Centenário da peregrina da paz
26 de agosto de 2010 às 16:50 - 1 Comentário
Publicação: 26 de Agosto de 2010 às 00:00 no site da Tribuna do Norte
O mundo comemora hoje o centenário de nascimento de Madre Tereza de Calcutá, uma pacifista que amava os pobres, por quem trabalhou ao longo da sua vida. Requisitada diariamente a levar a sua palavra de conforto aos mais necessitados, Madre Tereza dizia que “viajar pelo mundo cercada de tanta publicidade é cansativo e duro. Porém, eu utilizo tudo o que se me apresenta para a glória de Deus e o serviço aos mais pobres. É preciso que alguém pague esse preço.” Madre Tereza costumava dizer, nas suas pregações, que não há amor sem sofrimento. “O verdadeiro amor faz sofrer. Cada vida, e cada vida familiar, deve ser vivida honestamente. Isso supõe muitos sacrifícios e muito amor. Porém, ao mesmo tempo, esses sofrimentos vêm sempre acompanhados de muita paz.”
Agnes Gonxha Bojaxhiu, a futura madre Tereza, nasceu no dia 26 de agosto de 1910 em Skopje, Macedonia, de una familia de ogirem albaneza. O pai, respeitado homem de negócios, morreu quando ela tinha oito anos, deixando a mãe de Agnes na condição de ter que abrir uma atividade de bordado e fazenda para poder manter a família. Depois de ter transcorrido a adolescência impenhada fervorosamente nas atividades paroquiais, Agnes deixou a sua casa em setembro de 1928, entrando no convento de Loreto a Rathfarnam, (Dulim), Irlanda, onde foi acolhida como postulante no dia 12 de outubro e recebeu o nome de Tereza, como a sua padroeira, Santa Tereza de Lisieux.
Agnes foi enviada pela congregação de Loreto para a India e chegou em Calcutá no dia 6 de janeiro de 1929. Tendo apenas chegado lá, entrou no noviciado de Loreto, em Darjeerling. Fez a profissão perpétua come irmã de Loreto no dia 24 de maio de 1937, e daquele dia em diante foi chamada Madre tereza. Quando viveu em Calcutá durante os anos 1930-40, ensinou na escola secundária bengalese, Sta Mary.
No dia 10 de setembro de 1946, no trem que a conduzia de Calcutá para darjeeling, Madre Tereza recebeu aquilo que ela chamou “a chamada na chamada”, que teria feito nascer a família dos Missionários da Caridade, Irmãs, Irmãos, Padres e Colaboradores. O conteúdo desta inspiração é revelado no objetivo e na missão que ela teria dado ao seu novo Instituto: “Saciar a infinita sede de Jesus sobre a cruz de amor e pelas almas, trabalando para a salvação e para a santificação dos mais pobres entre os pobres”. No dia 7 de outubro de 1950, a nova congregação das Missionárias da Caridade foi instituida oficialmente como instituto religioso pela Arquidiocese de Calcutá.
Ao longo dos anos 50 e no inicio dos anos 60, Madre Tereza estendeu a opera das Missionárias da Caridade seja internamente dentro Calcutá, seja em toda a India. No dia 1 de fevereiro de 1965, Paulo VI concedeu à Congregação o “Decretum Laudis”, elevando-a a direito pontificio. A primeira casa de missão aberta fora de Calcuta foi em Cocorote, na Venezuela em 1965. A congregação se expandiu em toda a Europa (na periferia de Roma, a Torre Fiscale) e na Africa (em Tabora, em Tanzania) em 1968.
Missionárias da Caridade, uma grande obra de Madre Tereza
Do final dos anos 60 até 1980, as Missionárias da Caridade cresceram seja em número de casas de missão abertas em todo o mundo, seja no número dos seus membros. Madre Tereza abriu fundações na Australia, no Vizinho Oriente, na America do Norte, e o primerio noviciado fora de Calcutá em Londres. Em 1979 Madre Tereza recebeu o Premio Nobel pela Paz. No mesmo ano existiam já 158 casas de missão.
As Missionárias da Caridade chegaram aos países comunistas em 1979, abrindo uma fundação em Zagabria, na Croácia, e em 1980 em Berlim Este. Continuaram a estender a sua missão nos anos 80 e 90 abrindo casas em quase todos os países comunistas, incluindo 15 fundações na ex União Soviética. Não obstante os repetidos esforços, Madre Tereza não pode abrir nenhuma fundação na China.
Em outubro de 1985 Madre tereza falou no quadragésimo aniversário da Assembleia Geral das Nações Unidas. Na vigilia de Natal do mesmo ano, abriu em Nova York o “Dom de Amor”, a primeira casa para os doentes de AIDS. Nos anos seguintes, outras casa seguiram esta casa de acolhimento nos Estados Unidos e alhures, sempre especificadamente para doestes de AIDS.
No final dos anos 80 e durante os anos 90, não obstante os crescentes problemas de saúde, Madre tereza continuou a viajar pelo mundo para a profissão das noviças, para abrir novas casas de missão e para servir os pobres e aqueles que tinham sido atingidos por diversas calamidades. Foram fundadas novas comunidades na Africa do Sul, Albania, Cuba e Iraque, que estava dilacerado por causa da guerra. Em 1997 as irmãs eram cerca de 4000, presentes em 123 países do mundo nas mais ou menos 600 fundações.
Depois de ter viajado por todo o verão a Roma, New York e Washington, em condições de saúde delicadas, Madre Tereza voltou a Calcutá em 1997. Às 9:30 da noite do dia 05 de setembro de 1997, ela morreu na Casa Geral. O seu corpo foi transferido para a Igreja de São Tomas, adjacente ao Convento de Loreto, exatamente onde tinha chegado 69 anos antes.
Madre Tereza e Lady Diana, duas grandes amigas
A princesa da Inglaterra Diana Spencer foi uma das pessoas tocadas diretamente pelo exemplo e sabedoria da princesa da paz, Madre Tereza de Calcutá. Acostumada ao luxo e à formalidade, aos poderes e obrigações da realeza, Diana modificou sua vida de modo decisivo, após um encontro com a religiosa. Passou a exercer sua realeza em prol de causas nobres.
Embora vivessem em contextos completamente diferentes, Madre Tereza e Lady Diana se aproximaram em 1992, quando a princesa procurou a religiosa, para falar de sua angústia e perguntar o que poderia fazer para seguir o exemplo de dedicação, humildade e pacifismo.
Sensibilizada pela ternura da célebre princesa, Madre Teresa orientou Diana não a deixar sua posição na realeza, mas a utilizar seu poder e a influência de sua imagem em prol dos mais necessitados. Principalmente às crianças de países com conflitos militares e gravíssimos problemas sociais.
Pela TV, Madre Tereza veria, nos próximos anos, que a conversa com a princesa surtira efeito. Diana passou a ser mundialmente conhecida não apenas como membro da família real britânica, mas principalmente como ativista dedicada a visitar diversos países. Crianças vítimas da Aids ou mutiladas por minas terrestres foram as principais beneficiadas pelas ações da princesa, que ajudou a engajar lideranças políticas e grandes empresas, para ajuda a essas pessoas.
Quis o destino que Diana e Madre Teresa, que se aproximaram em vida, partissem também em ocasiões muito próximas. Em 18 de junho de 1997, na Casa das Missionárias em Nova Iorque, tiveram seu último encontro. Um acidente de carro, em Paris, vitimou a princesa, em 31 de agosto do mesmo ano.
Na Índia, Madre Teresa se apressava em cancelar compromissos e partir para o funeral de Diana. Não conseguiu. A instabilidade de sua saúde a deixou mais uma vez acamada. Apenas seis dias depois, quando o sepultamento da princesa comovia os ingleses e o mundo, um ataque cardíaco levava Madre Teresa de Calcutá, reverenciada em todo o globo por suas ações de caridade e pela paz.
O ativista e coordenador do MOVPAZ, Clóvis Nunes, comentou a aproximação entre as duas: “Realmente, Madre Teresa influenciou muito a vida da Princesa Diana. Em um primeiro diálogo, Diana teria manifestado o desejo de abandonar a família real, deixar o título de princesa para se unir à missionária, para ser uma pessoa como a madre. E Teresa lhe disse que não, que Diana poderia ajudar muito mais o mundo sendo a princesa que era, do que se deixasse de ser.
E Diana então, no silêncio, foi ajudando muitos trabalhos sociais, inclusive na campanha de desarmamento das minas no Oriente Médio, no Camboja, minas que vitimaram milhares de pessoas e que ainda vitimam outras tantas. Com certeza, nessa militância de Diana houve uma influência muito forte de Madre Teresa. E a comoção que a princesa Diana despertou, quando de sua morte, pelo que representava pra solidariedade do mundo, foi a prova que Teresa de Calcutá estava certa quando a incentivou a se dedicar à solidariedade. Foram duas mulheres extraordinárias, que marcaram o século. Uma pela nobreza e solidariedade e outra pelo amor à pobreza e à compaixão.


1 Comentário
lindo realmente foram duas mulheres encantadora.Tenho certeza que estão juntas lá no céu.