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9 de março de 2010

Entrevista de Comparato

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Recomendo a todos a leitura da entrevista de Fabio Konder Comparado sobre cotas raciais. Embora eu tenha restrições ao critério de raça e deteste a cobrança de provas de cor, entendo que a questão é muito séria e Comparato argumenta com extrema ponderação. Assistimos a uma ofensiva do DEM e de outros setores conservadores brasileiros que negam a existência de racismo entre nós (ouviu, Lima Barreto? ouviu, Elza Soares?) e invocam critérios meritocráticos no acesso à universidade pública, como se quem tem pele escura não tivesse méritos. Comparato lembra que a população negra beneficiada por cotas também é obrigada a fazer vestibular e que seu desempenho tem se revelado rigorosamente igual ao dos não-negros.

Trabalho numa universidade pública – USP – onde cotas dessa natureza não foram implantadas, embora, timidamente, tenha começado uma política de pensar em uma reserva de vagas para os que estudaram em escolas públicas. É um passo. Enquanto a universidade pública não puder atender a toda a demanda existente, é preciso pensar em critérios de democratização de suas vagas que são… PÚBLICAS.

Quanto ao DEM e a seus aliados: por que não abrir o jogo e declarar simplesmente que estão satisfeitos com as iniqüidades existentes no Brasil, que tanto os beneficiam? Não precisa conspurcar a memória de Gilberto Freyre para defender a opressão reinante.

Abraços a todos e todas:

8 de março de 2010

Lavar, relaxar, gozar

Por Marcos Silva

Arte: Ligia P. F. Spinelli

Amigos e amigas:

O texto do Vaticano sobre a máquina de lavar e a mulher moderna, divulgado no blog de Milton Ribeiro (aqui), deve ser interpretado em suas sutilezas de linguagem. Recapitulemos: lavar roupa com as mãos é demorado e cansativo, embora os resultados possam ser até melhores (Pierre Verger o assinala em relação às roupas brancas dos baianos pobres que ele fotografou nos anos 40). Enfim, a máquina de lavar foi inventada e razoavelmente disseminada em diferentes grupos da sociedade. Mulheres (e homens, é claro) passam a ter mais tempo para outras atividades, inclusive, o Vaticano o reconhece, relaxados. Que fazer nesse tempo que sobrou?

Ora, uma boa atividade sexual vem a calhar. Relaxados, os dois poderão dedicar-se com afinco aos prazeres da carne, que também são da alma – Deus nos dotou de carne e alma. Enquanto a máquina realiza o processo completo – a que eu tenho dura cerca de uma hora -, dá para o casal fazer preliminares apetitosas e partir para a luta corporal que engrandece, dilata, umidifica, lubrifica e nos leva às nuvens, com direito a retorno para nova decolagem. Bendita máquina de lavar!

Só falta acrescentar: junto com a máquina, tem que garantir tempo livre para os doces prazeres da vida, para o casal não precisar sair correndo feito louco a fim de trabalhar e ganhar mais dinheiro.
O raciocínio se aplica a solteiros e a casais formados por pessoas do mesmo sexo.

Enfim, o Vaticano soltou a franga, liberou geral!

Abraços para todos e, especialmente (neste Dia Internacional da Mulher), para todas, com mais tempo livre dedicado a gozar junto com o parceiro ou a parceira.

E quem preferir gozar sozinho/a, faça-o sem culpa porque a máquina de lavar e o Vaticano deixam. It’s getting better all the time, como diziam os Beatles nos anos 60.

7 de março de 2010

Feliz Nei

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Li hoje, com atraso, uma entrevista de Nei Leandro de Castro ao Jornal Zona Sul, reproduzida no blog “Sebo vermelho” (10 de fevereiro). Fiquei muito impressionado com uma fala do entrevistado:

“Se uma revolução esquerdista tivesse acontecido no Brasil, teria sido um desastre. O comunismo foi um dos maiores blefes de toda a história da humanidade. Durou apenas setenta e poucos anos na União Soviética e todos viram o que foi feito: mortandade. O Estado matou 30 milhões de pessoas. Mais do que Hitler. Era aquela vida sob o jugo, sob as botas do comunismo o que a gente queria? Tantos foram torturados e até mortos em busca de um ideal desses? Faço essa autocrítica: rezei mesmo pela cartilha do Partido Comunista, mas se tivesse triunfado uma revolução socialista, teria sido um grande desastre.”

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6 de março de 2010

Agripino: enfim, um escritor!

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Cesse tudo o que a Musa antiga canta: nasce um escritor! O texto “O que faz o DEM ser diferente”, de José Agripino (FSP 5.3, p 3), revela o maior talento ficcional brasileiro (talvez mundial, só a Comissão do Nobel de Literatura poderá aquilatar essa faceta) das últimas décadas. Comentando o episódio brasiliense dos corrompidos panetones democráticos (Arruda & Cia.), Agripino consegue resgatar tradições clássicas da mais alta Literatura, que vão de Aristófanes a Swift, passando por Rabelais, Bocaccio e Bocage (os fesceninos), sem negligenciar os brasileiros Machado de Assis, Lima Barreto, Mário de Andrade (cf. a “Carta pras Icamiabas”) e Millôr Fernandes. José Agripino – this is the real guy! – associa a rica tradição do riso em Literatura a uma grande capacidade de trabalhar a fantasia sem limites, transitando desembaraçadamente entre o o melhor Lewis Caroll e o melhor Jorge Luís Borges, ameaçando ultrapassar até mesmo os mais refinados momentos de Isaac Asimov e Ray Bradbury, em diálogo metalingüístico com o cinema de Stanley Kubrick (2001 e A laranja mecânica, mais ecos intertextuais de Dr. Fantástico). É assim que, com extrema sutileza de estilo, os dólares nas cuecas alheias são destacados enquanto desaparecem os dólares nas meias dos dele, pura magia do verbo. E, evocando Kafka com transfusões de Santa Teresa de Ávila, observa-se a metamorfose metafísica de bandalheira em sacralidade e umas pitadas de sacanagem no nível de Carlos Zéfiro.

A Academia Brasileira de Letras está com uma vaga aberta (morte recente de José Mindlin). Convoco os pré-candidatos a reconhecerem a infinita superioridade da poética agripiniana, renunciarem a suas ambições e permitirem essa rara oportunidade de apoteose para a Literatura pátria – o ingresso, por aclamação, de Agripino. De quebra, a cultura potiguar alcançará uma visibilidade mundial nunca dantes navegada, apesar dos notórios esforços do grande Câmara Cascudo.

Enfim, o primeiro Nobel brasileiro se configura! E graças ao DEM…

Abraços a todos e a todas:

5 de março de 2010

A terceira margem da política

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

O texto de Emir Sader é necessário diante de ações como o encontro do Instituto Milenium, nesta semana que se encerra: a direita mostrou mais explicitamente as garras e os dentes.

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5 de março de 2010

Macalé é grande

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

É ótimo que esse documentário sobre Macalé exista. Ele fez algumas obras-primas no nível do que há de melhor, como “Movimento de barcos” (barcarola quase erudita, parceria com José Carlos Capinam num momento de excepcional beleza verbal, gravação antológica de Maria Bethânia) e outras mais. Seu primeiro disco solo foi muito prejudicado por uma produção pífia, que o transformou numa espécie de sub-demo – problema que também atingiu o primeiro disco solo de Tom Zé. Depois, a memória dominante na História da música brasileira cuidou de transformar uns em deuses e deusas e outros em malditos, em nome do sucesso de mercado dos primeiros. Tomzé foi “relançado” por David Byrne – devemos essa aos irmãos ianques. Precisaremos de álibis estrangeiros para entendermos a grandeza de Macalé e Luiz Melodia? (Jorge Mautner, de qualquer maneira, foi apadrinhado por Caetano Veloso, melhor que nada).

Vim morar em São Paulo em 1970. A ditadura estava em seu auge, rolava Dom e Ravel, a linda voz de Wilson Simonal se exibia em Semanas do Exército, até a autêntica brilhante Elis Regina cantou numa delas. Macalé promovia shows com o título “Curtisom”, claro clima de porão contra a cobertura. Muitos companheiros de geração dele retornaram do exílio diretamente para a cobertura, santificados, acima de qualquer discussão. Brecht, na peça “Vida de Galileu”, questiona: Infeliz do país que precisa de heróis. Que dizer de um país que precisa de santos de mercado?
Macalé é mais, Arte é mais. Além dele e de Luiz Melodia, deve ter muita gente para ser desenterrada arqueologicamente. Que venham mais documentários!

Abraços:

5 de março de 2010

Quosque tandem, Demóstenes?

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Esse senador Demóstenes Torres (mais pra ruína de alicerce) parece fruto de um cruzamento entre animais mandões de “A revolução dos bichos” e idiotas falantes do “Festival da besteira que assola o país”. De culpa em culpa dos negros, só falta o Demo dos Demos sugerir reproclamar a escravidão para indenizar os ofendidos branquinhos da nação. Parece que esse analfa de cátedra nunca ouviu falar em Revolta da Chibata: marinheiros (na maioria, negros) eram castigados com chibatadas por motivos disciplinares, como se a escravidão continuasse em 1910! É claro que o analfaba desfuncional nunca leu “Menino de Engenho”: no dia seguinte à abolição, os ex-escravos continuaram a trabalhar do mesmo jeito e a levar a mesma vida miserável. Seria alucinação pensar que ele leu na vida a Imprensa de imigrantes italianos do início do século XX: camponeses eram abrigados em senzalas e vendidos como se escravos fossem.

Depois reclamam que temos preconceito contra a “classe política”. Quem é mesmo analfabeto no país?

Abraços a todos e todas:

1 de março de 2010

Três homenagens a Mindlin

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Mindlin, sempre vivo, deixa trës preciosos motivos para ser eternamente homenageado:
1) O amor pelos livros. O que está em jogo é muito mais que papel e tinta. Ele amava (e nós amamos) as experiëncias humanas a que os livros dão acesso.
2) A doação de um precioso acervo a uma universidade pública. O que estava em jogo não era acumular objetos com alto valor de mercado para exibição fútil. O pensamento ali contido sempre foi compartilhado e agora o será de forma ampliada porque está ainda mais acessível.
3) A recusa, como rico empresário, a contribuir para a OBAN e as chantagens de Boilesen (que arrecadava fundos para torturadores durante a trágica ditadura brasileira de 1964/1984). O que estava em jogo era Ética, um bem muito precioso e sem preço.
Abraços a todos e todas:

28 de fevereiro de 2010

Popularizar não é passe de mágica

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Falta sustança no tal manifesto. A argumentação é pífia, adjetivosa. Nem me incomodo com o fato de serem desconhecidos: o vazio é pior. De boas intenções etc. Dicotomizar é anunciar regras e preconceito contra crítica e academia é apenas preconceito. Sou mais Cortázar: a massa merece Shakespeare (quer dizer: o que há de mais clássico) em estado puro, sem gelo. Acrescento: quem decide se experimentação presta ou não presta é o honorável leitor. Não tenho paciência para escrever manifesto mas defender a radical diversidade é necessário: vanguarda sem retaguarda e retaguarda sem vanguarda são ilusões de semiótica.

Abraços a todos e todas:

28 de fevereiro de 2010

A Direita se articula

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Com o pagamento de R$ 500,00 pode-se ouvir, amanhã em São Paulo, alguns luminares do pensamento de direita no Brasil e na América Latina.
Instituto Milenium realiza fórum
‘Democracia e Liberdade de Expressão’
Redação SRZD | Nacional | 28/02/2010 03:15

O Instituto Millenium promove nesta segunda-feira, em São Paulo, o “1° Fórum Democracia & Liberdade de Expressão”. O objetivo do evento é analisar a relação entre liberdade de expressão e democracia, os problemas causados pela restrição a esse direito fundamental para a construção e o fortalecimento do Estado de Direito e a importância da criação de mecanismos que impeçam sua violação.

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24 de fevereiro de 2010

Agradecimentos

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Agradeço muito a Tácito, Sérgio, Gustavo, Laurence, Tânia e tantos amigos do SP, que apoiaram decisivamente o lançamento do livro “Metamorfoses das linguagens”.

Abraços:

22 de fevereiro de 2010

Scorcese e o cinema que ainda há

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

A entrevista e os filmes de Scorcese são lições. Desde Taxi driver, esse diretor me fascina. Como ele consegue o delicado equilíbrio entre tradição clássica e inovação necessária? Ainda bem que Scorcese existe!
Abraços:

21 de fevereiro de 2010

Outra boa revista

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Em meu processo de atualização no periodismo potiguar, li também a revista Ciência sempre, edição da FAPERN (n. 13, jul/set 2009). A qualidade gráfica é excepcional, no patamar dos melhores momentos de Preá. E o conteúdo abordado também alcança um nível excelente – produções de Abraham Palatnik e experiência de Augusto Severo. Grandes parabens aos editores.
Abraços:

20 de fevereiro de 2010

Palumbo: enfim, li

Por Marcos Silva

Caros amigos:

Demorei a ler a revista Palumbo. O corpo editorial é excelente (Afonso Laurentino, Tarcísio Gurgel e outras feras)! Tenho dúvidas sobre alguns temas abordados nos dois primeiros números. O terceiro é bem superior aos anteriores, da capa – bonita composição gráfica com detalhes de painéis feitos por Aécio Emerenciano (foto) – à entrevista com Luiz Damasceno. O nome da revista me perturba um pouco – conheço o personagem, tenho a impressão de que muito gente ignora quem é.

Desejo longa vida ao periódico. Com aquele corpo editorial e mais alguns colaboradores, tem fôlego para ir muito longe.

Abraços:

20 de fevereiro de 2010

Aparecer, aparece sempre!

Por Marcos Silva

Tácito:

Lamento informar mas, com ou sem aniversário, vc aparece muito e sempre.
Abraços por esse sempre:

20 de fevereiro de 2010

Matizes dos machos

Por Marcos Silva

Tânia

Obrigado pela mensagem. Entendo erotismo como beleza e dignidade. Para homens e mulheres, claro.
Tem relações com o universo das artes – artes do corpo e da alma.

Em relação ao erotismo masculino: concordo que o falo aparece mais (até porque é pra fora) mas penso que o erotismo dos homens não se reduz a ele; qualquer macho, quando interage pra valer com outra pessoa (mulher ou homem), sente muito prazer pelo corpo inteiro – barriga, peitos, nariz, testiculos, panturilha e todo o resto. Mas alguns homens só entregam o falo por medo de entregarem essa totalidade – pior pra eles e para quem está eroticamente com eles. Sem querer esnobar os jovens, penso que a maturidade ajuda a perder o medo (como eu tenho 59 anos, isso é um explícito comercial de coroa!).

Reafirmo que considero aquela coletânea organizada por José Paulo Paes muito bem traduzida e muito bem escolhida. Todo mundo deveria lê-la.

Abraços:

18 de fevereiro de 2010

Ciência política e profetismo

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

A entrevista de André Singer mescla interessantes análises com profecias que escorregam na maionese. Análises interessantes: redistribuição de renda, nova composição do eleitorado petista. Profecias maionésicas: lulismo sem Lula, Dilma herdeira de Lula, relações futuras entre PT e lulismo. De passagem, não explica o milagre da distribuição de renda (quase digitei de peixes) sem confrontação política (renda é poder!) nem para onde foi a classe média despetizada, bem como se existe classe média homogênea no planeta. A caracterização de Vargas é hilária: política de governo voltada para os setores de menor renda – cadê os trabalhadores rurais, o empresariado nacional encheu os tubos com aquela política… De passagem até parece que direitos são criações de governo e não peças de lutas sociais muito complexas, que duram décadas e são apropriadas por algum governante de plantão.
As diferenças entre Ciência Política e projeto partidário, em algumas situações, são muito sutis!
Abraços:

18 de fevereiro de 2010

Músicas de carnaval

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Francisco Sobreira publicou uma bela relação de obras-primas musicais de carnaval no blog Luzes da Cidade (aqui).
Sua seleção é excelente. Dama das camélias é uma obra-prima. Eu acrescentaria Anda Luzia e A água lava tudo – mas o carnaval brasileiro é um tesouro interminável.
Abraços a todos e todas:

17 de fevereiro de 2010

Desmemória da midia

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Alberto Dines afirma que a midia demorou a entender o enredo de Arruda e do DEM. Sei não. Sò se for burrice seletiva. Melhor pensar que a midia tem um carinho especial por alguns enredos, quando o quer.
Abraços:

16 de fevereiro de 2010

Literatura ensina

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Li o texto de Tereza e aprendi mais o que é blinis – devo ter comido antes sem pensar no nome. De quebra, legal um texto de mulher falando do tesão por homem – o inverso é mais habitual.
Abraços a todos e todas:

12 de fevereiro de 2010

Arruda & Cia

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

É até possível que Lula, em seu comentário sobre Arruda, tenha desejado parecer fino. Na situação específica, pareceu apenas babaca.
Para não sermos injustos com outros partidos, anexo comentário de Serra sobre Arruda antes da queda.

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“Serra sobre Arruda: Vote num careca e ganhe dois

A prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, será, sem dúvida, a principal notícia política da semana. Para incrementar ainda mais esta pauta, vale a pena relembrar alguns episódios como este mostrado no vídeo, em que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), anuncia a possibilidade de compor com Arruda uma chapa para disputar a presidência.
O episódio aconteceu bem antes da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que desnudou o esquema de corrupção no governo do Distrito Federal. Mas é revelador da simpatia que o presidenciável José Serra alimentava pelos aliados do DEM.

Antes de cair em desagraça, José Roberto Arruda era um dos nomes mais cotados para ser vice de Serra numa chapa demo-tucana. Agora, Serra terá que arrumar algum outro “careca” para lhe fazer companhia”. (Fonte: Portal Vermelho – aqui)

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Abraços:

10 de fevereiro de 2010

Psicose e o cinema

Por Marcos Silva

Caros amigos e caras amigas:

Os comentários de Moacy Cirne e Francisco Sobreira sobre Psicose, de Alfred Hitchcok, são ponderados e concordo com eles sobre a superioridade de Janela indiscreta e Vertigo, do mesmo diretor. Quero salientar, todavia, a força de Psicose na memória coletiva. Hitchcock me impressiona por ser um diretor que garantiu uma presença na opinião pública (não apenas entre cinéfilos) e esse filme é um dos mais lembrados por todos, talvez até o mais lembrado. É claro que um grande diretor como ele fez muito filmes excepcionalmente bons (é difícil escolher o melhor Bergman ou o melhor Visconti, por exemplo). E o mundo seria bem pior sem seus filmes, mesmo os mais simples que realizaram.

Sem querer fazer um ranking, prefiro pensar que Psicose é um grande filme a ser visto sempre, junto com outros de igual nível.

Abraços:

9 de fevereiro de 2010

O peso do professor

Por Marcos Silva

Amigos:

A revista The Atlantic de dezembro (acesso livre em http://www.theatlantic.com/doc/201001/good-teaching) defende que – mais do que a formação familiar, recursos que incluem Internet e acesso a livros, riqueza etc. – a diferença no desempenho no ensino fundamental está ligada à qualidade do professor.

Trata-se de uma revista mais que centenária, criada para combater a escravatura (em 1857). Ela é fortemente liberal, no sentido norte-americano, isto é, progressista. Seus conteúdos são de acesso livre.

Abraços:

7 de fevereiro de 2010

Ditadura: dar nome aos bois

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

A entrevista de Safatle é muito boa. Faltou dar nomes aos bois: quem oculta a ditadura brasileria, quem a revela? Ele tem toda razão quando aponta estruturas de estado e práticas culturais de esquecimento. Deixa de salientar que existem grupos contrários a essa estratégia e que muitos historiadores e outros analistas já discordaram daqueles argumentos que naturalizam a ditadura. A modéstia não me impedirá de lembrar que organizei uma coletânea com o título “1964/1968 – A ditadura já era ditadura”, dedicada exatamente a essa crítica, publicada em 2006.

Abraços:

5 de fevereiro de 2010

Todo apoio a João Emerenciano

Por Marcos Silva

Caros amigos e caras amigas:

João Emerenciano levantou uma questão de vital importância: ser hetero é tão cidadania quanto ser gay. Inclusive porque as pessoas, além de suas sexualidades, são quinhentas mil coisas simultaneamente – budistas, vegetarianos, tradutores de sânscrito, poetas clássicos, halterofilistas, rendeiras, engraxates, stalinistas, neo-liberais, católicos da Renovação Carismática, candidatos em programas de televisão etc. Ser gay ou ser hetero, no final de contas, significa apenas ser gay ou ser hetero.
Abraços a todos: