Mais

Brasil, Brasis (2)

São Cristovão_Marco Carrilho na praça São Francisco

Continuando nosso giro por esses Brasis, enfocamos breves imagens de mais algumas importantes cidades históricas.

Imagem de capa: São Cristovão (SE)

Antiga capital de Sergipe, São Cristovão guarda na fachada de seus casarões a nostalgia das eras de poder e prestigio. (Esta frase não é “literatura”, não. Eu senti o clima. Vi o contraste da cidade de ontem lado a lado com a de hoje. Mocinhas trêfegas faziam algazarra pelas calçadas, profanando a tarde das velhas igrejas).

Salvador

Falso e arraigado conceito identifica a noção de grandeza com a de fastígio e força bruta. Olhando a baía de Todos os Santos, do alto da Sé, reflito sobre a mentira de tal conceito, pois a baía é grande, imensa, porém serena e mansa. Ganho dela esta alegoria otimista.

ouro_preto

Entre montanhas, surge o poema arquitetônico mineiro.

Ouro Preto

A cidade se espraia pela montanha num ondear de ladeiras sem fim. É preciso ser artista, como Guignard para captar toda a poesia, toda a riqueza plástica e cromática da paisagem. A graça das igrejas barrocas como que levitando nos altos – visão de sonho.

Em Ouro Preto os sons da rua se destacam, nítidos, parecem talhados em alto-relevo… Fenômeno acústico devido à situação topográfica? Não sei. Pode ser mera impressão. Mas, o fato é que alguns sons, intensamente poéticos, ficaram-me na mente para sempre. Os sinos! Há quanto tempo, eu, mísero vivente da cidade grande, não ouvia o dobrar dos sinos. Encanto maior, só o apito da locomotiva “Maria fumaça”, e o ruído ritmado das rodas de aço nos trilhos, restituindo-me um pouco da minha infância: café-com-pão-bolacha-não, café-com-pão-bolacha não.

Rio de Janeiro

No alto do Corcovado, posso me deleitar com as vistas da cidade mais curvilínea do mundo. O Cristo de braços abertos sobre a Guanabara, como na famosa canção, passa uma sensação de tranquilidade em sua elegante simetria. De vez em quando, helicópteros rondam a estátua, e nos mirantes, a turba faz zoada. E o Cristo, impassível, a tudo assiste….

Petrópolis

Depois de visitar o magnifico Museu Imperial, vou até a Casa de Santos Dumont, na Rua do Encanto (daí talvez denominar-se “A Encantada”). É um pequeno chalé, que o próprio inventor, revelando-se engenhoso arquiteto, mandou construir, sob a sua supervisão.

Tem coisas curiosas, como, por exemplo, uma escada em que não se pode começar a subida com o pé esquerdo. Que casa, essa! Pendurada na encosta de um morro, parece estar suspensa no ar. Não me admiraria se de repente ela saísse voando.

São Paulo

Abro a janela do quarto do hotel, no vigésimo-segundo andar,  e dou  de cara com cem janelas, todas olhando para mim.

porto alegrePorto Alegre

Indo a Porto Alegre, recebo pedidos de encomenda inusitados, e confesso que gostaria muito de atendê-los. Jarbas Martins, poeta do primeiro time (vá lá a expressão, ele curte futebol) exigiu:

-Traga-me no bornal um crepúsculo do Guaíba.

Por incrível que pareça, idêntico pedido me fez, lá do seu reino goiano, a poeta e escritora Alice Spíndola. Penso que eles querem um crepúsculo contido num poema. E agora ? Como satisfazê-los , se não sou poeta? Creio que terei de recorrer a Mário Quintana….

À porta do Musel de Arte, detenho-me surpreso. Um sabiá, que vadiava nos jacarandás da praça, veio pousar numa platibanda, a poucos metros, e brindou-me com um concerto exclusivo.

Eu sempre me encantei com o canto do sabiá, mas nunca tinha tido a oportunidade de vê-lo cantar bem perto de mim. Beleza pura. Melhor – suponho – só o crepúsculo no Guaíba.

Share:
Manoel Onofre Jr.

Comentários

Leave a reply