17 de maio de 2010 às 7:32 | 1 Comentário Por Nina Rizzi
quando varei a amar uma mulher
ela lembrou do homem que fala
de todos os homens antropófagos.
matéria delicada e bruta, me amam.
mas se adoram a carne, cospem os lábios-livres.
me acusam, abjetam, renegam.
por que eu sou mulher.
eu quase chorei, quase
e não aconteceu nenhum milagre.
mas eu estou por vir.
16 de maio de 2010 às 14:32 | Comentar Por plinio sanderson
à praia de santa rita dos bebeus
trono atlântico no anteparo do continente
pasárgada à deriva no umbigo do uni-verso
pontamargiz delineia o tom de matizes imbricadas
“tem tanto azul no verde do mar”.
Clique aqui para ler mais »
15 de maio de 2010 às 18:18 | 3 Comentários
Parte da galera que participou do sarau poético no Sebo Vermelho
Eu saí por volta das 14 horas e o sarau continuou. Depois João da Mata conta como acabou. Foi além de um sarau porque se comemorou também o aniversário do editor e sebista Abimael Silva (eu só soube quando cheguei lá). Muitos que passaram pelo Sebo Vermelho (Nei Leandro, Alexandre, João Batista de Moraes, Marcelo Fernandes …) não aparecem nas fotos porque foram embora cedo e eu só me toquei de registrar a festa no início da tarde (esqueci a máquina e fiz com o celular). Foi festão, Abimael preparou em casa um leitão e não faltou cerveja. Fazia tempo que não via um sarau tão animado e de tão excelente nível. Na sequência, outras fotos do evento.
Clique aqui para ler mais »
14 de maio de 2010 às 18:15 | Comentar
Por José Antônio Rodrigues
Da permanência de Fernando Pessoa na língua e na literatura do século XXI
A minha pátria é a língua portuguesa
Fernando Pessoa
Desde minha adolescência, então marginalizada, acostumei-me a escutar com freqüência, através dos discursos de meus amigos, construções parafraseadas de idéias, versos ou simplesmente intenções verbalizadas que me pareciam interessantes, dado o caráter existencial despreocupado, desencantado e pleno de uma dignidade ontológica, muito assemelhada a uma aparente malade psicológica. Descobri, pouco tempo depois, que ali havia um belo trago da poesia de Álvaro de Campos. Achava fascinante ou transcendente. Ler Campos parecia basear-se em alguma purificação sublime. Parecia que o sentia por perto, de alguma forma.
Clique aqui para ler mais »
14 de maio de 2010 às 15:37 | 1 Comentário Por François Silvestre
Para Jarbas Martins.
Havia nessas grotas várias fontes/ que se julgavam perpétuas. Queimadas e outras mortes/ mataram quase todas. Gotejam Rei Memoriam poucas delas/ na espera de que se revogue o esquecimento.
13 de maio de 2010 às 15:53 | Comentar Por João da Mata
Augusto Severo de Albuquerque Maranhão
“ Quando Ismália enlouqueceu
Pôs – se na Terra a sonhar
[ ...........................]
Sua alma subiu ao céu
Seu corpo desceu ao mar”
Alphonsus de Guimaraens, 1902
Pax and Bis
Atravessando os ares nunca d’antes navegados
Ousam repetir o feito de Ícaro e alçam vôo rumo
ao imponderável numa linha noturna de Baobás.
Meninos os vi atravessando o Atlântico Sul.
Pela primeira vez nas asas de Gago Coutinho
e Sacadura Cabral .
Num “14- bis”, Santos Dumont voa no mais-pesado – que – o – ar, no campo de Bagatelle.
Não agüentou e suicidou-se
vendo seus irmãos usarem seu invento
para guerrear
“Pax” disse Augusto Severo
- o domador de ares – nos céus de Paris
Era o dia 12 de maio 1902
O Pax subiu
Subiu quatrocentos metros
Evoluiu
explodiu
Caiu
13 de maio de 2010 às 15:07 | Comentar
Mais dois livros do professor de Letras da UFRN e poeta Márcio de Lima Dantas, “Para Sair do Dia” e “O Sétimo Livro de Elegias”, estão disponíveis para leitura em nossa ESTANTE. Farão companhia a “Metáfrase”, que já está lá há algum tempo.
Abaixo dois poemas, escolhidos ao acaso, dos dois livros:
QUESTÃO (Em “Para Sair do Dia”)
Ainda por cima,
há quem diga,
passamos para uma outra dimensão,
com seus pesos e medidas.
Isto aqui não é suficiente?
Clique aqui para ler mais »
12 de maio de 2010 às 16:15 | Comentar Por João da Mata
Rio Potengi
“Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio, porque o rio não é o mesmo e homem muda”. Heráclito
O rio faz parte da civilização
Nas suas margens nasce a cidade
Assim foi com o potengi
Onde habitavam os potiguaras.
No potengi cresci, brinquei e me banhei
Matei a sede e naveguei
Da cacimba tirava água que
transportava em latas
Dos trapiches dava bunda-canastra
Nos tempos da meninice
Jogava bola nos mangues
Juntinho dos manguezais
Tempos que não voltam mais.
No caís da Tavares de Lyra
A balsa para o outro lado
Ir a nado nem pensar
Meninos pulavam e nadavam
Quais aves ribeirinhas
E eu rio à toa do cheiro
Das lembranças e do peixe
que ia pescar com meu pai
Eram bagres nada mais.
Algumas vezes tinha que atravessar
a velha ponte de ferro.
A passarela muito estreitinha
às vezes a tábua movia
Como eu sofria
Debaixo a água sorria
Tempos depois rapazinho,
Ver o por do sol
na pedra do rosário
Namorar não podia
pois era uma lugar sagrado
Rio você foi minha vida
meu sustento
minha alegria
Potengi, como gosto de ti
12 de maio de 2010 às 13:35 | 4 Comentários Por François Silvestre
O moço triste se abraçou com o tronco?/ E a árvore cortada nasceu na minha serra? /Dos Anjos, Pilar do tranco, qual dos dois Anjos me socorro?/ Dos Anjos triste poeta ou Dos Anjos, parteira da minha terra?…
12 de maio de 2010 às 13:32 | 2 Comentários Por João da Mata
a Jarbas e Nina
Mário de Andrade
Água do meu Tietê,
Onde me queres levar?
- Rio que entras pela terra
E que me afastas do mar…
É noite. E tudo é noite. Debaixo do arco admirável
Da Ponte das Bandeiras o rio
Murmura num banzeiro de água pesada e oliosa.
É noite e tudo é noite. Uma ronda de sombras,
Soturnas sombras, enchem de noite de tão vasta
O peito do rio, que é como si a noite fosse água,
Água noturna, noite líquida, afogando de apreensões
As altas torres do meu coração exausto. De repente
O ólio das águas recolhe em cheio luzes trêmulas,
É um susto. E num momento o rio
Esplende em luzes inumeráveis, lares, palácios e ruas,
Ruas, ruas, por onde os dinossauros caxingam
Agora, arranha-céus valentes donde saltam
Os bichos blau e os punidores gatos verdes,
Em cânticos, em prazeres, em trabalhos e fábricas,
Luzes e glória. É a cidade… É a emaranhada forma
Humana corrupta da vida que muge e se aplaude.
E se aclama e se falsifica e se esconde. E deslumbra.
Mas é um momento só. Logo o rio escurece de novo,
Está negro. As águas oliosas e pesadas se aplacam
Num gemido. Flor. Tristeza que timbra um caminho de morte.
É noite. E tudo é noite. E o meu coração devastado
É um rumor de germes insalubres pela noite insone e humana.
Meu rio, meu Tietê, onde me levas?
Sarcástico rio que contradizes o curso das águas
E te afastas do mar e te adentras na terra dos homens,
Onde me queres levar?…
Por que me proíbes assim praias e mar, por que
Me impedes a fama das tempestades do Atlântico
E os lindos versos que falam em partir e nunca mais voltar?
Rio que fazes terra, húmus da terra, bicho da terra,
Me induzindo com a tua insistência turrona paulista
Para as tempestades humanas da vida, rio, meu rio!…
Clique aqui para ler mais »
11 de maio de 2010 às 18:01 | 3 Comentários

Por Jarbas Martins
Sempre tive uma certa predisposição para as coletas, colheitas e achados. Em minha primeira infância, em Angicos, era comum achar no céu limpo, e de um azul que cegava, nuvens com cara de bichos, gente, árvores, avião. Colecionei, durante muitos anos, sonhos na memória sem nenhuma intenção de anotá-los e filmá-los como Kurosawa. Mas não resisti à tentação de escolher sonetos, em número de 14, e de 14 autores potiguares diferentes, e guardá-los numa antologia. Outra idiossincrasia minha, a numerologia, é outra história.Talvez a melhor definição para minha pessoa seja esta: antologista. A grande admiração que tenho por Luís da Câmara Cascudo (de quem fui aluno na Faculdade de Direito da Ribeira) era porque o Mestre se dizia um colecionador de crepusculos. Coletor, colecionador, antologistas, ofícios afins. Ultimamente tenho colecionados rios, que canto em versos e dedico às musas. Espinharas, nome do rio de Serra Negra do Norte, é também o nome de um poema que dedico a Gildete. Rio Pataxó, o rio da minha aldeia, é dedicada à musa conterrânea, Carmen Vasconcelos. O poema ad perpetuam rei memoriam-I não é só dedicado a Nina Rizzi, já pertencente a ela como parceira. Nina meteu-se no meu poema sem pedir licença, e lhe deu uma nova forma. Bela intervenção. Só me resta cantar o Tietê, rio estranho que corre inversamente- das bandas do litoral para o interior. Já que o Tietê, por direito e justiça pertence ao paulistano e poeta maior Mário de Andrade, inventarei um rio Tietê só para mim. Ele nascerá em Campo Belo, bairro de minha estimação, e se lançando para o interior, se bifurcará em Campinas. Uma parte irá para os confins de Araçatuba, onde Irani, minha Penélope real, paciente e distraída, escapou ao assédio de três pretendentes. A outra parte das águas do Tietê rolará em caminho de Ribeirão Preto e Franca, as nascentes de Nina Rizzi.
11 de maio de 2010 às 17:55 | Comentar Por João da Mata
Antologia Poética Potyguar
Se tu pudesses ver meu coração
E nele toda a dor que se retrata
Se tu pudesses ver como minh´alma
Acabrunhada pela dor que a mata…
Sofre… se ao menos tu saber pudesses
Quantos ais e suspiros ela solta
Se estampada tu visses no meu peito
A mágoa cruciante que a revolta
A sofrer sempre e num sofrer latente
E qual tal taça de fel que amargamente
Sorvo, na acerba dor de uma incerteza,
Talvez consolo minha dor tivesse
Numa frase de amor que alguém me desse
Sondando dessa mágoa a atroz grandeza
9 de maio de 2010 às 11:45 | 2 Comentários Por Nina Rizzi
nina rizzi
pintar meu corpoema
azul de laranja
então quem sabe
amanheser.
8 de maio de 2010 às 19:18 | 1 Comentário Por João da Mata
Para o amigo Laélio, filho do poeta Othoniel Menezes, que teve o privilégio de ver o poeta Ascenso Ferreira na casa do poeta Esmeraldo Siqueira, em Natal
NATAL
Ascenso Ferreira
Natal, teu nome é uma canção de berço
Lembrando coisas que já longe vão
- noites-de-festa, com missa de galo!
Reisados! Cheganças! “ o Boi”! Pastoris…
Cosmoramas de vistas deslumbrantes!
Os cavalos- de- paus dos trivolis!
- Natal, teu nome é uma canção-de-berço ,
Que desde menino amar aprendi !
Até que afinaL te vim ver de perto!
Eu que de tão longe já te conhecia
por um lado todo emocional ! …
Qualquer coisa como badalar de sinos!
Estudos na escola com outros meninos:
- “Rio Grande do Norte, capital Natal! “
7 de maio de 2010 às 14:22 | 1 Comentário
Por nina rizzi
pastoral em manhã chuvosa
é primavera e as frutas adormecem sobre meu corpo,
porisso eu te escrevo com os pés e pinto com a boca:
minhas mãos buscam a justiça de tocar outonos,
te respirar sem dar as mãos.
Clique aqui para ler mais »
7 de maio de 2010 às 14:17 | Comentar Por João da Mata
Caro Laélio,
“O homem que nunca errou foi aquele que nunca fez coisa alguma”. THEODORICO BEZERRA.
Folgo em vê-lo aqui comentando e caningando. Bom ter um leitor como você. Com relação aos meus Florilégios da Poesia Potyguar, gostaria de dizer que não é a minha História da Poesia Potiguar nem foi escrita via Moacy. E sim, feita uma homenagem ao amigo que tanto divulgou a nossa poesia. Também não se trata de uma compilação final, mas só o início. Espere os outros Florilégios, Othoniel vai aparecer. Não se avexe não, viu.
Clique aqui para ler mais »
7 de maio de 2010 às 11:08 | 1 Comentário Por Sylvia Beirute
não escrevi um livro em miniatura sob uma lupa falsa.
não pedi qualidade aos clássicos.
não pretendi reparar a eficácia de qualquer sistema humano.
não endossei poemas porque os poemas não são cartas.
não tenho um cativeiro de poetas.
não visitei cidades-poema.
não segui preceitos que se vejam.
não azuleci por pertencer ao céu.
não tive ilusão e coragem para crer na desistência.
não escrevi que o fingimento pode ser um ódio com casca.
não tenho maneiras puramente estéticas.
não tenho processos literários.
não tenho dois corações.
não li masaoka shiki ou matsuo bashō.
não li a crítica para não perder a liberdade e o meu
dom impreparado.
não peguei no tempo e o atirei para dentro do corpo
como células estaminais.
não escrevi sobre a revolução industrial.
não respeitei o meu passado enquanto índice temático.
não estimulei diagnósticos de subtileza grosseira.
não recuperei emoções com a cabeça.
não coloquei questões delicadas no campo da poesia suprema.
não transferi permissões de mim para mim.
não imaginei versos paralelos para prender significados.
Sylvia Beirute
inédito
6 de maio de 2010 às 13:12 | Comentar
Por Jarbas Martins
“…atenção para os recifes de corais – naufrágios são às vezes necessários.E cais.”
Mario Ivo
6 de maio de 2010 às 13:11 | 2 Comentários Por François Silvestre
Abasteci de pedra a funda de minha baladeira./ E por não viverem mais os pássaros da minha inocência,/ mirei numa certeza que repousava no galho do jatobá./ Errei./ E atingi, sem querer, um casal de verdades que voavam por trás do alvo./Agonizantes, elas caíram aos meus pés. Guardei o bodoque, para não sepultar todas as ilusões.
6 de maio de 2010 às 9:53 | 1 Comentário Por João da Mata
a Moacy Cirne, o maior divulgador da Poesia potiguariograndensedonorte, no Brasil e no Mundo
Linha do vento
Ai janeiros e praias de dezembro,
niveazulada ponta, negra ao sul.
Rede de armar ao vento. Ah se me lembro
Mar verde. Areia branca. Céu azul.
Homero Homem – Terra iluminada
Clique aqui para ler mais »