Numa época em que palavras, gestos e atitudes só eram cabível aos homens, Hilda Hilst consagrou-se na poesia, na dramaturgia e na prosa narrativa.
Hilda Hilst escreveu uma trilogia pornográfica, a fim de atrair o leitor para sua obra literária. Apostando no interesse do mercado editorial para este tipo de literatura, ela o faz de forma irônica e debochada através da trilogia obscena e pornográfica: O caderno rosa de Lori Lamby (1990), Cartas de um sedutor (1991), Contos d’escárnio/ Textos grotescos (1992).
É o que tenho constatado lendo Cartas de um sedutor, cujo narrador é um escritor fracassado, Stamatius (Tiu) – negro, viúvo, pobre e desdentado que perdeu todos os seus bens por persistir em ser escritor e que, agora, vive perambulando pelas ruas catando lixo com sua companheira Eulália.
Cartas de um sedutor aborda o homossexualismo e os desejos incestuosos de uma forma bastante intensa.
Hilda Hilst, trilogia obscena e pornográfica
Tema proibido
Artigo do site CartaCapital de Roseli Sayao em 17 de agosto de 2010 na Categoria Carta na Escola:
O preconceito contra a homossexualidade permanece. E como preconceito se combate com a educação, não há como a escola esquivar-se mais.
A escola, tradicionalmente, sempre deu as costas à sexualidade. Nas aulas de Biologia, o conteúdo sobre a anatomia e o funcionamento do aparelho reprodutor era e ainda é oferecido aos alunos de modo mecanicista e absolutamente desvinculado da sexualidade e de seu contexto sociocultural.
A censura moralista
Segue link de acesso a um artigo de Marisa Lajolo sobre a censura moralista de livros nas escolas.
A genial Hilda Hilst
“Todos nós estamos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas.” Oscar Wilde
“E quem olha, se fode”. Lory Lamby
Muito instigante o documentário sobre a escritora Hilda Hilst, apresentado pela Rede Minas e reproduzido aqui no SP (19 de agosto).
A maior parte dos comentários é de Jose Luis Mora Fuentes, escritor, amigo fiel e incansável de Hilda.
No documentário Mora Fuentes aponta: “Hilda sempre optou pelos caminhos que não são óbvios, rompendo padrões na sua vida, na sua obra”. Ou ainda: “Ela queria agredir um pouco as pessoas, deixar todo mundo chocado aí ela começou com a Lory Lamb”.
As Mil e Uma Noites
As Mil e Uma Noites é para Jorge Luis Borges um dos mais belos títulos do mundo. Para ele, a sua beleza reside no fato de a palavra mil significar para nós, quase sinônimo de infinito.
As histórias dentro das histórias
Para Jarbas Martins
Desde muito tempo mantenho o hábito intuitivo de recorrer a histórias, mitos, fábulas, poesias e contos dentre outras coisas lidas para auxiliar numa conversa no intuito de provocar uma reflexão, tornar mais clara uma situação, considerar uma questão sob outra ótica, outra lógica.
Por vezes a história relatada suscita uma segunda que evoca uma terceira e assim, sucessivamente, tal qual bonecas Matrióchka (bonecas russas) que, carregam uma(s) dentro da(s) outras.
A paixão de dizer
Eduardo Galeano
“Marcela esteve nas neves do Norte. Em Oslo, uma noite, conheceu uma mulher que canta e conta. Entre canção e canção, essa mulher conta boas histórias, e as conta espiando papeizinhos, como quem lê a sorte de soslaio.
Essa mulher de Oslo veste uma saia imensa, toda cheia de bolsinhos. Dos bolsos vai tirando papeizinhos, um por um, e em cada papelzinho há uma boa história para ser contada, uma história de fundação e fundamento, e em cada história há gente que quer tornar a viver por arte de bruxaria. E assim ela vai ressuscitando os esquecidos e os mortos; e das profundidades desta saia vão brotando as andanças e os amores do bicho humano, que vai vivendo, que dizendo vai”.
Neruda, o feiticeiro!
Nesses dias em que viver está cada vez mais dificultoso é sempre bom rever O Carteiro e o Poeta, do diretor inglês Michael Radford, filme delicado, sutil e poético.
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Os vieses do amor
Para meu amigo Eduardo
Na vingança e no amor a mulher é mais bárbara do que o homem. Friedrich Nietzsche
Havia quase uma década que eu estava com o Victor, por quem nutria verdadeira paixão.
Chegava a ser vício o desejo que sentia por ele. Seu cheiro, sua pele, o odor que exalava das suas axilas, cheiro bom de homem! Tudo nele me excitava e rescindia a sexo …
Os versos que te fiz
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder…
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
(Florbela Espanca)
Para Jarbas Martins
Estou aqui em Parnamirim ouvindo jazz, MPB, resgatando poetas e poesias. Seu nome veio à tona quando se falou em literatura universal e, particularmente, literatura hispano-americana de Julio Cortázar também com sua personagem marcante chamada “a maga”. Foi declamado trechos de algumas poesias suas como “ad perpetuam rei memoriam”, “de cor e salteado”:
então este rio potengy talvez não seja mais que uma memória azulcicratizações de gordas sombras e águas semoventes uma espada de mercúrio do flanco esquerdo da ponte de igapó à pedra do rosário atravessará o coração do rio mas isto se dará entre a vigésima quinta hora e a hora oficial da abolição dos mangues uma garça de petróleo estancará seu vôo sob a mira de um canhão de raio laser deste porto de miasmas zarpará o último cargueiro em busca de um país onde os peixes cegos riem aonde os peixes jamais irão.
Jarbas, raro escrevo: vivo. Escrever é um verbo intransitivo. Embora você se ache “sem gracice” a sua “graça” foi lembrada de forma muito bonita e amorosa. “Viver, não é _ é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender a viver é que é viver mesmo”.
Um beijo, poeta!
Show Dois Cantos
Na Tribuna do Norte – Viver – Natal, 26 de Maio de 2010
Cantoria feminina hoje no Teatro de Cultura Popular Dois Cantos é o nome do show que leva para o palco do Teatro de Cultura Popular a paulista Kátya Teixeira e a mineira radicada em Natal, Mazé Pinheiro. As duas apresentarão músicas raiz, semelhantes às cantorias de Elomar e Renato Teixeira. O encontro marca o início de um projeto idealizado pelo músico João Barra, que promoverá uma vez no mês, o encontro entre nomes da música nacional e regional. Dois Cantos será apresentado hoje, às 20h. A afinidade no estilo musical é reforçada pelo laço familiar que une as cantoras. Mazé é tia de Kátya e as duas registram uma vivência musical desde a infância.
Abrindo a velha caixa de brinquedos
Continuação do post de 16 de maio de 2010 (4º e último post)
Era uma vez… Tempo de, à noite, nas calçadas ou ao redor de um paiol de feijão para debulhar, contar e ouvir histórias de trancoso, de Camonge, de reis e rainhas, histórias de mal-assombrados, de encantamentos. Tudo entrava por uma perna de pinto e saía por uma perna de pato. De ver e fazer assombração. Fazer alma com quenga de côco ou oco de mamão verde com vela acesa dentro e colocar em cima de “monturos” ou dos mourões ao lado das porteiras e correr feito cavalo desembestado com medo da própria assombração.
Bola
Para Jarbas Martins (Angicos, Futebol e Bexiga)
Bater bola nos terrenos baldios, ou mesmo nas ruas, sempre foi uma das brincadeiras infantis mais realizadas. Jogava-se com bola de cabelo e palha de milho, talo de bananeira, capim seco, meia, borracha, plástico, e até de bexiga de boi. Não importava de que material a bola era feita, o importante era jogar.
As Águas do Mar
Clarice Lispector
“O mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.
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Abraços, “desde Natal”
Estou muito feliz com a presença aqui no SP de João Amado, professor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (ver comente no post: “Abrindo a velha caixa de brinquedos”).
Conhecemos João Amado na UFRN quando veio aqui ministrar um curso no Programa de Pós-Graduação em Educação.
Por nosso intermédio veio no IFRN (antiga ETFRN) conhecer nosso acervo de brinquedos quando foi convidado para fazer o prefácio do nosso livro. O mesmo tem uma incursão sobre o universo dos brinquedos com livros publicados, artigos e orientações de trabalhos, dentre outros temas.
Foi um sonho que eu tive;
Era um menino de bibe
E uma estrela de papel.
O menino ia lançando a estrela,
Como quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão,
E tão alto subiu,
Que deixou de ser estrela de papel,
E o menino ao vê-la assim sorriu,
E cortou o cordel
Miguel Torga (escritor português)
Galamarte
Para Danny (a pedidos!)
GALAMARTE
Brinquedo que estava presente em quase todas as regiões do estado e muito lembrado com uma boa dose de nostalgia por todos aqueles que com ele brincaram. O galamarte, ou galamacho (Tibau do Sul), ou ainda, João Galamarte (Florânia), consistia numa tora de pau, com mais ou menos três metros de extensão, e com um furo no meio, justamente no seu centro de gravidade. Próximo às suas extremidades, enfiava-se um pedaço de pau, que era o torno, uma espécie de suporte para as crianças se segurarem. Fazia-se uma base para recebê-lo, fincando-se no chão um pau bem resistente, geralmente pau-d’arco ou jucá, com a ponta afiada para encaixar no buraco feito na tora de pau. Essa base servia de eixo para a tora girar em círculo ou em movimento de cima para baixo, como uma gangorra.
Abrindo a velha caixa de brinquedos
Continuação do post de 2 de maio de 2010
Quem, menino ou menina, no sertão não se arriscou em busca das frutinhas (vermelhas sem igual!) do pé de cardeiro ou da coroa de frade, tão apreciadas por nós e que dão em meio a pedras e lajeiros? Quem, menino, não furtou frutas nos quintais ou sítios vizinhos correndo dos tiros de sal ou de pedradas na cabeça atiradas por fundas?
Abrindo a velha caixa de brinquedos
O Capítulo abaixo por ser longo, dividirei em quatro momentos. Assim, a cada semana (domingo) postarei uma parte do mesmo.
Para Carlos de Souza, infância vivida em Areia Branca! (?)
“Um poeta contemporâneo disse que para cada homem existe uma imagem que faz o mundo inteiro desaparecer; para quantas pessoas essa imagem não surge de uma velha caixa de brinquedos?” Walter Benjamim
Crianças, éramos todas mágicas. Nossa imaginação? Ah! Essa não conhecia limites nem fronteiras, a tudo abarcava. Um simples carretel de linha, uma lata de sardinha, de óleo ou de doce transformava-se num carrinho, caminhão, trator. Pedaços de ossos (juntas do boi, mocotó), tanto viravam o rebanho da fazenda quanto carrinhos e até mesmo bebês. Cabeça de lagosta depois de seca virava cavalo ou boi que puxava as carroças. Talo de bananeira virava espingarda, seixos de pedras, bebês, cuidadosamente encoeirados (enrolados) em pedaços de panos. Papel de embrulho, papel colorido e molambos (pedaços de pano) para fazer o rabo viravam corujas a rodopiar em pleno ar, guiadas pela mão ágil dos meninos. Sabugos de milho, vestidos, transformavam-se em reis, rainhas, moças e rapazes.
O Nono Mandamento
Assionara Souza
Escritoras Suicidas
_ Olha, eu vou logo dizer… É melhor eu ir logo dizendo. Pode ficar tranquila, não vou tentar comer você. De forma alguma. É sério. Tudo o que eu fizer. Tudo o que eu disser… Isso! Principalmente o que eu disser. O que eu pensar, não — porque, pode ser que uma hora ou outra eu acabe pensando.
Um gole
Adriana Oliveira – Escritoras Suicidas
“Coloco de volta a calcinha e saio dali, sem olhar para a cara dele. A festa acabou e preciso encontrar o meu marido. Na maioria das vezes, vou direto para o bar. Mas, pelo adiantado da hora, é mais fácil encontrá-lo caído em um canto qualquer.
Recolho os cacos e voltamos para casa.
No início, eu gritava e fazia as malas.
A seguir, veio a tristeza profunda.
Depois, a fase da vingança, em que descontava a minha raiva por suas bebedeiras, trepando com desconhecidos.
Hoje, evoluí na minha catarse, escolhendo como objeto o pau do seu melhor amigo.
Olho para o meu marido deitado sobre a cama, ainda vestido, babando sobre o lençol e não sinto nada.
Vou dormir, pois amanhã é sábado: dia de praia, churrasco e muita cerveja.”
Béu-Béu! Se desta eu escapar…
Béu-Béu! Se desta eu escapar, nunca mais bodas no céu!…
Tudo isso aconteceu quando eu era bem jovem e fui participar de uma atividade de extensão universitária.
Viajei com um grupo de outros estudantes de diversos cursos para uma pequena cidade do interior.
Ficamos todos alojados num mesmo lugar. Em pouco tempo, o grupo deu o que falar na cidade, mas não exatamente pela atividade de extensão desenvolvida e sim pelos excessos cometidos, especialmente sexuais, em honra ao deus Baco.
A alma “pegadora”

À noite nas calçadas da cidade onde eu morava quando criança era costume ouvir e contar histórias de mal-assombrados, de “almas penadas”, de “coisas do outro mundo”. Eu voltava para casa “me pelando de medo”, temendo deparar-me com alguma aparição pelo caminho.
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