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10 de março de 2010

Pelo direito de jogar a cabeça contra o vidro

Por Tácito Costa

Por Walter Hupsel
Yahoo

Recentemente, e por conta de uma entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, voltou à pauta a questão das drogas, especialmente a legalização da maconha. O ex-presidente defendeu a legalização da maconha com um argumento muito simples e verdadeiro: a guerra às drogas não trouxe o efeito esperado, não diminuiu o consumo e jogou milhões, quiçá bilhões, de dólares fora. Para FHC, se trata de legalizar o consumo e focar os recursos na repressão ao narcotráfico enquanto olha para o usuário como um problema de saúde pública.

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10 de março de 2010

A semente do mal

Por Tácito Costa

Por Alon Feuerwerker
Blog do Alon

O debate sobre a liberdade de expressão vai de vento em popa na nossa elite política e intelectual. É uma discussão sempre necessária, pois não há democracia sem a plena garantia desse direito básico. Parece haver algum consenso aqui.

Mas ele é só aparente. Acontece algo parecido na reforma tributária e na reforma política: todo mundo é a favor até a coisa enveredar pelo conteúdo das medidas. A partir daí ninguém mais se entende.

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10 de março de 2010

E se os presos no Brasil fizessem greve de fome?

Por Tácito Costa

Por Leonardo Sakamoto
Blog do Sakamoto

“Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba. A greve de fome não pode ser usada como pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade.”

As frases foram ditas pelo presidente Lula ontem à Associated Press. Em determinadas situações, quando nada mais nos resta, temos apenas nosso corpo ou nossa vida como matéria-prima de protesto. Sem entrar no mérito da razão que leva alguém a uma greve de fome por motivos políticos, ela é sim legítima. O próprio Lula, que agora critica o ato adotado por dissidentes cubanos, já usou do expediente. Para depois criticá-lo quando Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra (BA), entrou em jejum como protesto contra as obras de transposição do rio São Francisco. Por que todo presidente faz de tudo para esquecermos o que escreveu ou fez no passado?

Para além do argumento raso de comparar presos comuns a presos políticos (ao passo que parte do seu próprio ministério sabe na pele a diferença), o presidente parece ignorar o papel da comunidade global de forçar os países a agirem dentro de um patamar mínimo de respeito à vida. Refuto veementemente o discurso de que a defesa dos direitos humanos deve ser relativizada de acordo com as condições políticas, econômicas e culturais em cada lugar. O acesso à dignidade não é um restaurante self-service, onde você se serve apenas daquilo que mais gosta. Deve ser absoluto – por mais difícil que isso seja.

E Lula sabe que a expansão irresponsável do capitalismo sobre a periferia do mundo, tendo se apropriado muito bem desse discurso, vem cometendo os piores crimes imagináveis nos últimos séculos. Tudo é relativo, menos o lucro. Diante disso, deveria dar o exemplo contrário se quer ganhar o respeito dos povos dessa mesma periferia.

Por fim, seria ótimo se os presos comuns fizessem greve de fome no Brasil. Porque as cadeias não são locais de ressocialização, mas panelões de gente que apenas multiplicam a criminalidade, mantidas por uma política de segurança pública que nasceu falida. O caso dos presídios brasileiro é vergonhoso e não apenas o do Espírito Santo, cuja superlotação levou o Estado a ser denunciado ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Deveríamos ser denunciados dia sim, dia não, para ver se diante da humilhação internacional – exatamente esse tipo de interferência que o presidente diz ser contra – façamos alguma coisa.

10 de março de 2010

Tempestade em lata de cerveja

Por Tácito Costa

Por Sérgio Augusto
Estadão

Se era uma homenagem antecipada do governo e do órgão controlador da publicidade no país ao Dia Internacional da Mulher, tiro de meta. Se uma tramoia da concorrência (leia-se Ambev), gol contra. Se golpe publicitário da Devassa, 1 a 0 no placar.

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9 de março de 2010

Mídia não é campo de batalha

Por Tácito Costa

Por Alberto Dines
Observatório da Imprensa

As partes estão excitadas, os militantes exibem os tacapes. O confronto de 2010 deve obedecer a limites: não pode ultrapassar o plano eleitoral onde há regras, monitoramento, órgãos disciplinadores e, sobretudo, magistrados insuspeitos. A entrevista do ministro Carlos Ayres Brito (Estado de S.Paulo, domingo, 7/3, pág. A-8), na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, é uma prova disso: desestimula a truculência e enquadra os eventuais provocadores.

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9 de março de 2010

Repórteres no Pelourinho

Por Tácito Costa

Por Leandro Fortes
Brasília, eu vi

A direção da Folha de S.Paulo, simplesmente, autorizou a um elemento estranho à redação (mas não aos diretores), o sociólogo Demétrio Magnoli, a chamar de “delinquentes” dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca. Por tabela, também o colunista Elio Gaspari, que desceu a lenha no malfadado discurso racista de Demóstenes Torres, acabou no balaio da delinquencia jornalística montado por Magnoli.

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8 de março de 2010

Vestígios visíveis pela ação do tempo

Por Tácito Costa

Por Giovanna Bartucci
Estadão

Lillian Hellman olha para si e sua geração em Uma Mulher Inacabada, Pentimento e Caça às Bruxas, que voltam às livrarias

“Toda a minha vida acreditei nas modificações que podia fazer e algumas vezes fiz, num temperamento do qual muitas vezes não gostava, mas agora parece-me que o tempo só trouxe alterações e mutações, ao invés de reformas verdadeiras; e por isso resta-me tanto do passado, que não tenho o direito de pensar que é muito diferente do presente”, escreveu, em 1973, Lillian Hellman (1905- 1984), uma das mais importantes dramaturgas atuantes entre os anos 1930 e 1950 nos EUA. E talvez por isso mesmo tenha apresentado os três volumes de sua autobiografia – apesar de muito diferentes entre si – como pentimentos, ou seja, vestígios de composições anteriores, ou de alterações em quadros, tornadas visíveis com a passagem do tempo.

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8 de março de 2010

Aborto e Dia Internacional da Mulher

Por Tácito Costa

Por Gilson Caroni Filho
Carta Maior

A celebração do centenário da declaração do Dia Internacional da Mulher não pode passar ao largo de bandeiras caras ao movimento feminista que, nas últimas três décadas, lutou pelo direito da mulher de deliberar sobre seu corpo, sua vida e o permanente questionamento da divisão sexual no trabalho e na vida cotidiana.

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8 de março de 2010

Serra contra Serra

Por Tácito Costa

Por Janio de Freitas
FSP

A permanência no governo em nada favoreceu, até agora, a ainda quase admitida candidatura à Presidência

A PRIMEIRA resposta à expectativa criada pela tática de José Serra, de manter-se por tanto tempo como uma incógnita, não lhe é favorável. O desenrolar das circunstâncias políticas criou-lhe mais embaraços do que as vantagens esperadas por sua permanência, com aparências apáticas, no governo paulista. Nem as ocorrências em seu território de responsabilidades governamentais o pouparam, criando-lhe mais situações de desgaste do que colhendo reflexos eleitorais de seus pequenos eventos administrativos e políticos.

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7 de março de 2010

O novo prazer do poder

Por Tácito Costa

Por Umberto Eco
The New York Times

Os eleitores estavam acostumados com que a vida dos políticos fosse governada por dois princípios, o primeiro deles é melhor resumido por um apimentado ditado italiano: “Megghiu cumannari c’a fottiri”. Traduzindo de uma forma casta, isso quer dizer: “exercer o poder é melhor do que sexo”. O outro é que os homens poderosos normalmente desejavam mulheres como Mata Hari, Sarah Bernhardt ou Marilyn Monroe.

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7 de março de 2010

A corrupção e a estética da moeda

Por Tácito Costa

Por Olgária Mattos

A ideologia dominante na sociedade contemporânea é a dos novos ricos. O novo rico é aquele que conhece o preço de todas as coisas mas desconhece seu valor. Sob seus auspícios, a educação produz uma cultura embotadora da sensibilidade e do pensamento.

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7 de março de 2010

A pouca realidade

Por Tácito Costa

Noite Estrelada, de Van Gogh

De Fernando Monteiro, por e-mail: Este artigo de Ferreira Gullar é de uma precisão não menos que luminosa:

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Por Ferreira Gullar
FSP

A arte existe porque a realidade não nos basta; copiar a realidade é chover no molhado

LEIO QUE a próxima Bienal de São Paulo será tomada por filmes, fotografias e videoinstalações. E não serão filmes de ficção, mas filmes que tratam da realidade política, econômica e social. Essa notícia veio ajustar-se a uma leitura que tenho feito do rumo tomado pelas artes plásticas, segundo a qual tudo o que nelas era fantasia foi substituído pela realidade. O realismo do passado representava a realidade; o de agora mostra-a.

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7 de março de 2010

As masmorras de Hartung aparecerão na ONU

Por Tácito Costa

Por Elio Gaspari
FSP

NA PRÓXIMA segunda-feira, dia 15, o governador Paulo Hartung (PMDB-ES) tem um encontro marcado com o infortúnio. Depois de anos de negaças, o caso das “masmorras capixabas” será discutido em Genebra, num painel paralelo à reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Hartung tem 52 anos, um diploma de economista e a biografia de um novo tipo de político. Esteve entre os reorganizadores do movimento estudantil no ocaso da ditadura. Filiou-se ao PSDB, ocupou uma diretoria do BNDES, elegeu-se deputado estadual, federal, e senador.

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7 de março de 2010

Quem vai ganhar e quem deveria ganhar o Oscar

Por Tácito Costa

Por Ricardo Calil
IG

Aos 44 minutos do segundo tempo, aí vão as minhas apostas e os meus favoritos para o Oscar deste ano, os indicados que eu acho que vão ganhar, seguidos daqueles que eu acho que deveriam ganhar, nas categorias principais da premiação. Para ver a cobertura completa do Oscar no iG, clique aqui. E aproveite o espaço dos comentários para fazer também suas apostas.

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7 de março de 2010

A decepcionante visita de Lula

Por Tácito Costa

Por Mario Vargas Llosa

Minha capacidade de indignação política atenua-se um pouco nos meses do ano que passo na Europa. Suponho que a razão disso seja o fato de que, lá, vivo em países democráticos nos quais, independentemente dos problemas de que padecem, há uma ampla margem de liberdade para a crítica, e a imprensa, os partidos, as instituições e os indivíduos costumam protestar de maneira íntegra e com estardalhaço quando ocorrem episódios ultrajantes e desprezíveis, principalmente no campo político.

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6 de março de 2010

“Mind the gap”

Por Tácito Costa

Por Antonio Cicero

No metrô do Rio de Janeiro, quando o trem se aproxima de uma estação, ouve-se uma voz a anunciá-la, dizendo, por exemplo: “Próxima estação: Botafogo”. De um tempo para cá, começaram a anunciar a próxima estação também em inglês, como: “Next station: Botafogo”.

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5 de março de 2010

Como você também pode escrever um bestseller

Por Tácito Costa

Por Paulo Nogueira
Época

ESTRÉIA A SEMANA QUE vem aqui em Londres “A Menina com a Tatuagem de Dragão”, filme baseado no romance homônimo do sueco Stieg Larsson. (No Brasil, assim como no original sueco, o título é “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”. Cartazes no metrô para divulgar o filme, espectativa geral, livros que não param de vender. O trailer, como você pode ver, instiga. Larsson virou obsessão literária planetária. Os últimos números falam em 22 milhões de exemplares vendidos de sua Trilogia do Milênio, da qual “A Menina com …” é a primeira etapa.

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5 de março de 2010

Millhauser, Cathay, tristeza

Por Tácito Costa

Por Ivan Lessa
BBC Brasil

Palavra que não é preguiça. Acontece que uma das cismas envolvidas no processo do escrever é a vontade de compartilhar. Aí estão, ora informatizados, os blogs que só vêm a comprovar aquilo que sempre soubemos: que ir ao jogo de futebol com os companheiros, que papear no botequim com os amigos são apenas duas das coisas que nos dignifica e dá sentido à vida. Em meio aos horrores do mundo dignifica-nos e nos consola a humana vontade de partilhar de algo que, por isso ou aquilo outro, admiramos ou mesmo – exageremos logo – amamos.

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5 de março de 2010

A miséria moral de ex-esquerdistas

Por Tácito Costa

Por Emir Sader

Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão.

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5 de março de 2010

Os erros solitários de um candidato

Por Tácito Costa

Por Maria Inês Nassif
Valor

A pesquisa Datafolha do último fim de semana, que já registra o empate técnico entre o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), candidato a presidente em 2002 e agora, e a ministra Dilma Rousseff (PT), nunca antes candidata, não é o resultado de uma estratégia equivocada de Serra – que no ano passado era o favorito à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, mas de uma total ausência de estratégia.

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4 de março de 2010

Lembranças e brigas

Por Tácito Costa

Por Contardo Calligaris
FSP

Sempre que evocamos os eventos passados, nossas lembranças são reescritas e corrigidas

TUDO COMEÇOU em 1990, quando George Franklin, um aposentado californiano, foi acusado de um infanticídio que ele teria cometido 21 anos antes.

Repentinamente, Eileen, a filha de George, declarou que, quando criança, ela tinha visto seu próprio pai matar uma menina de oito anos. Eileen explicou seu longo silêncio por uma amnésia: ela presenciara um evento tão horrível que, por duas décadas, ela reprimira radicalmente toda lembrança dos fatos. A jornada de George Franklin terminou sete anos mais tarde, quando um tribunal federal o soltou, considerando duvidoso o testemunho de Eileen.

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3 de março de 2010

A inveja do cinema argentino

Por Tácito Costa

Por Zé Geraldo Couto
FSP

Não é de hoje que suspiramos de inveja do cinema argentino. Há quase dez anos o crítico Jean-Claude Bernardet já dizia: os argentinos estão nos dando um banho em matéria de cinema.

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3 de março de 2010

Vozes que não se deixam morrer

Por Tácito Costa

Francisco Foot Hardman (*)
Estadão

Nos antigos porões da repressão argentina, hoje espaços de memória, desaparecidos insistem em voltar

Quando pensamos na história de Francisco Madariaga Quintela, bebê sequestrado por militares argentinos durante a ditadura naquele país, o 101º identificado entre os prováveis 500 ainda por serem, graças ao trabalho das Avós da Praça de Maio; Francisco, que acabou de conhecer seu pai 32 anos depois de ter nascido (a mãe foi morta logo após o parto, como em geral ocorria com as prisioneiras grávidas no centro clandestino de detenção e extermínio do Campo de Mayo, controlado pelo Exército), persiste a dúvida: o que é mais fácil de esquecer, um rosto ou um nome?

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3 de março de 2010

A inglesa e o espírito do mal

Por Tácito Costa

Por Antonio Gonçalves Filho
Estadão

Hilary Mantel, premiada com o Man Booker Prize, fala de Além da Escuridão, livro sobre uma médium

Vencedora do Man Booker Prize 2009, o prestigiado prêmio literário inglês que já destacou autores como Ian McEwan e J. M. Coetzee, a escritora inglesa Hilary Mantel é conhecida no Brasil por um volumoso romance histórico sobre a Revolução Francesa, A Sombra da Guilhotina, lançado pela Record no ano passado. Ela está de volta este ano não com o livro que ganhou o Booker Prize, Wolf Hall, mas com um outro romance para o qual teve de aprender tarô e que a obrigou a buscar no próprio passado a memória de uma terrível experiência de infância quando, aos 7 anos, viu o demônio no jardim de sua casa.

Sobre esse incidente e seu livro, Além da Escuridão (Bertrand Brasil, 420 páginas, R$ 45), Hilary Mantel falou ao Estado, por telefone, de sua casa em Londres. O livro, uma obra-prima de humor negro, conta o ajuste de contas de uma clarividente de meia-idade com seu passado. Alison e sua assistente Colette fazem da mediunidade um show de espiritualidade em pequenas cidades do interior da Inglaterra, sempre seguidas de perto pelo espírito de um canalha chamado Morris.

O baixo espírito tem algo da enigmática figura que Hilary Mantel viu na infância – com a desvantagem de não aparecer sozinho, mas vir acompanhado de uma legião de almas perdidas dispostas a cruzar o caminho da infeliz Alison justamente quando esta faz o balanço de sua vida. Este é o nono romance da autora, que precedeu o lançamento do premiado Wolf Hall em 2009.

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3 de março de 2010

Machezas de escritor

Por Tácito Costa

Por Marcelo Coelho
FSP

Autores famosos, como Hemingway, puseram em prática a tese do quanto menos, melhor

ENTÃO VOCÊ quer escrever um livro? Ficção, provavelmente? Não é ruim procurar conselhos de quem tem experiência no assunto.

O jornal inglês “The Guardian” resolveu pedir a vários escritores uma lista com dez recomendações básicas para quem quiser se aventurar na profissão. Digite “guardian ten rules” no Google e autores como Elmore Leonard, P.D. James, Roddy Doyle, Zadie Smith e Colm Tóibin estarão respondendo à enquete.

Esse gênero de aconselhamento não é novo. Existem pessoas que sempre releem as “Cartas a um Jovem Poeta”, de Rainer Maria Rilke (foto), à procura de alguma coisa que tenha passado despercebida na leitura anterior. Mas o livro de Rilke ajuda mais quem quer conhecer Rilke do que quem pretende ser poeta.

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