9 de janeiro de 2012 às 8:40 | Comentar Por rousiene
Amor é andor?
Que se carrega
Com zelo e dor?
Braços fortes levam ao vento
ao apagar das luzes
filetes de silêncio
sombras esperando claridade
A Virgem
diante de preces
e pedidos devaneantes
olha, adiante
com um sorriso…
que rasga forçosamente o gesso
7 de janeiro de 2012 às 8:10 | 2 Comentários Por Ednar Andrade

P
A
L
A
V
R
A
S.
P artir
A mar
L libertar
A paixonar-se
V oltar
R ir-se
A creditar-se
S er-se
Palavras
Para sorver-te:
Aqui
Agora
Já.
Viver-te
Querer-te
Amar-te
Morrer-te.
6 de janeiro de 2012 às 10:49 | 1 Comentário Por Nina Rizzi
quando ontem papai ligou
se abatiam meus pés as estradas velhas
era dia de véspera, a arder o oco do mundo
ainda agora mergulho o nada e a náusea
submundos, paraísos artificiais, o terrivelmente real
chegar entre
*
5 de janeiro de 2012 às 11:31 | 5 Comentários Por Jarbas Martins
Introdução ao instante
Podiam notar uma ausência completa de transformações e um monarca asiático em visita a Londres.
Crimes invisíveis sob a lua foram revelados e alguns dos movimentos iniciais jamais pressentidos vieram à tona.
Para sempre permanecerão nos pólos mais afastados leões de pedra impenetráveis como esfinges.
4 de janeiro de 2012 às 17:05 | 7 Comentários Por José de Paiva Rebouças
o que sei da vida
é que ela passa
o dia passa
as horas passam
e eu passo
o que sei da morte
é que ela vem
o dia vem
as horas vêm
e eu vou
o que sei de mim
é o que sou agora
4 de janeiro de 2012 às 8:37 | 2 Comentários

Por Carlos Gurgel
me olha assim
como um fiapo
entre colchas de atalhos
e de uma rubra luz
que alucina binóculos e vadios barcos de pesca
como se eu fosse
uma piscina furta cor
absorvida por poemas e seringas
e a serpente
que de tão folgazã
sacia sua vida
rima irmã
de seu capacho e sobrado.
3 de janeiro de 2012 às 9:27 | 2 Comentários
Por Laélio Ferreira
O MEANDRO DA ARTE NA GLOSA DE JARBAS MARTINS (*)
M O T E :
“Escafedeu-se o malandro,
nesta arte sou o tal.
Jarbas Martins, o meandro
desta arte não confunda!
Tire da reta sua bunda
- escafedeu-se o malandro!
O seu estro ando triando
na velha forma “imoral”…
Camões, Bocage, afinal,
também fizeram cantigas
- estas são minhas amigas
Nesta arte sou o tal!
********
(*) Jarbas Martins é poeta aclamado e culto, sonetista admirável, Promotor Público aposentado, Professor universitário – amigo de 40 anos e meu parente pelo lado dos “Ferreira”. Como bem se vê acima, é um glosador “porraça” (rsrsrsrs). Fracassou nesse ramo e deu água no da crítica à “poesia blogueira”. Nesta última atividade,exercida no site “Substantivo Plural”, ultrapassou todas as medidas, desandando a elogiar o que de mais inexpressivo e mediocre existe na área da pobre aldeia potyguar. Há poucos dias, na imprensa local foi, solenemente, premiado com o altíssimo galardão de “chato”. Bem feito!
2 de janeiro de 2012 às 20:33 | 2 Comentários Por Jarbas Martins
Mote: ESCAFEDEU-SE O MALANDRO, NESTA ARTE SOU O TAL.
Desafiei Nei Leandro, dei uma surra em Laélio, fiz-lhe engulir um Aurélio, escafedeu-se o malandro. Rilke se fez de escafandro, foi pesquisar o pré-sal. Quero ver quem o babau, o bunda-mole, o bandeja vem encarar a peleja. Nesta arte sou o tal.
2 de janeiro de 2012 às 8:41 | 1 Comentário
Por Ronne Grey
Poesia do meu hospício,
Diploma no café da insônia,
Todos dormem, eu rabisco.
Implico, repito e reflito,
Loucura não é novidade,
Mas sim um poeta aflito,
Todos são cúmplices
Dessa maldade.
Gritaria intensa, dor imensa,
Desabafo que pensa, parecido
Melodia, mas que não passa de
Uma vagabunda poesia.
Prostituta sem palco e platéia,
Na boca de todos, mas que foi
Maquiada na cama, sem fama,
E na solidão.
1 de janeiro de 2012 às 9:44 | 1 Comentário
Por José Delfino
daí a água do mar e a duna (da minha praia secreta) afogar na areia sargaços em destroços de onda e espuma daí o fogo do auge do meio-dia curtir à flor da pele a embaçada cor do sol em vidros sujos pairar vazia no ar do copo o teu cheiro daí que dele foi feito o vento (e o meu faro a fruir atento) a sobra do aroma de amora o mormaço em teu ventre a espraiar úmido ar de maresia
31 de dezembro de 2011 às 19:39 | Comentar Por Tânia Costa
Paul Eluard
En mis cuadernos de escolar
en mi pupitre en los árboles
en la arena y en la nieve
escribo tu nombre.
En las páginas leídas
en las páginas vírgenes
en la piedra la sangre y las cenizas
escribo tu nombre.
En las imágenes doradas
en las armas del soldado
en la corona de los reyes
escribo tu nombre.
En la selva y el desierto
en los nidos en las emboscadas
en el eco de mi infancia
escribo tu nombre.
En las maravillas nocturnas
en el pan blanco cotidiano
en las estaciones enamoradas
escribo tu nombre.
En mis trapos azules
en el estanque de sol enmohecido
en el lago de viviente lunas
escribo tu nombre.
En los campos en el horizonte
en las alas de los pájaros
en el molino de las sombras
escribo tu nombre.
En cada suspiro de la aurora
en el mar en los barcos
en la montaña desafiante
escribo tu nombre.
En la espuma de las nubes
en el sudor de las tempestades
en la lluvia menuda y fatigante
escribo tu nombre.
En las formas resplandecientes
en las campanas de colores
en la verdad física.
escribo tu nombre.
En los senderos despiertos
en los caminos desplegados
en las plazas desbordantes
escribo tu nombre.
En la lámpara que se enciende
en la lámpara que se extingue
en la casa de mis hermanos
escribo tu nombre.
En el fruto en dos cortado
en el espejo de mi cuarto
en la concha vacía de mi lecho
escribo tu nombre.
En mi perro glotón y tierno
en sus orejas levantadas
en su patita coja
escribo tu nombre.
En el quicio de mi puerta
en los objetos familiares
en la llama de fuego bendecida
escribo tu nombre.
En la carne que me es dada
en la frente de mis amigos
en cada mano que se tiende
escribo tu nombre.
En la vitrina de las sorpresas
en los labios displicentes
más allá del silencio
escribo tu nombre.
En mis refugios destruidos
en mis faros sin luz
en el muro de mi tedio
escribo tu nombre.
En la ausencia sin deseo
en la soledad desnuda
en las escalinatas de la muerte
escribo tu nombre.
En la salud reencontrada
en el riesgo desaparecido
en la esperanza sin recuerdo
escribo tu nombre.
Y por el poder de una palabra
vuelvo a vivir
nací para conocerte
para cantarte
Libertad
Liberdade
(Tradução de Carlos Drumonnd de Andrade e Manuel Bandeira)
Nos meus cadernos de escola
Nesta carteira nas árvores
Nas areias e na neve
Escrevo teu nome
Em toda página lida
Em toda página branca
Pedra sangue papel cinza
Escrevo teu nome
Nas imagens redouradas
Na armadura dos guerreiros
E na coroa dos reis
Escrevo teu nome
Nas jungles e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No céu da minha infância
Escrevo teu nome
Nas maravilhas das noites
No pão branco da alvorada
Nas estações enlaçadas
Escrevo teu nome
Nos meus farrapos de azul
No tanque sol que mofou
No lago lua vivendo
Escrevo teu nome
Nas campinas do horizonte
Nas asas dos passarinhos
E no moinho das sombras
Escrevo teu nome
Em cada sopro de aurora
Na água do mar nos navios
Na serrania demente
Escrevo teu nome
Até na espuma das nuvens
No suor das tempestades
Na chuva insípida e espessa
Escrevo teu nome
Nas formas resplandecentes
Nos sinos das sete cores
E na física verdade
Escrevo teu nome
Nas veredas acordadas
E nos caminhos abertos
Nas praças que regurgitam
Escrevo teu nome
Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Em minhas casas reunidas
Escrevo teu nome
No fruto partido em dois
de meu espelho e meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo teu nome
Em meu cão guloso e meigo
Em suas orelhas fitas
Em sua pata canhestra
Escrevo teu nome
No trampolim desta porta
Nos objetos familiares
Na língua do fogo puro
Escrevo teu nome
Em toda carne possuída
Na fronte de meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo teu nome
Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Bem acima do silêncio
Escrevo teu nome
Em meus refúgios destruídos
Em meus faróis desabados
Nas paredes do meu tédio
Escrevo teu nome
Na ausência sem mais desejos
Na solidão despojada
E nas escadas da morte
Escrevo teu nome
Na saúde recobrada
No perigo dissipado
Na esperança sem memórias
Escrevo teu nome
E ao poder de uma palavra
Recomeço minha vida
Nasci pra te conhecer
E te chamar
Liberdade
30 de dezembro de 2011 às 10:36 | 21 Comentários Por Anchieta Rolim
Hoje é o dia do rato
falta comida
sobra prato
taciturno e traiçoeiro
engana a todos
pra encher o traseiro
cheio de gana
vive no esgoto
atrás de grana
em todo lugar
entra fácil
sem ninguém notar
das cumeeiras
consegue se livrar
das ratoeiras
pior que a peste bubônica
tem poder destrutivo
da bomba atômica
bicho imundo
deixe de destruir
o que se constrói no mundo
frágil e generoso
soturno, cara de santo
nem parece perigoso
está em toda parte
mata a gente
antes que a morte mate.
28 de dezembro de 2011 às 7:31 | 3 Comentários Por Jota Mombaça
Uma praia onde desovar cadáveres. E aos domingos as famílias.
26 de dezembro de 2011 às 8:52 | 6 Comentários Por Ednar Andrade

Fim de tarde, há sempre o que agradecer.
O que lembrar, uma canção antiga,
Ave Maria!!… Ave…
Um perfume que ficou , uma saudade amiga,
Aquele gesto que silenciou,
O adeus que não se pode dar…
O milagre do dia,
Uma estrela a brilhar…
O silêncio da prece e a nostalgia…
Uma dama da noite seu perfume doa,
O amor que se recria,
Como suave brisa, leve encanta…
O sino que anuncia badaladas de agonia,
O fim da tarde,
Mais um dia,mais um dia…
É NOITE*
Feliz Natal, SP!!! Feliz Natal, amigos!!!
25 de dezembro de 2011 às 11:24 | 2 Comentários Por Danclads Andrade

Ele faleceu em 18 de dezembro de 2011 e foi de grande importância na vida política da antiga Tchecoslováquia e atual República Tcheca, governando ambos os países e sendo fundamental para a Revolução de Veludo.
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23 de dezembro de 2011 às 8:04 | 4 Comentários Por David Leite
CARTA A PAPAI NOÉ
Luís Campos
Poeta mossoroense
Seu moço eu fui um garoto
Infeliz na minha infância
Que soube que fui criança
Mas pela boca dos outo.
Só brinquei com os gafanhoto
Que achava nos tabuleiro
Debaixo dos juazeiro
Com minhas vaca de osso
Essa catrevage, sêo moço
Que a gente arranja sem dinheiro.
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