FELIZ ANO NOVO
BONNE ANNÉE
FELIZ AÑO NUEVO
HAPPY NEW YEAR
Tecendo a manhã
João Cabral de Melo Neto
1
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
2
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
(A Educação pela Pedra)
Libertad, Liberdade, Liberté
31 de dezembro de 2011 às 19:39 | ComentarPaul Eluard
En mis cuadernos de escolar
en mi pupitre en los árboles
en la arena y en la nieve
escribo tu nombre.
En las páginas leídas
en las páginas vírgenes
en la piedra la sangre y las cenizas
escribo tu nombre.
En las imágenes doradas
en las armas del soldado
en la corona de los reyes
escribo tu nombre.
En la selva y el desierto
en los nidos en las emboscadas
en el eco de mi infancia
escribo tu nombre.
En las maravillas nocturnas
en el pan blanco cotidiano
en las estaciones enamoradas
escribo tu nombre.
En mis trapos azules
en el estanque de sol enmohecido
en el lago de viviente lunas
escribo tu nombre.
En los campos en el horizonte
en las alas de los pájaros
en el molino de las sombras
escribo tu nombre.
En cada suspiro de la aurora
en el mar en los barcos
en la montaña desafiante
escribo tu nombre.
En la espuma de las nubes
en el sudor de las tempestades
en la lluvia menuda y fatigante
escribo tu nombre.
En las formas resplandecientes
en las campanas de colores
en la verdad física.
escribo tu nombre.
En los senderos despiertos
en los caminos desplegados
en las plazas desbordantes
escribo tu nombre.
En la lámpara que se enciende
en la lámpara que se extingue
en la casa de mis hermanos
escribo tu nombre.
En el fruto en dos cortado
en el espejo de mi cuarto
en la concha vacía de mi lecho
escribo tu nombre.
En mi perro glotón y tierno
en sus orejas levantadas
en su patita coja
escribo tu nombre.
En el quicio de mi puerta
en los objetos familiares
en la llama de fuego bendecida
escribo tu nombre.
En la carne que me es dada
en la frente de mis amigos
en cada mano que se tiende
escribo tu nombre.
En la vitrina de las sorpresas
en los labios displicentes
más allá del silencio
escribo tu nombre.
En mis refugios destruidos
en mis faros sin luz
en el muro de mi tedio
escribo tu nombre.
En la ausencia sin deseo
en la soledad desnuda
en las escalinatas de la muerte
escribo tu nombre.
En la salud reencontrada
en el riesgo desaparecido
en la esperanza sin recuerdo
escribo tu nombre.
Y por el poder de una palabra
vuelvo a vivir
nací para conocerte
para cantarte
Libertad
Liberdade
(Tradução de Carlos Drumonnd de Andrade e Manuel Bandeira)
Nos meus cadernos de escola
Nesta carteira nas árvores
Nas areias e na neve
Escrevo teu nome
Em toda página lida
Em toda página branca
Pedra sangue papel cinza
Escrevo teu nome
Nas imagens redouradas
Na armadura dos guerreiros
E na coroa dos reis
Escrevo teu nome
Nas jungles e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No céu da minha infância
Escrevo teu nome
Nas maravilhas das noites
No pão branco da alvorada
Nas estações enlaçadas
Escrevo teu nome
Nos meus farrapos de azul
No tanque sol que mofou
No lago lua vivendo
Escrevo teu nome
Nas campinas do horizonte
Nas asas dos passarinhos
E no moinho das sombras
Escrevo teu nome
Em cada sopro de aurora
Na água do mar nos navios
Na serrania demente
Escrevo teu nome
Até na espuma das nuvens
No suor das tempestades
Na chuva insípida e espessa
Escrevo teu nome
Nas formas resplandecentes
Nos sinos das sete cores
E na física verdade
Escrevo teu nome
Nas veredas acordadas
E nos caminhos abertos
Nas praças que regurgitam
Escrevo teu nome
Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Em minhas casas reunidas
Escrevo teu nome
No fruto partido em dois
de meu espelho e meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo teu nome
Em meu cão guloso e meigo
Em suas orelhas fitas
Em sua pata canhestra
Escrevo teu nome
No trampolim desta porta
Nos objetos familiares
Na língua do fogo puro
Escrevo teu nome
Em toda carne possuída
Na fronte de meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo teu nome
Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Bem acima do silêncio
Escrevo teu nome
Em meus refúgios destruídos
Em meus faróis desabados
Nas paredes do meu tédio
Escrevo teu nome
Na ausência sem mais desejos
Na solidão despojada
E nas escadas da morte
Escrevo teu nome
Na saúde recobrada
No perigo dissipado
Na esperança sem memórias
Escrevo teu nome
E ao poder de uma palavra
Recomeço minha vida
Nasci pra te conhecer
E te chamar
Liberdade
Quando a promiscuidade qualifica a alma
3 de outubro de 2011 às 19:52 | 6 ComentáriosPara preservar a formatação original optamos por publicar o texto em PDF:
Para ouvir Cabra Cega de Sergio Sampaio:
A poesia confessional de Sylvia Plath
26 de junho de 2011 às 9:06 | 6 ComentáriosPara Maria Felix!
Muito boa a poesia “Espelho”, presente no seu comentário ao post “A fama póstuma de Sylvia Plath”.
Na verdade eu não tinha conhecimento da obra de Sylvia até ler o livro A mulher calada, mencionado no referido post. Assim, tomei conhecimento de que existem várias biografias sobre a poeta e um filme biográfico: Sylvia, paixão, além das palavras.
A fama póstuma de Sylvia Plath
24 de junho de 2011 às 17:44 | 1 ComentárioDentro de mim mora um grito.
De noite, ele sai com suas garras, à caça
De algo para amar. Sylvia Plath
Li há pouco tempo A mulher calada, biografia de Janet Malcolm sobre a poeta americana Sylvia Plath. Sylvia suicidou-se no inverno londrino em fevereiro de 1963, recostando a cabeça sobre uma toalha no interior de um forno com o gás ligado. Os dois filhos pequenos dormiam num quarto ao lado, vedado por ela com toalhas molhadas para evitar as emanações do gás e onde deixara canecas de leite e um prato com fatias de pão para as crianças comerem ao acordar.
Um teto todo seu
6 de fevereiro de 2011 às 21:26 | 15 Comentários
Olá, pluralistas. Levei um “chá de sumiço”, eu sei. Primeiro eu me afastei, porque havia voltado para a Universidade no intuito de fazer um mestrado. Sabe como é, integrar base de pesquisa, cursar disciplinas (abandonado depois por absoluta falta de identificação!), trabalhar, administrar a casa e cuidar dos filhos não é pouca coisa. Agora estou em vias de mudar de residência. Mesmo de férias, os dias têm sido bastante agitados, tenho estado de lá para cá e daqui para lá. Mudar perturba, embora possa ser um momento privilegiado para exercitar o desapego!
Manifesto de apoio à candidatura de Dilma
21 de outubro de 2010 às 19:04 | 2 ComentáriosEntidades estudantis do IFRN (DCE e Grêmio) e Sindicato dos Servidores do IFRN – SINASEFE – Natal, alunos, professores e servidores, subscrevemos nosso apoio à candidatura de Dilma à Presidência da República.
Reflexão em uma jovem tarde de domingo
13 de outubro de 2010 às 18:38 | ComentarDe Ailton Dantas de Lima:
“É estarrecedor o debate medieval que eclode, para usar o clichê, à entrada do século XXI, e toma conta do atual processo eleitoral brasileiro. Nesse cenário, a sanha inquisitorial das organizações religiosas de pensamento mais arcaico ressurge como um cadáver insepulto que não teve suas vísceras dilaceradas por um abutre. Com suas vísceras intactas, ele ruma gloriosamente a bafejar seu hálito pútrido sobre as conquistas – a duríssimas penas – do nosso, oficialmente, estado laico.
Antonio Ronaldo e convidados
5 de outubro de 2010 às 13:36 | 2 ComentáriosNo Projeto Seis e Meia – HOJE – 05/09/2010 – Teatro Alberto Maranhão
O repertório que será apresentado é um mix dos dois CDs de Antonio Ronaldo, a saber: “Sátiro”, lançado em 11/09/2010 e “Novos Caetés”, lançado esta semana.
VERSOS
26 de setembro de 2010 às 15:49 | 1 ComentárioFlorBela Espanca
Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma…
Versos…Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!
Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…
Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês
SINASEFE emite nota de repúdio a Rosalba Ciarlini
22 de setembro de 2010 às 8:16 | 7 ComentáriosAs vésperas de eleição, os riscos de manipulação e oportunismos são intensificados podendo confundir os eleitores.
Nos últimos dias, assistimos a uma declaração veiculada no programa eleitoral da candidata ao governo do estado, Rosalba Ciarlini (DEM), no mínimo inusitada.
A declaração deixou servidores, alunos e professores, inicialmente, estupefatos. A candidata declarou:
“A melhor política de inclusão social é garantir educação e emprego para as pessoas. Quando se pode juntar as duas coisas, é melhor ainda. Por isso, como senadora, apresentei o projeto para implantar doze Institutos Federais, os antigos CEFETS, no interior do estado.”
Piso salarial para o magistério público
15 de setembro de 2010 às 22:11 | 14 Comentários[...] a Deputada Fátima Bezerra disse, na Câmara dos Deputados, que vai “debater” na próxima legislatura sobre um piso salarial digno para os professores. E chamou o atual piso de “vergonha salarial”. Engraçado: A deputada é deputada há mais de doze anos. O presidente da república, seu chefe e correligionário, é Presidente há oito anos. E só na próxima legislatura é que ela vai descobrir a necessidade dessa discussão? [...]. Por François Silvestre – post de 14 de setembro de 2010.
É importante esclarecer que a aprovação do Piso Salarial Nacional fixado inicialmente em R$ 950 para os professores do magistério da rede pública foi uma das principais lutas da deputada Fátima Bezerra na Câmara dos Deputados (Lei 11.738/2008). Com a aprovação da emenda constitucional (EC 53/2006) que instituiu o FUNDEB, foi aprovada uma emenda da Deputada Fátima Bezerra, instituindo a fixação do Piso Salarial Profissional Nacional, ou seja, essa não é uma discussão nova como você supõe. Em primeiro lugar, consideremos que a fixação de um Piso Salarial Nacional se constitui no primeiro passo para uma política de valorização do magistério e universalização da carreira.
Paulo Leminsk
Eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora
quem está por fora
não segura
um olhar que demora
de dentro de meu centro
este poema me olha
Exterior
12 de setembro de 2010 às 9:30 | 1 ComentárioWally Salomão
Por que a poesia tem que se confinar?
às paredes de dentro da vulva do poema?
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Hilda Hilst, trilogia obscena e pornográfica
6 de setembro de 2010 às 9:12 | 2 ComentáriosNuma época em que palavras, gestos e atitudes só eram cabível aos homens, Hilda Hilst consagrou-se na poesia, na dramaturgia e na prosa narrativa.
Hilda Hilst escreveu uma trilogia pornográfica, a fim de atrair o leitor para sua obra literária. Apostando no interesse do mercado editorial para este tipo de literatura, ela o faz de forma irônica e debochada através da trilogia obscena e pornográfica: O caderno rosa de Lori Lamby (1990), Cartas de um sedutor (1991), Contos d’escárnio/ Textos grotescos (1992).
É o que tenho constatado lendo Cartas de um sedutor, cujo narrador é um escritor fracassado, Stamatius (Tiu) – negro, viúvo, pobre e desdentado que perdeu todos os seus bens por persistir em ser escritor e que, agora, vive perambulando pelas ruas catando lixo com sua companheira Eulália.
Cartas de um sedutor aborda o homossexualismo e os desejos incestuosos de uma forma bastante intensa.
Tema proibido
31 de agosto de 2010 às 8:45 | ComentarArtigo do site CartaCapital de Roseli Sayao em 17 de agosto de 2010 na Categoria Carta na Escola:
O preconceito contra a homossexualidade permanece. E como preconceito se combate com a educação, não há como a escola esquivar-se mais.
A escola, tradicionalmente, sempre deu as costas à sexualidade. Nas aulas de Biologia, o conteúdo sobre a anatomia e o funcionamento do aparelho reprodutor era e ainda é oferecido aos alunos de modo mecanicista e absolutamente desvinculado da sexualidade e de seu contexto sociocultural.
A censura moralista
26 de agosto de 2010 às 8:20 | ComentarSegue link de acesso a um artigo de Marisa Lajolo sobre a censura moralista de livros nas escolas.
A genial Hilda Hilst
23 de agosto de 2010 às 9:43 | Comentar
“Todos nós estamos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas.” Oscar Wilde
“E quem olha, se fode”. Lory Lamby
Muito instigante o documentário sobre a escritora Hilda Hilst, apresentado pela Rede Minas e reproduzido aqui no SP (19 de agosto).
A maior parte dos comentários é de Jose Luis Mora Fuentes, escritor, amigo fiel e incansável de Hilda.
No documentário Mora Fuentes aponta: “Hilda sempre optou pelos caminhos que não são óbvios, rompendo padrões na sua vida, na sua obra”. Ou ainda: “Ela queria agredir um pouco as pessoas, deixar todo mundo chocado aí ela começou com a Lory Lamb”.
Uma Didática da Invenção
8 de agosto de 2010 às 21:34 | ComentarManuel de Barros
IV
No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para
dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras
As Mil e Uma Noites
8 de agosto de 2010 às 21:33 | 2 ComentáriosAs Mil e Uma Noites é para Jorge Luis Borges um dos mais belos títulos do mundo. Para ele, a sua beleza reside no fato de a palavra mil significar para nós, quase sinônimo de infinito.





