Cinema

20 de julho de 2011 às 15:55 - Comentar
Por Carlos de Souza

O filme Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee  (autor também de Brokeback Mountain, o filme dos cowboys gays) só presta se você sabe alguma coisa sobre este festival de rock que marcou os anos 60 como a ruptura essencial do século 20, quando se fala de comportamento e atitude. Pela primeira vez na história moderna conseguiram juntar mais de um milhão de pessoas em um só lugar para três dias de música, paz e amor.

Olha, veja bem, foram três dias de uma multidão sem nem sequer um empurrão de bêbado. Três dias regados a muita maconha, cerveja e LSD. Foi o último suspiro da cultura hippie. No próximo encontro, um show dos Roling Stones planejado pelos mesmos organizadores de Woodstock, um homem morreu esfaqueado por uma gangue de motoqueiros conhecida como Hells Angels. Pois é, os anjos do inferno botaram um ponto final no sonho.

Agora, vamos ao filme. Aconteceu em Woodstock toma para si a difícil tarefa de contar a história deste gigantesco festival sem mostrar nem uma cena do personagem principal, que era o show, óbvio. Um show com os maiores nomes do folk rock de então, Janis Joplin, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Carlos Santana e Joan Baez  e por aí vai.

No filme, o show só aparece através de sons distantes. Porque o que se quer contar é o que se passa nos bastidores do festival e especialmente na vida de Elliot Talber, o cara que facilitou as coisas para a realização do festival na pequena cidade de White Lake, no estado de Nova York. Pois é:  O Rock in Rio em Lisboa não foi a primeira anomalia nos festivais. Woodstock não aconteceu em Woodstock (isso é informação para os mais jovens, não vale para os coroas).

Ellio Talber é o autor do livro Taking Woodstock: A True Story of a Riot, A Concert And a Life. Pois é disso mesmo que o filme quer tratar. Da vida das pessoas que foram afetadas diretamente pelo festival. Aí, amigo velho, o filme é competentíssimo. Prepare suas emoções se já tiver passado dos 40.

Como o diretor de fotografia Eric Gautier escolheu mostrar o filme como se fosse o documentário que tornou célebre os festival, você vai ter sempre a impressão de que está vendo tudo aquilo a partir da mais pura realidade. Pegue os DVDs  que mostram o festival na íntegra e compare. Depois me diga.

A decisão de mostrar os arredores do festival é a pérola na ostra do filme. Lá está o rapazinho judeu às voltas com sua mãe autoritária, pai pusilânime e a louca vontade de sair de casa. Lá está o rapaz rico e descolado, o organizador do festival (segundo me consta ele se mudou para White Lake e mora até hoje lá). Aí você é apresentado a um inacreditável travesti que é ex-soldado do Vietnam. De lambuja fica conhecendo uma multidão de malucos que num belo dia de agosto de 1969 resolveu largar tudo e passar três dias vivendo um sonho impossível. Nunca mais a humanidade repetirá este feito.

Por muito tempo achei que a cultura hippie era a coisa mais tola que já havia pisado a face da terra. Hoje eu os compreendo melhor. Mas o filme não deixa que você se iluda com isso. A realidade feia está sempre lá, rodando os meninos bons. Tem os mafiosos que levam uma surra de um punhado de pessoas comuns. Tem os neonazistas americanos que apanham do travesti acima citado. Tem o policial que diz que foi ali só para dar umas porradas naqueles hippies, mas recua ao ver a multidão.

Woodstock foi um desses acontecimentos que fazem a cronologia dar lugar à história. Os anos 50 estavam morrendo naqueles três dias para nunca mais voltar. A partir dali, sexo livre, drogas e pacifismo passariam a ser tratados de outra forma. O mundo dera um passo decisivo para a mudança nas relações pessoais. Pais e filhos, homens e mulheres começaram a compreender melhor seus lugares na sociedade. O filme de Ang Lee fala disso sem qualquer empolação acadêmica. Aqui o que se vê é só ironia, alegria e lucidez.

A vida real está lá, inteirinha, o tempo todo. Como a guitarra de Jimi Hendrix arranhando os primeiros acordes do hino americano à distância. Que belo filme!

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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
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POESIA

    No bar
    08-02-2012 às 22:17 - 7 Comentários
    Por Jairo Lima

    Chegaste a mim não como lume
    Mas como Pergunta exposta na toalha sobre a mesa
    E com olhos irônicos fitaste o Vazio dos meus olhos
    E nos meus olhos te atiraste como um predador na rota de sua presa

    Na boca um sorriso zombava de futuros e certezas

    E eu te vi.
    Te vi como se vê mares e dunas
    Como coisas que são sem oráculos nem seitas
    Que não se anunciam, nem aguardam, nem ficam, nem se vão:
    Ali estavas de pé em frente aos panos da noite
    E parecia que contigo aquela noite estava feita

    Te vi coxas, riso, ombros e mãos
    Perdidos entre afago e maldição

    Enquanto o sol ainda se esconde tua mão me marca a pele e impõe fronteiras de posse
    Num corpo que já não é mais o meu e se entrelaça no teu e se contorce

    Os lábios se encontram e vão em busca dos vapores quentes da alma
    Se colam, se penetram, se invadem;
    Não são asas de pássaros, são patas de cavalo
    Destruindo colheitas

    Aquela noite só prometia suores
    Conquistados a cada beijo
    Os latifúndios do desejo
    Eram cada vez maiores

    (———–)

    Vim de longe
    Em hora incerta
    Vim de lunas
    Vim de céus perfurados de estrelas
    Vim de amores submersos em dores e desfeitas
    Para que celebrasses a consagração bizarra
    Que faz a carne virar pão
    O sangue virar vinho
    E a cama virar mesa
    Onde a fome dispõe as suas facas
    Para cortar as carnes e sugar a seiva

    (—————–)

    ******

    Tácito, aqui vai um pequeno FAQ para explicar porque voltei a enviar poemas:
    1. Porque JL parou de mandar poemas para o SP?
    Não sei
    2. E porque voltou a envia-los agora.
    Sei lá.

    COMENTÁRIOS

    • Marcos Silva: Anchieta: Obrigado, lerei e comentarei depois. - Ai Hay Hai
    • Fernando: Nossa, nunca li um artigo tão fraco como esse, nunca vi tantas falácias coligidas em um artigo de um abortista (não nos parece um jornalista, já que demonstra nada ter lido efetivamente sobre o aborto). Vejamo-las: 1) Aborto não é questão de controle populacional: mentira. Basta ver a origem da defesa do aborto nos EUA e basta ver quem financia o aborto ainda hoje. Para quem nada sabe do assunto, estudar a história das fundações Rockefeller, MacArthur e Ford pode ajudar. 2) Aborto é "direito reprodutivo". Direito??? Que absurdo! Além do absurdo, o termo maldosamente forjado para induzir a erro é incoerente: como pode um "direito reprodutivo" tirar uma vida? Ah, tem dúvida se é vida humana? Por favor, dá uma olhadinha aqui: abort67.com.uk 3) Ó loucura... "atendimento de qualidade" e "sem preconceito" do Estado para ajudar uma mulher a matar o próprio filho. Quanto amor, quanta bondade! Quer saber? Chega de ironia, falemos a verdade: que nojo, quanta hipocrisia! Por que não propor educação sexual para valorização da mulher, do corpo, do próprio sexo, ao invés de louvar o sexo irresponsável que gera vida e que deve terminar em assassinato "de qualidade" e "sem preconceito"? Repito, gritando: QUANTA HIPOCRISIA, QUANTA HIPOCRISIA ASSASSINA MENTIROSA travestida de luz. Típico de quem quer fazer o mal. 4) Ah, o velho conceito da luta de classes para transformar o assassinato de bebês em "questão de saúde pública": mulher rica aborta com segurança, mulher pobre aborta e morre. MENTIRA HORROROSA!! Uma simples consulta ao SUS desmistifica essa mentira. O aborto como causa de morte de mulheres está LONGE, MUITO LOOOOOOOOOOONGE de ser questão de saúde pública. Mas é claro que este abortista (jornalista? Não... já não resta dúvida) está mal informado, lendo pesquisas financiadas pelas ONGs abortistas que sabidamente MENTEM para jornalistas divulgando números falsos que eles irresponsavelmente repassam para pressionar a opinião pública. Deem uma olhadinha aqui (é só uma das evidências...): http://boletimfedf.blogspot.com/2011/03/os-controversos-numeros-do-aborto-e.html 5) Como é fácil ter opinião diferente sobre o feto quando você não foi abortado, né japonesinho? Que lindo que soa aos ouvidos menos instruídos "direito sobre o próprio corpo". Que sorte a sua que sua mamãe (e seu papai, coitado! Não o reduza a nada! Ele também quis que você viesse ao mundo... Como você pode tirar dele o direito de amar você?) - que sorte que ela não pensou como você!! Afinal, seu corpinho não era nada, não é? Era uma unha encravada da mamãe, não é? Se você tem dúvida sobre "que corpo" é mutilado, se o da mamãe ou o do bebê, recomendo novamente este videozinho instrutivo: abort67.com.uk 6) Ave, e o que dizer da tese - histérica - de que "religiosos estão se intrometendo na questão!!! O Estado é laico!!" Será que não existe um ateuzinho que não concorde com a matança de bebês? Acho que existem sim. Muitos. Mas é mais fácil ser ignorante (ou maldoso) e criar uma guerra religiosa. Abjeta, como aliás têm sido todos os supostos "argumentos" até aqui para defender a matança de bebês gerados irresponsavelmente. 7) E o autor - que por sinal demonstra ter um elevadíssimo autoconceito, um amor-próprio no mínimo... doentio, para usar um eufemismo - ainda tem o fingimento de se apresentar aos leitores como alguém que está preocupado com a dignidade alheia, quando se acha no direito de decidir quais dos mais novos membros da espécie humana devem ou não viver. Como é triste a cegueira humana! É surpreendente até que ponto alguém ensimesmado consegue perder a noção da realidade! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: É, Alex de Souza... "seus corpos" - abort67.com.uk - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • chico m guedes: coisas de Jairo eu sempre me pego lendo em voz alta; é quase táctil (quase?) - No bar
    • Daniel Menezes: Ótima reflexão. - Yoani Sánchez, a direita e a esquerda
    • Jairo Lima: Brigado, Nina, sou leitor atento e empolgado de tua poesia. - No bar
    • Anchieta Rolim: Marcos Silva, caso tenha interesse dê uma olhada nesse blog: araguaiahistoriaemovimento.blogspot.com Um abraço! - Ai Hay Hai
    • Marcos Silva: Aprendi a sentir Anne como mais que irmã, pedaço de mim, essas coisas que uns e outros consideram sentimentais mas são apenas sentimentos que nos diferenciam dos computadores. Grande beijo. - Ai Hay Hai
    • Anchieta Rolim: Gostei muito da matéria. E pra quem interessar, segue o blog do meu amigo João Carlos Wisnesky que foi um dos guerrilheiros do Araguaia e que ainda continua sua luta para esclarecer esse fato histórico. araguaiahistoriaemovimento.blogspot.com - À sombra da ditadura
    • Nina Rizzi: Gosto muito. E o meu gostar tem a pretensão dos desejos mais pungentes. Um beijo :) - No bar