Bel, Bela
A vida é bela
Já dizia ela muito antes de você nascer
Meu coração é todo seu
Setembro

Setembro, como esperei o teu florir!
Sonhei com tuas cores,
E por longos ventos morri.
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Soneto do verão inaugural
Antes, bem antes que o verão estenda
seus panos nos varais e seus cajus
maturem o vão instante e antes que os
ventos se soltem e cantem a tua lenda,
bem antes que do céu o ouvido atenda
ao grito da gaivota que transluz,
salte o peixe do mar, no ar esplenda
o seu rastro veloz de escama e luz,
possa eu te amar em tua brônzea cama,
em nossas noites de paixão e jogo,
num entregar-se de dunas. sal e fogo,
murmúrios, quietudes, paz e drama,
condenado ao jardim de tuas delícias,
ao inferno (ateu céu), nossas primícias.
Casa Querida
Era uma casa
Muito querida
Todos os dias do ano
Em cada traço
Um novo espaço
Diz ‘eu te amo!’
Amor profano

Te amo com um egoísta amor,
Com muita paixão.
Ardente, profundo, profano
Que emana do sempre,
Do sempre sonhado,
Desejado, guardado,
Ferido e magoado,
Por não poder gritar
Que amo.
Colcha de Retalhos
Por Romana Alves Xavier
Fios de seda pura
Contas de madrepérola
Vida que se costura
Paetês de alegria
Bicos de tristeza
No carrossel de linha
Sonhos bordados
À mão segura Leia o resto desse post »
fantasia pra jací e cussaruim
penedo parece mesmo bem bonita. penso nos alpes austríacos.
te penso e penso em comprar uma bicicleta.
quando você voltar, te busco, te toco com esse dedo de teclar telefones e riscar estalactites.
te moro com as unhas cravadas, com os dentes quebrados e a gengivite que terei de te desassanhar, de quebrar o queixo de calcinha na janela, rasgar o fêmur pra te correr e sorrir.
eu te rio, eu te nuvem, eu te árvore, eu te lua.
Homo Libris

O homem carrega dentro de si um livro,
Alguns com páginas jamais editadas…
Alegrias derramadas, sofrimentos contidos,
O homem carrega dentro de si o seu próprio livro.
Teus olhos

Quero o mar destes teus olhos.
O silêncio deste olhar,
O sussurro do teu silêncio,
Teu braço, teu corpo, tua mão,
Teu sim e teu não.
Quero me perder no teu prazer
Ou amar, morrer, morrer,
Quero ficar entre tuas pernas
E me aquecer no cobertor,
Fazer juras de amor,
Me entregar, sentir e gozar
E quando tudo amanhecer
Poder então dizer
Como te esperei,
Como foi frio o inverno de te esperar,
Como é bom ter-te comigo.
Meu abrigo, meu amante,
Meu amigo.
a saliva, o suspiro
houve tempo em que só havia por destilado os caninos.
mascava os beiços até o nariz de francis bacon e a orelha de van gogh.
radiação, loucura, a verdade mais urgente, impossível.
de repente, nos pertos dos dia, o mundo se me ofereceu pela cúpula da ópera de paris
- verdi, bizet, stravinski e aqueles todos, a companheira morta de chagall.
eu sempre preferi os destilados.
Foto 3 x 4
Essa não sou,
Séria demais
Essa sem sorriso
Seca aliás…
Nessa sou pálida
Sem sangue na tinta
Abranquelada
Essa outra é antiga
Velha nova cara
De muito menina
Nessa estou fofa
Com eufemismo
De imagem gorda
Nessa o cabelo tá crespo
Enrola muito
Não é mais o mesmo
Nessa tem espinha
O brilho ofusca
Qualquer fotinha
Nessa to dormindo
É sono muito
Quem sabe domingo
Nessa me desconheço
Pareço outra
Nem reconheço
Todas são mesmo você
Esta, essa ou aquela
Que face vou escolher?
A dança do vento
Voa bolinha
Rodopia no ar
Faça o vento dançar
Em meio à espuma
Faça como a bruma
No vaivém, vem flutuar
Flutue assim menina
Soltinha
Com passo de bailarina
Furta cor transparente
De cristal
Ilumina a mente
Você não é mais sozinha
Bailando…
…Há também outras bolhinhas…
Nenhuma é igual
Pequenas e grandes
Você é especial
Na leveza do movimento
Um sobe e desce
Num balé de sentimento
Na brisa de outro sopro
Eu te busco
E de repente, escuto: ploc!
“O Caos no Corpo” será lançado quarta-feira
Dois poemas do livro “O Caos no Corpo”, de Carmen Vasconcelos, que será lançado quarta-feira, dia 25, a partir das 18h, na Siciliano do Midway.
TODO POEMA É PERJURO
Todo poema é perjuro,
todo poema é corpo.
E o corpo, este passante…
Por quanto tempo suportará o corpo
a decomposição da alma?
Que é alma, senão aquilo
que não se põe no poema?
Não é fácil compor a alma,
nem compor o verso,
o medo de existir nos acossa.
Acordei tarde por medo de existir,
o sono era grave, com pesadelos.
O medo de existir não cicatriza.
AVE MARIA
ave maria. gratia plena. gratia plena.
no umbigo fundo se faz noite.
um prenúncio ornamenta as palavras.
as pernas escapam às penínsulas
dos passos; a nuvem imita o movimento
da estrela caminhando pelo seguro cuidado
de sua luz; ave maria. ave maria.
gratia plena. gratia plena.
a metamorfose do quarto é a retórica
dos materiais, a ausência a ascensão
dos verbos mais anónimos que o silêncio
conjuga; e o crucifixo cai, cai afiado sobre
os nossos corpos juntos como um novo
elemento de saudade e respeito, os nossos
corpos elegantes e equilibrados no
erro disforme de separar as sombras de
frio e prazer do piano crendo num feto
que tacteia no ar. ave maria. santa maria.
Sylvia Beirute
inédito
O Poeta
“No escuro viveu, sem muro”
A vida é uma convenção. Muitas vezes o que é não é.
O poeta nem sempre escreve um livro. Vive a poesia.
O poeta pode não ser antologizado. Ou entrar na classificação de Jarbas.
A poesia é vida. A poesia é vivida. Gozada. Sofrida.
Muitos não escreveram livros e são grandes poetas.
“ a essência se oculta por detrás de si”
Poeta busca o tempo perdido
A idéia da dor
A mentira do amor
Platão sonhador.
Poesia não é brincadeira.
Muitas vezes não estar nos livros
Vaguei, vaguei. E não encontrei o verso
Essa é a regra.
Quase sempre não se pode entrar.
“Ela finge que me ama e eu finjo que acredito”
Mente. Mente. Quem disser que não naufragou.
A vida é passatempo dos imbecis.
Que finge que não brochou.
Tudo o que falo. É uma homenagem.
Todas as citações são dele
Um amigo
Um poeta
Que viveu poesia
Que não fingiu
Que não escreveu um livro de poesia e disse: sou poeta.
Poeta, sim meu amigo. Foi você.
Que teve coragem
Que sabia Camões de ponta-cabeça.
Que escapou delas
“ confiar em amor de mulher!. Tal o lucro. Tal o Lucro.
Que lúcido. Escapei de ficar maluco”
Filósofo:
“A matéria subsiste se cria por si mesma”
Poeta foi José Helmut Candido
Um cândido pintor poeta natalense
Que encontrou nessas plagas
“o nada, tragada. A mesma estrada”
Devolvi a aliança.
A confiança
A esperança.
Devolvo a você, amigo.
As tardes. As sombras
O assombro do divino
Do verso teu traguei
Prometeu
Acorrentado
De vísceras dadas aos sanguessugas
Que chupam
Copiam
E se fingem poeta.
Poeta, sim, foi você!
“ no escuro viveu,
Sem muro,
Onde escorar,
Seja rei, mendigo.
Quem for. Todos viram
Seu barco
Não ter onde ancorar”
As estações
Ventos de agosto…
Desperta minha amada
E me tira desse desgosto
Chega o verão e
Verão como te gosto
O sol te desnuda
Começo a ter ciúmes
Imploro que te cubras
E anseio pelo inverno
Para me aconchegar
E dormes amada
(acordai… acordai).
A primavera chegou
Será que foi baixinho
Ou a cor não mudou
Chegou e ninguém disse nada
Acho que foi minha amada
outro contrassamba pra cartola em ritmo de caymmi
daquela alvorada me fiquei assim
um nome, um vício, tudo e fim.
mágoa, vento, mar?
mais um grande amor pra me esconder,
cerveja quente, galhos que rasgam a seda, pó.
mentir só pra me comer.
- eu tenho medo de me encontrar.
“Vi uma foto de Anna Akhátova”
Entrei no site “A Letra e a Voz”, para saber notícias do Festival Recifense de Literatura, e dei com o vídeo acima, do escritor Fernando Monteiro. O poema, na íntegra, está em nossa ESTANTE.
O Avesso do Missal
Poema do livro “O Caos no Corpo”, de Carmen Vasconcelos, que será lançado dia 25, a partir das 18h, na Siciliano do Midway.
O AVESSO DO MISSAL
“Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece”
porque as minhas rezas são cantos e são flamas
são mantras para invocar espantos e relâmpagos
Quero é me ensopar de medos que me levem além de mim
medos que me carreguem além dos esgares dos dias
além muito além das coisas benzidas além dos talismãs
Que venha a moça branca com a palavra violada
que venha sem rosto o cavaleiro das brumas
que venham aqueles por quem minha mão dessangra
feito a mão de Lady Macbeth
Que venha o homem cortante: ?à meia noite levarei sua alma?
Pois ele que tente sustentar minha alma depenada de nascença
Até eu tentaria, se não me restassem as rugas e os cabelos brancos
Que eu venha a mim mesma é o que mais me assusta
Mas todos os dias abro o missal e me chamo
OFERENDAS
Uma ovelha só para Irani
Três navios sem nome à deriva
Um anel que sonha dedos longos
Os pássaros que desata quando ri
Uma chuva de meteoros em seus cabelos
Uma romã oculta na palavra amor
ENFIM, DIZER
Eu chorei. Chorei.
Como O Idiota de Dostoiévski a contemplar a arte
d’O Cristo crucificado e sentir medo
de a humanidade nunca mais ter fé;
Como pela prima hora ser fodida pelo pai
- imagem fidedigna da virtude;
Como, aos treze anos, se estatelar na calçada
ao encontrar no chão as Incompletas de Nietszche
- a realidade não como verdade cristalina, mas representação cristalizada;
Como sonhar Van Gogh, a menina Alegria
a correr nos trigais para o Homem dos Girassóis
- a menina Melancolia que está só com um girassol;
Como cheirar, entre os dedos, um sexo barroco
- sensual, brutal, das primeiras auroras enlouquecidas;
Como ver, ver, ver O Idiota de Kurosawa
a espantar, alumbrar o Olhar em poesia.
Nunca mais.
Eu chorei. Chorei.
De pavor, desespero, alegria:
Nunca mais
ver o mundo com os mesmos olhos
[...] -> (fragmento censurado pelas cem mil virgens suicidas)
“E PARA QUE SER POETA EM TEMPOS DE PENÚRIA?”
O poema, em sua diagramação original, em arquivo PDF, pode ser lido no link abaixo.
AQUI
Fernando Monteiro
“E PARA QUE SER POETA EM TEMPOS DE PENÚRIA?”
Insepulta jaz a pergunta acima
e bem acima do motivo
supostamente íntimo
visto no verso de um dos últimos poemas de Roberto Piva.
A inquirição, franca, fende a fina porcelana de cera dos ouvidos.
Sabemos da penúria,
porém não queremos saber dela.
Plantamos a flor carnívora,
mas desviamos a vista
quando o jardim do pecado
castiga com isso:
indiferença, acídia, tédio mortal
no peito de avestruzes
(os do estômago forte
para literatura feita
com lixo).
“E para que ser poeta em tempos de penúria?”
Trecho do poema longo “E PARA QUE SER POETA EM TEMPOS DE PENÚRIA?”, do escritor Fernando Monteiro, que será lançado amanhã, dia 12, às 10 horas, com exclusivadade, pelo SP.
…
A pergunta de Piva – essa fissura –
revela meramente o que ela revela,
pois o cão do derradeiro livro
não produziria um ganido,
ao latir para tímpanos blindados
pela incultura.
É claro que faltavam conforto, vinhos
e rosas,
sendo parcas as rendas do herdeiro
de antigas terras sumidas
com roseirais na bruma.
E poucos os meios (mais do que os fins)
para os longos fins de semana,
o garoto da banca de revistas,
a importada edição dos inéditos
de Pier Paolo Pasolini.
Tudo tão verdadeiro quanto distante
da essência de outras penúrias
entre esquinas de garoas
e galerias de arte em vernissages
cujo rumor de cálices noturnos
chega aos guardadores de carros
como a música do paraíso
de inalcançáveis perdizes.
Para que ser poeta em tempos assim?
UM NOME
Íngremes desfiladeiros não dirão seu eco
Rios mal o decifrarão entre murmúrios
A chuva por prudência não ditará suas sílabas
Nenhuma nuvem o comporá tão leve
Íntimo e vertical o encerrarei como um segredo