Caros amigos:
Existe uma deliciosa comédia sobre o Muro de Berlim: “Cupido não tem bandeira”, de Billy Wilder. Embora muitos não o considerem um de seus melhores filmes (afinal, o homem fez coisas como “Quanto mais quente melhor”, “Se meu apartamento falasse” e “A Montanha dos Sete Abutres”), as obras menores de um diretor desses são muito superiores à média do que se vê por aí.
Lembrei daquele filme gostoso para realçar dois aspectos do tema:
1) O Muro de Berlim é um monumento da Guerra Fria, obra tosca de URSS e EEUU. As “Alemanhas”, quando de sua construção, eram um estado nacional dividido literalmente e tutelado por duas superpotências em disputa pelo mundo.
2) Derrubado o Muro de Berlim, começaram a erguer outros num mundo já sem URSS: tem o Muro que separa os EEUU do México, tem os murinhos cariocas para separarem a classe média higienizada dos favelados… Isso para não falar dos murões virtuais em maravilhosos restaurantes como o Fasano e Acrópole, em Sampa, e o Camarões, em Natal (aproveito para declarar que sempre que posso como no ótimo último, com dolorosos efeitos em meu bolso). É maldade lembrar que são muralhas do Capitalismo?
Considero erradíssimo o governo de Cuba não autorizar a saída de qualquer cidadão que queira partir do país. Considero erradíssimo o governo dos EEUU multar o responsável pelo bonito filme “Havana Social Club” pq relações de cidadãos norte-amerianos com a terra de José Marti são proibidas.
Sem ilusões: o mundo precisa ser melhorado. Nesse sentido, um de meus lemas é: Fasano, Acrópole e Camarões para todos! Sem esquecer de Luchino Visconti e Fernando Pessoa para todos, claro.
Abraços: