“Como nossos pais” retrata estrutura familiar contemporânea

Tácito Costa
AudiovisualDestaque

 

Pouca gente na sessão do Cinepólis do Natal Shopping na segunda-feira, 04, para assistir “Como nossos pais”, da diretora Laís Bodanzky.

Acho que os cinéfilos não se deram conta de que está em cartaz um bom filme em Natal. Talvez por ser algo pouco usual nos últimos tempos.

O drama familiar vem referendado por seis prêmios no Festival de Gramado: direção, atriz (Maria Ribeiro), ator (Paulo Vilhena), atriz coadjuvante (Clarisse Abujamra) e montagem. Gostei, sobretudo, das duas atrizes, e de Jorge Mautner, que faz o papel de Homero, pai de Rosa (Maria Ribeiro), numa autoparódia impagável.

“Como nossos pais” foi exibido antes no Festival de Berlim, na mostra Panorama, venceu o 19º Festival de Cinema Brasileiro de Paris e integra a lista de filmes brasileiros que vão disputar a indicação para concorrer ao Oscar 2018 (veja a lista)

O novo longa-metragem da cineasta de Bicho de Sete Cabeças (2000), Chega de Saudade (2007) e As Melhores Coisas do Mundo (2010), conta a história de Rosa (Maria Ribeiro), uma mulher casada, de classe média, que trabalha num emprego que detesta e sonha em ser dramaturga.

Filha de intelectuais dos anos 70 e mãe de duas meninas pré-adolescentes, ela se vê pressionada pelas duas gerações que exigem que ela seja engajada, moderna e onipresente, uma super-mulher sem falhas nem vontades próprias.

O filme começa com a família reunida num típico almoço de domingo, com direito a farpas e mágoas vindo à tona. Em dado momento, de supetão, a mãe de Rosa, Clarice (Clarisse Abujamra), diz na presença de todos que Homero não é seu pai biológico. A partir daí, Rosa dá início a um processo de auto-descoberta e questionamentos sobre sua vida.

O título do filme faz referência à música homônima de Belchior (imortalizada na voz de Elis Regina).

Em entrevista durante o Festival de Gramado, a diretora disse que tinha feito o filme para falar sobre a mulher contemporânea brasileira. Conseguiu. Não tenho a menor dúvida de que muitas se identificarão com a personagem Rosa.

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Tácito Costa

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