O filme Central do Brasil aborda fim e começo de vidas, talvez o fim-começo de vidas: a idosa professora aposentada Dora (elogiado desempenho de Fernanda Montenegro, indicada para o Oscar de Melhor Atriz por ele) cuida do menino órfão Josué (bonita estréia do ator Vinícius de Oliveira), até que o jovem encontre sua família; e o Brasil, tão sofrido em violência e miséria – mas dotado de potencialidades. Isso se dá a partir de um país metropolitano, violentamente degradado (o mundo da estação ferroviária Central do Brasil, o caos citadino do Rio de Janeiro), contraponto ao país interiorano povoado por gente boa (os carinhosos irmãos de Josué, Isaías e Moisés, interpretados pelos ótimos atores Matheus Natchergaele e Caio Junqueira). Nesses termos, o filme configura um retorno do Brasil a si mesmo, um bom caráter extraviado, reconduzido à linha, desvencilhando-se dos acidentes de percurso a que a modernidade urbana o levara.
Viva Luís Damasceno!
31 de janeiro de 2012 às 10:48 | 3 ComentáriosAmigas e amigos:
Estou me dirigindo a pessoas que conhecem o significado humano, intelectual e político de Luís Damasceno em Natal e no mundo.
Conheci Luís quando eu passava da adolescência para a idade adulta. Frequentávamos o Cine-Clube Tirol e eu ia à Livraria Universitária, onde ele trabalhava (e que ele dinamizava com sua presença cultural e até física). Eu começava a ler materiais mais adultos de literatura, descobria um pouco de ensaísmo sobre literatura e cinema, espiava com medo os textos sobre filosofia e política. Luís foi uma espécie de alfabetizador para mim em termos de localizar livros nas estantes da livraria, identificar materiais que poderiam me interessar (e que, em minha pobreza de então, eu poderia planejar para adquirir). E me emprestou muitos livros, que devolvi.
2 ou 3 coisas sobre um poema
1 de dezembro de 2011 às 15:23 | 3 ComentáriosExistem uma dicção e um vocabulário clássicos, marcados por solenidade adequada. Mas a métrica foi substituída pela multiplicidade de ritmos. O classicismo é quase citado porque o mundo onde ele nos surge é outro. E pode haver aprendizado recíproco nesse contato entre antes e agora. Somos diante de uma evocação clássica e de uma contemporaneidade da leitura igualmente marcadas pelo estranhamento: onde estamos?
Lembranças da Cooperativa Cultural da UFRN
30 de novembro de 2011 às 11:36 | 3 ComentáriosSou amigo muito antigo de Luís Damasceno, acho que ele é meio culpado pelos caminhos que segui na vida adulta (estudar História, ter posturas de esquerda muito heterodoxas, escrever).
Minha ligação com a Cooperativa Cultural da UFRN passou por ele. Sempre fui bem recebido pelos funcionários e lancei vários livros lá. E gostava de ficar zanzando entre as prateleiras, conversando com outros visitantes, comprar uns livros. Hoje em dia, Natal possui outras livrarias de porte. Durante muito tempo, a Cooperativa era a melhor e penso que ainda continua a ser uma das melhores. Além de desempenhar um papel fundamental no campus.
E se a presidenta fosse lésbica?
28 de novembro de 2011 às 9:16 | 4 ComentáriosUm deputado, cujo nome não mencionarei em respeito às crianças presentes na sala, fez fortes insinuações sobre a identidade erótica de Dilma Roussef, com o álibi de combater a cartilha anti-homofobia.
Lições elementares de Lógica:
1) Combater a cartilha anti-homofobia é defender a homofobia. É defender aquele pessoal que espanca e mata gays.
OUTRA
25 de novembro de 2011 às 18:32 | 4 Comentáriostornar-se hamburger
carne moída entreoutra
cada dia
depois
à espera de quem não
homem mulher
dilacerar-se entredentro
enlaçada língua
ainda ácida
áspera bela
outra
lento passar
sair quente
experiência antes viva
sem lembrança
outra sorte
O direito e a política na USP
23 de novembro de 2011 às 9:00 | ComentarO Direito e a Política na USP ? e fora dela ? depois da irracionalidade.
Por Jorge Luiz Souto Maior
O prédio da Reitoria da USP foi desocupado! E agora?
Para a desocupação foram utilizados 400 homens, dois helicópteros,
cavalaria e diversas viaturas. Um gasto considerável ainda mais para
um Estado, como o de São Paulo, que deve cerca de R$20 bilhões em
precatórios intermináveis, sendo que dos quais R$15 bilhões referem-se
a precatórios alimentares, decorrentes de créditos trabalhistas e
previdenciários.
Flipipa off (ou offlipipa)
21 de novembro de 2011 às 22:38 | 2 ComentáriosParticipei de uma mesa redonda no FLIPIPA, assisti a outras atividades do festival (minha pergunta sobre literatura de cordel hoje – mais intensa no sudeste, presente na internet – não foi apresentada à autora de “Cordel encantado”, sem problemas, respeito regras), circulei por livrarias e congêneres. Tive boa impressão geral. Senti um pequeno problema: os funcionários do hotel onde fiquei hospedado (Ponta do Madeiro, lugar muito bonito) tinham curiosidade pelo FLIPIPA, faziam perguntas aos escritores que ali estavam mas não podiam ir assistir aos eventos. Uma funcionária me perguntou o que significava epistolografia, foi muito bom conversar com ela sobre isso. Suponho que os funcionários de livrarias e bares e os policiais possam ter tido curiosidades semelhantes. Seria legal se houvesse um FLIPIPA after-hours, dirigido para esse pessoal. Seria excelente que Davi Arrigucci Jr. declamasse poemas de Manuel Bandeira e os comentasse para os humildes funcionários de hotel. Seria fantástico que Fernando Morais lhes falasse sobre os trabalhadores dos hotéis em Cuba. Seria magnífico ouvir Eucanaã e Arnaldo, dentre outros, declamando para os policiais e os lixeiros.
Fica a sugestão.
Universidade, universidades
20 de novembro de 2011 às 12:12 | 2 ComentáriosLeciono em universidades desde 1982. Comecei na UNESP/Assis (pública). Depois, ingressei na USP (pública), com regime parcial de dedicação, salário insuficiente para pagar as contas mínimas – eu era casado com uma professora da rede pública. Por esse motivo, acumulei trabalho na PUC/SP (privada) durante um ano, até que recebi contrato em regime de dedicação integral à docência e à pesquisa na USP. Até hoje, trabalho na mesma USP, com experiências curtas de atuação na UnB (professor visitante) e atividades como cursos de ainda mais curta duração, mesas-redondas e similares em várias unidades públicas e privadas do país e no exterior.
Texto e imagem no Novo Jornal
19 de novembro de 2011 às 17:46 | 10 ComentáriosO Novo Jornal de 18 de novembro publicou matéria com o título NOTA BAIXA, incluindo fotografia de prédio da UFRN. O conteúdo do texto indica a má avaliação que várias universidades privadas do RN mereceram e indica o bom aproveitamento da UFRN e da UFERSA.
A direita mostra a cara
19 de novembro de 2011 às 10:39 | 1 ComentárioAmigas e amigos:
Recebi as imagens anexas de Caio Navarro Toledo, filósofo e professor na UNICAMP. A barra está pesada.
Diálogos com Marilena Chauí
17 de novembro de 2011 às 8:20 | ComentarSomente hoje, tive em mãos o livro “Diálogos com Marilena Chauí”, homenagem a essa importante filósofa brasileira, lançado na semana passada pelas editoras Discurso e Barcarolla. O volume inclui artigos de filósofos, historiadores, sociólogos e outros profissionais, discutindo campos temáticos e problemáticas debatidos pela homenageada. Alguns dos colaboradores são Flávio Aguiar, José Geraldo de Sousa Jr., Marco Aurélio Garcia, Marcos Silva, Maria Celia Paoli, Olgária Chain Matos, Paulo Eduardo Arantes, Sergio Cardoso e a própria Marilena, dentre outros.
Sérgio Cabral em preconceito explícito
14 de novembro de 2011 às 15:40 | ComentarNo texto “Os filhos da Rocinha” (FSP, 14.11.11), apareceu uma caracterização dessa área do Rio de Janeiro, por Sérgio Cabral, como “fábrica de marginais”.
Quer dizer que todos os marginais que atuam naquela cidade nasceram na Rocinha? Quer dizer que não nasceu um só marginal em Ipanema, Gávea, Barra da Tijuca, Leblon e Arpoador?
Acho que nunca vi agressão tão violenta à população pobre por um governador de estado quanto essa! E ainda folclorizam as bobagens que Adhemar de Barros dizia, no passado. Isso é pior que bobagem. É discriminação pura e simples.
Ele não foi processado por preconceito de classe e endereço?
WERNECK SODRÉ NO TEATRO CASA GRANDE
13 de novembro de 2011 às 10:44 | ComentarNo dia 21 de novembro, a partir das 20 horas, a curadora da obra de Nelson Werneck Sodré, Olga Sodré, e Lincoln Penna, presidente do MODECOM, farão uma palestra na cidade do Rio de Janeiro, no Teatro Casa Grande (Avenida Afrânio de Melo Franco, 290 – Shopping do Leblon).
O evento será uma homenagem ao ano do Centenário de nascimento de Nelson Werneck Sodré e terá como tema “O General do Povo e a História da Imprensa no Brasil”.
SER ZILA
9 de novembro de 2011 às 8:29 | 11 Comentáriosenquanto naus
mar nem tanto
entre a ponte e outro caos
adianto
tempo talvez
não
haverá outra vez
moinho de vento e grão
não em vão
cai
desregular trovão
stand by
o amanhã o amanhã
outrora
se afogar na manhã
ficar embora
A polícia e os lugares
9 de novembro de 2011 às 8:25 | ComentarComentando a ação da PM no campus da USP, o colunista da FSP Antonio Prata afirmou: “Sugerir que a PM possa entrar em todos os lugares, menos no campus da universidade, não é um pensamento libertário, é um vício classista: a velha idéia de que, neste país, todos são iguais mas alguns são mais iguais que os outros”.
Precisamos comemorar a retomada do conceito de classe (e seu corolário marxista: luta de classes) pela FSP. O problema é retomá-lo apenas contra determinadas instituições e determinados personagens.
II Mostra Simpósio Cinema-História Social
3 de novembro de 2011 às 7:04 | Comentar
Governantes não estão acima da lei
1 de novembro de 2011 às 13:38 | ComentarNinguém está acima da lei. Mas, quem é ninguém?
O que é a lei? Qual é a verdade?
Para deslegitimar o ato de estudantes da USP, que se postaram contra a presença da polícia militar no campus universitário, o governador Geraldo Alckmin sentenciou: “Ninguém está acima da lei”, sugerindo que o ato dos estudantes seria fruto de uma tentativa de obter uma situação especial perante outros cidadãos pelo fato de serem estudantes. Aliás, na sequência, os debates na mídia se voltaram para este aspecto, sendo os estudantes acusados de estarem pretendendo se alijar do império da lei, que a todos atingem.
Minhas “Estantes”
30 de outubro de 2011 às 17:22 | 5 ComentáriosComentando a realidade da Literatura potiguar, Lívio evocou o peso dela em suas estantes.
Isso me fez lembrar das estantes em minha vida.
Três cartas sobre polícia e FHC na USP
30 de outubro de 2011 às 10:13 | Comentar1) Prezados Colegas!
Novamente o arbítrio e a violência policial em nosso espaço de trabalho! As razões são de muitas naturezas e as práticas nada condizentes com as funções fundamentais para uma democracia ampliada e contínua necessária aos desafios postos em nosso tempo. De um lado, acontecimento terrível, mas corriqueiro na cidade rompe com os princípios universais que regem a vida universitária nos diferentes países. Espaço de liberdade para invenção, experimentação e de práticas políticas que estimularão novas possibilidades de organização da vida social, pela crítica do viver no tempo presente.






