Bola
23 de maio de 2010 às 11:27 - 1 ComentárioPara Jarbas Martins (Angicos, Futebol e Bexiga)
Bater bola nos terrenos baldios, ou mesmo nas ruas, sempre foi uma das brincadeiras infantis mais realizadas. Jogava-se com bola de cabelo e palha de milho, talo de bananeira, capim seco, meia, borracha, plástico, e até de bexiga de boi. Não importava de que material a bola era feita, o importante era jogar.
Os times se organizavam nas próprias ruas e as “peladas” duravam manhãs ou até tardes inteiras. Enquanto restasse fôlego e energia, a bola rolava. A bola de bexiga de boi, por exemplo, surpreende a quem não a conheceu e deixa saudade a quem dela usufruiu. Martins (2007), nascida na cidade de Lajes, relata o processo de confecção da bola com muita emoção:
Lá em Lajes já sabíamos até o dia de matar boi, ficava todo mundo na expectativa para ir ao matadouro e pegar a bexiga do animal. A gente lavava, lavava até aquele cheiro ruim sair, daí enchia de ar com um canudo ou podia ser com a boca mesmo, tendo cuidado para não furar, mas lembro que a gente jogava para cima e ficava brincando, era muito difícil de estourar.
Da mesma forma que a bola de bexiga de boi deixou saudades, a de folha de bananeira também deixou. Essa bola era construída em um processo rápido e durava em torno de três dias, bastando apenas molhar quando ficasse muito seca, lembra Evaristo (2007), nascido na cidade de Martins. Davam-se voltas e mais voltas com as próprias folhas da bananeira, até chegar ao tamanho desejado e, em seguida, prendia-se dando-lhe nós com tiras, também da bananeira.
COSTA, Tânia et al. Brinquedos e brincadeiras populares: Identidade e memória. 2. ed. Natal: IFRN 2010.


1 Comentário
Querida Tânia, obrigado pela dedicatória do seu belo texto. E pelas lições sobre as brincadeiras populares. Gostaria de conversar com você sobre o tema, que diz respeito também à minha atividade como professor.
Poeticamente ele significa muito para mim. Uma bola de meia, confeccionada por minha mãe, foi o primeiro presente que ganhei.Beijos.