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Exposição aborda história e antropologia de Caicó

Canindé Soares_Sertão

Mostra Descobrindo o Rio Grande do Norte com Luís da Câmara Cascudo tem sala Seridoísmo, com fotos e textos escritos por geógrafos, historiadores e pesquisadores que interpretaram a identidade e evolução sociocultural caicoense.

Fotografia de capa: Canindé Soares

A exposição Descobrindo o Rio Grande do Norte com Luís da Câmara Cascudo, aberta na última quinta-feira (16), em Caicó, apresenta um olhar histórico e antropológico sobre o município seridoense.

Se a obra do maior intelectual norte-rio-grandense é a base da curadoria, espaço destacado foi dado à principal cidade de uma das regiões mais tradicionais da América Portuguesa.

Na sala Seridoísmo, a mostra traz fotos e textos escritos por geógrafos, historiadores e pesquisadores que interpretaram a identidade e evolução sociocultural caicoense.

A experiência é completada por painéis com imagens antigas de Caicó e reproduções de pinturas rupestres encontradas, sobretudo, no sítio arqueológico de Carnaúba dos Dantas.

O visitante pode ler textos de Oswaldo Lamartine de Faria, Olavo de Medeiros Filho, Moacy Cirne, Muirakytan Kennedy de Macêdo, Francisco de Assis Medeiros, Manoel Dantas, Ione Diniz Rodrigues Morais, Paulo Bezerra, Maria Augusta Vale, Olívia Morais de Medeiros Neta e Eugênia Maria Dantas.

A exposição Descobrindo o Rio Grande do Norte com Luís da Câmara Cascudo está aberta ao público de segunda à sexta, das 8h às 16h30, no Centro de Educação José Augusto (CEJA), localizado na rua Zeco Diniz, S/N, Penedo, em Caicó.

Jose Ezelino da Costa_enchente 1920

Fotografia da enchente de 1924, de Jose Ezelino da Costa, o garboso filho de uma escrava alforriada autor dos principais registros de Caicó de seu tempo, que de destacou também na música e na pintura

Do Seridó arcaico: reminiscências potiguares

Cada autor com sua visão daquele cenário idílico, místico e selvagem. Publicações clássicas na historiografia e genealogia potiguar desvelam o Seridó.

O célebre historiador em Homens de Outr´Ora, Manoel Dantas trata das origens assim:

“Quando o sertão era virgem, a tribu dos Caicós, celebre pela sua ferocidade, julgava-se invencível, porque Tupan vivia alí, encarnado num touro bravio que habitava um intrincado mufumbal, existente no local onde está, hoje, situada a cidade de Caicó”.

Oswaldo Lamartine

Osvaldo Lamartine (1919-2007) é autor de um dos livros mais importantes sobre o Sertão brasileiro e descreveu o Rio Grande do Norte com raro talento literário e de pesquisa

Já o poeta Moacy Cirne, em Seridó, Seridós, cria termos para definir o lugar:

“O Seridó não se resume a Caicó, naturalmente; o sentimento de seridolência, que antecede o seridoísmo, conforme o entendemos, é tão antigo quanto as cidades de Acari e Caicó, as primeiras da região.”

No livro Sertões do Seridó, o escritor Oswaldo Lamartine fala da pecuária:

“A vocação histórica do sertanejo é o gado. Espremido em cercados retalhados a cada herança, pendeu para uma pecuária semiextensiva”.

Músicas sobre Caicó vão de Chico César a Heitor Villa-Lobos

O produtor musical José Dias preparou um repertório especial com obras de intérpretes e compositores referentes à cultura caicoense.

José Dias

Produtor musical José Dias

São apresentados temas, como Rosa Impúrpura do Caicó, de Chico César, Ovo de Codorna, de Severino Ramos (aqui com a Filarmônica de Cruzeta), a ária Cantiga do Caicó, de Heitor Villa-Lobos (veja que beleza na voz da cantora galega Uxía), Comunhão, de Mário Gil (aqui ele no programa Arteletra, em pequeno show com o álbum completo), entre outras canções.

Entre painéis e bonecos gigantes, na condução de Câmara Cascudo

Quem for à mostra será conduzido por recortes da obra literária de Câmara Cascudo pela história potiguar, desde a chegada dos portugueses, a tradição dos índios locais, a invasão holandesa, o papel de Natal na 2ª Guerra Mundial, até o panorama atual – a mostra é baseada no livro História da Cidade do Natal.

LUIS DA CAMARA CASCUDO / MAIO/72 CRED. DJAIR DANTAS / ABRIL IMAGENS

Câmara Cascudo, maio de 1972. Recortes de sua obra literária viajam por cinco séculos de história. Fotogafia: Djair Dantas/ Abril Imagens

A iniciativa consiste em um passeio entre os corredores e galerias do Memorial, guiado pelo próprio Câmara Cascudo, através de recortes da sua obra literária, em uma verdadeira viagem ao longo de cinco séculos de história.

A mostra é composta por grandes painéis com textos de Câmara Cascudo, fotografias (como as de José Ezelino da Costa) mapas, cartas náuticas, pinturas, tudo em busca de se aproximar do visitante e despertar nele o interesse e valorização pela história potiguar e pela obra de Cascudo.

Tem também bonecos em tamanho real de personagens ilustres e heróis potiguares, artefatos, livros, miniaturas e uma diversidade de objetos museológicos.

A exposição Descobrindo o Rio Grande do Norte com Luís da Câmara Cascudo está aberta ao público de segunda à sexta, das 8h às 16h30, no Centro de Educação José Augusto-Ceja (Rua Zeco Diniz, S/N, Penedo, Caicó).

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