Categoria: Poesia

Alameda das Paixões

20 de janeiro de 2012 às 8:19 | 7 Comentários

Por Carlos Gurgel

vislumbro versos velhos
aqui
do alçapão onde estou
multiplicam-se multidões de moucos e mudos morros

encaixoto meus pares
valso pela vastidão dos museus
o urro de um javali que morre

debalde
tudo desaproveitado
é como um sinal avermelhado de covardia

planos são tão poucos e porcos
vou como se fosse vídeo

e o verso que do início envelheceu
floresce
como uma pólvora
recheada de lágrimas e compressas.

mi nina, rizzi (passa tempo)

19 de janeiro de 2012 às 10:56 | 3 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

nina, faz um poema para mim?
não precisa ser lírico nem nada
só peço que ele tenha palavras
não como essas,
palavras, assim… como se diz?
palavras cheias de você mesma.

2 tropeiros

18 de janeiro de 2012 às 8:17 | 7 Comentários
Por François Silvestre

Eu vi Jango Goulart
Tropeiro, suave, fugido.
Eu vi o poeta Cabral
De flor vigilante, escondido.
De pano vermelho, tingido,
Eu vi o toreiro ferido.
De flor sem perfume, ungido,
Eu vi o sangue escorrido.
Não pus perfume na flor
Não pus poesia na dor,
Mas na Ferida tem pus
Que nem poeta espremido.
Não poetize o vermelho,
Pois eu vi Jango Goulart
Ser visto por trás do escuro
Da luz do poeta vendido!

Ramo

17 de janeiro de 2012 às 15:34 | 3 Comentários

Por Gastão Cruz

Talvez eu não consiga quanto amo
ou amei teu ser dizer, talvez
como num mar que tu não vês
o meu corpo submerso seja o ramo
final que estendo já não sei a quem

**********

CRUZ, Gastão. A moeda do tempo e outros poemas. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009.

Alguns Toureiros

16 de janeiro de 2012 às 9:39 | 2 Comentários

Este poema e a história dele está no livro “Histórias de Literatura e Cegueira (Borges, João Cabral e Joyce), que li nos primeiros dias do ano. É um poema para poetas, principalmente, por isso o transcrevo neste espaço. TC

Por João Cabral de Melo Neto

Eu vi Manolo Gonzáles
e Pepe Luís, de Sevilha:
precisão doce de flor,
graciosa, porém precisa.

Vi também Julio Aparício,
de Madrid, como Parrita:
ciência fácil de flor,
espontânea, porém estrita.

Vi Miguel Báez, Litri,
dos confins da Andaluzia,
que cultiva uma outra flor:
angustiosa de explosiva.

E também Antonio Ordóñez,
que cultiva flor antiga:
perfume de renda velha,
de flor em livro dormida.

Mas eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais deserto,
o toureiro mais agudo,
mais mineral e desperto,

o de nervos de madeira,
de punhos secos de fibra
o da figura de lenha
lenha seca de caatinga,

o que melhor calculava
o fluido aceiro da vida,
o que com mais precisão
roçava a morte em sua fímbria,

o que à tragédia deu número,
à vertigem, geometria
decimais à emoção
e ao susto, peso e medida,

sim, eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais asceta,
não só cultivar sua flor
mas demonstrar aos poetas:

como domar a explosão
com mão serena e contida,
sem deixar que se derrame
a flor que traz escondida,

e como, então, trabalhá-la
com mão certa, pouca e extrema:
sem perfumar sua flor,
sem poetizar seu poema.

Rachadura

15 de janeiro de 2012 às 12:23 | Comentar
Por rousiene

Repetição
Sufoca suspiro
Não sei bem como comunicar um sono
Só a fome
Por isso…projétil
Ao espelho: lanço!
Recorto, respiro
Fuga é fenda

Poema de Verão

14 de janeiro de 2012 às 14:36 | Comentar
Por Ednar Andrade

sépia

Curvo a cabeça,
Reverenciando o vento
E a folhagem verde,
Como se comigo falasse,
Numa sabedoria natural,
Ao movimento do vento,
Rende-se no calor
Dourado da tarde.
Olhando o horizonte,
Silencio ao tilintar
Do mensageiro do vento;
Natureza viva.
À mesa, lembranças postas,
Como e me alimento
De saudade viva.
Ao redor de tudo, olho,
Reverenciando o tempo,
Os afagos, os silêncios,
Os poemas calados,
A sépia, pelo verão, pintado;
Morna tarde de verão
Que enche de amor, a vida
E pinta de fogo, o Sol,
O coração.

(Ednar Andrade).

Poetas azuis paixões vermelhas amores amarelos

13 de janeiro de 2012 às 9:34 | 4 Comentários
Por Jois Alberto

Nesta época do ano em Natal

O sol, o vento, as dunas, o mar nos convida

A mergulhar em lugar nenhum do lugar-comum

Da lagoa azul de nossas vidas.

Foi no meu quadragésimo terceiro aniversário

Que desejei teu amor –

Moça de 24 anos de idade, simpática comerciária –

Que desejei teu aroma natural,

Tua doce fragrância matinal…

Foi uma paixão qual vento alísio ou zéfiro

Que levanta e espalha pelo chão

As folhas secas do outono que eu sou

Nos quintais de mangueiras do Alecrim que nós somos

Onde o sol aquece telhados vermelhos

- Ou marrons, quando velhos -

Onde gatos passeiam com almas de poetas

E se avista o rio Potengi e o mar,

A vela da jangada, que a brisa impele,

Com o pescador e sua curtida pele.

Corria o lindo mês de outubro,

Corria o belo mês do nosso aniversário,

Quando numa tarde de sábado,

Saímos, eu e minha carinhosa libriana,

A flanar nos sofisticados templos

Do comércio, entretenimento e lazer

E dentre outras distrações bacanas

Navegamos na internet do Café da livraria.

Enquanto nossos parcos recursos financeiros possibilitavam

E a consciência tranqüila do dever cumprido nos acalmava,

Passeamos nos ambientes culturais e de ócio

Sem entrar nas lojas de finos objetos e negócios

Por onde transitam os burgueses,

Cujos cérebros, mesmo nos finais de semana,

Meditam – pesando lucros e prejuízos financeiros –

No status da família, na concorrência do trabalho,

Nas oscilações do dinheiro,

Embora em escala menor do que a ganância das aves de rapina,

Avarentas, sovinas,

Desses “corsários que enfeitamos com o nome de banqueiros”,

Segundo a definição de Honoré de Balzac.

Não sabes quem é Balzac?

Não importa! Essas não são preocupações

De uma jovem operária do comércio.

São reflexões, impressões, flores e espinhos

De um poeta, cansado e sozinho,

Que recorda a juventude ou amigos distantes.

Pra que te aborreceres com essas divagações diletantes?

Não te aborreces? Também escreves versinhos?

Gostas dos livros de Paulo Coelho?

E já que me pedes, te dou um conselho:

É assim que se começa,

E com algum talento e perseverança,

Da vida literária depois se cansa!

Hoje, quando nosso flerte acabou,

Acho que não deveríamos ter dado abraços e beijos.

Só deveria ansiar por teu sorriso se eu fosse mais moço,

Pois se tu cedesses mais, a este e outros desejos,

Eu seria chamado de poeta marginal e preguiçoso

Ou me tornaria um esnobe e vaidoso.

E como a inveja sempre acompanha a vaidade

E desejar algo ou alguém pode gerar sofrimentos,

Paixões fortes ou fúteis,

Eu prefiro fugir dessas românticas veleidades

E te revelar: nem todos os poetas são azuis,

Alguns amores são amarelos,

Como nos versos do francês do século 19, Tristan Corbière.

Poeta antipoeta, Corbière se hoje vivesse

Ironizaria esses meus versos e a corbelha

Que porventura eu, com amor, te oferecesse.

Muitas e boas lições de verdadeira

Arte e amor nos ensina

Esse belo e bendito Corbière,

Que num caricato auto-retrato,

Aparece curvado como alguém que pensa no limbo,

A fumar, vagabundo, um cachimbo,

Enquanto a aranha tece as teias

E o tempo esquece os poetas

De sarcástico spleen ou poéticas veias.

*************************************************

(Poema do livro “Poetas azuis paixões vermelhas amores amarelos”, de Jóis Alberto Revorêdo, Natal: Sebo Vermelho, 2003).

Dispersa

12 de janeiro de 2012 às 8:20 | Comentar
Por Rayane Medeiros

E entre tantas camas,
ficaram os dramas,
Velhos romances previsíveis,
A nódoa amargurada nos lençóis…

Ficaram retalhos de mim em cada recanto,
A desejar um fiapo de linha que os reúna…

Ficou um caco de mim em cada bar,
A derramar o amargor do sangue ébrio.

Fiquei-me em cada esquina,
A procurar-me nos bocejos da noite em despedida…

Fiquei na companhia dos bêbados,
Na perdição dos que sabem viver,
A romper-me extremos,
Tragando a confusão do já não ser.

Fiquei-me dispersa.
Esperando a imprecisão dos dias vindouros.

Legendário

11 de janeiro de 2012 às 11:36 | Comentar
Por Danclads Andrade

Gilgamesh
(Gilgamesh, herói sumério, segurando dois leões pela cauda).

Enalteceram-lhe
Os feitos mais
Do que deviam;
Virou herói.

Adornaram-lhe
De virtudes
Que ele nunca teve;
Virou mito.

Disseram-lhe
Ser sobre-humano:
Seus feitos eram incríveis;
Virou lenda.

(Danclads Lins de Andrade).

“V”

10 de janeiro de 2012 às 11:44 | Comentar
Por Oreny Junior

mastro
não
destro
rasteja
seu
chanfro
em
“V”
hoje
minado,

Procissão

9 de janeiro de 2012 às 8:40 | Comentar
Por rousiene

Amor é andor?
Que se carrega
Com zelo e dor?
Braços fortes levam ao vento
ao apagar das luzes
filetes de silêncio
sombras esperando claridade
A Virgem
diante de preces
e pedidos devaneantes
olha, adiante
com um sorriso…
que rasga forçosamente o gesso

contrassoneto

8 de janeiro de 2012 às 10:12 | 4 Comentários
Por Jota Mombaça

aqui

Sem título

7 de janeiro de 2012 às 8:10 | 2 Comentários
Por Ednar Andrade

palavras

P
A
L
A
V
R
A
S.

P artir
A mar
L libertar
A paixonar-se
V oltar
R ir-se
A creditar-se
S er-se

Palavras
Para sorver-te:
Aqui
Agora
Já.

Viver-te
Querer-te
Amar-te
Morrer-te.

cantata pra deleuze e berkeley

6 de janeiro de 2012 às 10:49 | 1 Comentário
Por Nina Rizzi

quando ontem papai ligou
se abatiam meus pés as estradas velhas

era dia de véspera, a arder o oco do mundo

ainda agora mergulho o nada e a náusea
submundos, paraísos artificiais, o terrivelmente real

chegar entre
*

Um poema de João de Cabral de Melo Neto (que sempre esteve para a prosa)

5 de janeiro de 2012 às 11:31 | 5 Comentários
Por Jarbas Martins

Introdução ao instante

Podiam notar uma ausência completa de transformações e um monarca asiático em visita a Londres.

Crimes invisíveis sob a lua foram revelados e alguns dos movimentos iniciais jamais pressentidos vieram à tona.

Para sempre permanecerão nos pólos mais afastados leões de pedra impenetráveis como esfinges.

(Indiferente)

4 de janeiro de 2012 às 17:05 | 7 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

o que sei da vida
é que ela passa
o dia passa
as horas passam
e eu passo

o que sei da morte
é que ela vem
o dia vem
as horas vêm
e eu vou

o que sei de mim
é o que sou agora

Fiapo

4 de janeiro de 2012 às 8:37 | 2 Comentários

Por Carlos Gurgel

me olha assim
como um fiapo

entre colchas de atalhos
e de uma rubra luz
que alucina binóculos e vadios barcos de pesca

como se eu fosse
uma piscina furta cor
absorvida por poemas e seringas

e a serpente
que de tão folgazã
sacia sua vida
rima irmã
de seu capacho e sobrado.

Réplica

3 de janeiro de 2012 às 9:27 | 2 Comentários

Por Laélio Ferreira

O MEANDRO DA ARTE NA GLOSA DE JARBAS MARTINS (*)

M O T E :

“Escafedeu-se o malandro,
nesta arte sou o tal.

Jarbas Martins, o meandro
desta arte não confunda!
Tire da reta sua bunda
- escafedeu-se o malandro!
O seu estro ando triando
na velha forma “imoral”…
Camões, Bocage, afinal,
também fizeram cantigas
- estas são minhas amigas
Nesta arte sou o tal!

********

(*) Jarbas Martins é poeta aclamado e culto, sonetista admirável, Promotor Público aposentado, Professor universitário – amigo de 40 anos e meu parente pelo lado dos “Ferreira”. Como bem se vê acima, é um glosador “porraça” (rsrsrsrs). Fracassou nesse ramo e deu água no da crítica à “poesia blogueira”. Nesta última atividade,exercida no site “Substantivo Plural”, ultrapassou todas as medidas, desandando a elogiar o que de mais inexpressivo e mediocre existe na área da pobre aldeia potyguar. Há poucos dias, na imprensa local foi, solenemente, premiado com o altíssimo galardão de “chato”. Bem feito!

Glosa

2 de janeiro de 2012 às 20:33 | 2 Comentários
Por Jarbas Martins

Mote: ESCAFEDEU-SE O MALANDRO, NESTA ARTE SOU O TAL.

Desafiei Nei Leandro, dei uma surra em Laélio, fiz-lhe engulir um Aurélio, escafedeu-se o malandro. Rilke se fez de escafandro, foi pesquisar o pré-sal. Quero ver quem o babau, o bunda-mole, o bandeja vem encarar a peleja. Nesta arte sou o tal.

AGENDA

  • Pinacoteca está com Edital aberto para ocupação das Salas de Exposições

    Artistas plásticos e visuais ainda podem se inscrever no Edital de Ocupação das Salas de Exposição da Pinacoteca Potiguar para todo o ano de 2012.

    mais informações »

  • Rede Cinemark exibe direto de Londres a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House

    Espetáculos serão transmitidos em mais de 30 complexos espalhados pelo Brasil, sendo dois ao vivo. Natal-RN participa da programação e os ingressos já estão à venda

    A Rede Cinemark traz para o Brasil, com exclusividade, a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House (ROH), de Londres, a partir do dia 25 de fevereiro.

    mais informações »

  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - Comentar
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente
    • José de Paiva: Seja bem vinda Glória Braga Horta ao SP e obrigado por ler o meu texto. Obrigado também pela generosidade dos amigos de sempre. Clarissa Torres, gosto muito das obras de Schiele, elas me inspiram. - Rita louca
    • Marcos Silva: Gosto muito daquela canção de Paulinho da Viola que diz: "Faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar". - À sombra da ditadura
    • gustavo de castro: E quem disse que os valores cristãos é que devem predominar? Foi Cristo ou os cristãos? - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Anchieta Rolim: Oreny, bela poesia! - Vento nordeste
    • Anchieta Rolim: Concordo marcos, inclusive quando João Carlos voltou da guerrilha continuou sua luta junto a artistas como Gonzaguinha, Paulinho da Viola e vários outros... Fazia parte do grupo o ex-jogador Afonsinho (aquele que lutou pela lei do passe livre para os jogadores de futebol), e também o cantor e compositor Potiguar Mirabô Dantas. - À sombra da ditadura