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	<title>Substantivo Plural &#187; Rodrigo Levino</title>
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	<description>CULTURA + IDÉIAS + INFORMAÇÕES</description>
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		<title>&#8220;Peanuts&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2010 16:07:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
&#8216;Peanuts&#8217;, a tirinha de Snoopy, Charlie Brown e companhia, completa 60 anos e ganha homenagens. Há dez anos, Charles Schulz, o seu autor, morreu nos EUA.
aqui e aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Peanuts-Charlie-Brown-original2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-21133" title="Peanuts-Charlie-Brown-original" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Peanuts-Charlie-Brown-original2.jpg" alt="" width="263" height="192" /></a></p>
<p>&#8216;Peanuts&#8217;, a tirinha de Snoopy, Charlie Brown e companhia, completa 60 anos e ganha homenagens. Há dez anos, Charles Schulz, o seu autor, morreu nos EUA.</p>
<p><a href="http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/peanuts-a-tirinha-de-snoopy-charlie-brow-e-companhia-completa-60-anos" target="_blank">aqui </a>e <a href="http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/peanuts-60-anos-conheca-o-perfil-dos-personagens-de-charles-schulz-e-leia-selecao-de-tirinhas" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Fratura Exposta</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 13:17:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[Ser o mais alto da classe aos oito anos de idade significa que você é desengonçado. Bruna era desengonçada e meio boba, ria alto e por qualquer coisa, embora à época eu achasse isso muito próximo do que fui saber anos depois tratar-se de imponência. O seu andar molengo e a voz estridente ornavam com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ser o mais alto da classe aos oito anos de idade significa que você é desengonçado. Bruna era desengonçada e meio boba, ria alto e por qualquer coisa, embora à época eu achasse isso muito próximo do que fui saber anos depois tratar-se de imponência. O seu andar molengo e a voz estridente ornavam com o perfeito caimento dos cabelos loiros.</p>
<p><a href="http://donttouchmymoleskine.com/fratura-exposta-por-rodrigo-levino/" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Vergonha que dá</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 21:43:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Nicolelis]]></category>

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		<description><![CDATA[Publicado no Novo Jornal
Se eu pudesse teria cavado um buraco para me enterrar, de tanta vergonha. Quer dizer, ainda estaria lá, no buraco, uma semana depois de ler a ótima entrevista feita pelo repórter Wagner Lopes, da Tribuna do Norte, com o neurocientista Miguel Nicolelis. As reclamações e os diagnósticos feitos pelo cientista mundialmente respeitado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/07/miguel-nicolelis-1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-20105" title="miguel nicolelis 1" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/07/miguel-nicolelis-1-100x150.jpg" alt="" width="100" height="150" /></a>Publicado no Novo Jornal</strong></em></p>
<p>Se eu pudesse teria cavado um buraco para me enterrar, de tanta vergonha. Quer dizer, ainda estaria lá, no buraco, uma semana depois de ler a ótima entrevista feita pelo repórter Wagner Lopes, da Tribuna do Norte, com o neurocientista Miguel Nicolelis. As reclamações e os diagnósticos feitos pelo cientista mundialmente respeitado sobre o descaso em que tem padecido, à mercê dos vergonhosos políticos potiguares, é um troço desconcertante. A gente pode listar de várias maneiras as qualificações do que ele cita, a saber, o descumprimento reiterado de promessas que ajudariam a desenvolver um importante centro de estudos científicos no Rio Grande do Norte: falta de visão, falta de espírito público, falta de interesse. Mas, bem, eu fico com a opção que, penso, melhor resume tudo: falta de vergonha na cara. Geral, ampla e irrestrita, sem distinguir cor partidária ou mise en scène ideológico. <span id="more-20104"></span>Quando, no começo dessa década, Nicolelis, brasileiro radicado nos EUA e professor com todas as loas da Universidade de Duke, onde desenvolve pesquisas de neurociência que podem mudar a história da medicina e da ciência através de novos tratamentos para doenças hoje consideradas incuráveis, como as degenerativas, decidiu estabelecer em Natal a sua filial de estudos brasileira, o mundo acadêmico voltou seus holofotes para este torrão de terra sem norte. Era uma luz, uma iniciativa esplêndida, tão maravilhosa que só podia ter partido de alguém de fora. As primeiras moscas foram engolidas pela imprensa local e pelos políticos, quando na inauguração do centro de estudos deu-se a presença de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil, e da milionária Lily Safra, que doou como pessoa física estimados um milhão de dólares para o fomento das pesquisas e assistência educacional que o cientista promove em Macaíba e em Natal. De última hora, à guisa de reparar o descaso, correram aos pés de Nicolelis prometendo mundos, fundos e tudo que até então, e até aqui, não conseguiram cumprir. Uma estrada asfaltada, saneamento, apoio da iniciativa privada, em troca de ciência, conhecimento, saber, um novo futuro para uma geração de crianças e jovens que deveriam ser atendidos numa parceria entre o poder público e o centro de neurociências. O resultado disso tudo? A desilusão estampada no rosto do cientista, que qualquer dia desses sai da Suécia com um Prêmio Nobel, mas não consegue arrancar do governo do estado e do município uma ação em prol do que se propõe. É uma vergonha avassaladora e, digo mais, é inútil que sejam reclamados e cobrados Wilma, Iberê, Micarla, Carlos Eduardo, Rosalba, Garibaldi, Zé Agripino. A coisa continuará como está, porque é e sempre foi mais importante investir no pão e circo que em conhecimento. A lógica do voto de cabresto pouco crítico permanece sendo levada adiante a ferro, fogo e muita enrolação, cujo saldo será o pior possível nos próximos anos, com todos os maganos acima citados desfrutando as benesses do poder e mamando nas tetas gordas do governo enquanto este pobre Rio Grande sem norte segue na rabeira da educação, do conhecimento, do progresso e, em resumo, da civilização.</p>
<p><strong>Vergonha que dá II</strong></p>
<p>Do ponto de vista jornalístico, a entrevista de Nicolelis é um dos achados do ano na imprensa potiguar. Pelo timing, pela pauta, pelas perguntas corajosas. Expôs, de maneira límpida e sem precisar recorrer a expedientes meramente declaratórios entre contendentes da disputa eleitoral, o nível baixo e rebaixado de todos os que entraram na recente disputa tendo nas costas a responsabilidade pelo descaso com que o centro de estudos de Miguel Nicolelis vem sendo tratado desde que aqui se instalou. Do ponto de vista político, é sem dúvida o turning point, como dizem os americanos, dessa campanha política. Ou deve ser, a não ser que a imprensa, entre acoitados e xeleléus, decida calar e seguir adiante com suas orelhinhas e preás, fazendo vista grossa ao absurdo que foi revelado pela Tribuna do Norte. Se isso não for suficiente para pautar o debate (existe?) entre os candidatos no Rio Grande do Norte, o que haverá de ser? Quem se habilitará a reconhecer erros e comprometer-se a repará-los, imbuindo esforços para que a crítica de Nicolelis torne-se obsoleta? Haverá homem de coragem ou mulher de luta que se disponha a tal?</p>
<p><strong>Vergonha que dá III</strong></p>
<p>Um dos aspectos que mais me chamou a atenção no rosário de reclamações de Nicolelis foi a dificuldade em manter parcerias duradouras a longo prazo com a iniciativa privada local. Quer dizer, é uma questão cultural? Também. E é de se lamentar vivamente. É assombroso que uma brasileira morando na Europa que até então nunca tinha posto os pés em Natal se disponha a doar um milhão de dólares enquanto os que aqui se encontram e arrotam suas riquezas em caminhonetas 4&#215;4 e festas promovendo o supra-sumo da breguice, incultos e incautos, não compreendam a oportunidade de vincular, mesmo que com interesses meramente mercantilistas, já que consciência é coisa rara por aqui, o nome físico ou jurídico à nata do conhecimento científico mundial. O que me faz pensar nas dezenas de bibliotecas e laboratórios científicos montados nos EUA com dinheiro de famílias abastadas, pelo simples prazer de colaborar com o conhecimento. Daí penso de volta na realidade potiguar e, de novo, se pudesse cavar um buraco e me enterrar, era o que fazia agora mesmo. Dá muita vergonha.</p>
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		<title>A bruxa está solta</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 21:53:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Marinho Chagas]]></category>
		<category><![CDATA[seleção brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Conhecido como “Bruxa Loura”, o craque Marinho Chagas promete ressuscitar na Copa de 2014.
aqui
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/marinho-chagas.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-18707" title="marinho chagas" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/marinho-chagas.jpg" alt="" width="73" height="90" /></a>Conhecido como “Bruxa Loura”, o craque Marinho Chagas promete ressuscitar na Copa de 2014.</p>
<p><a href="http://revistatrip.uol.com.br/revista/189/reportagens/a-bruxa-esta-solta.html" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Bibliotecas mais atraentes</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 19:52:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[bibliotecas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Em meio a discussões sobre o futuro do livro frente ao leitores eletrônicos, as bibliotecas se moldam às grandes livrarias e ler já  não é a atividade principal dos seus freqüentadores
“É como um Game Boy [videogame portátil], só que para livros?”, indaga Antonio Claudio tentando entender o que é um e-reader. O estudante de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img class="aligncenter size-full wp-image-16016" title="biblioteca" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/biblioteca.jpg" alt="" width="421" height="279" /></em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Em meio a discussões sobre o futuro do livro frente ao leitores eletrônicos, as bibliotecas se moldam às grandes livrarias e ler já  não é a atividade principal dos seus freqüentadores</em></p>
<p>“É como um Game Boy [videogame portátil], só que para livros?”, indaga Antonio Claudio tentando entender o que é um e-reader. O estudante de 12 anos freqüenta cinco dias por semana a Biblioteca Pública Érico Veríssimo, em Parada de Taipas, na periferia de São Paulo, e desde 2007 anota num caderno escolar os livros que lê, seguidos de pequenos resumos. A lista de títulos é variada, entre eles cinco volumes da série Harry Potter, de J.K. Howling, seis romances de Sidney Sheldon e algumas peças de William Shakespeare. Claudio nunca viu ou ouviu falar de leitores eletrônicos e ao ser apresentado a um demonstrou desinteresse: “Nada se compara a um livro”.</p>
<p><span id="more-16015"></span>Tratado como prodígio pelas atendentes da biblioteca, o adolescente destoa de seus pares pelo tanto que lê e com os quais pouco tem sobre o que conversar a não ser sobre “os livros da moda, Crepúsculo, Lua Nova, essas coisas”, reclama. Claudio encaixa-se na estatística do Ministério de Cultura, aferida na última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, segundo a qual apenas um em cada quatro brasileiros freqüenta regularmente bibliotecas públicas (uma para cada 33 mil habitantes). Ele ultrapassa no entanto a média nacional de 4,7 livros lidos por ano. “Acho que em dezembro a lista de 2010 terá uns 20”, especula.</p>
<p>Em São Paulo, a prefeitura administra 52 bibliotecas cujo acervo soma pouco mais de dois milhões de livros, catalogados por 277 bibliotecários em atividade. O volume de empréstimos foi de 955 mil em 2009, distribuídos entre os 85 mil usuários inscritos e a lista dos mais retirados iguala-se a dos best-sellers nas livrarias. Na biblioteca freqüentada por Claudio há uma lista de espera com 21 nomes de interessados – já foi de 38 – em ler Crepúsculo, da escritora americana Stephenie Meyer. Os campeões de empréstimos são também os mais furtados ou não devolvidos. Em cada biblioteca da cidade pelo menos vinte livros não retornam às estantes, todo mês.</p>
<p>A imagem austera e sisuda de lugares silenciosos e dedicados à leitura pouco corresponde ao que se vê nas bibliotecas da capital paulistana. A reportagem d’O Estado de São Paulo visitou seis delas. As salas de leitura existem mas não é o principal atrativo. Telecentros com acesso a internet, oficinas de desenho e contação de histórias preenchem uma vasta programação em todas as unidades da rede, municipal e estadual.</p>
<p>Internet. No último sábado à tarde, por exemplo, cerca de 50 crianças estavam presentes no térreo da Biblioteca São Paulo, recém-inaugurada e que custou aos cofres públicos cerca de 12 milhões de reais, onde anteriormente funcionou o presídio do Carandiru. A reportagem d’O Estado de São Paulo abordou 10 delas, das quais apenas duas portavam livros. Pablo Henrique, de 10 anos disse que costuma ir todo fim de semana ao lugar para acessar internet &#8212; “atualizar meu Orkut” – e ver filmes. Dois primos, o irmão mais novo e três amigos, todos na mesma faixa etária, deram depoimentos semelhantes. Do outro lado, as exceções. Jenifer e Giovana Marques, irmãs de 9 e 6 anos respectivamente, levadas pelo pai Wagner, corretor de seguros, dividiam-se entre livros de Pedro Bandeira e Ziraldo.</p>
<p>Arquitetada nos moldes de uma grande livraria, repleta de recursos eletrônicos e com uma grade de eventos que inclui shows musicais aos domingos, a Biblioteca São Paulo amplia a tendência de transformar as bibliotecas em centros de eventos relacionados à leitura (palestras, saraus, oficinas, seminários) e não somente dedicada ao ato em si. É a única na cidade que disponibiliza um Kindle para uso dos freqüentadores. O uso do aparelho é raro, mais por curiosidade que por hábito.</p>
<p><strong>Anna Duckworth: uma relação de amor com os livros</strong></p>
<p>Anna Duckworth, 61 anos, bibliotecária da rede municipal desde 1978 – a mais antiga em atividade – percebeu a mudança de foco nas bibliotecas brasileiras mais fortemente no começo dos anos 2000. Durante o mestrado que realizou no Simmon’s College, em Boston, no começo da década de noventa, e como estagiária de duas bibliotecas americanas ela já havia testemunhado a guinada fora do país.</p>
<p>“Eu acho que é a única maneira de despertar o interesse de novos e potenciais leitores. Foi-se o tempo em que um estudante ia a uma biblioteca fazer pesquisas. Isso eles podem fazer na internet. Contar histórias, envolver os potenciais leitores com coisas relacionadas ao livro pode ser a nossa tábua de salvação”, diz Anna, que hoje se dedica a pequenos eventos na Biblioteca Belmonte, em Santo Amaro, zona sul da capital, e diz não acreditar que a tecnologia dos leitores eletrônicos possa suplantar o uso do livro físico a curto ou médio prazo. “Talvez em cinqüenta, sessenta anos. Até pelo acesso que é restrito. Essa onda vai demorar a se espalhar até a borda”, sentencia.</p>
<p>Lá fora, enquanto a discussão livros x tecnologia incendeia debates entre leitores, mercado e editores, as bibliotecas seguem a marcha da mudança. Na Inglaterra, o governo investiu no último ano cerca de 193 milhões de libras, aproximadamente 900 milhões de reais, na reforma e construção de novas bibliotecas nas cidades de Birmingham, Cardiff, Newcastle e Swindon. Todas dentro do padrão das superbibliotecas, equipadas com cafés (filiais da rede Starbucks), teatros, cinemas, auditórios e centros de informática.</p>
<p>Apesar da tendência acima mencionada, ainda é possível encontrar estudantes nas bibliotecas paulistanas, a maioria dedicada ao estudo em grupo, quase nenhum a pesquisa nos moldes antigos de consulta a enciclopédias e almanaques. “Durante dois anos estudamos todos os fim de semana aqui (Centro Cultural São Paulo) mas agora estamos de mudança para a do Carandiru”, contou Jaqueline Brasileiro, 24, que com mais quatro colegas de faculdade optou pela mudança ao saber que a Biblioteca São Paulo é mais iluminada, espaçosa e dispõe de um café e acesso a internet em maior quantidade de computadores.</p>
<p>“As bibliotecas sobreviverão. Para vários fins além de ler literatura. Estudar, encontrar pessoas, ter acesso a informação, do modo que cada uma delas achar conveniente aos seus freqüentadores”, diz Anna Duckworth, que acredita ser essa a melhor – única? – maneira de confrontar o desinteresse pelos locais e a chegada de recursos tecnológicos para a leitura. Antonio Claudio, em Parada de Taipas, dá de ombros e confessa freqüentar a biblioteca do bairro por prazer, “mesmo que eu seja o único na sala de leitura nos próximos anos”.</p>
<p><strong>Bibliotecas no Brasil</strong></p>
<p>Uma biblioteca pública para cada 33 mil habitantes<br />
300 municípios brasileiros ainda não dispõem de bibliotecas<br />
No estado de São Paulo elas somam 720<br />
Existem 52 mil bibliotecas escolares no país, 2.200 universitárias</p>
<p><strong>(Reportagem publicada no jornal Estado de São Paulo &#8211; 28.03.2010)</strong></p>
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		<title>Salinger</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 21:08:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Tácito, eu gosto demais quando você volta e meia traz a tona o fato de não gostar desse ou daquele livro, de não ter compreendido, se emocionado. Nada mais normal. Não é por ser cânone que devemos gostar e se não gostarmos, nada mais justo do que assumir. Quanto a Salinger, foi um dos livros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito, eu gosto demais quando você volta e meia traz a tona o fato de não gostar desse ou daquele livro, de não ter compreendido, se emocionado. Nada mais normal. Não é por ser cânone que devemos gostar e se não gostarmos, nada mais justo do que assumir. Quanto a Salinger, foi um dos livros que me marcaram profundamente na adolescência. Roubei o exemplar da biblioteca do Santa Teresinha, colégio onde estudava em Caicó. Tenho até hoje. Nenhum arrependimento, só orgulho. Tem um fator de suma importância nisso tudo que é a questão afetiva. Li Salinger na mesma época em que saía das coleções Para Gostar de Ler e Vagalume e conhecia a Cantadas Literárias, da Brasiliense, com Marcelo Rubens Paiva, Caio Fernando Abreu e Reinaldo  Moraes, também vi Kids e Diários de Um Adolescente (?). Talvez se lesse hoje não me emocionasse tanto. Mas é isso, ficou a impressão, a marca, o carimbo que certamente nunca vai me deixar, nem a Mario Ivo nem a Pedro Lucas e não necessariamente você &#8211; nem ninguém &#8211; precisa tê-lo. Basta respeitar, nesse caso, e acho que tá de bom tamanho.</p>
<p>Abraços</p>
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		<title>De urubus, corvos e similares</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/de-urubus-corvos-e-similares/</link>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 23:35:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Nuns poucos dias de descanso nos arredores de Búzios e Barra de Tabatinga, entre o fim de 2009 e começo deste ano, me aprazia o vôo dos urubus, perenes por aquelas bandas, por causa dos restos de peixes deixados pelas redes dos pescadores ou trazidos pelo mar, mortos de variadas formas.
O bicho tem um vôo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-13424" title="urubus" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/urubus-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" />Nuns poucos dias de descanso nos arredores de Búzios e Barra de Tabatinga, entre o fim de 2009 e começo deste ano, me aprazia o vôo dos urubus, perenes por aquelas bandas, por causa dos restos de peixes deixados pelas redes dos pescadores ou trazidos pelo mar, mortos de variadas formas.</p>
<p>O bicho tem um vôo bonito que é danado. Quer dizer, vôo não, que aquilo é uma ode à preguiça. Arqueiam-se asas e plana-se adoidado a fáceis cem metros de altura. Deve ser gostosa a sensação.</p>
<p>De tanto assistir o espetáculo diário de às vezes dez, doze bichos desses, fui revirar literatura sobre o tema.</p>
<p>Diz o Houaiss que urubu é urubu (espécies Coragyps ou Cathartes) e corvo é corvo (Corvus), e que o parentesco do primeiro dá-se mais aproximadamente com a gralha (Pyrrhocorax graculus). Aceitando todos como bichos de pena e por causa disso apenas variadas formas de urubus, me vem logo à cabeça Edgar, o corvo de Poe, assim como algumas anotações de Roth e Murakami, sobre os bichos que crocitam, grasnam e voam bonito que é uma beleza.</p>
<p>Escreve o americano: Quem diz que o corvo é um bicho feio que come porcaria – e quase todo mundo diz isso – é maluco. Eu acho o corvo lindo. Acho, sim. (&#8230;) Como será que é voar? A gralha sobe lá no alto, mas o corvo parece que só vai aonde ele quer ir. Não fica voando por aí, de bobeira, pelo menos é o que me parece. (&#8230;) Deixa a gralha se encarregar de planar. Deixa a gralha subir até não poder mais, quebrar todos os recordes e ganhar todos os prêmios. Os corvos têm que ir de um lugar para outro.</p>
<p>Sobre corvos, conta Murakami: Com o nascer do sol, corvos vêm para a cidade em bandos para buscar alimentos. Suas asas negras e oleosas brilham sob a luz do sol. Para os corvos, essa questão de dualidade não tem importância. O que realmente importa para essas aves é garantir o alimento necessário para sua própria subsistência. (&#8230;) Os corvos emitem grasnidos ásperos e vão aterrissando em todos os cantos da cidade, num mesmo mergulho de aviões em bombardeios.</p>
<p>A respeito de urubus propriamente ditos, não tem lugar melhor para observá-los – tirar conclusões e tecer considerações &#8211; do que as falésias de Tabatinga.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Do silêncio</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/do-silencio/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 17:37:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é o trânsito que mais me incomoda em São Paulo. Aos poucos a gente descobre um atalho aqui, uma ruazinha ali, uma manha acolá que facilita o caminho; como matar o tempo ouvindo rádio ou simplesmente aceita o tempo que se perde – segundo pesquisa, em média três horas diárias – cercado de carros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-13342" title="sao paulo sp" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/sao-paulo-sp-300x238.jpg" alt="" width="300" height="238" />Não é o trânsito que mais me incomoda em São Paulo. Aos poucos a gente descobre um atalho aqui, uma ruazinha ali, uma manha acolá que facilita o caminho; como matar o tempo ouvindo rádio ou simplesmente aceita o tempo que se perde – segundo pesquisa, em média três horas diárias – cercado de carros sem conseguir ir a lugar algum.</p>
<p><span id="more-13341"></span>Tem a poluição, que alimenta o pudim negro acima dos prédios. Ou ainda a falta de horizonte. Onde quer que se olhe é concreto. Mas nenhum desses incômodos supera o barulho.</p>
<p>Dei sorte (em termos) de ate hoje morar em lugares relativamente silenciosos. O que torna ainda mais dramática a saída de casa. E nessa pisada você acaba vivendo dez meses do ano em prol de dois: janeiro e fevereiro.</p>
<p>Que é quando a coisa amaina, acalma, sossega. A turba desce a serra e vai à praia e o ano, que é uma mistura de começo de aulas e volta das férias, começa mesmo depois do carnaval.</p>
<p>Há silêncio nas ruas. Uma avenida Sumaré vazia que se segue a Brasil um pouco mais movimentada para cair de vez na taciturnidade do Jardim Europa com suas ruas frondosamente arborizadas e casarões vazios nessa época do ano.</p>
<p>Por causa disso, há um refrigério, uma comunhão com o silêncio. Mais ou menos como escreve Philip Roth em ‘A Marca Humana’ (Cia das Letras, 2003): Para viver longe de todos os envolvimentos, todas as atrações e expectativas que nos perturbam a paz, longe, sobretudo, de nossa própria intensidade, o segredo é organizar o silêncio, (&#8230;) encarar o silêncio como uma riqueza que está se multiplicando constantemente. O silêncio que nos cerca é a vantagem que escolhemos, e é só com ele que temos intimidade. O segredo é encontrar sustento nas [Hawthorne mais uma vez] “comunicações de uma mente solidária consigo mesma”.</p>
<p>Entre uma coisa e outra, a percepção da paz que se abate sobre a cidade esses dias e o usufruto da mesma, vejo-a se movimentando como em slow motion, com novos e ricos detalhes, e nisso reside grande parte do prazer de fazer parte da engrenagem local. Quiçá, é por essa brecha de dois meses que de fato a conhecemos. Pelo despertar suave dos seus dias, das pessoas.</p>
<p>Impressões que levam a Haruki Murakami e o seu belíssimo ‘Após o Anoitecer’ (Alfaguara, 2009), descrevendo a cidade sem nome levantar da noite: Somos um autêntico ponto de vista e do céu olhamos a cidade. Observamos a cena do despertar de uma metrópole gigante. Os trens de passageiros, pintados em várias cores, saem em diferentes direções transportando pessoas de um lugar a outro. Cada passageiro tem um rosto e uma mente diferente, mas ao mesmo tempo, todos fazem parte de uma massa constituída de anônimos. Formam um conjunto e, ao mesmo tempo, são apenas peças dele. Enquanto convivem habilmente e de modo conveniente com essa dualidade que os cerca, cumprem seus rituais da manhã com extrema precisão e rapidez: escovam os dentes, fazem a barba, escolhem a gravata ou passam o batom. Assistem aos noticiários da TV, conversam com os familiares (&#8230;)</p>
<p>É mais ou menos isso que vejo enquanto demoro inacreditáveis (para os padrões paulistanos) dezenove minutos para ir de casa ao trabalho. Enquanto isso, torcendo para que se demorem uns dois ou três meses até que o ano comece de verdade e a cidade vire o caos de sempre. Sem silêncio e corroída pela pressa.</p>
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		<title>De como se alcança o triunfo</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 14:07:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
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Eu fui uma criança socialmente prejudicada. O fundo de garrafa que a miopia me presenteou já aos quatro anos de idade permitiu poucas molecagens. Obvio que por mim quebraria quantos óculos fossem preciso, de bolada e iô-iô na cara, como foi o caso num par de vezes. No entanto, cercado pelos cuidados maternos, restou dentre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-13078" title="caicó" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/caicó.jpg" alt="" width="400" height="323" /></p>
<p>Eu fui uma criança socialmente prejudicada. O fundo de garrafa que a miopia me presenteou já aos quatro anos de idade permitiu poucas molecagens. Obvio que por mim quebraria quantos óculos fossem preciso, de bolada e iô-iô na cara, como foi o caso num par de vezes. No entanto, cercado pelos cuidados maternos, restou dentre todas as opções de se estabacar na vida e voltar chorando para casa com o sangue dando no meio da canela, o de andar de bicicleta. Coisa que rendeu uns fracassos, mas não considerados tão nobres do que metade da cabeça de um dedo voando pelos ares num chute mal colocado, no campinho de terra da rua.</p>
<p><span id="more-13077"></span>Nas cercanias do bairro Penedo, em Caicó, só saber andar de bicicleta contava uns dez pontos a menos no ranking da turma. O grande trunfo era driblar pela esquerda, invadir a pequena área e chutar a gol. Isso quer dizer que eu contava quase nada. Se não era uma vergonha para a família, devo o socrro ao meu irmão, mais novo, afeito à pelota e suas fintas.</p>
<p>Quando não estava com a bicicleta debaixo dos pés, me aprazia em peruzar os jogos, agourar um pênalti e coisas do tipo. Não deixava de ser uma maneira de rogar atenção e conseguir alguém que acompanhasse numas pedaladas. Um ou outro mais afobado tratava de afastar a algazarra sempre ameaçando uns chutes na minha magrela. Nisso eu pedia penico e ia exercitar a sensação de dono do mundo. Que era mais ou menos como eu me sentia descendo as ladeiras que havia por perto. Pedalar é isso, se sentir o dono do mundo.</p>
<p>Que o diga o escritor austríaco Thomas Bennhard, que descreveu com maestria um sentimento que parece universal, de Salzburgo a Caicó, no livro ‘Origem’ (Cia das Letras, 2005). Diz ele: <em>Quando estamos no ápice, não há nada que desejemos mais do que um observador a nos admirar, mas esse observador-admirador não estava lá. Contentei-me em observar e admirar a mim mesmo. Quanto mais forte a velocidade soprava em meu rosto, mais eu me aproximava da minha meta, (&#8230;) e mais radicalmente me distanciava do local da monstruosidade cometida. Nas retas, quando eu fechava os olhos por um momento, podia desfrutar da bem-aventurança do triunfo. Em segredo, comungava com meu avô: naquele dia, tinha feito a maior descoberta da minha vida até ali, tinha dado uma guinada em minha existência, talvez a decisiva, rumo à locomoção mecânica sobre rodas. Era daquela maneira, portanto, que o ciclista encarava o mundo: de cima! Vai a toda, sem tocar os pés no chão, é um ciclista, o que é quase como dizer: sou o dono do mundo</em>.</p>
<p>Como nem tudo é triunfo, as quedas foram igualmente memoráveis. Umas vergonhosas, diante das vizinhas fofoqueiras que se escanchavam nas calçadas já no meio da tarde. ‘Tadinho, esse menino de Miriam vive se lascando nessa bicicleta’. Miséria. Daí a identificação com parte da narrativa de ‘Mãos de Cavalo’ (Cia das Letras, 2007), de Daniel Galera: <em>A bicicleta flutua. Ele cometeu um erro. Esqueceu do quinto ponto delicado do percurso. As lajes de pedra cobertas de limo. Aquele trecho úmido de calçada, sob um teto de copas de árvores que justificam o nome &#8220;rua da Sombra&#8221;, está sempre coberto de limo. Aderência praticamente nula. É um sabão. A bicicleta derrapa, ele pensa em se jogar no chão, mas não há tempo, porque a roda dianteira bate no murinho de tijolos que delimita um pequenino canteiro decorado com uma dúzia de amores-perfeitos e camélias e agora ele e a bicicleta estão voando, e agora estão rolando juntos pelos paralelepípedos da rua da Sombra, o pé do Ciclista preso no quadro da Caloi aro 20 de freio de pé, e rolam e se arrastam abraçados por um punhado de metros, deixando para trás um rastro de poeira.<br />
O Ciclista Urbano permanece pelo menos uns dez segundos imóvel no meio da rua, a perna ainda enrolada na bicicleta, enquanto os cachorros das casas ao redor latem enlouquecidos. Quando seu cérebro volta a funcionar, a primeira idéia que surge é que sua cara deve estar deformada.</em></p>
<p>No fim daqueles anos, os mais saborosos de qualquer vida, a minha cara estava intacta. Não foi o caso da citada sensação de ter o mundo embaixo dos pés, que mais dia menos dia finda no passado. Hoje, com o tal do mundo atropelando a vida, resta alugar uma bicicleta num desses parques sem graça de São Paulo e tentar, se não o triunfo, ao menos uma queda. Para lembrar como era.</p>
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		<title>Villasanti mãos de tesoura</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/villasanti-maos-de-tesoura/</link>
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		<pubDate>Tue, 12 Jan 2010 20:16:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
O universo canino já tem o seu Jean Louis David
Em uma hora, vinte minutos e cerca de 15 mil tesouradas, Sergio Villasanti torna apto a concursos de estética qualquer bichon frisé. É a sua raça de cão preferida para a tosa.
Aos 45 anos, Villasanti é dono da República dos Cães, escola e pet-shop que fundou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img class="aligncenter size-large wp-image-13006" title="VILLASANTI MÃOS DE TESOURA" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/VILLASANTI-MÃOS-DE-TESOURA-510x212.jpg" alt="" width="510" height="212" /></em></p>
<p><em>O universo canino já tem o seu Jean Louis David</em></p>
<p>Em uma hora, vinte minutos e cerca de 15 mil tesouradas, Sergio Villasanti torna apto a concursos de estética qualquer <em>bichon frisé</em>. É a sua raça de cão preferida para a tosa.</p>
<p>Aos 45 anos, Villasanti é dono da República dos Cães, escola e pet-shop que fundou há quinze anos em Campinas, onde, segundo seus cálculos, já formou mais de 4 mil tosadores, incluindo pupilos ingleses e australianos. Este ano, ele viajou para os Estados Unidos, Colômbia e Peru, convidado para ser palestrante ou jurado em concursos de beleza canina. As hospedagens, &#8220;em hotéis caríssimos, com jantares tão finos que dão saudade do meu arroz com feijão, em casa&#8221;, contrastam com a penúria do início da carreira, em 1979.</p>
<p><span id="more-13005"></span>Villasanti tinha 14 anos e um emprego de auxiliar no pet-shop Cão Amigo quando foi apresentado ao universo da tosa canina. A iniciativa partira de uma cliente holandesa, que exigia ver seus poodles tosados no mesmo molde que se costumava usar nas ruas de Amsterdã. &#8220;Um trauma, um trauma&#8221;, Villasanti lembra, fechando os olhos e meneando a cabeça, como se quisesse tirar da mente a imagem dos cãezinhos quase escalpelados, tamanha a virulência com que a holandesa os tratava. Embora ainda tivesse pouco conhecimento do ofício, decidiu, ali, que primaria por cortes mais artísticos &#8211; o universo canino precisava de seu próprio Jean Louis David.</p>
<p>A iluminação veio aos 17 anos, quando, ao passar por um sebo, Villasanti comprou o livro <em>Poodle Clipping and</em> <em>Grooming</em> (algo como <em>Tosando e Embelezando Poodles</em>), publicação considerada a bíblia do ramo. A maior dificuldade foi traduzir o texto usando um dicionário escolar. Como não falasse outra língua que não o português, Villasanti se viu obrigado a observar cada fotografia com olhar cirúrgico. Memorizou as imagens de poodles com pompons no rabo, nas orelhas, nas patas, na franja e, com uma tesoura em mãos, passou a repeti-las nos cães da vizinhança (que, muito provavelmente, passaram a ser ridicularizados pela máfia de vira-latas, dobermanns e buldogues de pelo curto).</p>
<p>&#8220;Nessa época, era um horror&#8221;, lembra o tosador, explicando os motivos: &#8220;Tesoura, máquina, secador, pente, xampu &#8211; só tinha de uso humano. Um atraso, como quase tudo nesse país.&#8221; A situação começou a mudar nos anos 90, com a abertura implementada pelo governo Collor ao mercado de produtos importados. Foi o momento que Villasanti escolheu para abrir seu primeiro pet-shop. Chamava-se República dos Cães, como o atual.</p>
<p>A empreitada durou pouco. Em 1992, Villasanti foi estudar na Kitty Saloon, respeitada escola de tosa da Bélgica. Acabou contratado e, na condição de instrutor, amealhou o primeiro lugar no Best in Show Junior, concurso para tosadores profissionais que acontece todos os anos na Bélgica. Venceu 15 mil cães com o <em>bichon frisé</em> de uma vizinha, num ginásio apinhado de gente. &#8220;Foi lindo&#8221;, diz, com os olhos marejados. &#8220;Mas um dia a gente cansa da Europa, né?&#8221; Cansou, voltou e reabriu a República dos Cães.</p>
<p>Do primeiro concurso até hoje já são mais de 100 participações em competições. Os doze prêmios que acumulou nesse período renderam a Villasanti um convite do Ministério do Trabalho, em 2002, junto com seis outros colegas, para definir a profissão de &#8220;tosador de animais domésticos&#8221; na Classificação Brasileira de Ocupações. A redação diz: &#8220;Tosam, banham e enfeitam animais. Limpam ouvidos, dentes e olhos de animais.&#8221;</p>
<p>&#8220;Cada um de vocês, quando for comprar uma tevê nas Casas Bahia e preencher o crediário, pode dizer com orgulho, graças <em>também a mim</em>, que a profissão é <em>tosador</em>&#8220;, diz Villasanti aos alunos, durante uma aula de banho e tosa em seu pet-shop. O curso dura de dez a quinze dias e custa 800 reais, com carga horária de sete horas por dia. Para as demonstrações práticas, Villasanti usa sempre um poodle rosa (espécie de ovo rosa de botequim do universo canino). Já os alunos são obrigados a levar apenas lápis e papel. Tesoura, máquina e cães são cedidos pelo curso, que os arrebanha em canis da cidade. &#8220;Ele é muito famoso lá fora. Acho que vai valer à pena&#8221;, justifica o carioca Raimundo Souza, enquanto segura um <em>cocker spaniel</em>. Os alunos sonham dominar a técnica de Villasanti, que além de oitenta raças de cães, aprendeu a tosar gatos, ovelhas e cavalos.</p>
<p>Em abril de 2010, Villasanti poderá ver o conjunto de sua obra galardoado no The Red Carpet Show, o maior encontro internacional de tosadores, nos Estados Unidos. Ele concorre na categoria &#8220;Melhor Tosador Profissional Estrangeiro&#8221;. Diz-se merecedor do prêmio. &#8220;É natural que anos de esforço e dedicação findem em reconhecimento, embora isso eu já desfrute mundo afora. Seria, no caso, uma ratificação&#8221;, diz impudico. Se trouxer a comenda para casa, promete fazer uma tosa especial em seus vinte cachorros, &#8220;pois eu sou o que sou graças a cada um deles, né?&#8221; (<strong>Texto publicado na Piauí de janeiro 2010</strong>)</p>
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		<title>Da calmaria</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 16:02:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Agora que a turba tomou o rumo da praia, o bairro parece um gato gordo e preguiçoso se enroscando nas pernas do dono. Perdizes, onde cheguei não faz duas semanas, está uma delícia.
A escolha, em parte, deveu-se justo a isso, a cara de vila e cidade pequena que o bairro conserva; seus velhotes jogando dominó [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-large wp-image-12929" title="perdizes" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/perdizes-510x383.jpg" alt="" width="510" height="383" /></p>
<p>Agora que a turba tomou o rumo da praia, o bairro parece um gato gordo e preguiçoso se enroscando nas pernas do dono. Perdizes, onde cheguei não faz duas semanas, está uma delícia.</p>
<p>A escolha, em parte, deveu-se justo a isso, a cara de vila e cidade pequena que o bairro conserva; seus velhotes jogando dominó e coçando &#8211; mesmo &#8211; o saco na porta do parque, as mães banhando de sol os pequenos até por volta das dez da manhã, dois ou três amigos morando a quatro quadras, os pequenos mercados e padarias.</p>
<p><span id="more-12928"></span>Coisa que começam a rarear em Pinheiros/Vila Madalena. A Vila, vítima de um processo que eu chamo de ‘Itaimnização’, que é mais ou menos como se Morro Branco se transformasse do dia para a noite num Petrópolis metido (cafona?) e barulhento.</p>
<p>Acredite, há pouca coisa de Oscar Freire por ali. E não se trata apenas de dinheiro.</p>
<p>Mas voltando a Perdizes, agradável o silêncio que faz entre as ruas Minerva e Monte Alegre. Onde se soube que era Natal pela moda de Papai Noel subindo escadas ou escalando portas. Uns bonequinhos feios e tortos que devem ter feito a festa dos ambulantes na 25 de Março.</p>
<p>Da janela do escritório, em casa, ouvi os gritos dos moleques na pequena cerimônia que inaugurou as luzes de Natal na piscina do prédio vizinho. Hoje, não há um sequer, correndo, pulando ou tentando arrancar as luzes, num belo exercício de traquinagem.</p>
<p>Passou o Natal e, provável que fora os porteiros, nos prédios e casas da rua só tenham restado a senhora do terceiro andar do prédio à esquerda, sempre sozinha assistindo TV; a do andar acima do meu, insuportável, segundo contam, cujo nome sugere o tratamento que devemos dispensá-la: Geni, e uns cães e gatos de rua que passeiam manso, se refestelando na calmaria, seja Natal ou Carnaval.</p>
<p>Coisas que cairiam bem num relato como o de Amós Oz, em ‘Cenas da Vida na Aldeia’ (Cia das Letras, 2009): Por volta do meio-dia de uma sexta-feira não há ninguém nas ruas da aldeia, todos estão descansando (&#8230;). Era um dia cinzento e úmido, nuvens baixas passavam sobre os telhados das casas, e farrapos de uma névoa fina pairavam nas ruas desertas. As casas nos dois lados do caminho estavam fechadas e mergulhadas em sonolência. Um vento (&#8230;) carregava um pedaço de jornal antigo através da largura da rua deserta, e Beni curvou-se, recolheu-o e o pôs em uma das latas de lixo. Um grande cão vira-lata grudou nele junto ao Jardim dos Primeiros e começou a segui-lo enquanto resmungava, rosnava e lhe arreganhava os dentes. Beni curvou-se, empunhou uma pedra e erguei energicamente o braço. O cão afastou-se, rabo entre as pernas, mas continuou a seguir Beni a uma distância segura. E assim andaram os dois ao longo da rua deserta, cerca de dez metros a separá-los, e dobraram à esquerda, para a rua dos Fundadores. Aqui também todas as persianas estavam cerradas para o descanso (&#8230;)</p>
<p>Verificarei minhas impressões assim que retornar. Darei nota do acontecido.</p>
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		<title>Sobre o filme de Lula</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/sobre-o-filme-de-lula/</link>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 01:41:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[O tanto que se escreveu sobre ‘Lula, o Filho do Brasil’, de Fabio Barreto, muito antes da estréia do filme (inclusive por quem não o viu), renderia um roteiro. Desta feita, de algum filme que tratasse de briga de torcidas organizadas. Que no final das contas é no que parece ter se transformado a discussão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-12833" title="lula - o filme" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/lula-o-filme-300x199.jpg" alt="" width="236" height="158" />O tanto que se escreveu sobre ‘Lula, o Filho do Brasil’, de Fabio Barreto, muito antes da estréia do filme (inclusive por quem não o viu), renderia um roteiro. Desta feita, de algum filme que tratasse de briga de torcidas organizadas. Que no final das contas é no que parece ter se transformado a discussão política no país.</p>
<p>O clima de disputa e guerra de adjetivos foi bem resumido pelo jornalista Elio Gaspari, em artigo na Folha de S. Paulo, confabulando que ‘as platéias chorarão de emoção e a oposição, de raiva’.</p>
<p><span id="more-12832"></span>Botando só um pé no meandro político do filme: Ele pode ser usado como instrumento de campanha eleitoral? Pode. Há pano para essa manga. Se surtirá efeito a contento, em prol da candidatura da ministra Dilma Roussef, são outros quinhentos. É esperar ser lançado, ou até lá, embarcar no falho exercício de futurologia das vuvuzelas políticas.</p>
<p>Do ponto de vista estético, ‘Lula, o Filho do Brasil’ não é um mau filme. Assim como passa longe de ser uma grande produção, a não ser pelo orçamento bancado por patrocínio privado. E explico. É um filme mediano, nada além nem aquém do que normalmente se produz no cinema nacional.</p>
<p>É até assustador que Fábio Barreto, que pôs no mundo coisas horrendas como ‘A Paixão de Jacobina’ e ‘Bela Donna’, tenha conseguido parir o referido filme. Tendo como referência a filmografia do diretor, ‘Lula’ é quase um ‘Cidadão Kane’.</p>
<p>Ressalva-se o óbvio inatacável da história do personagem biografado. É fato que Lula tem uma história de vida espetacular. De um pau-de-arara à presidência da República, passando pela liderança sindical onde arregimentou, em algumas greves no início dos anos 80, mais de cem mil trabalhadores na região do ABC Paulista, resta um vulto histórico sem nenhum precedente na história do Brasil, quiçá do mundo.</p>
<p>Em linhas gerais, é um filme melodramático, sustentado na forte presença de Dona Lindu, mãe do protagonista, interpretada com segurança por Glória Pires, uma trilha sonora chorosa que beira o irritante dado o uso sem comedimento, e guiado por um roteiro atabalhoado principalmente na primeira metade. Rui Ricardo Dias, na pele de Lula, é quase ele, de tanto que absorveu o gestual e a voz. Noutra ponta, Milhem Cortaz como Seu Aristides, pai do atual presidente, compõe um belo antagonista, bêbado e emocionalmente descontrolado, que vitimou a família com violência doméstica a ponto de ser surpreendente que os filhos e a mulher tenham se sustentado em dignidade.</p>
<p>Irônico o fato de um dos melhores personagens do filme ser justo um pelego de marca maior, inspirado no sindicalista Paulo Vidal, que antecedeu Lula na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.</p>
<p>Em resumo, o balanço geral rende uma média com galhardia, um pouco menor que a alcançada por ‘Dois Filhos de Francisco’, cinebiografia do mesmo gênero e intenção redentora.</p>
<p>Quer dizer, coisa típica do cinema brasileiro, com raras exceções. Para quem viu ‘Salve Geral’, um fragoroso fracasso, de público e produção, ser indicado para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2010, ‘Lula’ chega a valer uma estatueta. Não de ouro, não cabe tanto. Mas dá para o gasto uma banhada em bronze ou cobre.</p>
<p>Contra tudo, todos e qualquer opinião – inclusive a deste sobrescrito – vá ao cinema e tire suas conclusões. Do filme, claro. Voto é outra coisa. <strong>Publicado no Novo Jornal.</strong></p>
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		<title>Cortes, facas e bainhas</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/cortes-facas-e-bainhas/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 19:34:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Meu pai foi churrasqueiro durante quinze anos. Da infância ao começo da minha vida adulta, assisti-o ‘limpar’ centenas de quilos de carne, salgá-las e estendê-las no sol. Vísceras nunca me enojaram.
O trabalho dele, todavia, não me despertava o orgulho exibido pelos colegas da escola e da rua, com seus pais médicos, advogados, bancários, professores universitários [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-12584" title="açougue" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/01/açougue.jpg" alt="" width="250" height="274" />Meu pai foi churrasqueiro durante quinze anos. Da infância ao começo da minha vida adulta, assisti-o ‘limpar’ centenas de quilos de carne, salgá-las e estendê-las no sol. Vísceras nunca me enojaram.</p>
<p>O trabalho dele, todavia, não me despertava o orgulho exibido pelos colegas da escola e da rua, com seus pais médicos, advogados, bancários, professores universitários e fazendeiros. “Meu pai corta carne”, eu explicava meio encabulado.</p>
<p>Hoje, tendo ele largado os espetos, as facas e as bainhas, e quando nada do que se refere ao que descreviam meus colegas sobre as respectivas atividades dos seus pais me interessa, ocorreu-me por meio de livros que meu pai não leu – e muito provavelmente não o fará – que dentre todos ele era o que desempenhava ofício mais nobre.</p>
<p>O corte era uma habilidade que meu pai nos ensinou mal ou quase nada, a mim e ao meu irmão.</p>
<p><span id="more-12583"></span>A destreza com que afiava o fio na pedra e corria a ponta da faca reta, num estirado que extirpava nervos e o excesso de gordura, era o modo de nos garantir sobrevivência por outros meios, justificava. Um dos quais, a leitura perenemente estimulada em casa, me fez, ao longo dos últimos anos entre centenas de livros lidos, catalogar trechos que remetem aos cortes, às facas, às vísceras. Em resumo, ao meu pai, agraciado pelo reconhecimento que não fui capaz de dar, quando inculto e imaturo, em relatos de autores inatacáveis, sobre o que mais ele gostava (penso que ainda) de fazer na vida: cortar, salgar, assar.</p>
<p>Começo por Cormac McCarthy, em Meridiano de Sangue (1985), que diz: <em>Quando a escuridão caía os homens voltaram com a carne. Os peleiros haviam enchido a carroça de prosópis, tanto as ramas como os tocos desencavados com os cavalos, e descarregaram a lenha e começaram a esquartejar os antílopes eviscerados no chão do veículo com suas facas bowie e machadinhas, rindo e retalhando numa orgia de sangue, uma cena metífica à luz de lampiões seguros por terceiros. Quando as trevas eram completas os cortes de costelas inclinavam-se fumegantes perto das fogueiras e uma justa era disputada pelos carvões com paus afiados onde haviam sido espetados nacos de carne e ouviam-se um retinir de cantis e uma troça incessante.</em></p>
<p>E sigo adiante desencavando anotações do Moleskine gasto, reproduzindo trecho de Até o Dia Em Que O Cão Morreu, de Daniel Galera (2007, Cia. Das Letras): <em>Nessas ocasiões, ele carneava uma ovelha pro churrasco. Pendurava o bicho amendrontado num galho de árvore, abria o pescoço com a faca e deixava ele sangrar por alguns minutos. Rachava um talho em cada um dos quatro cascos, depois abria o couro da virilha</em> <em>até o pescoço. Com a lâmina e com as mãos, descolava todo o pelego da carne e, por fim, cortava a barriga e deixava cair o bucho sobre o capim encharcado de um sangue grosso e vermelho-claro. (&#8230;) Meu vô colocava um pernil e uma costela no fogo (&#8230;). Comíamos com as mãos, lasqueando a carne com um facão.</em></p>
<p>Há ainda Philip Roth, em Indignação (2009, Cia. das Letras): <em>Nos sete meses anteriores à minha entrada na universidade, ele me deu mais do que carne para moer e algumas galinhas para aprontar. Ensinou-me a pegar uma costela de cordeiro e separar as costeletas, talhando cada uma e, ao atingir o fundo, usar o cutelo para afastá-las do resto. E me ensinava sempre da forma mais tranqüila. “É só não acertar sua mão com o cutelo e tudo bem”, dizia.</em></p>
<p>Por último, Sergio Faraco em Dançar Tango em Porto Alegre (1998, LP&amp;M), cujo trecho do conto Guapear com Frangos, descreve a peleja do rancheiro López carregando o corpo do amigo Sarasua, tendo que protegê-lo dos urubus, que inevitavelmente o eviscerariam como meu pai fazia aos frangos, cordeiros e bois. Diz Faraco: <em>Nada viu, mas ouviu um rumorejar, algo entre o murmúrio e o espanejar de sedas. Custou a identificá-lo, embora habituado àquela espécie de retouço, tipo bando de china em festo. Era o banquete. López sentou-se, apertando os lábios. De seus olhos saltaram grossas lágrimas que correram junto do nariz e hesitaram na saliência dos lábios, perlando. Passou por ali a língua seca, como a revitalizar-se em seu próprio sentimento. Levantou-se, por fim, descortinando a cercania. No fim do mato, uma dúzia de aves disputava postas de carne escura e ele partiu para lá, cambaleando, o revólver preso nas duas mãos. Alguns corvos se abalançaram naquele grotesco galope com que alçam vôo, os outros ainda se atracavam na carniça quando ele começou a atirar. Quatro disparos compassados, quatro balas perdidas, e as aves se alçaram todas numa súbita revoada de asas e crocitos. Todas menos uma, aquele carniceiro que tentou voar e, de tão pesado, se escarranchou numa ramada.</em></p>
<p>São relatos cujos enredos não se cruzam, personagens não se conhecem, estilos se diferem, mas ao ver do sobrescrito, filho de quem durante a vida toda deve ter lido dois ou três romances, se muito, não têm outra razão de existir a não ser para prestar reverência ao churrasqueiro d’O Galileu. Que perdeu umas lascas de dedos para garantir que o filho encontrasse, lendo, o que tinham escrito dele por aí, sem que soubesse. (<strong>Publicado no Novo Jornal</strong>)</p>
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		<title>Justus, milionário e narcisista</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 18:47:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caros, abaixo segue link com perfil de Roberto Justus, do sobrescrito. Capa da nova edição da Poder Joyce Pascowitch.
http://migre.me/9r8m
Abraços
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros, abaixo segue link com perfil de Roberto Justus, do sobrescrito. Capa da nova edição da Poder Joyce Pascowitch.</p>
<p><a href="http://migre.me/9r8m" target="_blank">http://migre.me/9r8m</a></p>
<p>Abraços</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Depressão</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/depressao/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 11:09:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caros, segue abaixo o link com a reportagem capa da edição de outubro da revista Vida Simples, sobre depressão, do sobrescrito. Uma abordagem ínfima, é verdade, diante da imensidão do tema.
http://migre.me/9ghG
Abraços.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros, segue abaixo o link com a reportagem capa da edição de outubro da revista Vida Simples, sobre depressão, do sobrescrito. Uma abordagem ínfima, é verdade, diante da imensidão do tema.</p>
<p><strong><a href="http://migre.me/9ghG" target="_blank">http://migre.me/9ghG</a></strong></p>
<p>Abraços.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/depressao/feed/</wfw:commentRss>
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		<title>Figas</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/figas/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 21:22:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Tácito, bacana ter reverberado a dica da Figas. A revista online é tocada por uma turma muito nova, vivaz e interessada em reportagem. Fôlego e iniciativas que lembram a Catorze, de Fabio Farias e colegas. É sempre bom esse respiro. Nem tudo está perdido, acho.
********
Amigo, dei uma olhada na revista e gostei muito da proposta. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito, bacana ter reverberado a dica da Figas. A revista online é tocada por uma turma muito nova, vivaz e interessada em reportagem. Fôlego e iniciativas que lembram a Catorze, de Fabio Farias e colegas. É sempre bom esse respiro. Nem tudo está perdido, acho.</p>
<p>********<br />
<em>Amigo, dei uma olhada na revista e gostei muito da proposta. Incluí na hora entre os links favoritos do SP ali à direita.<br />
</em></p>
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		<title>Fasano: os bastidores da melhor cozinha do país</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/fasano-os-bastidores-da-melhor-cozinha-do-pais/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 18:27:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Um ex-recruta, uma ex-faxineira, um ex-garimpeiro. Essas são apenas algumas das espécimes que labutam na cozinha mais famosa do Brasil, a do restaurante Fasano, em São Paulo – onde nosso repórter esteve por dois dias e voltou prestes a se tornar um ex-jornalista 
 
Em janeiro de 2002, o americano Bill Buford ostentava em seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2009/09/fasano.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-5363" title="fasano" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2009/09/fasano-300x143.jpg" alt="fasano" width="300" height="143" /></a></p>
<p><em>Um ex-recruta, uma ex-faxineira, um ex-garimpeiro. Essas são apenas algumas das espécimes que labutam na cozinha mais famosa do Brasil, a do restaurante Fasano, em São Paulo – onde nosso repórter esteve por dois dias e voltou prestes a se tornar um ex-jornalista </em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Em janeiro de 2002, o americano Bill Buford ostentava em seu currículo disputados postos de uma carreira jornalística. Editor-fundador da revista Granta, onde trabalhou de 1979 até 1995, autor de um elogiado livro-reportagem sobre os hooligans (“Entre os vândalos”, Companhia das Letras) e, desde 1996, editor de ficção da New Yorker, Buford tinha poder e era invejado.</p>
<p>Prestes a completar 50 anos, largar o prestígio de que gozava entre seus pares e virar cozinheiro parecia mais uma crise de idade. Mas ele não hesitou. O perfil do chef Mario Batali que escreveria para a New Yorker transformou-se em ano sabático. Guiado por Batali, que o aceitou como assistente na cozinha do restaurante nova-iorquino Babbo, o jornalista abandonou a redação, trocou contos, ensaios e reportagens por massas, molhos e risotos. A curiosidade incessante o levou ainda à Toscana, Itália. Lá, pelas mãos do açougueiro Dario Cecchini, Buford desvendou o segredo dos melhores cortes, das melhores carnes. Virou chef.</p>
<p>Às 22h18 do último dia 21 de agosto, me ocorreu um perfeito entendimento da mudança que Buford empreendeu na vida. Na cozinha do Fasano, o melhor restaurante italiano do Brasil, e abaixo do salão lotado por 90 comensais, o masseiro Antonio Jenuíno recheava um gnocchi com carne de ossobuco.</p>
<p>Em 12 minutos, o prato subiu os 24 degraus que separam os dois cômodos e foi servido à mesa oito. Ao fim do jantar, o garçom trouxe as congratulações do cliente: “Ele disse que nunca comeu nada parecido na vida”. Antonio riu.</p>
<p>Há dois dias participando da compra dos produtos à finalização dos pratos, o trabalho de Antonio me pareceu mais nobre, dedicado e de qualidade imensamente superior ao que em geral se alcança numa reportagem como esta. Foi inevitável invejar a criação do gnocchi.</p>
<p>A iguaria, criada pelo chef Salvatore Loi, ganhou em 2008 o prêmio de melhor prato de massa do país. Parte do mérito ele divide com Antonio, maranhense, pai de dois filhos e ex-garimpeiro. “Se não fosse ele eu jamais teria conseguido criar esse prato. Não conheço ninguém com tanta sensibilidade nas mãos”, conta Loi apontando para a redoma de vidro rodeada por balcões de mármore. Dali saem todas as massas servidas no Fasano. Lá também me pareceu o melhor lugar da cozinha para estar agora que penso em mudar de vida, como Buford. Guiado ao invés de Batali, pelo chef Loi.</p>
<p>Há dez anos trabalhando no Brasil, casado com uma brasileira que conheceu na Europa e pai de uma menina de dois anos, Loi comanda 16 cozinheiros na principal das sete cozinhas que o grupo Fasano mantém entre São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, são 170 homens e mulheres.</p>
<p>A gastronomia ele escolheu ao completar 16 anos. Italiano da Sardenha e caçula de uma família de sete irmãos, Loi seguiu os conselhos da irmã mais velha, Lina. Para ela, a gastronomia era “a melhor maneira de conhecer o mundo, pessoas e novas culturas”. Ele, que antes de chegar ao Brasil trabalhou em Milão, Madrid, Paris e Londres, não discorda. O início da carreira, no entanto, aconteceu no quartel, como recruta em Roma. “Ali, mesmo sem muito refino, percebi que nunca mais largaria a doma, o chapéu e o avental”, diz com forte sotaque italiano, enquanto prova o molho de trufas que adornará o filet mignon preparado por Expedito.</p>
<p>Paraibano de Sumé, Expedito Baraúna, há 11 anos no Fasano, cuida dos pratos com filet mignon, perdiz, coelho e cordeiro. À sua frente, Romualdo Félix dedica-se aos risotos, massas e frutos do mar. Mas não só disso, nem apenas eles.</p>
<p>Graças à política de rodízio implantada por Loi, todos os cozinheiros estão aptos a preparar qualquer prato. Ou realizar qualquer atividade necessária, a depender do ritmo do dia, como lavar pratos. Coisa que Washington Vieira faz há quatro meses. “Eu trabalhava num restaurante aonde o Loi ia de vez em quando. Esperei dois anos para conseguir falar com ele. Um dia criei coragem, agarrei o seu braço e disse que faria qualquer coisa para trabalhar aqui”, conta ele, que sob o olhar paterno do chef aos poucos deixa a pia e manuseia caldos, molhos e massas. “Ele vai longe”, diz Loi.</p>
<p>Longe era um lugar que Rose Almeida não esperava chegar durante os cinco anos em que trabalhou limpando a cozinha do Gero, um dos restaurantes do grupo. Nos intervalos, a convite das colegas, ajudava a preparar saladas e sobremesas. Com a lacuna aberta no posto correlato do Fasano, Rose foi surpreendida pelo convite de Loi. “Eu não sabia o que dizer, nem acreditei. Ele disse que fazia três anos que estava me observando e achou que era hora de eu assumir um lugar na cozinha”, revela com os olhos marejados.</p>
<p>Quando indagada sobre onde quer chegar na gastronomia, Rose diz que isso fica por conta do chef, “para onde ele for, eu vou”. Loi, que não faz planos de deixar o Brasil, garante que haverá tempo no mínimo para que ela conclua a faculdade de pedagogia, que cursa no turno anterior ao trabalho no restaurante. “Além de crescer dentro da cozinha, claro”, emenda.</p>
<p>A academia é um ponto comum às três mulheres do grupo. Além de Rose, Michele Acquesta e Paula Belleza dividem o tempo entre a bancada do Fasano e a universidade. Estagiária de apenas 19 anos, Michele, estudante de gastronomia, dá assistência a Rose. “Ela tem o que falta a 90% dos que querem cozinhar: humildade e dedicação. Não são poucos os que chegam aqui achando que já são chefs. Ela não sofre desse mal”, derrete-se Loi diante da pupila.</p>
<p>O elogio ele estende a Paula, há dois anos responsável pelas saladas e a um ano de concluir o MBA em  gastronomia. Em comum, as três usam coloridas bandanas, que as diferenciam dos demais companheiros, todos de chapéu branco. Inclusive Loi e Sandro, sub-chefe há três anos.</p>
<p>Discreto, Sandro Aires mantém na cozinha o ritmo imprimido por Loi. Não há destempero. O tratamento é firme, porém respeitoso. “É ilusão achar que toda cozinha é igual a de Gordon Ramsay (chef inglês, estrela de um reality show em que normalmente destrata os aprendizes). Eu acho ultrapassado e desnecessário gritar com os ajudantes”, diz enquanto observa Assis decorar uma lagosta, guarnecida com risoto de cogumelos frescos.</p>
<p>Não há um pedido que chegue ao salão sem passar pelos cuidados de José de Assis, paraibano de Monteiro, há 18 anos no ofício de limpar e decorar os pratos. A priori um trabalho simples. Mas é ele quem dita o compasso que se abre entre a chegada dos pedidos, a feitura dos pratos e a hora de servi-los. Sem anotar nada, memorizando tudo a partir do que é “cantado” no microfone posto na entrada da boqueta, Assis sabe quem pediu o quê, quando e onde. Graças a ele, um couvert jamais será servido depois da sobremesa e sempre antes do prato principal.</p>
<p>Mesmo não trabalhando diretamente com os clientes, como os garçons, Assis diz poder reconhecê-los pelo pedido. “Tem aqueles que são clientes há cinco, dez anos, variam pouco os pratos, a gente acaba sabendo quem é, inclusive pelo horário em que chegam. Às vezes pergunto só para confirmar, nunca erro”, conta, para acrescentar em seguida um pedido a Sandro. “Põe mais um pouco de caldo nesse cordeiro, esse cliente prefere assim.”</p>
<p>A extensa clientela só se equipara em número à quantidade de fornecedores e produtos utilizados na cozinha. É Loi que escolhe cada ingrediente, auxiliado por quatro funcionários responsáveis pelas compras. Produtos do mundo inteiro são provados e, se aprovados, negociados como num pregão. A quantidade justifica a barganha. Há sempre gente disposta a ter entre os fregueses quem compre mensalmente uma tonelada de farinha de trigo, três mil ovos, meia tonelada de filet mignon, uma tonelada e meia de peixes e frutos do mar e três mil garrafas de vinho. São os produtos mais consumidos no Fasano.</p>
<p>Tanto critério exige de Loi uma jornada dupla. Ao contrário dos seus cozinheiros que trabalham a partir das 18h até por volta de uma e meia da madrugada, o chef também dá expediente numa sala do Hotel Fasano, onde degusta desde queijos e manteigas a carnes e azeites. Os produtos escolhidos findam nos pratos mais refinados da casa, pagos por contas que podem chegar ao valor de um carro popular.</p>
<p>Popular como o gosto dos dezesseis cozinheiros, que, se tivessem de comer no Fasano, não fariam para si mesmos o gnocchi recheado com carne de ossobuco, nem a lagosta adornada com tomates frescos, muito menos o cordeiro envolto em crosta de pão italiano ou o risoto de cogumelos recém-chegados de Roma. Pela voz de Assis, o decorador, e faltando pouco para o encerramento do expediente que se estendeu para mais de duas da manhã e rendeu 130 jantares, eles anunciam o prato de consenso: cuscuz com leite.</p>
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		<title>Quebra de quilo</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 22:22:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pelo que se lê em blogs e colunas políticas de Natal, a prefeita Micarla de Sousa (PV) está de melé solto. Pode indicar vice de qualquer chapa majoritária, lançar o marido Miguel Weber à câmara dos deputados e até o acólito Paulo Wagner ao senado. Responde aos gracejos de Dilma Roussef ao mesmo tempo em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo que se lê em blogs e colunas políticas de Natal, a prefeita Micarla de Sousa (PV) está de melé solto. Pode indicar vice de qualquer chapa majoritária, lançar o marido Miguel Weber à câmara dos deputados e até o acólito Paulo Wagner ao senado. Responde aos gracejos de Dilma Roussef ao mesmo tempo em que assegura a posição partidária de apoio à provável candidatura de Marina Silva à presidência da república.</p>
<p>Não pisa no palanque onde estiver Carlos Eduardo, mas sinaliza o verde da esperança de Wilma, Garibaldi e Agripino terem-na no palanque.</p>
<p>Quer dizer, deve ter um alforje de voto que não passa embaixo da ponte Forte-Redinha numa baixa da maré. Mas eu, cá em conversas com os botões, pergunto: Será?</p>
<p>Nadando de braçada no primeiro ano de uma administração (?) outorgada pela vitória consagradora em 2008, Micarla, se não desceu do palanque, pode ainda ouvir o grito da carreata da vitória. Ou pelo menos dos xeleléus. Coisa de muito agrado ao ego, é verdade.</p>
<p>Prefeitar – salve, Serejo! – que é bom mesmo, parece que ainda não chegou a hora. Daí a questão que julgo pertinente: estará, no caso de uma administração que não dá sinais de vencer os desafios que elencou em campanha (vide saúde e educação), com essa bola tão cheia dentro de um ano?</p>
<p>E quando bater na canela o acúmulo de horas na fila dos postos, a falta de remédios, os engarrafamentos cada vez maiores nas principais vias e o covarde – numa sexta-feira véspera de feriado foi dose, hein – aumento das passagens de transporte público?</p>
<p>Imagem de político que promete mais do que faz é negócio muito assemelhado a frango congelado. Depois que vem ao sol, o quilo quebra que é uma beleza. Pode ser que o voto de Micarla, hoje disputado para o senado e para o governo, chegue em 2010 valendo uns dois reais, o preço que o trabalhador desembolsa por uma viagem de coletivo, para perder uma hora preso no trânsito ali pelo Midway Mall, tentando chegar a um posto de saúde sem médico ou remédio. Atentai.</p>
<p><strong>Censura</strong><br />
Parece piada – deve ser – ouvir o senador Agripino Maia dizer que é a favor da Lei Eduardo Azeredo de censura à internet em período de campanha eleitoral, alegando existirem blogs e sites patrocinados por governadores e demais interessados na campanha de 2010. Só se for o caso de sua excelência ter doado as ações da Rede Tropical a uma instituição de caridade, vá lá, com fins lucrativos e nunca políticos. Ou seria o caso de “blog pouco, minha TV primeiro”?</p>
<p><strong>Censura II</strong><br />
Ainda pergunto: já se sabe a opinião dos senadores Rosalba Ciarlini e Garibaldi Alves, a respeito da lei acima citada?</p>
<p><strong>Procon</strong><br />
Ocorreu-me sobre o texto que abre a coluna: a fatura pela deficiência em tudo que foi prometido durante a campanha, o povo deve enviar para a prefeita com cópia para jornais, TVs, blogueiros e colunistas da terrinha? Afinal de contas, se participou do bônus, é bom estar apto ao ônus.</p>
<p><strong>The End</strong><br />
Tem pouca coisa no mundo mais melancólica e distribuidora de vergonha alheia do que a política quando deixa um político e ele não se toca. Derrotados, sem votos, mandatos ou poder, se agarrando ao pouco de dignidade que restou ou querendo voltar ao que pensou um dia ter, certos personagens rastejam imaginando dar passadas.</p>
<p><strong>Do mundo</strong><br />
Vi um dia desses o programa do deputado estadual Wober Junior (negócio bom é ter amigo desocupado que grava essas coisas), talentoso progressista e socialista. Um pouco mais de rouquidão na voz e pode-se jurar estar ouvindo o “findicalifta” de língua presa que governa a nação. Um primor.</p>
<p><strong>Rebu</strong><br />
Tucano eu não sei, mas observando a movimentação por cima de pau e pedra do deputado Rogério Marinho no PSDB, a imagem que me chega à mente é de um cancão de fogo se mexendo num alçapão. Não resta nada inteiro por perto.</p>
<p><strong>Boquinha</strong><br />
Chegou a hora dessa gente paga mostrar seu valor. E bom ir se acostumando com a falta de elogio na blogosfera, de quem até pouco tempo era casa e botão. Quando chega a hora dos profissionais porem as cartas na mesa, fica difícil cobrir o teto pecuniário, o pedágio do apoio disfarçado de notinhas.</p>
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		<title>Antonio Cicero</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/antonio-cicero/</link>
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		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 12:21:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Tacito e demais
Segue abaixo o link de uma conversa minha com o poeta e filósofo Antonio Cícero.
http://corpodeberenice.wordpress.com/2009/07/18/antonio-cicero/
Abs
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tacito e demais</p>
<p>Segue abaixo o link de uma conversa minha com o poeta e filósofo Antonio Cícero.</p>
<p><strong><a href="http://corpodeberenice.wordpress.com/2009/07/18/antonio-cicero/" target="_blank">http://corpodeberenice.wordpress.com/2009/07/18/antonio-cicero/</a></strong></p>
<p>Abs</p>
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		<title>Will Self</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/will-self/</link>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 00:06:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Tácito e demais,
Segue o link com uma conversa que tive com o escritor inglês Will Self sobre o &#8220;O livro de Dave&#8221;, lançado há pouco tempo no Brasil.
http://corpodeberenice.wordpress.com/2009/07/17/self-talk/
Abraços
DO EDITOR
Beleza Levino. Pelo menos eu, estou adorando essas suas colaborações.  Continue mandando. Muito grato mesmo. Abs.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito e demais,</p>
<p>Segue o link com uma conversa que tive com o escritor inglês Will Self sobre o &#8220;O livro de Dave&#8221;, lançado há pouco tempo no Brasil.</p>
<p><strong><a href="http://corpodeberenice.wordpress.com/2009/07/17/self-talk/" target="_blank">http://corpodeberenice.wordpress.com/2009/07/17/self-talk/</a></strong></p>
<p>Abraços</p>
<p><strong>DO EDITOR<br />
Beleza Levino. Pelo menos eu, estou adorando essas suas colaborações.  Continue mandando. Muito grato mesmo. Abs.</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Para que serve o Congresso Nacional?</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jul 2009 01:12:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tácito, entrevistei o senador Cristovam Buarque sobre a atual crise do Senado.
Segue o link:
http://revistapoder.uol.com.br/p17/materia2.html
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito, entrevistei o senador Cristovam Buarque sobre a atual crise do Senado.</p>
<p>Segue o link:</p>
<p><strong><a href="http://revistapoder.uol.com.br/p17/materia2.html" target="_blank">http://revistapoder.uol.com.br/p17/materia2.html</a></strong></p>
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		<title>Carne Canina</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2009 12:47:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Caro Gustavo e demais SPs,
A noticia de que o Brasil exportará carne canina, reproduzida pelo Portal Meio Ambiente, é falsa. Foi publicada em 2004 pelo site de humor Cocadaboa, mestre em roax e coisas do tipo.
Eis o link original: http://www.cocadaboa.com/archives/003881.php
Abs
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Gustavo e demais SPs,</p>
<p>A noticia de que o Brasil exportará carne canina, reproduzida pelo Portal Meio Ambiente, é falsa. Foi publicada em 2004 pelo site de humor Cocadaboa, mestre em roax e coisas do tipo.</p>
<p>Eis o link original: <strong><a href="http://www.cocadaboa.com/archives/003881.php" target="_blank">http://www.cocadaboa.com/archives/003881.php</a></strong></p>
<p>Abs</p>
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		<title>Mario Bellatin</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 11:16:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Cosac Naify lança essa semana o livro Flores, do romancista mexicano Mario Bellatin. Um grande livro. E, enfim, uma edição decente para um bom autor que precisa ser descoberto no Brasil. Antes disso, houve um lançamento acanhado do livro Salão de Beleza, pela Dulcinéia Catadora. Fica a dica dos dois. Independente da ordem de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Cosac Naify lança essa semana o livro Flores, do romancista mexicano Mario Bellatin. Um grande livro. E, enfim, uma edição decente para um bom autor que precisa ser descoberto no Brasil. Antes disso, houve um lançamento acanhado do livro Salão de Beleza, pela Dulcinéia Catadora. Fica a dica dos dois. Independente da ordem de leitura.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Diploma, por André Forastieri</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 16:40:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Agora que a profissão de jornalista está acabando, derrubaram a obrigatoriedade do diploma. Seria de rir se não fosse de chorar.
Mas, enfim, antes tarde. Como já repeti inúmeras outras vezes, abandonei a faculdade, porque era uma porcaria e chata (ECA-USP, entrei em 83 e larguei de vez em 88). Trabalho com muita gente formada faz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Agora que a profissão de jornalista está acabando, derrubaram a obrigatoriedade do diploma. Seria de rir se não fosse de chorar.</p>
<p>Mas, enfim, antes tarde. Como já repeti inúmeras outras vezes, abandonei a faculdade, porque era uma porcaria e chata (ECA-USP, entrei em 83 e larguei de vez em 88). Trabalho com muita gente formada faz pouco tempo ou ainda estudando. Percebo que continuam uma porcaria e chatas, todas, sem exceção.</p>
<p>Tento convencer todo mundo a largar, sempre sem sucesso. Agora finalmente não há mais justificativa para ninguém estudar jornalismo. Vão fechar todos os cursos ou quase, espero, o que é bom para o futuro jornalismo brasileiro. Nem tão bom para os meus colegas que viraram professores, mas a vida é assim.</p>
<p>Se você tem um blog, é escritor. Ponto final e acabou o assunto. Eu defendo que é jornalista, ou tão jornalista quanto eu. Reportagem é outra coisa. Exige técnica de redação, simples, capacidade de investigação e rigor na apuração, complicadíssimo e caro.</p>
<p>Um amigo que trabalha em TV garante que quase todos os repórteres só lêem o texto que os outros escrevem, inclusive vários bem famosos. Aí entram os jornalistas. Mesmo que você seja repórter de televisão e tenha sido contratada pelo belo sorriso e voz sedutora, o trabalho sujo tem que ser feito, se não por ti, por alguém mais feio e pior remunerado que você.</p>
<p>Supostamente jornalismo exige “independência financeira”, o que empresas de comunicação alegam que só pode ser conseguido através da venda de publicidade. Balela. O que grandes empresas de mídia querem é drenar o máximo da grana de publicidade, o que conseguem remunerando as agências de publicidade exatamente por concentrar o dinheiro dos anunciantes em cada empresa.</p>
<p>É a chamada bonificação de volume, BV, prática de mercado corriqueira no Brasil (e nem um pouco em outros países). É tão certa ou tão errada quanto adicionar 10% na conta para o garçom, independente do valor do jantar. É o dia a dia de veículos e agências e anunciantes (estes estão cada vez menos felizes com isso; os gringos, especialmente).</p>
<p>O BV está na bica de ser regulamentado. Eu acho que é tarde, tanto quanto acabar com a obrigatoriedade para o diploma de jornalismo. Desconfio que o modelo de BV está com os dias contados. E quem vai pagar os publicitários? Assunto para daqui a alguns dias.</p>
<p>Existem outros modelos, velhos &#8211; BBC, alguém? E precisamos criar novos. Que viabilizem financeiramente tantas vozes novas e independentes que nascem na internet, fazendo jornalismo em texto, foto, áudio e vídeo. E que viabilizem também, sim, a sobrevivência do velho e bom repórter.</p>
<p>Porque não basta ter uma opinião sobre o quebra-pau no Irã. Alguém tem que ir lá ao vivo e a cores e reportar os acontecimentos, para que os outros possam opinar sobre os fatos. Não basta repetir o que o banco disse no release. É preciso entender de verdade o que é um derivativo de crédito, saber fazer as perguntas certas para os banqueiros, cut through the bullshit. E ainda explicar depois em português claro o que está acontecendo de verdade na economia.</p>
<p>Esse tipo de trabalho de reportagem investigativa / analítica custa uma grana preta. E vai continuar custando. Quem vai pagar?</p>
<p>Bem, eu pagaria minha parte para mandar Ivan Lessa para o São Paulo Fashion Week, Chris Hitchens para o Capão Redondo ou mesmo Sabrina, Vesgo e Ceará para o Oscar. Quanto custa? Cem mil reais? Eu entro com R$ 10.00. Mais 9.999 amigos e está feito.&#8221;</p>
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		<title>Para Daniel</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 16:39:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Levino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Você escreveu:
&#8220;&#8230;Levino fez: assistirem poucas aulas, considerarem-se melhores que o curso, acharem que já sabem tudo e se chamarem de jornalistas.&#8221;
Tenha isso como uma conclusão sua. E digo: errada. Eu não assisti poucas aulas. Melhor dizer nenhuma, foram só dois dias. Não me considero melhor que o curso, até porque nem o conheci. Fiquei sem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Você escreveu:</p>
<p>&#8220;&#8230;Levino fez: assistirem poucas aulas, considerarem-se melhores que o curso, acharem que já sabem tudo e se chamarem de jornalistas.&#8221;</p>
<p>Tenha isso como uma conclusão sua. E digo: errada. Eu não assisti poucas aulas. Melhor dizer nenhuma, foram só dois dias. Não me considero melhor que o curso, até porque nem o conheci. Fiquei sem o referencial para comparar. Não acho que sei de tudo e nunca quero achar, dessa forma deixarei de aprender. Eu me chamo de jornalista, meu editor também, o diretor de redação e o expediente de onde trabalho. Cartas para a redação, aceitam reclamações. Da próxima seja menos belicoso, mais educado, calmo e tente controlar suas deduções a algo que você conheça. Você não me conhece o suficiente.</p>
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