Escreva, clique aqui. Usuário cadastrado clique aqui.

31 de agosto de 2010

Da Nação Potiguar

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Repasso a mensagem de Joel Carvalho, que indica os links no youtube de nossa apresentação musical na SBPC/2010 (Da Nação Potiguar).

Comentários serão muito benvindos.

Abraços:

Para ver todos os vídeos clique aqui

Para acessar os vídeos individualmente clique nos links abaixo:

Relógios – Da Nação Potiguar 01
Joel Carvalho & Marcos Silva
Canta: Marcos Silva
http://www.youtube.com/watch?v=tJTywZ9Q394&feature=related

Leia o resto desse post »

29 de agosto de 2010

A UDN no shopping e nas eleições

Por Marcos Silva

De Laurez Cerqueira

“A UDN se encastelou na política, se apoderou do Estado e dos meios de comunicação como se fossem propriedades suas. Rotulou o governo de Getúlio Vargas de “mar de lama”, levou-o ao suicídio. Tentou impedir a posse de Juscelino Kubitschek, organizou a famosa “Marcha da família com Deus pela liberdade”, em 1964, na capital paulista, para derrubar João Goulart e apoiou o golpe militar que levou o Brasil a um dos mais obscuros períodos de nossa história. No campo ou nas cidades, hoje a “velha UDN” ainda dispõe de uma cultura política e ideológica poderosíssima”.

aqui

29 de agosto de 2010

O que é um tucano?

Por Marcos Silva

De Emir Sader:

“O que é um tucano?

Avis rara, animal político com grave risco de extinção, o tucano se diferencia dos outros animais. Identifiquemos suas características, antes que seja tarde demais:

O tucano tem certeza que tem razão em tudo o que diz e faz.

O tucano lê a Folha de São Paulo cedinho e acredita em tudo o que lê”.

aqui

25 de agosto de 2010

Experiências lastimáveis

Por Marcos Silva

Jarbas:

Infelizmente, pode (e quase certamente vai) piorar. Não podemos esquecer de experiências lastimáveis anteriores, como Clodovil: deboche a-crítico, piora no que já era péssimo, preconceito contra mulheres feias (tem a clássica frase sobre uma deputada que, por ser feia, nem serviria para puta – insulto simultâneo a feias e putas), preconceito contra gays.

Em São Paulo, há muitos candidatos nesse nível de Tiririca (Mulher Pera e similares). A suposta graça de Tiririca ao dizer que não sabe para que serve o Congresso é um excelente álibi para quem, um dia, quiser fechá-lo: não serve para nada, se fechar não faz falta!

Quero deixar claro que sequer como profissional de Humor considero Tiririca minimamente equipado, suas piadas são preconceituosas e babacas.

Sou radicalmente contrário ao voto nessas criaturas, que se degradam e levam junto as instituições onde entram.

Sim, as opções são raras. Precisamos garimpar. Ou também poderíamos lançar-nos nessa arena, não é? Não somos Tiriricas.

Mas Sartre, num bom momento, comentou que fazer política é meter a mão na merda. Nosso olfato, de gente culta e refinada, costuma ser muito sensível àqueles cheiros. Conseqüência: aguentarmos o horror institucionalizado.

Abraços:

25 de agosto de 2010

Ferreira Gullar e Raimundo Fagner

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Vendo tv de passagem, assisti a micro-entrevista de Ferreira Gullar sobre a canção “Borbulhas de amor”, versão que ele fez para um bolero de Juan Luiz Guerra, a convite do cantor Fagner. Confesso minha ignorância: já ouvira a música antes (rádio), considerei-a insossa, nunca supus que a versão fosse de Gullar, que já escreveu bem melhor. Nesse ítem, Paulo Coelho venceu com “Me deixas louca”, grande gravação de Elis Regina – Gullar, quem diria, acabou abaixo de Coelho!

Leia o resto desse post »

15 de agosto de 2010

Aborto: corpos em jogo

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Na entrevista do Prof. Marco Aurélio Prado (aqui), a questão do aborto é assim caracterizada: “o direito de as mulheres decidirem sobre o próprio corpo”.

O Prof. Prado esqueceu de mencionar outros corpos em jogo num aborto: o do feto e o do pai; o feto é um corpo que está dentro do corpo de uma mulher; o corpo do homem, através de seus espermatozóides, participou e continua a participar desse acontecimento. As mulheres, no caso, não decidem apenas sobre seus próprios corpos – mexem com os direitos daqueles outros.

Defendo que homens e mulheres pensem mais cuidadosamente sobre os efeitos do encontro entre espermatozóide e óvulo para que os três corpos em potencial não sejam obrigados a posteriores tomadas de decisão (ou sofrimento das consequências) dessa natureza. Camisinha e outros recursos similares ajudam a evitar essas difíceis decisões tripartites – e uma das partes (o feto) não consegue se expressar verbalmente ainda, finda sendo objeto de decisão (talvez fatal) alheia. Transar com penetração vaginal sem camisinha ou outros preventivos anti-gravidez é assumir o risco de uma gravidez. Todo homem (e toda mulher) em idade adulta já transou assim, poucos deles e delas encararam a última possibilidade. A educação sexual dos jovens deve enfatizar a beleza do prazer e seus desdobramentos em potencial.

Mas Prado tem muita razão ao insistir sobre debates mais claros a respeito desse e de outros assuntos que os candidatos às eleições evitam. E também é muito feliz ao reivindicar a republicanização da república, sem bancadas religiosas respalpadas em espaços públicos leigos. Lugar de cobrar valores religiosos é no seio da comunidade religiosa – se uma religião proíbe aborto e relações homoeróticas, seus fiéis devem obedecer a esses preceitos ou se afastar dela. Sociedade civil é outra coisa. Já imaginaram se um ateu pudesse legalmente impor seus pontos de vista a um cidadão católico ou adventista? Pois o inverso ocorre muito frequentemente quando a sociedade civil é invadida por valores das religiosidades.

Abraços:

15 de agosto de 2010

Contra o fechamento da TV Cultura

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

A TV Cultura (São Paulo, retransmitida em muitos canais públicos de todo o país) produz alguns dos melhores programas brasileiros, como Castelo Ratimbum, Ensaio, Viola minha viola e tantos outros. No entanto, sofre atualmente grave processo de esvaziamento e ameaça de fechamento pelo governo Goldman (PSDB).

Recebi a seguinte mensagem do escritor Jeosafá Fernandez Gonçalves, que pede para nós a divulgarmos:

Caros amigos:

Quem acompanha a imprensa ficou estarrecido esta semana com as declarações do exmo. Secretário da Cultura sr. Andréa Matarazzo. Ele e João Sayad pretendem fechar a TV Cultura. Pura e simplesmente. Não o farão se resistirmos.

Leia o resto desse post »

13 de agosto de 2010

Penúria e fúria: ofício de poesia

Por Marcos Silva

O poema “E para que ser poeta em tempos de penúria”, de Fernando Monteiro, dentre tantos aspectos, faz um duplo desafio: para que estou escrevendo isto, para que você está lendo isto? Nós, leitores, movemo-nos junto com o poema – comovemo-nos. Os tempos permanecem os mesmos?
Uma primeira constatação: poesia desafia porque existe e é lida.
Os tempos são de penúria: será assim para sempre?
A poesia, em seu corpo de palavras, diz que não: nos tempos de penúria, ela vai além. Certamente, sem qualquer garantia contrária de que a penúria acabará e pronto, final feliz. Mas surge uma possibilidade: a penúria pode não ser para sempre – embora possa também retornar, acabar de novo, retornar de novo.
Poesia, portanto, é ato de poder diante de outros poderes. Essa penúria é contra a poesia porque sabe com quem está lidando – e a poesia existe quando lhe responde no mesmo nível e com altivez. De nada adiantará a poesia entrar em estado de autocomiseração nem autoflagelação, síndrome do “ai de mim!”. Afirmar seu poder corresponde a sua razão de ser: digo, logo existo.
O desafio da poesia se faz aqui com palavras. Uma palavra significa algo, pode vir a significar muitas outras coisas e deixar de significar outras tantas. Penúria é mais que pobreza. Fúria é mais que agressividade. Poder é mais que governo e propriedade.
Há um poder que a poesia desafia por sua simples existência: o poder de dizer e fazer dizer (interrogar, indagar, confrontar). Por ser absurda num tempo utilitário, poesia subverte e, do ponto de vista de quem manda, precisa ser anulada – silenciada explicitamente ou transformada em tópico mundano de festa literária, com maior destaque para batida de maracujá que para as dificuldades e conquistas do verbo. Mas ela insiste: “pisar ao contrário” na terra do Curupira.
Para quê?
Para ser.

10 de agosto de 2010

Crítica e ficção

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

A escritora Patrícia Melo declarou, na FLIP 2010, que “A crítica literária é simplista, muito pobre e tem muito pouca técnica” (FSP, 11.8). Patrícia está sendo simplista e demonstra pouca técnica (não direi que é pobre porque nada tenho contra essa categoria, não a considero um defeito). Ela não indica nomes dos críticos que evidenciam aquelas características. E demonstra ignorar história: Antonio Cândido foi crítico na Imprensa cotidiana, como se sabe: onde estão seus sucessores?

Leia o resto desse post »

8 de agosto de 2010

Ainda a FLIP

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Recebi o seguinte balanço da FLIP, feito por Breno Altman:

Flip consagra cultura de espetáculo

A Festa Literária Internacional de Paraty, que realiza sua oitava edição entre 4 e 8 de agosto, transformou-se em acontecimento marcante da vida cultural brasileira. Considerada um dos principais festivais mundiais do gênero, atrai milhares de participantes, atenção da imprensa e convidados ilustres. Nas devidas proporções, é um pequeno Woodstock das letras, que anualmente toma de assalto a aprazível cidade fluminense.

Leia o resto desse post »

7 de agosto de 2010

Lula na FLIP 2011

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

A FSP de 7.8 divulgou uma boutade que circula na FLIP atual: convidarem Lula para falar sobre Sérgio Buarque de Hollanda na FLIP 2011.
É claro que a piada procura sublinhar o contraste entre o acadêmico FHC falando sobre Gilberto Freyre na FLIP 2010 e o presidente Silva (não-) falando sobre Sérgio, na FLIP seguinte. Considero, todavia, a irônica proposta involuntariamente pertinente: Sérgio foi um dos fundadores do PT; e escrevia muito bem, pode incentivar Lula a ler mais; e aparentemente teve relações pessoais com Lula – Dona Maria Amélia, viúva do historiador, gostava pessoalmente do presidente Silva, que a visitou no centésimo aniversário, conforme noticiado na Imprensa.
Alguns pensarão: Lula deve ler pouco e escrever menos. É verdade. Mas isso não é problema: basta convocar uma equipe de pesquisa, que fiche os livros de Sérgio, converse com Lula, sugira linhas de discussão. Depois, Silva gravaria uns comentários, um ghost-writer reveria tudo e ele assinaria. Como se sabe, muitos acadêmicos poliglotas que falam na FLIP procedem assim. Da mesma forma agem outros que publicam em grandes editoras.
Por falar nisso: A Cia. das Letras publicaria a fala de Lula?
Lembro que o presidente Silva, falando sobre Sérgio, daria um ar mais republicano à FLIP que, hoje, está cheia de príncipes – Orleans e Bragança, Cardoso. Se houver maracatus e congadas em Paraty, Lula poderia ser republicanamente saudado por reis desse universo.
Abraços para todos e todas:

6 de agosto de 2010

MPB: era uma vez na tv

Por Marcos Silva

O filme “Uma noite em 67″, de Renato Terra e Ricardo Calil, é dedicado à final do Festival de MPB da TV Record em 1967. É um festival mais que mítico pela excelência dos concorrentes (tinha apenas canções como “Ponteio”, “Domingo no parque”, “Roda viva”, “Alegria, alegria”, “Eu e a brisa”, “Cantador” e “A estrada e o violeiro”, dentre outras) e por dar início ao Tropicalismo musical, com as canções de Gilberto Gil e Caetano Veloso, mais o arranjo de Rogério Duprat e a presença em cena dos Mutantes na composição do primeiro.

Leia o resto desse post »

5 de agosto de 2010

Manoel Bomfim e a América Latina

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

A Editora Diário Oficial de Sergipe acaba de publicar o volume “Manoel Bomfim e a América Latina”, que reúne falas apresentadas em seminário comemorativo ao centenário do livro “América Latina – Males de origem”, desse importante autor sergipano.
Bomfim se formou em Medicina, estudou depois em Paris e escreveu significtiva obra nos campos do ensaio histórico, da Educação e da Psicologia. Naquele livro de 1905, ele se opôs às teorias racistas sobre o atraso da América Latina e criticou a colonização exploradora (que ele caracterizou como parasitária) como responsável pelo quadro que o subcontinente enfrentava desde a independência.
A coletânea agora lançada tem como organizadores José Vieira da Cruz e Antonio Bittencourt Jr. Os textos reunidos foram elaborados por alguns dos mais importantes estudiosos de Bomfim, como José Maria de Oliveira Silva, José Carlos Reis, Ricardo Bechelli, Ronaldo Conde Aguiar e outros. O prefácio é meu.
Abraços para todos e todas:

3 de agosto de 2010

O povo pensa

Por Marcos Silva

Plinio e demais amigos e amigas:

Sair da visão romântica de povo é tarefa secular entre nós.
Sylvio Romero começou a fazer isso no século XIX: seu povo é luso-afro-indígena. Os argumentos racistas (raças superiores e idéias semelhantes) não o impediram de assumir que a identidade real do Brasil era aquela, recuperando cantos e contos populares que, depois, Câmara Cascudo editaria.

Leia o resto desse post »

2 de agosto de 2010

Franklin X João

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Assisti à exposição que João da Mata organizou na 62ª SBPC, li o texto de Franklin e os comentários de João a respeito dele.
Sobre a exposição: é um olhar que diz respeito ao tema e ao tematizador. Não identifiquei nenhuma escolha descabida. Se o olhar fosse meu, outros nomes estariam junto com aqueles, talvez alguns daqueles não permanecessem. Mas escolha significa indicar uns e deixar outros de fora.
Sobre o texto de Franklin: ele usa o termo “carnavalização” num sentido diferente daquele que surgiu em Bakhtin. Em Franklin, parece que carnavalizar é bagunçar. Em Bakhtin, carnavalizar é ir além da ideologia dominante (o autor russo fala da cultura européia do medievo e da primeira Renascença). Sinto falta de Franklin dar nomes aos bois: quais escritores são autênticos, quais são escrevinhadores (além de Gumercindo)? Franklin usa o adjetivo “folclórico” em sentido pejorativo – algo superficial e ridículo. É um sentido. Folclórico pode ser, ao invés disso, apenas pertencente à cultura popular: algo contra? Não entendi qual o problema de ser “bibliófilo do Alecrim” (ou das Quintas, ou de Emaús…): só vale o eixo Tirol/Petrópolis/Cidade Alta?
Sobre os comentários de João: entendo discordar da edição que o jornal fez de sua entrevista, sugiro não sofrer tanto com isso – o anúncio público desse procedimento já é suficiente como crítica, em meu modo de ver. Reforço uma questão que levantei antes: a melhor resposta ao ocorrido é deixar patentes os critérios que orientaram a organização da exposição.
Discordar faz parte do pensamento. É melhor que a discordância se dê com tranqüilidade, sem agressões nem angústias.
Abraços para todos e todas:

26 de julho de 2010

Da nação potiguar

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

A apresentação musical minha e de Joel Carvalho na SBPC (nesta terça-feira, 27 de julho, 16 horas, Praça da Reitoria, campus da UFRN) abrangerá as seguintes canções, sob o signo dos comentários que as sucedem ou antecedem:

1 – OS RELÓGIOS.

Estas canções são de hoje (2010) e foram feitas desde um ontem prolongado – de 1968 para cá. Chega de saudade. Mas não existe um hoje sem um ontem nem sem a esperança de um amanhã.
A primeira canção foi “Os relógios”, de Joel Carvalho e Marcos Silva, 1968, antes do AI-5, tempo de revoltas estudantis no mundo, lutas contra a Guerra do Vietnã e contra diferentes ditaduras. Tempo do Tropicalismo nascendo, dos Beatles acabando, de Paulinho da Viola e Tom Zé se inventando, de Chico Buarque e Edu Lobo continuando.
A próxima música é “Palavras de amor”, também de Joel e Marcos, letra dos anos 70 e música de 1996 sobre a intensidade amorosa dos corpos humanos. Marcos estudava e trabalhava em São Paulo, Joel morava na Espanha. A letra foi no Brasil da ditadura, a música foi na Espanha pós-franquista.

Leia o resto desse post »

21 de julho de 2010

Moacy & Cascudo

Por Marcos Silva

Reflexão e reflexo: a vanguarda vai à tradição.

“Porque a formiga é a melhor amiga da cigarra”
(Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, “Cigarra”).

Moacy Cirne escreve sobre Literatura, Cinema e Quadrinhos desde os anos 60. Gerou textos, nessas áreas, que são importantes referências até hoje, além de ter animado, junto com outros companheiros potiguares, o Cine-clube Tirol em Natal, RN. Depois: Rio de Janeiro, Revista de cultura Vozes e Universidade Federal Fluminense, sem esquecer do Balaio vermelho sempre vivo. E também produz poesia de vanguarda a partir do final daquela década – tempo de tantas reivindicações transformadoras, dos hippies ao Maio de 1968, passando por redefinições dos socialismos: a revolução na próxima esquina que está tão longe.
Leia o resto desse post »

18 de julho de 2010

SBPC musical

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Durante a reunião da SBPC em Natal (25 a 30 de julho), ocorrerão apresentações musicais diversificadas. Participarei de uma delas, junto com Joel Carvalho, com canções de nosso cd “Da nação potiguar – Outros trópicos”, que se encontra em fase de finalização.
A programação completa das atividades musicais é:

Leia o resto desse post »

13 de julho de 2010

Summertime, É verão

Por Marcos Silva

Summertime
George Gershiwn e Ira Gershwin

Summertime,
And the livin’ is easy
Fish are jumpin’
And the cotton is high
Your daddy’s rich
And your mamma’s good lookin’
So hush little baby
Don’t you cry

One of these mornings
You’re going to rise up singing
Then you’ll spread your wings
And you’ll take to the sky

But till that morning
There’s a’nothing can harm you
With daddy and mamma standing by

É verão
Versão de Marcos Silva

É verão
E viver é mais livre,
Alimento
E dinheiro demais.

O teu pai vai rir
De prazer com a mãezona.
Então, nenenzinho,
Sem chorar.

Um dia desses
Acordarás bem cedinho,
Asas baterás
E p’r’o céu voarás.

Enquanto esperas,
Nada pode ofender-te.
Teus pais, sempre perto,
Sentirás.

9 de julho de 2010

Um nordestino em São Paulo

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Li o manifesto “São Paulo para os paulistas”. É assustador. Preconceito, preconceito – sabemos para onde o preconceito leva, da Klu-Klux-Klan aos campos de concentração, ovo da anaconda, vontade de destruição.
Nasci em Natal (RN, nordeste, Brasil, planeta Terra), 1950. Vim para São Paulo em 1970. Moro aqui, portanto, há mais tempo que o período que vivi em Natal. Sou nordestino e paulista. Tenho imensa ligação com Natal. Tenho imensa ligação com São Paulo. Não quero abrir mão de uma nem de outra.
Que são Natal e São Paulo, para mim?
1) Duas cidades.
2) Dois universos culturais.
3) Dois mitos de auto-identificação.
Leia o resto desse post »

8 de julho de 2010

Menos jornal: FSP

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

A FSP publicou, no dia 7 de julho, foto de viagem de Lula na África (primeira página), apresentando em primeiro plano um dançarino com uma grande cobra. Deu-lhe o título “Cobra criada” e a legenda “O presidente Lula observa dançarino ao chegar à Tanzânia; para ele, Dilma Roussef (PT) está ‘madura’ para fazer campanha sem a sua presença”.

A legenda é sutil mas clara: a cobra criada – grande e perigosa -, tornada palpável na foto do dançarino, é Dilma Roussef. Os outros candidatos devem ser animais africanos menos ameaçadores – gazela, dromedário.

Considero normal um jornal fazer os jogos de linguagem que quiser com qualquer candidato. Considero desleal, em termos jornalísticos, que isso seja feito em relação a uma candidata (Dilma), mantendo tom sóbrio em relação aos demais (Marina e Serra), sem sequer fazer declaração explícita de apoio a um ou a outro. Seria o caso de falar em Marina como “Folha morta” ou em Serra como “Serra da Má Esperança”. Mas no dia seguinte, 8 de julho, não há fotos nem menções aos candidatos na primeira página, o teor geral da cobertura sobre a sucessão é de apoio a Serra/Marina e descrédito em relação a Dilma.

Um jornal pode e deve criticar candidatos, mantendo uma mínima equidistância – até mesmo se apoiar abertamente um deles. Não é o que a FSP vem fazendo.

Seguindo a Veja (cada vez menos revista), a FSP se torna cada vez menos jornal.

Abraços a todos e todas:

5 de julho de 2010

Contra homenagem à ditadura (PUCCAMP)

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Recebi mensagem de Caio Navarro Toledo, Professor aposentado da UNICAMP, pedindo que mais pessoas comprometidas com a democracia escrevam e.mails para a PUCCAMP, com a finalidade de cancelar homenagem ainda vigente a Garrastazu Médici nessa instituição de ensino e pesquisa. Reproduzo-a para vocês:

Car@s,
tomo a liberdade de sugerir aos colegas/amiga/os que enviem uma carta à Reitora da PUC Campinas para que tome iniciativas no sentido de que sua Universidade CANCELE a odiosa homenagem que assombra seu campus. Abaixo, segue a carta que acabo de enviar à Magnífica Reitora.
abs,
caio

ps. lembremo-nos de que o CANCELAMENTO da homenagem ao facínora S.P. Fleury, na cidade de São Carlos, várias msgs de acadêmicos, jornalistas, juristas etc tiveram efeitos positivos.

À
Magnífica Reitora reitoria@puc-campinas.edu.br
Prof. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht
Pontifícia Universidade de Campinas
Campinas, SP

Como deve ser de seu conhecimento, uma meritória iniciativa “Pelo Direito à Memória, à Verdade e à Justiça” – envolvendo diretamente a Pontifícia Universidade Católica de Campinas – acha-se em curso nos meios acadêmicos e políticos comprometidos com o aprofundamento da democracia política no Brasil.

Por meio desta iniciativa, várias entidades da sociedade civil brasileira solicitam que a “odiosa homenagem” feita pela PUC de Campinas ao general Emilio Garrastazu Médici, em pleno regime militar (15/3/1973), seja definitivamente cancelada.

Tendo em vista o relevante papel que as Universidades católicas brasileiras (com destaque especial à PUC de Campinas e a PUC-SP) desempenharam na luta pela redemocratização do Brasil é uma profunda indignidade e uma visível incongruência a homenagem que a PUC de Campinas ainda presta ao militar que foi um dos maiores responsáveis “pelo endurecimento das perseguições políticas e pela efetiva implementação do nefasto Ato Institucional 5″ que implicou mortes, desaparecimentos forçados e torturas de presos políticos.

Concordando integralmente com o documento que o Centro Acadêmico XVI de Abril, do Núcleo de Preservação da Memória Política, do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do estado de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE) e do Fórum de Direitos Humanos de Campinas (cf. abaixo) fazem hoje circular pela internet, APELO à essa Reitoria – comprometida com os valores da verdade, da justiça e da democracia – para que atenda as justas reivindicações das entidades acima signatárias.

Respeitosamente,
Caio Navarro de Toledo
Universidade Estadual de Campinas
Campinas, 5 de julho de 2010

4 de julho de 2010

Outra tradução de Verlaine

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

João da Mata nos brindou com uma bonita tradução de “Ariettes oubliées III”, de Paul Verlaine. Envio uma tradução do mesmo poema que fiz há algum tempo:

Árias esquecidas III

“Chove docemente sobre a cidade”.
(Arthur Rimbaud)

Chove em meu coração
Como lá na cidade;
Qual langor este então
Que entra em meu coração?

Doce brado da chuva
Pela terra e nos tetos!
Coração que se turva
Ó, ó canto da chuva!

Chove sim sem razão
No coração que enjoa.
Qual! Nenhuma traição?
Luto mais sem razão.

E é bem pior a pena
Não saber nem por que
Sem amor, ódio, cena
Coração ser só pena!

3 de julho de 2010

Os filmes que eu não esqueci

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Publiquei no blog “Refletores da fama” e no jornal Tribuna do Norte, a convite de Valério Andrade, uma seleção de filmes de estima pessoal, que reproduzo para vocês:

OS FILMES QUE EU NÃO ESQUECI (em ordem alfabética)

Natalense, radicado em São Paulo, Marcos Silva é professor titular de Metodologia da História da FFLCH/USP, desde 2007, onde também obteve os graus de Livre-Docente (1999), Doutor (1987), Mestre (1981), Bacharel e Licenciado em História (1976).
Publicou individualmente seis livros, entre os quais, “Prazer e Poder do Amigo da Onça” (1989).  Organizou três coletâneas sobre cinema: “Clarões da Tela” (2006) e “Cenas Brasileiras – O Cinema em Perspectivas Multidisciplinar” (2009), em parceria com Bené Chaves,  e “Metamorfoses das linguagens – Histórias, Cinemas, Literaturas”, em parceria com Maurício Cardoso e Júlio Pimentel (2009).
O leitor poderá se comunicar com Marcos Silva através do e-mail: marcossilva.usp@uol.com.br . (Valério Andrade).

Alemanha ano zero – foto (Roberto Rosselini) – A guerra não acaba quando cai a última bomba. Vidas humanas seguem sendo destroçadas a longo prazo. A opressão não se deu apenas nos campos de concentração e tem dolorosas continuidades no mundo “em paz”.
Leia o resto desse post »

3 de julho de 2010

Sem Copa

Por Marcos Silva

SONHO DE UM CARNAVAL

Chico Buarque – 1965

Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano

Carnaval, desengano
Essa morena me deixou sonhando
Mão na mão, pé no chão
E hoje nem lembra não
Quarta-feira sempre desce o pano

Era uma canção, um só cordão
E uma vontade
De tomar a mão
De cada irmão pela cidade

No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança