Celebração da arte de Dorian Gray

25 de maio de 2010 às 8:58 - Comentar
Por Nelson Patriota

Por estes próximos dias, as diversas mídias locais terão bons “ganchos” para falar do artista plástico, poeta e ensaísta Dorian Gray Caldas. Comemorando 80 anos de vida e de arte (considerando-se que ninguém se faz artista, e, sim, se nasce artista, ao contrário daquele conhecido argumento de Simone de Beauvoir sobre o segundo sexo), ele acaba de inaugurar no Palácio da Cultura a exposição “Dorian Gray – Acervo do Artista”, evento que cobre as diversas fases de sua arte pictórica desde os anos 1950.

Tapeçarias, marinhas, murais, telas salpicadas de motivos domésticos podem ser vistas até o final de julho próximo no Palácio da Cultura. Mas esta é só a primeira fase do ciclo de comemorações que está programado para este ano. A Assembleia Legislativa, a Academia Norte-rio-grandense de Letras, o SESC e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte abrigarão, sucessivamente, a retrospectiva da obra de Dorian Gray, o que cumprirá um dos objetivos mais caros à agenda do evento: chegar ao maior número possível de pessoas dos mais diversos segmentos do estado.

Artista que combina informação e intuição, teoria e prática da arte, Dorian Gray sabe que lida com um ofício mutável e cujo fim está situado além do horizonte efêmero dos dias. É por essa razão que, ao agradecer ao poeta Paulo de Tarso as palavras elogiosas e verdadeiras proferidas por ocasião da abertura da exposição no Palácio das Artes, no dia 8 passado, Dorian Gray fez questão de frisar que a retrospectiva que colocava à apreciação do público norte-rio-grandense não assinalava a culminância do ciclo percorrido por sua arte. Enfático, declarou, de improviso, que o trabalho do artista nunca termina devido à própria natureza da arte, infinita, inesgotável.

Mais do que isso: a arte tem um custo pessoal, que varia para cada artista, mas que é invariavelmente alto. No caso de Dorian Gray, a consciência dessa cobrança que a arte faz à vida remonta há, pelo menos, dez anos. Na entrevista que nos concedeu para o jornal O Galo, em março de 2000, ou seja, às vésperas de fazer setenta anos, o artista confessava: “Eu sempre pensei que poderia viver plenamente como uma pessoa comum sem renunciar ao lado artístico, mas logo cedo vi que teria que fazer sacrifícios e renúncias ao homem, se quisesse obter um certo esplendor artístico, uma certa vivência artística. É impossível você conciliar as duas coisas”. E concluiu: “A gente paga um tributo muito grande ao artista”.

Se é verdade que a maior motivação a que um artista pode aspirar é o reconhecimento do valor de sua arte pelos seus contemporâneos, então é razoável aferir que o artista Dorian Gray pagou um tributo justo ao homem, realizando plenamente o adágio de Wilde que diz: “o artista é o criador de coisas belas”, abstraindo, assim, toda a gama de dificuldades que as teorias da arte habitualmente comportam.

Que melhor título se adequaria a um artista que se constitui numa síntese do melhor que a arte potiguar aspirou ser e o conseguiu, há mais de cinquenta anos; que explorou com talento, perícia e originalidade os mais diversos gêneros e estilos das artes plásticas, ampliando os seus horizontes, abrindo-lhes novos caminhos; cujos murais, à semelhança daqueles realizados por Rivera, valem por uma síntese histórica daquilo que, mais do que somos, nos tornamos?

Se a arte de Dorian Gray articula com tamanha desenvoltura a arte de nos traduzir, a nós seus contemporâneos, em nossos mais diversos momentos e situações, juntamente com o pano de fundo sobre o qual transcorre o nosso dia a dia, o inverso da equação nos desfavorece, porque não o compreendemos na sua totalidade artística, na medida em que ignoramos que, ao lado do artista plástico, há o poeta, o ensaísta, o historiador, o escritor enfim, que maneja a palavra escrita com não menor paixão que os instrumentos das artes plásticas.

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    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente