender muito”, qual o problema de entrar na fila do Paulo? Nesse caso, onde estaria o relativismo? Ou seria uma outra coisa? Sabe quantos escritores no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Marcos, você tenta relativizar as cosias onde eu busco outro caminho. Mas leia a sua conclusão: se você mesmo disse que “não devemos recriminar ninguém pelo fato de vender muito”, qual o problema de entrar na fila do Paulo? Nesse caso, onde estaria o relativismo? Ou seria uma outra coisa? Sabe quantos escritores no Brasil vivem desse oficio?</p>
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		<title>Para refletir</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 11:10:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com o lançamento de “O apanhador no campo de centeio” em 1951, Salinger vendeu 15 milhões de cópias. Hoje já ultrapassam os 40 milhões. Por ano, mesmo recluso, e sem sair de casa, o livro vende uma média de 250 mil cópias ano. Não precisou de nenhum organismo estatal para bancá-lo. Enquanto isso&#8230;
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o lançamento de “O apanhador no campo de centeio” em 1951, Salinger vendeu 15 milhões de cópias. Hoje já ultrapassam os 40 milhões. Por ano, mesmo recluso, e sem sair de casa, o livro vende uma média de 250 mil cópias ano. Não precisou de nenhum organismo estatal para bancá-lo. Enquanto isso&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Moisés e o monoteísmo &#8211;  para Monteiro</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 01:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Monteiro estou relendo sei lá já por quantas vezes “Moisés e o monoteísmo” desse gigante do século XX e imbatível a meu ver séculos afora, chamado Sigmund Freud. A capacidade de manusear um denso material articulando-o com suas premissas psicológicas é qualquer coisa de espantoso neste ensaio memorável.
Lembrei de você, Monteiro, claro, porque Freud [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-thumbnail wp-image-13705" title="freud" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/freud2-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />Caro Monteiro estou relendo sei lá já por quantas vezes “Moisés e o monoteísmo” desse gigante do século XX e imbatível a meu ver séculos afora, chamado Sigmund Freud. A capacidade de manusear um denso material articulando-o com suas premissas psicológicas é qualquer coisa de espantoso neste ensaio memorável.</p>
<p>Lembrei de você, Monteiro, claro, porque Freud trata brilhantemente no referido ensaio, do Faraó egípcio da XVIII dinastia, Akhenaton ou Amenófis IV, que no dizer de Brestead foi “o primeiro individuo da história humana”. Freud, como Judeu, percebe e atribui a Akhenaton o real e verdadeiro instituidor do primeiro monoteísmo na face da terra e não aos judeus.</p>
<p><span id="more-13702"></span>Partindo da premissa de que Moisés (Freud começa sua análise pelo nome Moisés que é de origem egípcia e não hebraica) era um egípcio, e de uma forma fenomenal tenta conduzir a idéia de que Moisés viveu como alto graduado na corte de Akhenaton e quando de sua morte – de Akhenaton (os egípcios não aceitaram a implantação de um deus único, no caso o Sol, e retornaram ao politeísmo após sua morte) deu prosseguimento à tentativa de impor o monoteísmo abortado, tomando os judeus como “o seu povo”. É fascinante. Essa escolha resultou segundo Freud na idéia de “um povo eleito”.</p>
<p>O ensaio, claro, é longo e genial. Haveria muito mais a falar. Freud irá perceber que o mérito de Akhenaton não foi apenas o de implatar com sua adoração ao Sol (no sentido simbólico e não material) uma nova religião e sim no que ele, Freud,  chama de “o fator da exclusividade de um deus universal”. É incrível e basta lermos o hino que Akhenaton compôs em homenagem ao deus sol “Ó tu, único Deus ao lado de quem nenhum outro existe” e enxergar as semelhanças com o (de forma quase idêntica, portanto, copiado) mesmo hino que aparece nos Salmos dos hebreus, ou seja, no velho testamento, já retransformado e dirigido agora a Javé.</p>
<p>A grandeza e a genialidade de Freud são fascinante mas que hoje parece a cada dia mais e mais fora de moda. É uma pena. Sua coragem, ousadia e amor à verdade (nos dizeres precisos de Erick Fromm), continuam calando fundo para quem se dedica aos seus escritos. Ainda sobre o fato de Moisés ser um egípcio e não um judeu, Freud começa citando o fato de alguns estudiosos, incluindo Breasted, terem chegado muito próximo dessa verdade ao reconhecerem que de fato o nome Moises era egípcio.</p>
<p>A questão onde esbarraram foi no passo seguinte que recuaram talvez diante da empreitada grandiosa. Foi preciso um judeu ateu destemido para ousar o que nenhum teve a coragem.</p>
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		<title>Salinger, influência e seguidores</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 01:10:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Interessante que esse sentimento de Tácito também reflete em mim, hoje. Na verdade o grande segredo de Salinger em “O apanhador no campo de centeio”, penso eu, foi ter usado o palavreado da juventude americana que começava a se rebelar no inicio dos anos 50 através do personagem adolescente Holden Caufield.
Nessa mesma década começava a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-13663" title="salinger" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/salinger1-226x300.jpg" alt="" width="156" height="208" />Interessante que esse sentimento de Tácito também reflete em mim, hoje. Na verdade o grande segredo de Salinger em “O apanhador no campo de centeio”, penso eu, foi ter usado o palavreado da juventude americana que começava a se rebelar no inicio dos anos 50 através do personagem adolescente Holden Caufield.</p>
<p>Nessa mesma década começava a explodir o rock e toda a rebeldia e que terminou resultando em Woodstock. Fazendo uso de gírias e expressões típicas da juventude americana “O apanhador” é sem duvida um grande livro contracultural.</p>
<p><span id="more-13661"></span>Incrível que hoje percebo que não há nada no famoso personagem de “O apanhador&#8230;”, que já não tivesse sido dito de uma forma muito mais elaborada e psicologicamente complexa por Dostoievski, por exemplo. Não estou tirando o mérito de Salinger, bem entendido, nem de O Apanhador, até porque eu gosto bastante do livro.</p>
<p>A inadequação de Holden Caufield ante a civilização (inadequação registrada por todo grande artista, diga-se, “A montanha mágica” de Thomas Mann é um exemplo claro) também se faz presente em Raskolnikov, ou se quiserem, em outro livro fundador da prosa moderna americana que é “As aventuras de Huckleberry Finn” de Mark Twain, livro que Hemingway tinha verdadeira adoração. Sem falar claro de As aventuras de Tom Sawyer também de Mark Twain.</p>
<p>No sentido de elaboração lingüística e de enredo, considero “Pra Frente com a Viga Moçada!” (de Salinger) bastante superior ao “Apanhador”, embora nem de longe tenha influenciado e alcançado o sucesso mundial que a estória de Holden Caufield.</p>
<p>Uns dos meus livros favoritos, nessa mesma pegada de personagens que se debatem com a civilização, hoje esquecidos, é “O lobo da estepe” e “Demian” do escritor alemão Hermann Hesse.</p>
<p>Bom, Salinger, certamente deixou seguidores, sem dúvida, como Jack London e o próprio Jack Kerouac. Recentemente, por indicação de um professor amigo, me dei ao trabalho de me aventurar na leitura de “Meus dias de escritor” do escritor Tobias Wolff (que estou inclusive para passar a frente em qualquer sebo da cidade) uma espécie de seguidor de Salinger, mas infinitamente distante do talento, brilho e do charme de salinger.</p>
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		<title>Viver é muito perigoso</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 22:03:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Tácito, participo de um blog em Mato Grosso www.prosaepolitica.com em que sua proprietária, Adriana Curvo, jornalista das  mais competentes e de fibra, e que por pensar de forma diferente do atual governo de Mato Grosso, está sendo processada pelo atual diretor do DNIT Luiz Pagot, indicado pelo governador Blairo Maggi (foto), ambos do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-13507" title="blairo jairo" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/blairo-jairo-196x300.jpg" alt="" width="168" height="257" />Caro Tácito, participo de um blog em Mato Grosso <a href="www.prosaepolitica.com" target="_blank"><strong>www.prosaepolitica.com</strong></a> em que sua proprietária, Adriana Curvo, jornalista das  mais competentes e de fibra, e que por pensar de forma diferente do atual governo de Mato Grosso, está sendo processada pelo atual diretor do DNIT Luiz Pagot, indicado pelo governador Blairo Maggi (<em>foto</em>), ambos do mesmo Partido o PR. O blog dela já sofreu censura e agora o dito, Luiz Pagot, entrou com uma queixa-criem pedindo a prisão de Adriana por não aceitar a “forma” como ela escreve. Mesmo de longe (embora já tenha prestado minha solidariedade e repúdio no blog dela, ao tipo de atitude absurda, autoritária, ditatorial e anti constitucional) presto mais uma vez minha solidariedade a blogueira aqui de longe. Sinceramente a cada dia e diante da atitude tomada por Luiz Pagot fico me perguntando que país é este. Pode ser que eu esteja enganado, mas não penso que seja um país com fundas raízes democráticas. Nem rasas, como diria certo escritor.</p>
<p>Cito uma das postagens dela, Adriana, onde ela fala sobre o processo e agora a queixa crime:<br />
“A juíza Flávia Catarina Amorim aceitou a queixa-crime feita por Luis Pagot, diretor do Dnit (aquele citado ontem pela Folha na Operação Castelo de Areia), contra mim. Pagot pede minha prisão, alegando difamação e injúria. Mais ou menos 3 anos e meio.<br />
Em julho do ano passado houve a audiência de conciliação. Foram quase três horas onde Pagot tentou, em vão, me convencer de não ser processada por ele. Lá o promotor de Justiça, esqueci o nome dele, só sei que é DJ também, queria discutir comigo a “forma” de da minha escrita. Veja bem: o ministério público estadual queria interferir na forma da escrita. Não aceitei, como também não aceitei a proposta feita pela justiça, de que tudo que eu escrevesse sobre Pagot, antes de publicar enviasse a ele para ser aprovado ou não. Agora a juíza recebeu a queixa. Eu terei 10 dias, a partir da notificação, para apresentar minha defesa. Estou aguardando o oficial de justiça.<br />
Esta será uma loooonga novela, talvez comece a andar mesmo já no tempo em Pagot diretor geral do Dnit, será apenas uma triste lembrança”.</p>
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		<title>A dívida</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 12:05:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era noite. Jonas atravessou a Estação Paraíso a passos rápidos. Sua ânsia de chegar ao bar “X” era contrastada apenas pelo silêncio e calmaria que a Avenida do Contorno apresentava. Já passava das 23 horas quando finalmente ele chegou ao local avidamente buscado.
O local apesar de pequeno, dava a impressão pela distribuição interna, de ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-13470" title="bar" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/bar-205x300.jpg" alt="" width="205" height="300" />Era noite. Jonas atravessou a Estação Paraíso a passos rápidos. Sua ânsia de chegar ao bar “X” era contrastada apenas pelo silêncio e calmaria que a Avenida do Contorno apresentava. Já passava das 23 horas quando finalmente ele chegou ao local avidamente buscado.</p>
<p>O local apesar de pequeno, dava a impressão pela distribuição interna, de ser maior do que realmente era. Dentro, ao todo havia apenas um balcão e oito mesas muito bem distribuídas. Três delas estavam vazias. O local, era arejado e limpo. Além do proprietário que ficava por trás do balcão, havia apenas um garçom que ficava circulando e levando os pedidos além de ficar limpando e retirando o que já havia sido consumido nas mesas. No canto esquerdo do salão, numa quase penumbra, ficavam instalados dois banheiros, com um desenho que indicava os nomes em letras garrafais por cima: HOMEM e MULHER.</p>
<p><span id="more-13469"></span>À parte central do local, onde ficava o grosso das mesas e o balcão, havia luz, mas nada que mostrasse uma irradiação própria desses bares que de longe já se percebe uma intensa claridade. Havia discrição no lugar, o que sem dúvida comungava com a personalidade do novo proprietário.</p>
<p>A porta principal que dava acesso ao interior do ambiente, era no estilo “salom” dessas em que se vê em filmes americanos de faroeste antigo. Era uma porta velha deixada assim propositalmente pelo dono, para lembrar o clima dos velhos filmes. Essa fora a única característica não removida, quando o local passou de mãos, saindo do antigo proprietário para o atual há pouco mais de um ano. No entanto, a porta contrastava com o tom e pintura nova e recente das paredes internas e externas do local. Como a parte de dentro era pequena, se alguém parasse à frente da porta “salom”, podia claramente ver quem estava instalado dentro do Bar.</p>
<p>Jonas que acabara de chegar, parou na entrada, ajeitou o pequeno embrulho que trazia na mão direita, ajustou os óculos finos, e parou. Retirou a capa preta ainda molhada pela fina chuva que caia naquela noite e ajustou-a no braço.  Em segundos, como em um flash back, lhe veio à mente a primeira e única vez em que estivera naquele mesmo local, também numa noite fria e chuvosa, quando contava com apenas sete anos de idade acompanhado do seu pai. Já fazia bastante tempo.</p>
<p>Jonas era alto e magro, mas não esquelético. A magreza sob um paletó cinza claro, escondia, na verdade, um corpo bem torneado e adequado ao peso, com peitos e músculos bem ajustados ao formato geral. Os óculos redondos e de armação fina, lhe dava uma dureza no rosto, cuja impressão final era a de um homem sério, pouco falante. Mas nada grosseiro. Jonas, na verdade, era um pai de família dedicado, casado há mais de vinte e cinco anos, cujo amor que parecia “escondido” para quem não o conhecia de perto, sob um olhar sério e até certo ponto distante, era devotado à esposa e aos três filhos, cujo zelo e autoridade eram mantidos dentro dos limites de um padrão antigo e dignamente cultivados. A classificação de um trabalhador dedicado e um marido e pai devotado, seria uma boa descrição.</p>
<p>Jonas passou o pequeno embrulho para a mão esquerda e com a mão direita foi abrindo aos poucos a porta do Salão, o que permitiu ir adentrando calmamente e com cuidado para o centro do Bar. Mais uma vez ajustou rapidamente os óculos. Olhou para o centro do bar e para o lado esquerdo do ambiente e viu as oito mesas que estavam espalhadas adequadamente.</p>
<p>Antes de encostar-se ao balcão, percebeu a única mesa que ficava afastada das demais, colocada exatamente na lateral esquerda de quem olha de frente para o balcão, de tal forma, que parecia mais escondida que amostra. Pela pouca luz que recaia sobre ela, quase não enxergou que era uma das cinco mesas que estavam ocupadas. Ele olhou novamente de soslaio, rapidamente, e percebeu quem nela estava.</p>
<p>“Era ele”, não teve dúvida. Apesar da penumbra e do olhar rápido estava certo. Aproximou-se do balcão. O proprietário com uma calvície acentuada, olhou para aquele cliente que pela primeira vez visitava o local, e rapidamente se apressou em colocar dois tipos diferentes de copos sobre o balcão, como quem indagando com o gesto, que tipo de bebida aquele freqüentador novato iria pedir. Jonas sem repousar no balcão o embrulho que se encontrava em uma das mãos, nem a capa de chuva no braço, pediu uma dose de Whisky, acrescentando “sem gelo”. Olhou mais uma vez de soslaio. Não tinha dúvida, “era ele”. Tomou o whisky de um só gole e pediu outra dose apenas acenando com o dedo para o copo. Foi nesse momento, que o proprietário sentiu certo “ar” de preocupação no novo cliente. Mas nada falou e apenas executou o pedido.</p>
<p>Depois de terminado o trago e antes de pedir a terceira dose, Jonas olhou de frente para o freqüentador na mesa que se encontrava na lateral do balcão. Havia pouca luz, sim. Mais uma vez ele não teve dúvidas. Calmamente agora, tomou a terceira dose, colocando também calmamente o copo sobre a mesa.</p>
<p>O proprietário do bar era um homem de estatura baixa, atarracado, com poucos cabelos na cabeça, penteados para trás, o que deixava a calvície à mostra. Comprara aquele bar, depois que vira nos jornais o anúncio de venda que o antigo proprietário expôs em um dos jornais da cidade.</p>
<p>Jonas pediu outra dose. Foi então que o novo proprietário perguntou: “Vem de longe?”. À pergunta feita levou Jonas a olhar fixamente para Manoel, o dono do bar.</p>
<p>Após alguns segundos, respondeu: “Sim, de muito longe”, mas o longe, na verdade, não era no sentido geográfico e sim no tempo.  “Alguma cidade próxima?”, arriscou novamente buscando levar à frente a conversa. Agora, no entanto, a resposta obtida foi o silêncio. Jonas começou novamente a tomar lentamente a outra dose de Whisky. Nesse momento como que tomado por um impulso começou a se dirigir à mesa lateral, onde apenas um único ocupante se encontrava sentado. Com o copo na mão, além do embrulho e da capa, aproximou-se e antes de sentar, perguntou com voz calma e serena: “posso?”, apontando para uma das cadeiras vazias na mesa.</p>
<p>Ao ouvir a pergunta o homem que mais parecia dormir, começou lentamente a levantar a cabeça, até fixar os olhos nos de Jonas. Olhou-o fixamente por alguns segundos, e sem nada dizer, apenas acenou com a mão estendida indicando a cadeira.  Era o gesto que Jonas esperava.</p>
<p>Sentou-se. Puxando uma das cadeiras vazias da mesa, colocou o embrulho e a capa de chuva sobre ela. O homem que estava sentado apenas acompanhou seus gestos. Na verdade, não esboçou nenhum movimento que indicasse alguma vontade de iniciar uma conversa.  Sua atitude fora puramente cortês, quase mecânica.</p>
<p>Jonas olhou-o demoradamente e perguntou: “Seu nome é Otacílio?”. Com um olhar frio porém distante, o homem não apresentou qualquer reação de surpresa. Ao contrário. Continuou impávido e apenas baixou e levantou suavemente a cabeça confirmando.</p>
<p>Vendo a imobilidade do homem, Jonas continuou: “o senhor não me conhece&#8230;mas eu sou filho de Francisco Duarte de Medeiros, e hoje eu vim aqui saldar uma dívida antiga”. Sem emitir mais nenhuma uma palavra retirou de dentro do embrulho sobre a cadeira, uma arma calibre 38 e despejou seis tiros a queima roupa no homem a sua frente.</p>
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		<title>Entrevista com o escritor Fernando Monteiro</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 17:10:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na visão do mais importante crítico literário da atualidade, o americano Harold Bloom, o mundo de massas, moderno, destruiu o gosto pela alta cultural, provocando um definhamento na prática e cultivo do mundo culto. Hoje cultivamos o pastiche. É uma opinião dura, mas nem por isso totalmente inverdadeira. O escritor pernambucano, Fernando Monteiro, autor de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-13339" title="Fernando Monteiro" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Fernando-Monteiro-203x300.jpg" alt="" width="203" height="300" />Na visão do mais importante crítico literário da atualidade, o americano Harold Bloom, o mundo de massas, moderno, destruiu o gosto pela alta cultural, provocando um definhamento na prática e cultivo do mundo culto. Hoje cultivamos o pastiche. É uma opinião dura, mas nem por isso totalmente inverdadeira. O escritor pernambucano, Fernando Monteiro, autor de diversos livros lançados, entre eles, romances como <em>Aspades Ets, Etc</em>, <em>Cabeça no Fundo do Entulho,</em> <em>A múmia do rosto dourado</em>, poemas como <em>Memória do mar sublevado</em> e <em>Eu vi uma foto de Anna Akhmatova</em> e biografias de <em>Thomas Edward Lawrence (Lawrence da Arábia) </em>e do faraó <em>Akhenaton</em> certamente que concordaria com o crítico. Nessa longa entrevista Monteiro mostra não só sua vasta cultura, como discorre sobre sua produção passada, presente (e futura), além de tecer comentários sobre a literatura feita no Brasil e no mundo. Provocado sobre suas discordâncias em relação a Ariano Suassuna e Paulo Coelho, Monteiro mostra porque não segue modismos literários muito menos baixa a guarda a patrulhamentos literários, que não tenham um crivo maior com consistência na escrita. A entrevista é um misto de erudição, inteligência e contundência crítica, e, em vários momentos de grande autocrítica. Divirtam-se e aproveitem.</p>
<p><strong>Laurence Bittencourt</strong> &#8211; Monteiro uma leitura atenta de “Vi uma foto de Anna Akhmatova” transmite a idéia de que você é um dos últimos representantes de um Humanismo perdido. É correta essa análise?</p>
<p><strong>Fernando Monteiro</strong> – Se o poema transmite essa idéia, certamente que ele está fazendo mais por mim do que eu mereço, Laurence. Não quero ser o moedeiro falso da modéstia empostada dos dias que correm, mas raciocino: é que a larga palavra usada na pergunta – Humanismo – se encontra inevitavelmente poluída em todos os corações &amp; mentes (incluindo a deste escriba, é claro) da desolada época de “homens ocos” em que caímos, com o sentido de grandeza – meramente humana etc – reduzida à sombra de uma sombra vista no escuro, entre “lágrimas na chuva”. Não é mais necessário o Homem (e, em conseqüência, o Humanismo)? E a Poesia – para um não só chocado como <em>vitimado</em> Walter Benjamim – não será ma is possível, de fato, “depois de Auschwitz”? Seja como for, fomos longe demais no “adeus a uma idéia” (aquele título do poema fúnebre do grande Wallace Stevens), na longa despedida a um modelo de cultura que se originou das peãs pagãs, cantadas em torno da fogueira grega de guerreiros sentados para ouvir o Poeta entre eles. Naquela época primaveril – de sangue, tempestade e alguns antecipados dias de vinhos e rosas –, cantava-se o fragor da batalha, um choque entre surdas nuvens fazendo cair uma folha amarela do outono grego sobre o branco colo de Ariadne. Onde está ela, agora? E onde ficou a visão de Beatriz, Margarida, Miracelli e Anna Akhmátova? Todas as vozes estão se reduzindo a um murmúrio – e não se ouve mais o Tordo, com o seu piar nublado pelo céu que chora nos olhos vazados de estátuas cegas por ácido. O falcão não atende mais ao falcoeiro – já denunciava Yeats, no seu sombrio poema de 1926 (“The Second Advent”). Desde então, entramos no Terceiro Milênio com a horrível sensação de que tudo está mais morto assim (vivo?), do que se o fogo já houvesse consumido o que a água poupou, no antigo dilúvio transformado numa espécie de filme-catástrofe (mal) dirigido por um James-Cameron-qualquer da vida. Enfim, “vôte!”, como se dizia antigamente&#8230;</p>
<p><strong><span id="more-13337"></span>LB</strong> &#8211; Por outro lado você  é muito ácido em suas análises sobre a produção cultural, por exemplo, feita no Brasil. Não há uma contradição entre esse humanismo poético mesmo nos romances e o Monteiro analítico?</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211;  O Brasil ainda é um Projeto. Um projeto de qualquer coisa na dobra de outras dobras. E não adianta escrever, criar, “forçar” para lhe dar uma espécie de mitologia de emergência (como faz o Suassuna), nem fingir que podemos nos dar bem com algum <em>pulo do gato </em>a fim de “entrar na barbárie da decadência sem ter passado pelo esplendor de algum Século Quinto de Péricles de Brasília” etc. Aqui nesta Pindorama, Péricles é somente o amigo do “amigo da onça”, e não o governante ateniense que imaginou a Acrópole como uma representação do mundo ideal suspenso na piscina do espaço. O Brasil é – ainda – raso como uma piscina vazia, apesar do Aleijadinho, de Machado e de Rosa e Villa-Lobos. Porém, somos capazes de perceber o Outro como nenhum outro povo é capaz de ver no espelho, espionando pelo periscópio na bruma da nossa cultura ainda incipiente, para dizer de modo delicado. E nenhuma linguagem – que não seja a (aposentada?) dos oráculos – será agenciadora de novas realidades futuras, enquanto baixarmos a cabeça para o fantasma por trás da máscara da “pós-modernidade” (por exemplo): o Holograma no lugar onde estava o Homem.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; Um pouco de história pessoal. Qual tua formação, me refiro a formação escolar mesmo e quais foram os livros que te formaram como escritor?</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211; Me formei em Sociologia, aqui no velho burgo Maurício. Para nada. Estudei Cinema (em Roma, de 1969 a 1971), para entender que não adiantava absorver teorias (e, mesmo, <em>práxis</em> gostosamente latinas da Itália), enquanto corria o risco de deixar de ver os filmes passando nas árvores, simplesmente. E não só os bosques do cinema da natureza eram importantes. Um trem (ou a sua janela aberta) também é uma lição do cinema, apreendida naquela maravilhosa síntese de Humberto Mauro: “Cinema é cachoeira”. E <em>é</em> mesmo! De modo que deveriam existir universidades formando cineastas de calção de banho baixo de Paulo Afonso, perto do Ninho das Águias do velho Delmiro Gouveia, o Lou co do Jardim. Na minha época, não havia (e ainda não há) o curso que teria me servido: o de Formação de Malucos Profissionais ou de Acendedores de Lampiões Inexistentes e/ou de Ícaros com Asas pregadas nas costas com cera inderretível (?) pelo Sol de agosto etc etc. Todos os livros que me ajudaram (mesmo os ruins)? Bem, destaco os bons, os excelentes, os maravilhosos “OS SETE PILARES DA SABEDORIA”, de T. E. Lawrence, e DOM QUIXOTE, de Miguel de Cervantes, TRISTRAM SHANDY, de Laurence Sterne, MADAME BOVARY, de Gustave Flaubert, MOBY DICK, de Herman Melville, OS IRMÃOS KARAMAZOV, de Fiodor Dostoievsky, JUDAS, O OBSCURO, de Thomas Hardy, O MORRO DOS VENTOS UIVANTES, de Emily Brontë, O CORAÇÃO DAS TREVAS, de Joseph Conrad, O GRANDE GATSBY, de F. Scott Fitzgerald, CONVERSAÇÃO NA SICÍLIA (ou &#8220;Gente da Sicília&#8221;), de Elio Vittorini, GRANDE SERTÃO: VEREDAS, de Guimarães Rosa, DOM CASMURRO, de Mac hado de Assis, DEBAIXO DO VULCÃO, de Malcolm Lowry, A VERDADEIRA VIDA DE SEBASTIAN KNIGTH, de Vladimir Nabokov, OS LOUREIROS ESTÃO CORTADOS, de Edouard Dujardin, a poesia de Leopardi, de Ungaretti, de Montale, de Pavese, do já citado Stevens e do ainda não citado Seferis e seus irmãos de ruínas (Palamas, Elytis, Ritsos, Kazantzakis), além dos poetas árabes de Andaluzia – Sevilha na minha alma não é mesma na “alma de porteiro” de Cabral – e seus sucessores, numa linhagem que vem bater em João – poeta que nunca me emocionou como sempre me emocionou Jorge de Lima, o alagoano que considero o maior poeta da língua portuguesa, ao lado de Luis de Camões (não admiro Fernando Pessoa, meu xará de alma pequena). E também devo a livros de arqueologia e história (destaco o monumental “A CIDADE ANTIGA”, de Fustel de Coulanges), e a romances policiais e até bons westerns – nunca-lidos no Brasil! – que resultaram em algumas obras-primas (de Ford, Mann, Ha wks, Delmer Daves, Dmytryck e outros), todos desprezados pelo armorialismo chato como uma sessão no dentista para tratamento de canal. Em tempo: a minha geração era tão reprimida que se excitava com a bula do “Regulador Gesteira” – que horror -, e havia filmes preto-e-branco cheios de abismos na fotografia, como se pode (re)ver no magnífico <em>Vagas Estrelas da Ursa</em>, cujo título Luchino Visconti foi buscar num poema de Leopardi. E ainda devo muito aos livros de&#8230;</p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; Seguindo essa mesma linha: como teve inicio sua carreira de escritor? Qual o primeiro livro lançado? Foi difícil?</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211; Comecei como poeta. Meu primeiro livro publicado foi MEMÓRIA DO MAR SUBLEVADO, um poema longo em três partes. Sempre gostei de poemas longos. Não tive o menor problema para lançá-lo: o livro saiu pela Editora Universitária (da Universidade Federal de Pernambuco), como separata da revista “Estudos Universitários”, em 1973. O ano é para se destacar, nesta resposta, porque foi antes da atual idade “petista” nas universidades, quando o partido saído do “coito maldito” (intelectuais X operários) tomou conta, por exemplo, das editoras universitárias – que passaram a publicar somente os textos medíocres do corporativismo assumido etc. Entenda-se: quando o meu primeiro livro foi publicado pela EU (a editora), eu não era nem do corpo discente nem docente da UFPE. Tinha 23 anos, e vivia – como meu pai dizia – “com a cabeça nas nuvens”. Meu único título era o de <em>poeta jovem</em>, sem eira nem beira. Meu pai tinha razão, mas eu fui editado nessa era pré-petista de universidades abertas para a cultura e a vida. Hoje em dia, elas estão fechadas para tudo que não seja rasteiro como uma plantação de mandacurus-anões&#8230;</p>
<p><strong>LB</strong> – Monteiro, há em alguns dos seus livros, uma espécie de deslocamento do nosso mundo, quase diria um certo desconforto com o nosso tempo. O seu interesse pelo mundo antigo, o Egito, por exemplo, o seu interesse por Akhenaton, a que se deve? Esse interesse pela Historia, é parte da composição literária, ou seja, ajuda na composição literária? De que forma você analisa esse dado?</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211; Acho que você acerta na mosca. Sou um estranho no ninho, um ET desambientado que não sabe tomar banho nas piscinas vazias do piscinão chamado Terra em Transe de Vera Cruz. Temos, entretanto, tudo para dar certo no século 21 (a partir da alma em branco), o que só será paradoxal para os burrinhos que nos cercam como as águas cercam as ilhas. Ficção das ficções, o Brasil ainda é uma esquina que nos espera na volta da Junqueira Aires (a avenida de Cascudo, rumo ao mar invertido do céu), enquanto aqui em Pernambuco se desce uma rampa na companhia sub-aristocrática de Gilberto Freyre, ainda. Gentes, mares, céus, ilhas. Não acho que “homem nenhum é uma ilha” ou que “és responsável por todo aquele que tu cativas” e todas as frases repetidas pelos Marcos Vilaças (e outros Vilaças da vida), em discursos de chás e Academias. Aliás, eu abomino toda e qualquer academia – exceto as de ginástica, que modestamente ensinam a prevenir barriga de chope e vícios de postura. As outras são imposturas (a começar pela ABL, infelizmente fundada por um gênio inseguro: Joaquim Maria Machado de Assis).</p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; Você já  chegou a mencionar em uma de suas entrevistas que se sentia “envergonhado do artificialismo da literatura”. Ao contrário do critico de literatura americano Harold Bloom você não acha que a literatura seja uma porta para a salvação e traga em si caminhos para se adquirir sabedoria?</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211; Nada é pior do que poesia – quando não é Poesia. Portanto, nada é pior do que literatura – quando não é Literatura. Foi isso o que eu quis dizer (e pensei que havia sido claro, mas, obviamente, não o fui). Ou seja, quando a arte é exercida com o pleno domínio de intenção (em cada caso etc), servida do talento mais aprimorado possível, então ela é via de conhecimento, revelação e expansão da consciência acima de tudo. Só isso.</p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; Um traço marcante em seus livros, como por exemplo em <em>Aspades</em>, <em>Cabeça no Fundo do Entulho,</em> <em>A múmia do rosto dourado, </em>para ficarmos nesses, é a de uma literatura do fragmento, da não linearidade narrativa. Os franceses têm uma expressão para esse tipo de construção que eu acho interessante: bricolagem. Esse tipo de narrativa lembra de alguma forma o James Joyce de <em>Ulisses</em> e <em>Finnegans Wake</em>. Você confirma a influência de Joyce em teus escritos?</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211; Prefiro o mestre de Joyce, Edouard Dujardin. Foi esse francês esquecido quem ensinou Joyce a tentar investigar a realidade daquele modo que o talentoso irlandês transformou, em parte, numa chatice. Gosto do Joyce pré-“Ulisses” – e acho que ele não entendeu toda a lição de Dujardin (pelo menos em <em>Os loureiros estão cortados</em>, que é de 1888). E, sim, Joyce ainda tinha outro grave defeito: acreditava que era Joyce!</p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; O incrível em sua produção artística é vermos que você trabalha tanto a poesia, o romance quanto o teatro. Em qual delas você se sente mais confortável?</p>
<p><strong>FM</strong> -  Na poesia. Se eu fosse “proibido” – por Deus (o único que poderia fazê-lo) – de escrever em mais de um gênero, certamente eu faria o seguinte “negócio” com o Pai Eterno: “Senhor, me deixe continuar escrevendo poemas, que tudo estará beleza etc”. E, caso Ele não permitisse, eu seria expulso do paraíso da prosa, do teatro e do cinema, mas continuaria a escrever versos no meio do inferno da poesia.</p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; Dito de uma outra forma: em qual o gênero literário que você classifica os seus romances? Que tipo de romance você produz?</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211; Eu produzo com certeza um híbrido de ficção, documentário, delírio e biografia (incluindo a “auto”). E isso não é muito bom. Melhor é escrever como estão escrevendo alguns “novos” surgidos no mercado do livro: vieram para cortejar o espírito do tempo, fazendo a pirueta requerida, seja qual for a “muganga” do momento. (Ah, que bom ter escrito a velha palavra “muganga”! Há muito tempo não a usava – e acho, até, que a maioria já nem sabe o que ela significa. Não vou me dar ao trabalho de explicar, entretanto. Quem acompanha o evoluir da “arte-twitter” (???) sabe a quais “mugangas” freirianas eu estou me referindo&#8230;)</p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; Já que você trafega em gêneros múltiplos o que você diz sobre o conto? Já arriscou ou prefere mesmo o romance?</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211; Tenho um livro de contos – <em>Armada América </em>(Editora W11/Francis, São Paulo, 2003) – que ficou entre os cinco finalistas da categoria, no Prêmio Brasil/TELECOM de 2004. E estou um livro inédito de histórias curtas, para publicar neste ano. O título é <em>Oxford Hotel </em>e conta com 14 narrativas.</p>
<p><strong>LB </strong> &#8211; Uma curiosidade: você lançou seu primeiro romance, <em>Aspades Ets, Etc.,</em> em Portugal. Por que Portugal? Lançar livro de estréia no Brasil é mais difícil?</p>
<p><strong>FM </strong>- Tive esse livro recusado por algumas editoras daqui de Pindorama, mandei para uma das maiores editoras de Portugal – a Campo das Letras – e, em menos de seis meses, estava publicado lá, pelo editor Jorge Araújo. Ele promoveu o lançamento, em dezembro de 1997, em Lisboa e no Porto, com passagens aéreas e hospedagem para mim e minha esposa em “ambas as duas” cidades (como diria o acadêmico da Academia Alagoana de Letras, Fernando Affonso Collor de Melo), e ainda ontem o Substantivo Plural estava dando notícia da presença do <em>Aspades</em>, ainda, nas “montras” e nos balcões portugueses (com foto e tudo, no SP). Fiquei feliz.</p>
<p><strong>LB </strong> &#8211; Você acredita que todo romance tem que ser escrito com alguma função – seja ela social, moral &#8211; que não o entretenimento, ou o romance de entretenimento cabe?</p>
<p><strong>FM </strong>- O romance, como toda forma de arte, deve ser utilizado (além do terreno puramente do entretenimento pueril) como meio de expressar a Realidade – seja clara ou oculta. Quero dizer, como um lampejo no inconsciente ou no – chamado – consciente de cada ser humano interessado em se comunicar, artisticamente, com outro humano. Simples assim (não posso pensar em conceituação mais simples do que essa). O resto é resto. Ou melhor, o resto é silêncio, ainda. Um silêncio ensurdecedor.</p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; Monteiro você tem se caracterizado como um dos escritores que mais tem combatido a escrita de Ariano Suassuna e Paulo Coelho. Por quê? Explica isso melhor.</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211; Paulo Coelho não é um escritor. Ele junta palavras (mal), encontrou um filão que o tornou “popular” numa época em que “encontrar um filão” é mais importante (porque <em>mercadológico</em>, pra começar!) do que expressar qualquer tipo de verdade rasa ou profunda. Ainda assim – ou por isso mesmo – ele não faz o mal que, por exemplo, faz um Ariano Suassuna, verdadeiro escritor e intelectual que, nas suas preocupações chauvinistas com a pátria e a cultura nacional, beira a fronteira de uma visão fascista (o que horroriza os espíritos livres). Ariano é um conservador obscurantista, que tem grandes recursos de “clown” – e eu admiro isso -, porém nunca estarei na fila da frente (nem na de trás) das suas “au las-espetáculos”, rindo das mesmas piadas que ele conta centenas, milhares de vezes, com sotaque treinado e roupa de algodãozinho esmeradamente folclórica na costura. Para quem gosta, é um penico cheio. Eu não gosto. Não gosto da encenação “sertaneja” (Ariano é tão urbano, biograficamente, verdade, quanto um Supla), nem concordo com as posições – ex-monarquistas, de apoio ao general Euler Bentes na presidência da República, contra Chico Science etc. É uma visão estreita que, na cultura, faz muito mal. E, na gestão cultural, pior ainda. Espero estar explicando minhas “diferenças” com o viés suassunesco quadernoso da Onça Malhada do Sertão, pela última vez. Todos me perguntam isso, como se Ariano devesse ser uma unanimidade, um velhinho obrigatoriamente querido e tudo o mais. Com todo respeito, discordo – e desconfio – dele e das suas tolas diatribes contra a arte contemporânea, urbana, o Rock, Bossa Nova, Tom Jobim, a Tropicália, parang olés e outras graças. E não vou deixar me intimidar pelas Juventudes Arianas (ou pelas Senhoras Fascistas da Pedra do Reino) que <em>adoram</em> o escritor fanhoso. Eu não “adoro”, e tenho direito a isso – como a J.A e as S.F.P.R também têm o direito de até beijar o chão que Suassuna pisa com aquelas alpercatas compradas em Taperoá, para melhor efeito geral da sua pessoa.</p>
<p><strong>LB </strong>- Você compõe suas estórias a partir do real, ou literalmente você cria usando apenas a imaginação?</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211; Uso o real, a imaginação, o sonho, a topada no dedão do pé, a lembrança da cor da calcinha da primeira professora do ginásio, as “lembranças” – mesmo falsas – que nos oferece a ilusão do cinema, mais a paisagem, o concreto e os rios de águas heracliteanas, assim como os aeroportos (gosto muito de avião e de aeroporto, ao contrário de muita gente) e as cidades, visíveis e invisíveis. A vida é para ser usada. Não necessariamente para servir de base ou ponto de partida para filmes, peças ou romances (conforme julgava o idiota do Hemingway), porque não há decreto algum determinando que se plante uma árvore, se faça um filho ou se escreva um livro (nada mais ridículo do que as mui bem intencionadas frases de almanaques, nesse estilo). Além de usada , a vida não é para ficar parecida com um nenhum lençol lavado com Omo – que, aliás, não garante brancura alguma. A brancura só interessava ao Nacional-Socialismo das juventudes hitleristas.</p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; Monteiro você  também escreveu biografias. Por que a escolha de Lawrence da Arábia?</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211; Thomas Edward Lawrence  (1888-1935) foi um Hamlet moderno, um dos maiores talentos entre os maiores “orientalistas” ingleses da primeira metade do século XX e um dos homens mais atormentados de qualquer tempo. Escreveu uma autêntica e indiscutível obra-prima (<em>Seven</em> <em>Pillars of Wisdom</em>, publicado em 1926 – em edição particular – e em 1935, em edição pública), e viveu, talvez, a mais extraordinária aventura do século passado, no Hedjaz, entre 1916 e 1918. Dois anos de ação, pensamento e abismos. Acho que é o bastante para despertar o interesse de qualquer um, não?</p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; Você também chegou a escrever um pequeno texto sobre a figura do Faraó Egípcio Akhenaton, considerado por alguns estudiosos, Freud inclusive, como o iniciador do monoteísmo na história humana? Por que, objetivamente, o interesse por Akhenaton?</p>
<p><strong>FM</strong> -  Muito simples: assim como T. E. Lawrence foi uma das mais interessantes figuras do mundo moderno, em Akhenaton – o faraó também conhecido como Amenófis IV – nós temos uma das mais intrigantes figuras da Antiguidade, como líder-reformador espiritual (o primeiro monoteísta da História) e governante no período de maior brilho da longa sucessão de faraós, no Egito. Me larguei para lá, em 1983, a fim de estudar a reforma religiosa promovida por esse enigmático rei da 18ª Dinastia, e não me arrependo: o processo dessa aproximação interessa ao meu próprio espírito, ainda, e continua em curso, dentro de mim, mercê de figuras tão díspares (e afastadas no tempo) como o inspirado rei de Amarna e o desconcertante Lawre nce da Arábia (ele detestava o apelido popularizado pelo jornalista Lowell Thomas). Mas, há outros que também me interessam, e sobre os quais ainda não escrevi.</p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; Por que é  tão difícil de se viver de literatura no Brasil?</p>
<p><strong>FM</strong> -  Eu diria que é difícil <strong>viver</strong> – de literatura ou não – na terra Brasilis. Para não parecer que fujo à pergunta, eu acrescentaria que é difícil “viver de literatura”, sim, num país como o nosso, no qual a média de leitura, por pessoa, atualmente é de um livro por ano para cada tupiniquim que somos (todos), com saudade do carnaval quinhentista no qual, num dia de sol, comemos o coitado do bispo Sardinha cozinhado em banho-maria na beira da praia dos naufrágios.</p>
<p><strong>LB</strong> &#8211; Para terminar: como você vê o panorama da literatura brasileira na atualidade?</p>
<p><strong>FM</strong> &#8211; O panorama? Bem, eu o vejo como o Arthur Miller via: <em>debaixo da ponte</em> (e aqui no Recife tem muitas)&#8230;</p>
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		<title>Terremoto no bom senso</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 19:03:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Apesar de o nosso presidente ter pedido para adotar o Haiti, até agora não mandou ninguém (a não ser os soldados que já estavam a serviço da ONU, portanto ele não mandou, deixou lá). O Rio Grande do Norte não se fez de rogado e mandou HUM soldado da força nacional de segurança. Mas mandou. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de o nosso presidente ter pedido para adotar o Haiti, até agora não mandou ninguém (a não ser os soldados que já estavam a serviço da ONU, portanto ele não mandou, deixou lá). O Rio Grande do Norte não se fez de rogado e mandou HUM soldado da força nacional de segurança. Mas mandou. Isso mostra o nível da nossa preparação para uma guerra. Nossa governadora realmente merece o titulo de guerreira&#8230;da paz. Enquanto isso os americanos enviaram 10 mil soldados e 800 médicos (evidentemente deve ter sido do SUS americano). Este número, 10 mil soldados, é maior do que todo o contingente das forças armadas no RN. Lula-Alá, ainda não se conscientizou da nossa insignificância.  O nosso presidente na ânsia de aparecer para o mundo, aceita até sair vestido de baiana.</p>
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		<title>O Pai do mundo e o Haiti</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 10:51:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O pai do mundo perdeu a voz e ficou rouco de tanto ouvir (como dizia Benedito Valadares, interventor de Minas Gerais no tempo da ditadura de Vargas)  durante a tragédia de Angra dos Reis. Agora, com o terremoto no Haiti, o pai do mundo recuperou a voz e resolveu adotar o país vitimado. Doou, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O pai do mundo perdeu a voz e ficou rouco de tanto ouvir (como dizia Benedito Valadares, interventor de Minas Gerais no tempo da ditadura de Vargas)  durante a tragédia de Angra dos Reis. Agora, com o terremoto no Haiti, o pai do mundo recuperou a voz e resolveu adotar o país vitimado. Doou, em nome dos brasileiros (lembrar que o pessoal do Bolsa família ficou de fora), 15 milhões de dólares para as vitimas. A Comunidade Econômica Européia, da qual fazem parte os países atrasados e pobres, Alemanha, Áustria, França, Holanda, Portugal, Itália, doaram  apenas 3 milhões de euro. Alguma coisa está errada.  Não é pai do mundo?</p>
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		<title>Zilda Arns, uma dama especial</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 01:14:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Zilda Arns só conviveu com os pobres,  aliás miseráveis, mas só andava elegantemente trajada. Nenhum traço de demagogia.  Ela não era uma guerreira, era uma dama, mas seu legado é o que foi importante.  Ela executava, não falava. Ela não prometia, fazia.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-13130" title="zilda arns" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/zilda-arns-300x300.jpg" alt="" width="101" height="101" />Zilda Arns só conviveu com os pobres,  aliás miseráveis, mas só andava elegantemente trajada. Nenhum traço de demagogia.  Ela não era uma guerreira, era uma dama, mas seu legado é o que foi importante.  Ela executava, não falava. Ela não prometia, fazia.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O que dizer?</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 17:19:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Considerado um dos países mais pobres do planeta, o Haiti vive imerso e atolado em guerras tribais, falta comida, falta água, falta tudo. Falta civilização. Uma miséria completa. Agora vem o terremoto. O que dizer? O que dizer? Solidariedade basta?
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Considerado um dos países mais pobres do planeta, o Haiti vive imerso e atolado em guerras tribais, falta comida, falta água, falta tudo. Falta civilização. Uma miséria completa. Agora vem o terremoto. O que dizer? O que dizer? Solidariedade basta?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ingênuo ou mal intencionado?</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 20:01:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Tácito, o meu texto “Para que servem os vereadores?” publicado aqui no SP no dia 08/01/10, foi transcrito pela jornalista Eliana Lima em um de seus espaços na Tribuna do Norte on line, o que muito me honrou e me deixou feliz e penso ser uma mudança positiva na forma de tratar a coisa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-12952" title="nei lopes jr" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/nei-lopes-jr-300x285.jpg" alt="" width="132" height="126" />Caro Tácito, o meu texto “Para que servem os vereadores?” publicado aqui no SP no dia 08/01/10, foi transcrito pela jornalista Eliana Lima em um de seus espaços na Tribuna do Norte on line, o que muito me honrou e me deixou feliz e penso ser uma mudança positiva na forma de tratar a coisa pública. O texto transcrito pela jornalista recebeu (até onde eu vi) 25 comentários, e quase totalidade concordando com as idéias escritas no artigo.</p>
<p>O curioso foi o fato do vereador Ney Lopes Jr. (<em>foto</em> ) e do Sr. Jean Paul Prates terem se manifestado contra o que ali estava escrito. Ney Jr., além de não concordar com o “o conteúdo” do texto fez um convite para que eu acompanhasse um dia de trabalho de um vereador. Já o Sr. Paul Prates chamou o texto de “pueril”. Da minha parte me senti honrado com a classificação de pueril (apesar dos mais de 22 comentários a meu favor), pois é algo próprio das pessoas de espírito jovem e que tem ideal e amor pelo país.</p>
<p>Uma boa tradução para pueril seria “ingênuo”. Gostei, pois reafirmou em mim a convicção de que na Câmara não tem vaga para ingênuo.</p>
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		<title>Ainda sobre música popular e erudita</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 02:08:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Marcos, é claro amigo velho que o alto nível se encontra em você também. Talvez mais do que em todos nós. Fique certo. A admiração pela sua cultura eu já disse em email pessoal e aqui idem. E agora novamente. Mas olhe aqui, tomando como base sua própria declaração: “É possível que a experiência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-12897" title="freud" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/freud.jpg" alt="" width="100" height="150" />Caro Marcos, é claro amigo velho que o alto nível se encontra em você também. Talvez mais do que em todos nós. Fique certo. A admiração pela sua cultura eu já disse em email pessoal e aqui idem. E agora novamente. Mas olhe aqui, tomando como base sua própria declaração: “É possível que a experiência do sensorial seja anterior à lógica, o que não as opõe nem elimina uma das duas necessariamente”. Sem dúvida que não elimina e é claro que é anterior. O próprio Freud (<em>foto</em>) como bom burguês tinha lá sua neurose com música, logo ele que foi o descobridor do principio inconsciente da sexualidade, porque a música nos pega pela sensualidade. Isso é sensório. A minha idéia foi mostrar que a música erudita quase que aprisiona a sensualidade que é algo sensório construindo-a pelo aspecto abstrato, quase diria espiritual, lógico (que foi o termo que usei), intelectual. Nesse sentido ela é superior a popular, tanto que não atinge as massas que ainda estão no nível do sensório, do primitivo. Ora, a meu ver isso é claro, há essas separações. O que não significa que haja exclusão, tanto que o quem faz sucesso é a musica popular e não a erudita. O que você pleiteia, legitimamente é o espaço para as duas, e há. O que eu tentei mostrar foi outra coisa. O que eu tentei mostrar, é que a musica erudita é superior a popular. O que não significa invalidar a popular ou que não haja espaço para ela. O espaço para a música erudita é que é pouco, restrito (que você mesmo cobra como acesso maior para as massas), mas que eu, particularmente não acho que ela desça até as massas, porque a massa é sensório puro. Era isso, meu querido. E claro que você é um dos nossos mestres, sempre.</p>
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		<title>Música, PF e SP</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 14:19:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Marcos tudo que você escreveu cabe. Mas meu viés foi outro. Perceba. O sensorial é muito anterior ao nascimento da lógica. Há elitismo nisso? Sem dúvida. Há exclusão? Sim. Mas não do lado da música erudita. Pego um trecho do seu post: “A Música dita Popular obedece a regras de duração, audição e reprodução [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-12862" title="papo furado" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/papo-furado1-300x225.jpg" alt="" width="163" height="122" />Caro Marcos tudo que você escreveu cabe. Mas meu viés foi outro. Perceba. O sensorial é muito anterior ao nascimento da lógica. Há elitismo nisso? Sem dúvida. Há exclusão? Sim. Mas não do lado da música erudita. Pego um trecho do seu post: “A Música dita Popular obedece a regras de duração, audição e reprodução muito diferentes da Música dita Erudita (frequentemente não segue leitura de pauta, valoriza variações e improvisos)”. Foi esse o meu caminho. Por falar nisso, gostei muito de você ter acentuado o alto nível de debate com Jairo, porque considero o espaço criado por ele, o hoje intitulado “Papo Furado” um dos melhores locais para se discutir altas arte e mesmo a não alta arte. Jairo como todo sujeito civilizado é democrático. Sempre que posso tenho ido lá, mas sinto falta de mais freqüentadores. Assim como o Substantivo o Papo Furado pode ser sim um lugar alternativo aos bares das chamadas colunas sociais e futricagens. Concordas?</p>
<p>P.S. Espero que ninguém me diga que há outros bons locais além do Papo Furado (<em>foto</em>). O Canto do Mangue citado outro dia pelo nosso João da Mata, é um exemplo. Essa ausência de frenquentadores (toc, toc, toc) já fez Jairo me confidenciar seu desejo de voltar a Recife. Insisto: assim como o SP espero que o PF se consolide.</p>
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		<title>Sobre o comentário de Demétrio</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 13:38:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Concordo inteiramente com as palavras de Demétrio sobre o talento de Charles. E também faço coro pelo romance. Mas o texto de Demétrio, sugere outras coisas mais, por viés, que me fez pensar em como o SP e Tácito (não só por ser o timoneiro) estão fazendo história. Por que digo isso? Além de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo inteiramente com as palavras de Demétrio sobre o talento de Charles. E também faço coro pelo romance. Mas o texto de Demétrio, sugere outras coisas mais, por viés, que me fez pensar em como o SP e Tácito (não só por ser o timoneiro) estão fazendo história. Por que digo isso? Além de um espaço alternativo de alto quilate para discutir tudo, ele (o espaço) tem propiciado abertura para receber textos literários, de criação literária, de forma acolhedora, coisa que rarissimamente, e bote rarissimamente nisso, os nossos chamados jornais diários, tradicionais e até diria revistas (algumas) também, não dão ou não querem propiciar esse espaço. Torço muito para a consolidação do SP e todos os níveis, para inclusive no futuro, quem sabe, termos lançamentos de livros dos melhores textos, ou mesmo dos textos literários publicados aqui. Um segmento poderia ser “os melhores contos”. Essa abertura e esse espaço (como local alternativo aos outros meios) vieram em boa hora. Parabéns.</p>
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		<title>O poeta e eu</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 15:49:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tácito mandei esse post para Jairo que publicou no blog dele seguido de um post scriptum. O PS dele está em negrito, como não soube colocar aqui, faça isso, por gentileza. Remeto agora os dois para o SP. Segue:
O poeta, escritor e publicitário pernambucano, residente em Natal, Jairo Lima, assim como eu, acredita que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-large wp-image-12783" title="concerto musical" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/concerto-musical-510x382.jpg" alt="" width="217" height="162" /><em>Tácito mandei esse post para Jairo que publicou no blog dele seguido de um post scriptum. O PS dele está em negrito, como não soube colocar aqui, faça isso, por gentileza. Remeto agora os dois para o SP. Segue:</em></p>
<p>O poeta, escritor e publicitário pernambucano, residente em Natal, Jairo Lima, assim como eu, acredita que o trabalho intelectual é algo superior ao uso do trabalho sensório per si. Vou tentar explicar, antes que me acusem de alguma obscenidade, mesmo que quem o faça não saiba que está ofendendo mais a si do que a mim. Aliás, foi Freud quem disse certa vez que quando Pedro fala de João, está falando mais de Pedro do que de João. Deu para entender? Não? Então, deixa pra lá, paciência. Na verdade, isso é outra história. Deixemos Freud, e voltemos a Jairo.</p>
<p><span id="more-12781"></span>Jairo é fã de música erudita. Eu também. As identificações param ai. Exemplo? Jairo ensinou música erudita, eu não. Bom, mas música erudita obviamente não é a mesma coisa que música popular, que é o que eu quero falar aqui. A música popular é feita ou pode ser feita (composta, para usar o jargão) por qualquer analfabeto musical, já a música erudita não. A musica erudita é música construída com base no refinamento intelectual, conceitual, faz uso da cultura intelectual e da lógica. Sem lógica, não há musica erudita, sem o uso do intelecto não há musica erudita, por isso ela é superior. Já a música popular, não. Essa é intuitiva e vive do sensorial. Freud explica, mais uma vez.<br />
Mas vejamos outro exemplo: o rock por exemplo, é sensório puro. Qual a diferença entre a gritaria musical do rock and roll e a gritaria de Hitler discursando? Nenhuma. Ambos fizeram sucesso. Alguns até ainda dizem que fazem. O problema é que não há na “mensagem” deles apelo ao intelecto, não há apelo ao refinamento, que precisa da lógica, logo, a cultura do rock and roll e os discursos de Hitler são não só anteriores a cultura intelectual como inferiores. Deu para entender? Se não, então é melhor desistir e continuar tocando a sua cultura inferior. Ou se preferir, com o seu rock and roll.</p>
<p>Estou dizendo isso, para tentar raciocinar porque que uma música baiana que não nos diz absolutamente nada, consegue vender milhões, e levar multidões atrás de um trio elétrico e a 3ª sinfonia de Beethoven que é uma das coisas mais geniais que alguém já compôs, não conseguir absolutamente nada em relação à massa? Por quê? Há outras músicas eruditas, óbvio, mas fiquemos nessa do nosso Beethoven.</p>
<p>A música popular nos pega não pelo intelecto, e sim, pelo estímulo imediato. Sem mediação. Já a música erudita exige análise, conceituação, exige trabalho mental.</p>
<p>A musica popular não exige nada. Por isso que alguns &#8211; Jairo e eu, por exemplo -, acham que a música popular é pura alienação. E é. Mas não no sentido marxista, bem entendido, porque a música erudita é refinamento, e marxismo não é. Sei que é assim, e não quero explicar isso agora, talvez no futuro.Talvez.</p>
<p>O certo é que a música moderna acabou com a música erudita. Entre os assassinos se encontra também a música erudita moderna. Jairo explica. Se quiser saber por que é só marcar uma prosa (erudita) com Jairo Lima no Bar Papo Furado que fica no Mercado de Petrópolis, na Hermes da Fonseca. Você irá sair de lá, com cancha de perito em musica erudita. Pode se gabar.</p>
<p>************</p>
<p><strong>Comentário de Jairo Lima</strong>, <strong>do blog Papo Furado</strong><br />
<strong><a href="http://www.papofurado.org/" target="_blank">http://www.papofurado.org/</a></strong></p>
<p>• Querido e corajoso amigo, vc comprou uma briga sem tamanho com um bando de analfabetos musicais que, em nome do politicamente (argh!) correto afirmam candidamente que os sapos são iguais aos navios porque são vistos sempre próximos à água. Moliere, em frase lapidar de sua peça &#8220;As Sabichonas&#8221;, fala dos que, para se mostrarem iguais aos gênios, imitam-lhes o modo de escarrar. Os shoppings intelectuais estão cheios destes cuspidores que, falseando a mais elementar verdade, tiram do povo a possibilidade de  acesso aos bens culturais superiores (superiores, sim, vocês podem estourar de raiva, mas são superiores, sim) sugerindo que a arte popular é tão importante quanto a suposta, para eles, arte erudita. Ou que, simplesmente, não existe diferença entre Meu Limão, Meu Limoeiro e a Tocata e Fuga em Ré. A tchurma confunde, deliberadamente, arte, artesanato, ritos sociais tradicionais, indústria do entretenimento, o caralho a quatro; botam tudo num mesmo saco e sentam em cima. São os defensores da &#8220;cultura&#8221; este tudo que é nada. Assim, é só deixar o povo como está. Pobre, explorado,  submisso e, sobretudo, ignorante. Afinal, para que se esforçar se futebol é arte, jogador é herói, motorista de carro de corrida é gênio e Michael Jacson foi o mais importante fenômeno  artístico do século passado? Ou seja: para que estudar, ou fazer qualquer outro esforço intelectual se já nascemos institivamente habilitados para o usufruto das mais ricas benesses do espírito? E esta turma, reaça e conservadora, pasme, posa de esquerda. Combine isto com governantes analfabetos e o resultado é a consagração institucional deste abestalhamento abissal que nos retira da penumbra contemplativa do teatro para a vulgaridade ensolarada e participativa do circo.</p>
<p>P.S. Quer fazer um teste? Pergunte a um abestalhado destes, sem dar tempo para ele consultar a Wilkipedia o que é uma fuga. E depois me diga. <strong>(JL)</strong></p>
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		<title>O escritor</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 23:55:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Tácito, eu não me engano, a primeira vez que eu coloquei os olhos em um texto de Phelan senti que ali era um escritor diferenciado, ou como disse Tânia Costa, um perito, alguém que sabe escolher as palavras com o cuidado e acuidade. De um profissional. Charles não é só um contador de história [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Tácito, eu não me engano, a primeira vez que eu coloquei os olhos em um texto de Phelan senti que ali era um escritor diferenciado, ou como disse Tânia Costa, um perito, alguém que sabe escolher as palavras com o cuidado e acuidade. De um profissional. Charles não é só um contador de história (algo que define um escritor) mas usa a criatividade ao contar a história. Isso é dificílimo. Sabe criar cenas, gerar tensão, provocar o leitor e conduzi-lo através de um enredo intricado. Com um final sempre surpreendente. E isso dentro de um ritmo como quem está montando um quebra-cabeça, com cadencia e escolhendo ou buscando escolher as palavras certas. Isso é profissionalismo. Isso é ser escritor. Do mais alto nível. Da melhor estirpe.</p>
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		<title>A próxima</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 17:08:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laurence Bittencourt</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Valeu Gustavo, a próxima será aqui.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Valeu Gustavo, a próxima será aqui.</p>
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