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Cada vez mais o conhecimento e a informação se afastam da universidade

cooperativa

A tão falada academia produtora de conhecimento está perdendo espaço, e dentro do próprio espaço, entre seus muros que a isolam da sociedade. A universidade não passa de um campo de poderes, onde professores brigam com seus títulos entre si, produzindo um espaço livre de alunos, que não passam de ser seus soldados em um campo de batalhas coletando informações, e exaltando seus generais, preocupados com títulos, artigos e teses. Os filhos de Lattes.

Um evento multicultural aconteceu na Universidade Federal. Uma feira de livros promovida pela Cooperativa Cultural (40 anos), referenciada por uma livraria, com eventos culturais acessórios e paralelos. O centro de convivência da UFRN. foi o espaço escolhido, com entrada gratuita e show 0800, junto a Cooperativa que funciona como uma grande livraria. Stands foram montados oferecendo espaço para escritores, editores e sebos diversos, para deleite do leitor. O novo diante do usado ficou bem claro.

Diante das dificuldades financeiras que vem passando as livrarias, os sebos funcionam com as últimas alternativas de obter um livro. Livros perdidos em estantes, esquecidos em armários e gavetas; livros que não foram reeditados. O sentimento pela informação e pelo conhecimento, e a dor de jogar um livro no lixo, contribuem para que ele termine em um sebo, dando oportunidades a quem não teve acesso, quando era novo ou inédito. As letras não se acabam e não se desgastam depois de inúmeras leituras. E ainda podem vir complementados de anotações e comentários nas páginas, que levam a outros títulos relacionados e afins, com as interpretações de quem um dia foi seu dono.

Tudo para ser um bom evento com a pluralidade de atividades em um local de saberes e sabores em volta. A condição de alimentar o corpo e a alma. Um local que poderia ser um Éden, com saberes e sabores ao alcance dos olhos, e oportunidades econômicas variadas, E adicionado do momento que passa a cidade, com livrarias fazendo fila para ter suas portas fechadas. A opção de livros ao alcance das mãos estão ficando mais restritas. As livrarias tendem a ficar na internet. Mas como um paraíso supõe-se ter uma serpente, e ali existiam várias, ocupando espaços e soltando fumaça. Diziam aos ocupantes do paraíso, de informações e conhecimento: “Você precisa de rodas para chegar mais distante”.

O futuro negro do conhecimento, pode ser imaginado, com a possibilidade de criar alternativas no ponto presente. É possível fazer uma ideia do que seria uma cidade sem livrarias, com uma avaliação hipotética. O conhecimento escrito estaria restrito, limitado por falta de fontes escritas, as fontes primárias. Nem tudo poderá ser encontrado na internet. A internet seria uma fonte secundária ou terciária, tudo reescrito e reinterpretado. E a internet ainda gera um problema, quem não sabe o que procura não identifica o que acha. É preciso conhecer um mínimo de assuntos, temas, livros e autores, para avaliar a veracidade da fonte encontrada.

Já faz algum tempo que o modelo universitário foi alterado. O sistema de créditos foi implantado para evitar que alunos em uma mesma sala, e em uma mesma escola trocassem ideias e criassem grupos e ideias não desejadas. E a universidade criou um campus com centros, escolas e departamentos todos espalhados. A possibilidade de montar uma grade com disciplinas oferecidas em horários e locais diferentes provocaria um afastamento físico dos alunos, e diferenças de formações críticas, já que além de horários e locais, também seria possível escolher professores, que oferecem uma mesma matéria (cadeira ou disciplina). Haveria a possibilidade de postergar “pagar” uma disciplina, caso o professor desejado não ter disponibilizado aulas e vagas suficientes no semestre, E uma turma ingressa em uma data, não teria necessariamente a mesma data de formatura entre seus integrantes, como também poderia ter outros alunos egressos de outros cursos e escolas. Estariam todos espalhados, por uma variedades de cursos e datas. E a estratégia criou outras necessidades ao longo do tempo, a partir de uma mudança de pensamentos.

O centro de convivência da UFRN que leva o nome de um nome respeitado na cidade deixa a convivência a desejar, por falta de olhares arquitetônicos. Um infinidade de modelos e multimarcas coloridas faz uma estagnação do espaço que existe em volta. É preciso encontrar atalhos entre os carros estacionados, pedindo licença a seus condutores para pedestres passarem.

Países estão ali representados por suas montadoras. Uma invasão simbólica de cidades, a invasão consentida e autorizada, com concessão e isenção de impostos. Seus óleos e combustíveis têm diferentes bandeiras, tal como a forma de pagamento em dinheiro de plástico. Seguros e financiamentos também de origem estrangeira. A grande jogada de outros países com suas multinacionais sem pátrias. Trocam modelos, partes e peças entre países, como uma simples transferência entre fábricas.

O símbolo econômico está presente com símbolo de poder e símbolo capitalista, justamente na universidade, onde existem alunos que ocupam as ruas pedindo um transporte coletivo com tarifas e confortos mais decentes. Pregam o socialismo ostentando um capitalismo no seu quintal, a casa do conhecimento. Na área coberta destinada a pedestres, por uma suposição lógica, um desfile de motocicletas, fazendo barulho e fumaça na área dita de convivência. Um lugar ainda lembra a cena de um deserto atualizado, com descartáveis levados pelo vento.

Fica a dúvida a quem se destina a convivência, aos automóveis que um dia podem se robôs controlados ou autônomos, ou ao aluno que ainda é de carne e osso, com uma mente pensante, com um HD particular e biológico na caixa craniana. Capaz de distinguir regras e normas de convivência fazendo trocas de informações e conhecimentos como neurônios em trocas por sinapses. O centro de convivência deve oferecer a oportunidade de acontecerem sinapses entre alunos de diversos cursos e origens culturais variadas. Uma caixa craniana onde podem surgir novos pensamentos e ideias.

O centro de convivência como uma caixa craniana, possui olhos e ouvidos, para perceber e processar suas atividades, que acontecem à sua volta e nas suas confusões mentais e internas. Mas talvez seja necessário uma atividade de fonoaudiologia mais algumas terapias ocupacionais e fisioterapia, para aprender a exercer suas atividades cognitivas e fisiológicas, as atividades organolépticas inerentes ao espaço. A ouvidoria encontrada no centro de convivência parece estar ser surda e cega, por uma porta e ar condicionado. Na administração, um cerebelo ao lado nem se fala. E diante uma reclamação já se fala ao reclamante, de todo processo burocrático que percorre uma pauta de uma simples reclamação. É preciso percorrer uma gama de nervos entre músculos para chegar ao comando central da universidade, e voltar uma informação como uma ordem pela medula espinhal, de movimentar os dedos e os braços. É preciso romper com a letargia, tirar as nádegas da cadeira e circular pelo espaço, de concreto armado, com acuidade visual e auditiva atentas. Observar aromas e sabores, trazidos pelos ventos.

Decisões não podem ser tomadas enquanto não acontece um problema, como de alguém ser atropelado, dentro do centro de convivência, É preciso abrir uma ferida para que o cérebro tome conhecimento, mandando tropas de leucócitos, para resolver a lesão promovendo cura e a cicatrização, com a renovação de epitélio de cimento. Tudo depende de uma decisão magnânima, a reitoria domina um império, onde o reitor possui alguns súditos, espalhados pelo campus. E precisa levar uma pauta ao seus conselheiros nobres, através das reuniões de congregação. Para então tomar a decisão do óbvio.

A transversalidade e interdisciplinaridade exposta pelo corpo docente, e cobrada por mestres e doutores, ocupando cátedras e tarefas administrativas, para serem impingidas ao corpo discente, não é disponibilizada aos alunos nos seus momentos fora das salas de aulas, no campus universitário. Um centro de convivência, o local ideal para uma troca de ideias e informações. Mas falta empenho administrativo e arquitetônico. Há uma falta de mobiliário, para sentar e fazer um simples lanche oriundo de casa. Não há refeitórios coletivos para apreciar uma comida de origem caseira. Ou seja, esquentar a marmita, e depois promover sua limpeza. Estrutura encontrada em outras federais, com opção de tomadas de energia elétrica e forno microondas. Caso exista, está muito bem escondido.

No mais, o maior dos absurdos, não há oferta de água, do tipo pura, filtrada e até gelada. A água símbolo universal oferecida a mestres e doutores em apresentações de trabalhos e pesquisas. A mesma água que cobre mais de dois terços do planeta, e compõe mais de 75% do corpo, está ausente. O risco da desidratação está presente no crânio, no centro de convivência. Ótimo como um grande guarda chuva, protegendo a cabeça e os livros.

E enquanto nada acontece, fica tudo como dantes no quartel de Abrantes.

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Comentários

1 comment

  1. Fábio 9 abril, 2017 at 19:50

    Poucas vezes na vida eu li um texto tão sem noção com a realidade como este. Há descrições corretas mas análises sem fundamento. Convido o senhor autor desse texto sem propósito a vir visitar nosso grupo de pesquisa, SEMAPA. É fácil nos encontrar. Talvez, conhecendo um pouco mais a UFRN, suas análises sejam mais próximas da realidade

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