Como o acaso fez de Bartola um escritor

6 de abril de 2010 às 14:59 - Comentar
Por Nelson Patriota

Costuma-se falar da “carreira” de escritor, do mesmo modo como se fala da carreira dos funcionários públicos, dos militares etc. Há, implícita aí, a certeza de que algo corre por sobre o fio do tempo, seguindo um ciclo que culmina com a aposentadoria – no caso dos funcionários públicos, inclusive o das armas. A “carreira” de um escritor não oferece um quadro tão nítido de ciclo a percorrer, de metas a cumprir culminando num previsível fim.

Seria mais adequado se falar na “carreira” que um escritor constrói, e o máximo de proximidade que ela permite com a noção de ciclo citada acima é que, ao invés de galgar postos e acumular benefícios, um escritor escreve livros, lança-os em eventos planejados para essa finalidade… E quase nunca se aposenta.

Nesse aspecto, a carreira do escritor Bartolomeu Correia de Melo, o Bartola, é um exemplo perfeito do escritor referido acima. Apenas paradoxalmente, a carreira de escritor de Bartola começou com a proximidade de sua aposentadoria como professor universitário do departamento de Química da UFRN. À medida que um profissional declinava, outro ascendia.

Resultou dessa progressão que o escritor começou a se impor ao professor. Agora que o escritor reina sem concorrência, pode-se falar que Bartola administra sua carreira de escritor com disciplina e método. Mas sem planos de aposentadoria…

Outro detalhe que chama a atenção, é que quase tudo que diz respeito à carreira literária de Bartola começou por obra do acaso, como ele confessou na entrevista publicada nesta TN no dia 20 passada, concedida à repórter Maria Betânia Ribeiro. Dentre casualidades outras, salientou o escritor o fato de ter nascido numa família de leitores, especialmente sua mãe, mas também o seu irmão, o poeta Paulo de Tarso Correia de Melo. A convivência com escritores e leitores de ficção se tornou algo familiar para ele desde muito cedo. Nesse ponto, sua trajetória de vida intelectual não difere substancialmente da de outros escritores, embora haja aqueles que se explicam por uma vertente mais “heroica”: os chamados “self-made writers”, escritores que se fizeram sozinhos, se é possível se falar assim. Minoritários, com certeza.

A certa altura da vida, após realizar uma carreira bem-sucedida no ensino superior, Bartola se perguntou: “por que não tentar escrever algumas das histórias que testemunhei ou me contaram (ou imaginei?) nas minhas andanças por Ceará Mirim e adjacências?”

Foi aí que o escritor realmente nasceu. Outro acaso se encarregou de conduzi-lo ao Olimpio dos escritores: a iniciativa do escritor Carlos-Newton Júnior de inscrevê-lo, sem que ele o soubesse, no concurso da União Brasileira de Escritores, seção pernambucana, iniciativa que culminou com Bartola arrebatando o primeiro prêmio com o livro Lugar de estórias, coleta meio ao acaso que ele havia de alguns dos contos que vinha escrevendo desde há alguns anos. De acréscimo, obteve ainda um contrato com a editora Bagaço, do Recife.

Um outro acaso o transformaria em best-seller de livros infantis, graças a um arquivo  eletrônico enviado para a Bagaço com contos do seu segundo livro, Estórias quase cruas, no qual constava um conto infantil que Bartola escrevera para os seus netos, mas que não pensava publicar.

Frente a tantas casualidades, pensamos que hoje Bartola já pode dispensar os serviços desse operoso e imponderável auxiliar. Referimo-nos ao seu terceiro livro de contos, Tempo de estórias, que ele lançará no dia 14 próximo, e que reúne mais quinze contos inéditos e cinco outros retirados do livro Estórias quase cruas, o qual que ele decidiu que não será mais reeditado.

Na orelha que escrevemos para esse livro, perguntamos: qual Bartola é o melhor? Será o dos contos novos ou o dos antigos? No fundo, trata-se de uma pergunta ociosa, tirante o fato de ser mais um estímulo motivador ao leitor. Porque é mais que evidente que a literatura que Bartola escreve há duas décadas com um estilo todo seu e uma arte toda própria dispensa estímulos. Fica então a provocação: qual Bartola é melhor: o de ontem ou o de hoje? Responda o leitor”.

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: eu faço do meu corpo o que quero foi conquista a greve do ventres vem desde os gregos quem possui o direito sobre o corpo feminino? voce, o estado, o papa, Deus"! todos falharam como inquisidores. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Roberta Aymar: Beleza e Proibição... coisas necessárias e, ao mesmo tempo, contingentes nas curvas dos "Plurais Substantivos"... Eu que agradeço, João. - A Viúva Negra
    • João da Mata: domingo é dia de fazer niente nem tente! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: O inquisidor Um dia ele organizou um livro e não selecionou Outro dia ele foi o júri de concurso de poesia e não entrei nem na menção honrosa. Outro dia eu quis abortar e ele disse não pode mas foi taõ bom!. Não pode! Depois disse que e eu não sou Outra vez disse conheço a lei Sou procurador. Como juiz ele errou Como cristo acho que não voga - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Marcos Silva: Alex: Faltou acrescentar que Maria engravidou sem contato sexual com José por vontade de Deus, não é? Dessacralização do coito, embora Deus deva ter pênis e bolsa escrotal pois Adão foi feito a sua imagem e semelhança, e Eva tenha recebido vagina por obra e graça de Quem a fez. Jesus não engravidou porque não quis. Nem precisaria ser inseminado por outro homem, Ele poderia inseminar-Se, se o quisesse, ou Deus poderia usar o mesmo procedimento ocorrido em relação a Maria. Nada disso se deu, pelo que se sabe e que vc, gentilmente, nos trouxe à lembrança. Quanto a Maria Madalena, nada sei. O conhecimento histórico sobre o tempo dela e de Jesus é muito limitado (alguma coisa a partir de Arqueologia), os Evangelhos são escritos de devoção, não propriamente fontes literais de informação (ou são informação sobre eles mesmos). De qualquer maneira, muito obrigado pelas preciosas informações. Aproveito para lembrar que uma coisa é o Cristianismo ideal (todos filhos de Deus etc.). Outra coisa é o Cristianismo histórico, como Cruzadas e Inquisição bem o demonstraram: ou os hereges não eram filhos de Deus (quer dizer: nem todos o são) ou, se o fossem, mereciam morrer por desagradarem aos representantes do Pai. Até Leonardo Boff, há poucos anos, foi punido pelo órgão que ocupou as funções da Inquisição na Igreja Católica, submetido a "Silêncio obsequioso", não é? E durante o Nazismo, o Vaticano manteve um silêncio nada obsequioso diante do Holocausto... Mas diga-se a favor de alguns membros da Igreja Católica (não do Papado) que muitos deles apoiaram os perseguidos pelo Nazismo e até morreram em campos de concentração, como Claudio Galvão estudou, a partir de um caso específico, no livro "Campo da esperança" (EDUSC). Mas Nietzsche já ensinou: a Morte de Deus não é papo para beira de piscina, é um acontecimento mais que gigantesco. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”