Tácito, entrevistei o senador Cristovam Buarque sobre a atual crise do Senado.
Segue o link:
Carne Canina
24 de junho de 2009 às 9:47 | ComentarCaro Gustavo e demais SPs,
A noticia de que o Brasil exportará carne canina, reproduzida pelo Portal Meio Ambiente, é falsa. Foi publicada em 2004 pelo site de humor Cocadaboa, mestre em roax e coisas do tipo.
Eis o link original: http://www.cocadaboa.com/archives/003881.php
Abs
Mario Bellatin
19 de junho de 2009 às 8:16 | ComentarA Cosac Naify lança essa semana o livro Flores, do romancista mexicano Mario Bellatin. Um grande livro. E, enfim, uma edição decente para um bom autor que precisa ser descoberto no Brasil. Antes disso, houve um lançamento acanhado do livro Salão de Beleza, pela Dulcinéia Catadora. Fica a dica dos dois. Independente da ordem de leitura.
Diploma, por André Forastieri
18 de junho de 2009 às 13:40 | Comentar“Agora que a profissão de jornalista está acabando, derrubaram a obrigatoriedade do diploma. Seria de rir se não fosse de chorar.
Mas, enfim, antes tarde. Como já repeti inúmeras outras vezes, abandonei a faculdade, porque era uma porcaria e chata (ECA-USP, entrei em 83 e larguei de vez em 88). Trabalho com muita gente formada faz pouco tempo ou ainda estudando. Percebo que continuam uma porcaria e chatas, todas, sem exceção.
Tento convencer todo mundo a largar, sempre sem sucesso. Agora finalmente não há mais justificativa para ninguém estudar jornalismo. Vão fechar todos os cursos ou quase, espero, o que é bom para o futuro jornalismo brasileiro. Nem tão bom para os meus colegas que viraram professores, mas a vida é assim.
Se você tem um blog, é escritor. Ponto final e acabou o assunto. Eu defendo que é jornalista, ou tão jornalista quanto eu. Reportagem é outra coisa. Exige técnica de redação, simples, capacidade de investigação e rigor na apuração, complicadíssimo e caro.
Um amigo que trabalha em TV garante que quase todos os repórteres só lêem o texto que os outros escrevem, inclusive vários bem famosos. Aí entram os jornalistas. Mesmo que você seja repórter de televisão e tenha sido contratada pelo belo sorriso e voz sedutora, o trabalho sujo tem que ser feito, se não por ti, por alguém mais feio e pior remunerado que você.
Supostamente jornalismo exige “independência financeira”, o que empresas de comunicação alegam que só pode ser conseguido através da venda de publicidade. Balela. O que grandes empresas de mídia querem é drenar o máximo da grana de publicidade, o que conseguem remunerando as agências de publicidade exatamente por concentrar o dinheiro dos anunciantes em cada empresa.
É a chamada bonificação de volume, BV, prática de mercado corriqueira no Brasil (e nem um pouco em outros países). É tão certa ou tão errada quanto adicionar 10% na conta para o garçom, independente do valor do jantar. É o dia a dia de veículos e agências e anunciantes (estes estão cada vez menos felizes com isso; os gringos, especialmente).
O BV está na bica de ser regulamentado. Eu acho que é tarde, tanto quanto acabar com a obrigatoriedade para o diploma de jornalismo. Desconfio que o modelo de BV está com os dias contados. E quem vai pagar os publicitários? Assunto para daqui a alguns dias.
Existem outros modelos, velhos – BBC, alguém? E precisamos criar novos. Que viabilizem financeiramente tantas vozes novas e independentes que nascem na internet, fazendo jornalismo em texto, foto, áudio e vídeo. E que viabilizem também, sim, a sobrevivência do velho e bom repórter.
Porque não basta ter uma opinião sobre o quebra-pau no Irã. Alguém tem que ir lá ao vivo e a cores e reportar os acontecimentos, para que os outros possam opinar sobre os fatos. Não basta repetir o que o banco disse no release. É preciso entender de verdade o que é um derivativo de crédito, saber fazer as perguntas certas para os banqueiros, cut through the bullshit. E ainda explicar depois em português claro o que está acontecendo de verdade na economia.
Esse tipo de trabalho de reportagem investigativa / analítica custa uma grana preta. E vai continuar custando. Quem vai pagar?
Bem, eu pagaria minha parte para mandar Ivan Lessa para o São Paulo Fashion Week, Chris Hitchens para o Capão Redondo ou mesmo Sabrina, Vesgo e Ceará para o Oscar. Quanto custa? Cem mil reais? Eu entro com R$ 10.00. Mais 9.999 amigos e está feito.”
Para Daniel
18 de junho de 2009 às 13:39 | ComentarVocê escreveu:
“…Levino fez: assistirem poucas aulas, considerarem-se melhores que o curso, acharem que já sabem tudo e se chamarem de jornalistas.”
Tenha isso como uma conclusão sua. E digo: errada. Eu não assisti poucas aulas. Melhor dizer nenhuma, foram só dois dias. Não me considero melhor que o curso, até porque nem o conheci. Fiquei sem o referencial para comparar. Não acho que sei de tudo e nunca quero achar, dessa forma deixarei de aprender. Eu me chamo de jornalista, meu editor também, o diretor de redação e o expediente de onde trabalho. Cartas para a redação, aceitam reclamações. Da próxima seja menos belicoso, mais educado, calmo e tente controlar suas deduções a algo que você conheça. Você não me conhece o suficiente.
Ainda diploma
18 de junho de 2009 às 13:39 | ComentarBacana a posição de Everton, defendida com ponderação. Admiro. Bom, o que eu penso, em linhas gerais, escrevi no último post, mais um testemunho que uma tese. Tenho a sorte de estar cercado de bons editores que já foram grandes repórteres, com experiência, talento, historias e muita disposição para ensinar a este foca que vos escreve. Tenho aproveitado o máximo. Respeito a opinião contrária, apesar de achar superestimado o tema. Não tem tanta gente assim querendo ser jornalista – na real, sendo pragmático, vale pouco à pena se não houver ou mínima paixão ou muito interesse sujo – e o fim da obrigatoriedade do diploma não vai fazer com que as redações demitam quem tem e contrate um monte de mendigo analfabeto. A decisão ratifica uma posição já existente, de gente que trabalha na redação sem ser diplomado. Como eu. Quando saí de porta em porta, sem apadrinhamento nenhum, buscando vaga nas redações de SP, só trazia disposição e quatro textos publicados numa revista nacional que nunca me indagou sobre o diploma. Tem lá uma parcela de sorte e muito, muito mesmo de suor, dedicação e busca permanente pelo aprimoramento. Leitura ajuda. Dia 07 de julho vou à palestra de Gay Talese no MASP, talvez aprenda mais do que em seis meses de algumas cadeiras de faculdades de onde ouvi relatos desanimadores de amigos que cursaram. É uma escolha. Certa, ou errada, tem me bastado. Mas, como não sou novela, nem precisa me acompanhar. Foi só para trazer o debate à tona.
Abraços

