Categoria: Poesia

verdadeiramente

31 de janeiro de 2012 às 8:18 | 1 Comentário
Por Oreny Junior

a verdadeira tela
está na tinta
jogada na atmosfera
na evaporação da ideia
não querida
despercebida
o verdadeiro poema
está na pre formação
da palavra
de um feto não gerado
é a imagem no branco
quando não vejo palavra
nem letra
nem ideia
só a canção
ouvida no âmago
da alma

Todas as poesias do mundo

30 de janeiro de 2012 às 8:24 | 2 Comentários
Por Romana Alves

À querida amiga poeta Anne

Todas as poesias do mundo
Não dão conta
De um sentimento sozinho
Sagrado
De tão fino
Invisível
Profano
De tão humano
Insano
Basta um
Para suar palavras e fazê-las inócuas
Cansadas
Sem fala
Vazias como bacias sem água
Elas devaneiam e tentam molhar em vão
O imensurável abstrato que existe
Num seco papel
De um concreto poeta triste

Setembro

28 de janeiro de 2012 às 8:32 | 1 Comentário

Por Eucanaã Ferraz

Nunca mais será setembro,
nunca mais a tua voz dizendo
nunca mais, eu lembro,

nunca mais, eu não esqueço,
a pele, nunca mais,
o teu olhar quebrado,

dividido, vou esquecê-lo,
é o que te digo, nunca mais
a minha mão no teu sorriso,

a tua voz cantando,
vou apagá-la para sempre,
e os nossos dias, setembro, lembro

bem, dentro a tua voz dizendo não
(ouço ainda agora), como se quebrasse
Um copo, mil copos, contra o muro.

Rasgarei o que não houve, o que seria,
mesmo que tudo em mim me diga não
(e diz), mas é preciso.

Como não se pensa mais um pensamento,
quero, prometo:
nunca mais será setembro.

*******

FERRAZ, Eucanaã. Cinemateca. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

Húmus

27 de janeiro de 2012 às 9:40 | 3 Comentários

Por Carlos Gurgel

procuro
o tempo todo
pelo sorriso de criança
quando me despedia da lua
todo dia quando visitava voce

hoje
ao redor do sol
colho
sementes
áridas
ásperas

como se fosse a vida
se despedindo do que a terra
me oferece
como relíquia de um tempo que se foi.

Tentativa I

26 de janeiro de 2012 às 9:03 | 4 Comentários

Por Regiane de Paiva

Meu corpo não encerra em si a extensão do que é,
ele se descobre no silêncio dos teus e dos meus ais.
Ele se cria naquilo que inventas
e se renova
quando tu reinventas um laço preso e refeito em dermes.
Não é meu o corpo quando em ti se aninha.
Ele ganha vida própria:
mãos, boca, pés, língua, voz…
Salta, corre, brinca, pousa
se despedaça em mil desejos
e se regenera no sufoco do teu gemido.
Solto na lida, é apenas mais um corpo que resiste.
Preso na tua carne,
rompe o túmulo e esmaga fantasmas,
flutua às margens do delírio
e sossega confiante no abismo do teu sussurro…

noturno da avenida jaguarari

24 de janeiro de 2012 às 9:22 | 2 Comentários
Por Nina Rizzi

quando fui a ser-te
deixei de dançar aos passos do sul

a doença como virtude em si mesma.
sem explicação.

se eu fosse arquiteta, poderia ser arquiteta, mas não
enfurnada numa casa que deram por minha
no salto que me fizeram areia entre os dedos

tenho brincado de muitas coisas, um empreguinho de vilanias
ainda e de novo, convale-sendo, me enganado e ao outro.

quando não podia a palavra dizer, dançava

agora olha, eu minto. eu não sei esse nada
as colagens, a pintura, o concerto, a partitura

digo – te amo, a tudo que é parede, elas me sabem. eu não
tenho saudade de nenhum parente, mas de tudo o que não pude ter sido
o tempo que não passou, os dentes furados da escavação e a geografia afetiva.

eu sei o banho e as baratas. eu sei o acordar, abrir os olhos
eu sei a lembrança persistente de alguma extinta irmandade quando capotava.

TEMOS DEIXADO MUITAS COISAS PRA DEPOIS

o arroz mofado por jogar fora, os cacos do cinzeiro por juntar, fazer amor
encontrar um rio pra ter o filho com fluidez, se afogar e se deixar a-

deus,

desnorteada, que vim a ser-me?
*

Depois

23 de janeiro de 2012 às 9:50 | 1 Comentário
Por Ednar Andrade

dominó

Respirar, viver, lutar,
Dormir e acordar,
Quem sabe,
De repente,
Apenas silenciar.
E depois do silêncio.
E depois?
Será que tudo valeu?
E se valeu, valerá?
Chegar, partir, querer, amar,
Sorrir, sonhar, seguir, voltar,
Desistir, odiar.
E depois?
Quando o silêncio
For a única canção,
Quando nada
For o abrigo que restar,
Valeu, ser e ter tudo
E não lembrar?
As interrogações
Serão sempre pontos,
Traços e finais.

ex (centrifico)

22 de janeiro de 2012 às 12:09 | 1 Comentário
Por João da Mata

E assim a roda da vida vai centrifugando.
Esmagando no convés da nau do isolamento
Os outsiders, os chamados excêntricos.
Claro, dali eles foram apartados – e exilados.
Procuram vozes desaparecidas. Deliram
Arranjam casamentos com vestidos tecidos com o fio de Ariadne.
Inútil procurar aqui a pureza.
As parcas cochicham
E a solidão vai num vórtice que se afasta do centro

carnaval em chernobyl

21 de janeiro de 2012 às 9:26 | 8 Comentários

Por Lobo Errático

falves silvas insolenes
atravessam, diáfanos
a luz deficiente que nos banha as casas
e ruínas,
enquanto eu fumava pedra
na manhã rarefeita

quem te assassinou, cidade,
desde á paixão-mulher de moacy?
e por que você sobreviveu?

quem te assassinou, cidade,
desde a saúdade de civone?
e pra que você sobreviveu?

Alameda das Paixões

20 de janeiro de 2012 às 8:19 | 7 Comentários

Por Carlos Gurgel

vislumbro versos velhos
aqui
do alçapão onde estou
multiplicam-se multidões de moucos e mudos morros

encaixoto meus pares
valso pela vastidão dos museus
o urro de um javali que morre

debalde
tudo desaproveitado
é como um sinal avermelhado de covardia

planos são tão poucos e porcos
vou como se fosse vídeo

e o verso que do início envelheceu
floresce
como uma pólvora
recheada de lágrimas e compressas.

mi nina, rizzi (passa tempo)

19 de janeiro de 2012 às 10:56 | 3 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

nina, faz um poema para mim?
não precisa ser lírico nem nada
só peço que ele tenha palavras
não como essas,
palavras, assim… como se diz?
palavras cheias de você mesma.

2 tropeiros

18 de janeiro de 2012 às 8:17 | 7 Comentários
Por François Silvestre

Eu vi Jango Goulart
Tropeiro, suave, fugido.
Eu vi o poeta Cabral
De flor vigilante, escondido.
De pano vermelho, tingido,
Eu vi o toreiro ferido.
De flor sem perfume, ungido,
Eu vi o sangue escorrido.
Não pus perfume na flor
Não pus poesia na dor,
Mas na Ferida tem pus
Que nem poeta espremido.
Não poetize o vermelho,
Pois eu vi Jango Goulart
Ser visto por trás do escuro
Da luz do poeta vendido!

Ramo

17 de janeiro de 2012 às 15:34 | 3 Comentários

Por Gastão Cruz

Talvez eu não consiga quanto amo
ou amei teu ser dizer, talvez
como num mar que tu não vês
o meu corpo submerso seja o ramo
final que estendo já não sei a quem

**********

CRUZ, Gastão. A moeda do tempo e outros poemas. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009.

Alguns Toureiros

16 de janeiro de 2012 às 9:39 | 2 Comentários

Este poema e a história dele está no livro “Histórias de Literatura e Cegueira (Borges, João Cabral e Joyce), que li nos primeiros dias do ano. É um poema para poetas, principalmente, por isso o transcrevo neste espaço. TC

Por João Cabral de Melo Neto

Eu vi Manolo Gonzáles
e Pepe Luís, de Sevilha:
precisão doce de flor,
graciosa, porém precisa.

Vi também Julio Aparício,
de Madrid, como Parrita:
ciência fácil de flor,
espontânea, porém estrita.

Vi Miguel Báez, Litri,
dos confins da Andaluzia,
que cultiva uma outra flor:
angustiosa de explosiva.

E também Antonio Ordóñez,
que cultiva flor antiga:
perfume de renda velha,
de flor em livro dormida.

Mas eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais deserto,
o toureiro mais agudo,
mais mineral e desperto,

o de nervos de madeira,
de punhos secos de fibra
o da figura de lenha
lenha seca de caatinga,

o que melhor calculava
o fluido aceiro da vida,
o que com mais precisão
roçava a morte em sua fímbria,

o que à tragédia deu número,
à vertigem, geometria
decimais à emoção
e ao susto, peso e medida,

sim, eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais asceta,
não só cultivar sua flor
mas demonstrar aos poetas:

como domar a explosão
com mão serena e contida,
sem deixar que se derrame
a flor que traz escondida,

e como, então, trabalhá-la
com mão certa, pouca e extrema:
sem perfumar sua flor,
sem poetizar seu poema.

Rachadura

15 de janeiro de 2012 às 12:23 | Comentar
Por rousiene

Repetição
Sufoca suspiro
Não sei bem como comunicar um sono
Só a fome
Por isso…projétil
Ao espelho: lanço!
Recorto, respiro
Fuga é fenda

Poema de Verão

14 de janeiro de 2012 às 14:36 | Comentar
Por Ednar Andrade

sépia

Curvo a cabeça,
Reverenciando o vento
E a folhagem verde,
Como se comigo falasse,
Numa sabedoria natural,
Ao movimento do vento,
Rende-se no calor
Dourado da tarde.
Olhando o horizonte,
Silencio ao tilintar
Do mensageiro do vento;
Natureza viva.
À mesa, lembranças postas,
Como e me alimento
De saudade viva.
Ao redor de tudo, olho,
Reverenciando o tempo,
Os afagos, os silêncios,
Os poemas calados,
A sépia, pelo verão, pintado;
Morna tarde de verão
Que enche de amor, a vida
E pinta de fogo, o Sol,
O coração.

(Ednar Andrade).

Poetas azuis paixões vermelhas amores amarelos

13 de janeiro de 2012 às 9:34 | 4 Comentários
Por Jois Alberto

Nesta época do ano em Natal

O sol, o vento, as dunas, o mar nos convida

A mergulhar em lugar nenhum do lugar-comum

Da lagoa azul de nossas vidas.

Foi no meu quadragésimo terceiro aniversário

Que desejei teu amor –

Moça de 24 anos de idade, simpática comerciária –

Que desejei teu aroma natural,

Tua doce fragrância matinal…

Foi uma paixão qual vento alísio ou zéfiro

Que levanta e espalha pelo chão

As folhas secas do outono que eu sou

Nos quintais de mangueiras do Alecrim que nós somos

Onde o sol aquece telhados vermelhos

- Ou marrons, quando velhos -

Onde gatos passeiam com almas de poetas

E se avista o rio Potengi e o mar,

A vela da jangada, que a brisa impele,

Com o pescador e sua curtida pele.

Corria o lindo mês de outubro,

Corria o belo mês do nosso aniversário,

Quando numa tarde de sábado,

Saímos, eu e minha carinhosa libriana,

A flanar nos sofisticados templos

Do comércio, entretenimento e lazer

E dentre outras distrações bacanas

Navegamos na internet do Café da livraria.

Enquanto nossos parcos recursos financeiros possibilitavam

E a consciência tranqüila do dever cumprido nos acalmava,

Passeamos nos ambientes culturais e de ócio

Sem entrar nas lojas de finos objetos e negócios

Por onde transitam os burgueses,

Cujos cérebros, mesmo nos finais de semana,

Meditam – pesando lucros e prejuízos financeiros –

No status da família, na concorrência do trabalho,

Nas oscilações do dinheiro,

Embora em escala menor do que a ganância das aves de rapina,

Avarentas, sovinas,

Desses “corsários que enfeitamos com o nome de banqueiros”,

Segundo a definição de Honoré de Balzac.

Não sabes quem é Balzac?

Não importa! Essas não são preocupações

De uma jovem operária do comércio.

São reflexões, impressões, flores e espinhos

De um poeta, cansado e sozinho,

Que recorda a juventude ou amigos distantes.

Pra que te aborreceres com essas divagações diletantes?

Não te aborreces? Também escreves versinhos?

Gostas dos livros de Paulo Coelho?

E já que me pedes, te dou um conselho:

É assim que se começa,

E com algum talento e perseverança,

Da vida literária depois se cansa!

Hoje, quando nosso flerte acabou,

Acho que não deveríamos ter dado abraços e beijos.

Só deveria ansiar por teu sorriso se eu fosse mais moço,

Pois se tu cedesses mais, a este e outros desejos,

Eu seria chamado de poeta marginal e preguiçoso

Ou me tornaria um esnobe e vaidoso.

E como a inveja sempre acompanha a vaidade

E desejar algo ou alguém pode gerar sofrimentos,

Paixões fortes ou fúteis,

Eu prefiro fugir dessas românticas veleidades

E te revelar: nem todos os poetas são azuis,

Alguns amores são amarelos,

Como nos versos do francês do século 19, Tristan Corbière.

Poeta antipoeta, Corbière se hoje vivesse

Ironizaria esses meus versos e a corbelha

Que porventura eu, com amor, te oferecesse.

Muitas e boas lições de verdadeira

Arte e amor nos ensina

Esse belo e bendito Corbière,

Que num caricato auto-retrato,

Aparece curvado como alguém que pensa no limbo,

A fumar, vagabundo, um cachimbo,

Enquanto a aranha tece as teias

E o tempo esquece os poetas

De sarcástico spleen ou poéticas veias.

*************************************************

(Poema do livro “Poetas azuis paixões vermelhas amores amarelos”, de Jóis Alberto Revorêdo, Natal: Sebo Vermelho, 2003).

Dispersa

12 de janeiro de 2012 às 8:20 | Comentar
Por Rayane Medeiros

E entre tantas camas,
ficaram os dramas,
Velhos romances previsíveis,
A nódoa amargurada nos lençóis…

Ficaram retalhos de mim em cada recanto,
A desejar um fiapo de linha que os reúna…

Ficou um caco de mim em cada bar,
A derramar o amargor do sangue ébrio.

Fiquei-me em cada esquina,
A procurar-me nos bocejos da noite em despedida…

Fiquei na companhia dos bêbados,
Na perdição dos que sabem viver,
A romper-me extremos,
Tragando a confusão do já não ser.

Fiquei-me dispersa.
Esperando a imprecisão dos dias vindouros.

Legendário

11 de janeiro de 2012 às 11:36 | Comentar
Por Danclads Andrade

Gilgamesh
(Gilgamesh, herói sumério, segurando dois leões pela cauda).

Enalteceram-lhe
Os feitos mais
Do que deviam;
Virou herói.

Adornaram-lhe
De virtudes
Que ele nunca teve;
Virou mito.

Disseram-lhe
Ser sobre-humano:
Seus feitos eram incríveis;
Virou lenda.

(Danclads Lins de Andrade).

“V”

10 de janeiro de 2012 às 11:44 | Comentar
Por Oreny Junior

mastro
não
destro
rasteja
seu
chanfro
em
“V”
hoje
minado,

AGENDA

Esposição de Ana Prata - Instituto Tomie Ohtake

A artista apresenta tanto telas pequenas, como também trabalhos grandiosos, usando o efeito de escorrido; até agora não acho razão para que alguns [leia mais]

Recital de piano com Guilherme Rodrigues nesta quinta - Entrada grátis

O professor da Escola de Música da UFRN Guilherme Rodrigues apresenta recital de piano esta quinta-feira no auditório da EMUFRN. O recital começa [leia mais]

Oboé, Música de Câmara e Tecnologia, de quarta a sábado na EMUFRN

Acontece de quarta a sábado desta semana na Escola de Música da UFRN o evento Oboé, Música de Câmara e Tecnologia. Na ocasião, [leia mais]

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Será aberta quinta-feira, 17, às 18 horas, na Galeria Newton Navarro (sede da Fundação José Augusto - Rua Jundiaí, 641 - Tirol) a [leia mais]

Festival “Thomaz Babini” da Escola de Música da UFRN – 22 a 25 de maio

No mês de Maio um evento histórico acontecerá na cidade de Natal. Italo Babini (FOTO), violoncelista natalense, considerado um dos mais importantes violoncelistas [leia mais]

"Mattinata", de Fernando Monteiro, será lançado em Natal quinta-feira, 17

Anote aí na agenda: na próxima quinta-feira, dia 17, a partir das 19 horas, o escritor e pluralista Fernando Monteiro lança na Livraria [leia mais]

OUTROS EVENTOS

POESIA

    Névoa
    16-05-2012 às 9:40 - 7 Comentários
    Por Jarbas Martins

    Carl Sandburg

    Vem a névoa
    em breve pisar de gata.

    Queda-se olhando
    o porto e a cidade
    sentada em seu silêncio e
    esgueirando-se em seguida.

    (Tradução de Jarbas Martins)

    * * *

    Fog

    The fog comes
    on litlle cat feet.

    It sits looking
    over harbor and city
    on silent haunches
    and then moves on.

    (Carl Sandburg, “Selected Poems”, G.Books,1992)

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Amigo Carlão, Vejo com muita alegria a sua inquietação e leitura. Tb indico fortemente o livro .Jerônimo, A Técnica do Livro de autoria do grande Dom Paulo Evaristo Arns ( Sua tese de doutorado) , trad. de Cleone Augusto Rodrigues e prefácio de Alfredo Bosi . Belíssimo livro em capa dura Jeronimo traduziu a vulgata da biblia e é considerado o patronomo dos bibliófilos e amantes do livro. Saudações bibliófilas. ab imo corde - Help
    • edjane linhares: Muito lindo, Jarbas. A experiência do haicai, como Fernando nos lembrou, ajuda muito neste processo de contemplação e silêncio, ato solitário e sublime. Quero agradecer a homenagem às mães no seu último haicai (único vestígio da data por aqui). Aguardo coletânea deles. Um abraço. - Névoa
    • Jarbas Martins: Amigo Jóis: gosto da sua poesia e da sua prosa digressiva, inflada de saberes e sabores, biscoito fino para raros paladares.Nem precisava dizer isso, mas como em seu comentário você se reportou a um incógnito Aguinaldo Soares, usando termos utilizados por ele contra mim - deu-me vontade de voltar ao assunto. Repito mais uma vez: Aguinaldo Soares sabe escrever, e a expressão "sólida cultura" é tão infeliz que não me restou outra alternativa: pedi desculpas ao ilustríssimo desconhecido.Não conheço o Aguinaldo, mas presumo que ele, como eu, temos algo em comum: fizemos o curso de direito.Daí o nosso gosto pelas sentenças líquidas e certas. Abraços, Poeta ! - Ditirambo
    • Marcos Silva: Li um livro interessante sobre Jerônimo, A Técnica do Livro Segundo São Jerônimo, de Paulo Evaristo Arns - Help
    • Jarbas Martins: Tradução inventiva a tua, Marcos. Nenhuma novidade nisso. Você é um reconhecido mestre na arte tradutória. - Névoa
    • Jóis Alberto: O poema é bom! Afirmo isso, embora não tenha plena consciência do ofício de poeta. Porque se eu for intelectual, sou dos mais incompletos – em meio a preconceitos, totens e tabus, como vocês já tiveram oportunidade de ler mais de uma vez, aqui neste democrático SP. Além do mais, como posso ter sólida base cultural nesses tempos em que tudo que é sólido se desmancha no ar? Tempos de modernidade e amores líquidos, de fodas em excesso e entediadas, blasé até – foda blasé é ‘foda’! – de gente que trepa com a mesma rotina de quem escova os dentes, tema objeto das sátiras ingênuas de meia dúzia dos meus poemas eróticos. Ingênuas não só se comparadas às sátiras e poemas eróticos/pornográficos de um grande poeta, Bernardo Guimarães, por exemplo, mas ‘ingênuas’ também no sentido libertino, filosófico, da palavra ‘ingênuo’! Ou então as fodas são escassas como as leituras de gente que, se leram os gregos, leram em traduções, não no original, e fazem a pose erudita de quem muito entende esses clássicos da filosofia, da poética e da ética, da antiguidade greco-romana. O que danado é ‘inveja poética’? Se é inveja não é poética, nem ética! Porque a ética, é verdade, pode tratar da inveja, da emulação, mas a inveja despreza a ética. O que danado significa ‘fracasso moral da estética’? De qual moral estamos falando? Da moral burguesa? Sinceramente! Qual o poeta que não esconde a fonte onde bebe? Como poeta bissexto, escondo e revelo fontes. Sem maiores dificuldades coloco as cartas na mesa, porque nesse jogo de cartas – de cartas muitas vezes marcadas, e viciadas – uma das minhas cartas prediletas é a do coringa, do joker! Porém, como há muito não jogo nem pif-paf, buraco ou sueca, uso essa expressão ‘jogo de cartas marcadas’ como um dos inúmeros clichês que pululam por aí, em discussões de intelectuais de prestígio... - Ditirambo
    • Cássio: Biografia eu não sei, mas recomendo o filme do júlio bressane. No seu livro Cinemancia tem também uma tradução interessante da "epifania" de são jerônimo. - Help
    • Marcos Silva: Belo poema, bom poeta, boa tradução. Sugiro a alternativa: NÉVOA. Névoa vem em pés de gatim Senta e olha sobre porto e cidade ancas silêncio e se moveu - Névoa
    • Jarbas Martins: Tenho a honra e o dever de confessar que a tradução que fiz do poema "Dormire", de Ungaretti, publicado há alguns dias neste SP - teve a orientação do poeta Fernando Monteiro ! Obrigado, mestre Fernando, obrigado poetas Anne Guimarães e Lívio Oliveira. - Névoa
    • Nina Rizzi: "A capa já dá o tom da revista. Uma foto de Câmara Cascudo passeando de riquexó (uma espécie de carroça de duas rodas e movida a tração humana) em Moçambique, ao lado de uma pessoa não identificada. A foto - de autoria desconhecida - foi clicada em 1963, quando o folclorista estudava costumes e tradições africanos. As observações e anotações depois seriam o mote para o livro Made in África. A imagem foi cedida pela família. E a filha, Ana Maria Cascudo, escreve artigo contando as inúmeras viagens do pai, em um diálogo emblemático entre Natal e o estrangeiro." Viu, neguinho não existe não, ô rapá! - Tributo ao mar