Carta compromisso

9 de setembro de 2010 às 9:38 - Comentar

Texto lido pelo candidato Carlos Eduardo Alves ontem no “Cultura em Debate”, na Casa da Ribeira, enviado por e-mail pela assessora jornalista Luana Ferreira:

Carta Compromisso

Nós sabemos que o nosso estado é riquíssimo em termos de cultura, e que isso se deve mais à persistência e obstinação de vocês que a iniciativas do poder público, que são quase nulas. Em nosso estado, a cultura sempre foi deixada em segundo plano, como se dela não dependesse o desenvolvimento humano. Como se a cultura também não significasse identidade de um povo, inclusão social, trabalho, renda, igualdade de oportunidades e construção de um futuro melhor.

Essa falta de visão dos nossos gestores por décadas a fio fica evidente na injustificável ausência de um Plano Estadual de Cultura. Se não há plano, não há uma política cultural de continuidade nem orçamento garantido. Nós vamos planejar pela primeira vez a cultura em nosso estado com o Plano Estadual de Cultura com objetivo de  promover a cultura nas suas mais variadas formas, democratizar o seu acesso em todas as regiões do nosso estado, fazer inclusão social através da cultura e formar público. Paralelamente, nós vamos estimular a formação dos conselhos paritários de cultura e o controle social para que as políticas culturais não fiquem ao sabor da boa vontade dos governantes, mas tenham a sua continuidade e aperfeiçoamento garantidas porque estarão entranhadas no próprio tecido social.

Nós também vamos criar uma Secretaria de Cultura e desvincular a Fundação José Augusto da Secretaria de Educação. A Fundação José Augusto precisa de uma reestruturação profunda no seu modo de funcionamento. Eu vou indicar uma pessoa da área para a Secretaria de Cultura e para a Fundação e dar autonomia para que essas pessoas formem as suas próprias equipes, assim como fiz na Capitania das Artes quando era prefeito de Natal.

Graças ao perfil técnico da nossa equipe de cultura e à capacidade de investimentos e planejamento, eu pude construir o Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão, na Ribeira; o Espaço Gesiel Figueredo, na Zona Norte; o Espaço Chico Miséria, na Zona Norte, a sala Cachimbinho, no Teatro Sandoval Wanderley; o Memorial de Natal, no Parque da Cidade. E pude criar a Escola de Teatro – a primeira do Nordeste; a Escola de Música; promover o Encontro Natalense de Escritores, o Natal em Natal, o Carnaval; e o Goiamum Audiovisual, entre tantas outras ações.

Por tratar a cultura com seriedade e planejamento, eu nunca atrasei o pagamento dos artistas.

Mas para fazer cultura bem feito, é preciso investimento pesado. Só no Natal em Natal, que reunia manifestações teatrais, de dança, música, dramaturgia e audiovisual, eu gastava 3,5 milhões de reais – quase o montante gasto pelo Governo do Estado em renúncia fiscal com a Lei Câmara Cascudo durante um ano inteiro.

Como governador, eu vou ampliar o valor da renúncia fiscal da Lei Câmara Cascudo para abarcar novas manifestações sem sacrificar aqueles projetos já consolidados e informatizar o processo de inscrição, para que o acesso seja democratizado para as pessoas que moram longe da capital e a concorrência seja feita com transparência.

Além disso, eu  vou fazer modificações profundas no modo de funcionamento da Fundação José Augusto, reestruturando-a para dar mais agilidade e transparência aos projetos e editais. Nós vamos aumentar e reorganizar o seu orçamento – que hoje é 80% comprometido com pagamento de pessoal – através de recursos próprios, de programas e editais do Governo Federal, e estabelecendo parcerias com a iniciativa privada e organismos internacionais. A Fundação José Augusto finalmente terá orçamento próprio e autonomia.

Eu também vou regulamentar e implementar o Fundo de Apoio à Cultura, que é importante para fortalecer e divulgar aquelas produções que não têm tanto apelo comercial, mas que são importantíssimos para a construção de nossa identidade, como o coco de zambê, os mamulengos, as violas, a poesia, os repentes e o boi de reis, entre outros.

As nossas manifestações culturais não podem ficar concentradas só na capital. Nós precisamos levar a cultura para a periferia das grandes cidades e para as pequenas cidades do interior. Vamos fazer com que as casas de cultura funcionem de fato como espaço de criação e de formação de novos artistas na comunidade, estimulando as oficinas de arte, garantindo o seu financiamento e nomeando pessoas da área para a gestão.

As nossas manifestações culturais também não podem ficar restritas ao período natalino. Nós vamos fortalecer o nosso calendário cultural e promover os festivais de teatro, dança, poesia, folguedo, literatura, artes plásticas e audiovisual no interior e aproveitando as potencialidades de cada região. Também vamos desenvolver programas itinerantes, tipo caravana de cultura, que promovam interação entre artistas e grupos culturais de todo o estado.

Vamos desenvolver um programa de fomento às bandas de música para incentivar a cultura musical e a inclusão social através da música, a exemplo das bandas de Cruzeta e Carnaúba dos Dantas e de Caicó. E consolidar a Orquestra Sinfônica do RN, garantindo um espaço adequado para os ensaios e transformando-a em referência no campo da música de concerto, em centro de formação de jovens talentos e com uma agenda de apresentações em todo o Estado, a exemplo das festas de padroeiros, como Sant’Ana, de Caicó.

Vamos incentivar a criação de pontos de cinema nas cidades polos das regiões.

Os espaços públicos de cultura do nosso estado, como bibliotecas, museus, galerias de arte, teatros, arquivo público, sítios arqueológicos e bens artísticos tombados precisam ser qualificados, reestruturados e integrados. É urgente a construção de um Centro Cultural de Natal com uma grande galeria de arte capaz de receber exposições de todo o mundo. Natal é hoje uma das poucas capitais que não possuem uma galeria de arte. Nós também vamos fazer uma profunda reestruturação – inclusive no que diz respeito à informatização e ao acervo – da nossa Biblioteca Câmara Cascudo, hoje completamente abandonada.

Além dessa biblioteca, nós vamos instituir uma rede efetiva de bibliotecas públicas em todo o estado, com o desenvolvimento de projetos culturais voltados a formação de leitores e o incentivo a emergência de talentos literários.

A nossa história precisa ser contada. Nós vamos estimular as manifestações de comunidades tradicionais, rurais e populares, promover a educação patrimonial, restaurar os prédios históricos, digitalizar os acervos, e valorizar as culturas das diversas etnias que formam o povo potiguar. É preciso realizar um amplo levantamento dos sítios históricos e arqueológicos e elaborar uma política de museu e memórias para desenvolver um forte programa de incentivo ao turismo cultural.

A nossa história também precisa ser contada através de livros e periódicos. Nós vamos redimensionar a Imprensa Oficial do RN, transformando-a, em articulação com a Fundação José Augusto, em uma editora importante, a exemplo do que ocorre com a Imprensa Oficial de Pernambuco  – que publica livros, a Revista Continente e o Jornal Pernambuco.

É assim: contando a nossa história, divulgando e fortalecendo as manifestações culturais já existentes, incentivando a criação de novas formas de arte, provocando a comunicação entre os grupos culturais, democratizando o acesso à cultura, formando público, instituindo um calendário cultural, estimulando a produção intelectual e incentivando a participação popular, planejando e investindo em cultura que pretendo governar.

Como candidato, o que quero é convidar vocês a se engajarem nessa tarefa!

Muito obrigado!

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AGENDA

  • Pinacoteca está com Edital aberto para ocupação das Salas de Exposições

    Artistas plásticos e visuais ainda podem se inscrever no Edital de Ocupação das Salas de Exposição da Pinacoteca Potiguar para todo o ano de 2012.

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  • Rede Cinemark exibe direto de Londres a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House

    Espetáculos serão transmitidos em mais de 30 complexos espalhados pelo Brasil, sendo dois ao vivo. Natal-RN participa da programação e os ingressos já estão à venda

    A Rede Cinemark traz para o Brasil, com exclusividade, a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House (ROH), de Londres, a partir do dia 25 de fevereiro.

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  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    Aconchego
    11-02-2012 às 14:37 - Comentar

    Por Suely Nobre Felipe

    Quando partires do meu tempo,
    Leva-me entrelaçada em teus braços,
    Dividas comigo o teu novo regaço,
    Deixe-me provar da leveza do teu céu,
    Onde ali, repousada entre nuvens,
    Desfiarei nossos melhores sonhos.
    E, por entre os fios dos nossos cabelos
    – Já não tão negros como a noite,
    Confundiremos deliciosos segredos.
    Pois, não tardará o tempo
    Em que haveremos de desfiar
    Capuchos de solidão.

    ACONCHEGO

    Suely Nobre Felipe

    __________

    Quando partires do meu tempo,

    Leva-me entrelaçada em teus braços,

    Dividas comigo o teu novo regaço,

    Deixe-me provar da leveza do teu céu,

    Onde ali, repousada entre nuvens,

    Desfiarei nossos melhores sonhos.

    E, por entre os fios dos nossos cabelos

    – Já não tão negros como a noite,

    Confundiremos deliciosos segredos.

    Pois, não tardará o tempo

    Em que haveremos de desfiar

    Capuchos de solidão

    COMENTÁRIOS

    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente
    • José de Paiva: Seja bem vinda Glória Braga Horta ao SP e obrigado por ler o meu texto. Obrigado também pela generosidade dos amigos de sempre. Clarissa Torres, gosto muito das obras de Schiele, elas me inspiram. - Rita louca
    • Marcos Silva: Gosto muito daquela canção de Paulinho da Viola que diz: "Faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar". - À sombra da ditadura
    • gustavo de castro: E quem disse que os valores cristãos é que devem predominar? Foi Cristo ou os cristãos? - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Anchieta Rolim: Oreny, bela poesia! - Vento nordeste
    • Anchieta Rolim: Concordo marcos, inclusive quando João Carlos voltou da guerrilha continuou sua luta junto a artistas como Gonzaguinha, Paulinho da Viola e vários outros... Fazia parte do grupo o ex-jogador Afonsinho (aquele que lutou pela lei do passe livre para os jogadores de futebol), e também o cantor e compositor Potiguar Mirabô Dantas. - À sombra da ditadura
    • Marcos Silva: Certamente, existem ONGs sérias. Infelizmente, a desqualificação geral tende a se tornar corriqueira. Lembro que ela aparece com todas as letras no filme Tropa de elite (I). - Brado retumbante