Cinemateca Francesa em Paris no Nalva Café

21 de julho de 2011 às 21:33 - Comentar

“Morena/Loira – O Cabelo no Cinema”

Começa no próximo dia 25 de julho uma mostra de filmes inspirada na Mostra da Cinemateca Francesa em Paris “Brune/Blonde”: uma exposição sobre o cabelo feminino no cinema.

Organizada pelo Cineclube Natal em parceria com Nalva Melo Café Salão e pontuada por sete filmes cuidadosamente escolhidos por sua importância estética, a exposição tem como foco principal o cinema e suas atrizes míticas: morenas ou loiras – sem se esquecer das ruivas –, de cabelos longos ou curtos, com penteados que marcaram épocas.

Cabelos curtos ou longos, recatados ou sensuais. O cinema e seus cineastas engajados em uma forma de expressão do corpo: a representação da cabeleira feminina, que nesse caso está intimamente ligada ao desejo, à sexualidade, à paixão e ao amor. Como muito bem explicitado pelo coque em espiral usado por Kim Novak em Um corpo que cai (um dos filmes escolhidos) de Alfred Hitchcock, reproduzido mais de 30 anos depois por David Lynch em A Estrada Perdida.

A mostra colocará em foco o cinema clássico e o cinema independente, o cinema de ontem (com Charles Vidor e Alfred Hitchcock) e o cinema de hoje (com Patrice Leconte e Alejandro Amenábar). É possível conhecer mais sobre a historia do cinema e as representações dos cabelos femininos ao longo dos tempos, como por exemplo a evolução, no cinema hollywoodiano, da loira – relegada, até os anos 30 aos papéis de esposa fiel, antes de se tornar, na década seguinte, sinônimo de mulher sedutora.

Com uma grande profusão de imagens em movimento, a exposição também valoriza a influência do imaginário cinematográfico na sociedade. Os cineastas, grandes criadores de ícones, moldam as atrizes e inventam estilos que influenciam a moda de gerações inteiras. Os cabelos curtos nos anos 20 (Louise Brooks), os cabelos platinados dos anos 30 (Jean Harlow), as tinturas ruivas extravagantes dos anos 40 (Rita Hayworth), os cabelos longos e soltos dos anos 50 a la Brigitte Bardot, os cortes andróginos dos anos 60, a loirice soberana de Catherine Deneuve ou as provocações da cabeleira latina de Penélope Cruz.

Além de tudo isso, a exposição também aborda as interações conscientes e inconscientes que o cinema mantém com diversas outras artes na representação da beleza e dos mistérios femininos. O cinema conseguiu com grande perfeição explorar em seus máximos detalhes os movimentos dos cabelos das mulheres, como numerosos pintores, escultores e fotógrafos também imortalizaram em suas obras ao longo dos séculos.

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A seguir, uma lista com as sinopses dos filmes que serão exibidos entre os dias 25 e 31 de julho, sempre a partir das 20h, em Nalva Melo Café Salão.

Segunda-feira (25/07) – Diário de uma garota perdida (Tagebuch einer verlorenen): Thymian (Louise Brooks), é uma jovem e bela garota, que literalmente não vive um “conto de fadas”. Sua governanta, Elizabeth, é despedida grávida, e logo depois encontrada morta por afogamento. No mesmo dia que soube da tragédia, seu pai contrata uma nova governanta, Meta. Meinert, um farmacêutico oportunista engravida Thymian. Quando ela recusa o casamento, o bebê é afastado e Thymian é colocada em um rígido reformatório para meninas. A partir destes fatos, sua vida se transforma num pesadelo sem fim, com muitas reviravoltas, entre garota de bordel a uma respeitada Condessa. Diário de uma Garota Perdida é o segundo e último trabalho de uma das melhores parcerias atriz/diretor já criadas no cinema: G. W. Pabst e Louise Brooks. Juntamente com A Caixa de Pandora (1928), Diário confirmou a genialidade de Pabst, como um dos maiores cineastas do período silencioso, e estabeleceu Brooks como uma atriz brilhante e de uma sensibilidade nunca vista até então.

Terça-feira (26/07) – Gilda (idem): Rita Hayworth cantando, de maneira sensualíssima, a canção “Put the blame on Mame” (Ponha a Culpa na Mame) ao tirar suas luvas num quase “strip tease”. Ninguém discorda que essa cena é uma das mais memoráveis da história do cinema e o momento chave do clássico “Gilda”. Dirigido com inegável elegância pelo húngaro Charles Vidor (1900-1959), o filme foi produto da safra de grandes filmes “noir” da década de quarenta. Porém, é impossível negar que Vidor não seja o responsável pelo grande encanto da obra, pois “Gilda” deve todo seu frescor à iluminada presença da diva Rita Hayworth.

Quarta-feira (27/07) – Um corpo que cai (Vertigo): Considerado por muitos a maior realização do diretor Alfred Hitchcock. Em São Francisco, James Stewart interpreta um detetive com medo de altura, contratado para seguir a esposa de um amigo (Novak) com tendências suicidas. Após resgatá-la de uma queda, ele se torna obcecado pela bela e atormentada mulher. Um dos mais arrepiantes romances do cinema, apresenta uma fascinante miríade de inusitados ângulos de câmera de algumas das mais renomadas paisagens de São Francisco.

Quinta-feira (28/07) – O desprezo (Le mépris): O Desprezo conta a história da crise de um casal em uma viagem à Itália que acaba mal. Camille (Brigitte Bardot) tem a impressão de que seu marido não a ama mais. Paul Javal, seu marido, é um roteirista que, para garantir o conforto da esposa e evitar o rompimento da relação, aceita escrever uma nova adaptação da obra grega A Odisséia para o cinema. Primeiro, nascem a dúvida e o desprezo de Camille e depois vem a incompreensão e a raiva de Paul. Diferente do livro de Homero, não é Ulisses que vai embora e abandona a amada Penélope.

Sexta-feira (29/07) – O bebê de Rosemary (Rosemary´s baby): Adaptação do romance bestseller de Ira Levin, conta a história de um adorável casal novaiorquino que espera seu primeiro filho. Como a maioria das mulheres que são mães pela primeira vez, Rosemary (Mia Farrow) está confusa e receosa. Seu marido (John Cassavetes), um ambicioso mas malsucedido ator, faz um pacto com o demônio pela promessa de vencer na carreira. O diretor Roman Polanski consegue extraordinárias interpretações de todo o elenco de astros. Ruth Gordon ganhou um Oscar por seu papel, como uma super-solícita vizinha, neste clássico do suspense.

Sábado (30/07) – O marido da cabeleireira (Le mari de la coiffeuse): Antoine (Jean Rochefort) é um homem de meia-idade, com alma de criança e obsessão desde a infância por cabeleireiras. Certo dia encontra a mulher de seus sonhos, a maravilhosa Mathilde (Anna Galiena). O filme tem toques de drama, comédia e poesia, com refinado erotismo. Lembranças da infância, a descoberta da sexualidade, o amor, a velhice e a morte. Essa é a linha da vida e de temas abordados com lirismo e lubricidade no filme de Patrice Leconte. Com uma estética que lembra os países árabes colonizados pelos franceses, no norte da África, Leconte conta uma história fantástica e sedutora. A fluidez e o ritmo da narrativa também são responsáveis pelo fascínio causado pelo filme. Fugindo ao estilo hermético comum na cinematografia francesa, o filme apresenta humor refinado, mas ao mesmo tempo fala de questões relevantes em relação ao amor, ao medo de envelhecer e à morte, sem perder de vista o devaneio e a frugalidade. Para quem acredita que o cinema europeu é feito apenas de choro e angústia, O Marido da Cabeleireira é a prova cabal de sua imensa diversidade.

Domingo (31/07) – Abra os olhos (Abra los Ojos): César (Eduardo Noriega) tinha tudo a seu favor – encantador, rico e incrivelmente belo. Mas, por vezes, as aparências iludem. Na noite do seu 25º aniversário, César conhece Sofia (Penélope Cruz), e pela primeira vez pensa ter encontrado a mulher ideal. Mas depois de deixar Sofia, César é abordado por Nuria (Najwa Nimri), a namorada que abandonou na véspera. Perturbada pela forma como fora tratada, Nuria lhe pede outra oportunidade, implorando que a deixe entrar no carro. Um erro que lhe vai ser fatal, já que com a fúria dos ciúmes, Nuria atira o carro para fora da estrada, matando-se e desfigurando o antes lindíssimo César. Depois do acidente, fantasia e realidade começam a se misturar. César acorda numa prisão psiquiátrica, onde é julgado por uma morte de que não se lembra. Se ele se lembra de terem tratado de seu rosto, porque razão ainda usa uma máscara? Se Nuria morreu no acidente, como é que voltou a ter vida? Se Sofia era o seu verdadeiro amor, porque é que a matou? César vive um sonho ou será que ficou louco?

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Nelson Marques
Diretoria de Memória do CNC
Cineclube Natal, Natal RN
Festival Goiamum Audiovisual, Natal, RN
tel. (84) 3641-2766; cel. (84) 9406-8177

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OUTROS EVENTOS

POESIA

    Névoa
    16-05-2012 às 9:40 - 7 Comentários
    Por Jarbas Martins

    Carl Sandburg

    Vem a névoa
    em breve pisar de gata.

    Queda-se olhando
    o porto e a cidade
    sentada em seu silêncio e
    esgueirando-se em seguida.

    (Tradução de Jarbas Martins)

    * * *

    Fog

    The fog comes
    on litlle cat feet.

    It sits looking
    over harbor and city
    on silent haunches
    and then moves on.

    (Carl Sandburg, “Selected Poems”, G.Books,1992)

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Amigo Carlão, Vejo com muita alegria a sua inquietação e leitura. Tb indico fortemente o livro .Jerônimo, A Técnica do Livro de autoria do grande Dom Paulo Evaristo Arns ( Sua tese de doutorado) , trad. de Cleone Augusto Rodrigues e prefácio de Alfredo Bosi . Belíssimo livro em capa dura Jeronimo traduziu a vulgata da biblia e é considerado o patronomo dos bibliófilos e amantes do livro. Saudações bibliófilas. ab imo corde - Help
    • edjane linhares: Muito lindo, Jarbas. A experiência do haicai, como Fernando nos lembrou, ajuda muito neste processo de contemplação e silêncio, ato solitário e sublime. Quero agradecer a homenagem às mães no seu último haicai (único vestígio da data por aqui). Aguardo coletânea deles. Um abraço. - Névoa
    • Jarbas Martins: Amigo Jóis: gosto da sua poesia e da sua prosa digressiva, inflada de saberes e sabores, biscoito fino para raros paladares.Nem precisava dizer isso, mas como em seu comentário você se reportou a um incógnito Aguinaldo Soares, usando termos utilizados por ele contra mim - deu-me vontade de voltar ao assunto. Repito mais uma vez: Aguinaldo Soares sabe escrever, e a expressão "sólida cultura" é tão infeliz que não me restou outra alternativa: pedi desculpas ao ilustríssimo desconhecido.Não conheço o Aguinaldo, mas presumo que ele, como eu, temos algo em comum: fizemos o curso de direito.Daí o nosso gosto pelas sentenças líquidas e certas. Abraços, Poeta ! - Ditirambo
    • Marcos Silva: Li um livro interessante sobre Jerônimo, A Técnica do Livro Segundo São Jerônimo, de Paulo Evaristo Arns - Help
    • Jarbas Martins: Tradução inventiva a tua, Marcos. Nenhuma novidade nisso. Você é um reconhecido mestre na arte tradutória. - Névoa
    • Jóis Alberto: O poema é bom! Afirmo isso, embora não tenha plena consciência do ofício de poeta. Porque se eu for intelectual, sou dos mais incompletos – em meio a preconceitos, totens e tabus, como vocês já tiveram oportunidade de ler mais de uma vez, aqui neste democrático SP. Além do mais, como posso ter sólida base cultural nesses tempos em que tudo que é sólido se desmancha no ar? Tempos de modernidade e amores líquidos, de fodas em excesso e entediadas, blasé até – foda blasé é ‘foda’! – de gente que trepa com a mesma rotina de quem escova os dentes, tema objeto das sátiras ingênuas de meia dúzia dos meus poemas eróticos. Ingênuas não só se comparadas às sátiras e poemas eróticos/pornográficos de um grande poeta, Bernardo Guimarães, por exemplo, mas ‘ingênuas’ também no sentido libertino, filosófico, da palavra ‘ingênuo’! Ou então as fodas são escassas como as leituras de gente que, se leram os gregos, leram em traduções, não no original, e fazem a pose erudita de quem muito entende esses clássicos da filosofia, da poética e da ética, da antiguidade greco-romana. O que danado é ‘inveja poética’? Se é inveja não é poética, nem ética! Porque a ética, é verdade, pode tratar da inveja, da emulação, mas a inveja despreza a ética. O que danado significa ‘fracasso moral da estética’? De qual moral estamos falando? Da moral burguesa? Sinceramente! Qual o poeta que não esconde a fonte onde bebe? Como poeta bissexto, escondo e revelo fontes. Sem maiores dificuldades coloco as cartas na mesa, porque nesse jogo de cartas – de cartas muitas vezes marcadas, e viciadas – uma das minhas cartas prediletas é a do coringa, do joker! Porém, como há muito não jogo nem pif-paf, buraco ou sueca, uso essa expressão ‘jogo de cartas marcadas’ como um dos inúmeros clichês que pululam por aí, em discussões de intelectuais de prestígio... - Ditirambo
    • Cássio: Biografia eu não sei, mas recomendo o filme do júlio bressane. No seu livro Cinemancia tem também uma tradução interessante da "epifania" de são jerônimo. - Help
    • Marcos Silva: Belo poema, bom poeta, boa tradução. Sugiro a alternativa: NÉVOA. Névoa vem em pés de gatim Senta e olha sobre porto e cidade ancas silêncio e se moveu - Névoa
    • Jarbas Martins: Tenho a honra e o dever de confessar que a tradução que fiz do poema "Dormire", de Ungaretti, publicado há alguns dias neste SP - teve a orientação do poeta Fernando Monteiro ! Obrigado, mestre Fernando, obrigado poetas Anne Guimarães e Lívio Oliveira. - Névoa
    • Nina Rizzi: "A capa já dá o tom da revista. Uma foto de Câmara Cascudo passeando de riquexó (uma espécie de carroça de duas rodas e movida a tração humana) em Moçambique, ao lado de uma pessoa não identificada. A foto - de autoria desconhecida - foi clicada em 1963, quando o folclorista estudava costumes e tradições africanos. As observações e anotações depois seriam o mote para o livro Made in África. A imagem foi cedida pela família. E a filha, Ana Maria Cascudo, escreve artigo contando as inúmeras viagens do pai, em um diálogo emblemático entre Natal e o estrangeiro." Viu, neguinho não existe não, ô rapá! - Tributo ao mar