Para que assistir ao conflito na SÍRIA se o RN tem ALCAÇUZ

John Nascimento
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Texto: Douglas Cavalheiro
Fotos: John Nascimento

O que Não lhe contaram sobre Alcaçuz
Uma Breve História do Sistema Penal Brasileiro

Em todos os comentários realizados pela “esclarecida classe potiguar” não houve nenhum panorama histórico sobre o sistema carcerário brasileiro, muito menos o caso potiguar. Quando as pessoas dialogam sobre o quê seria o sistema penal no Rio Grande do Norte, elas apenas formulam contos fictícios.

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É impossível diagnosticar um problema social sem antes ser realizada uma retrospectiva histórica sobre o problema que está sendo abordado. O caso de Alcaçuz é o microcosmo do Brasil inteiro. É o resultado da agenda progressista em atuação desde os anos 80. Nós só estamos colhendo os frutos, ou, talvez, restos mortais.

Já ocorreram muitas confusões em meio a restos mortais decapitados nos presídios do Rio Grande do Norte. Porém, isso não é uma descrição dos acontecimentos das últimas semanas na penitenciaria de Alcaçuz, em Nísia Floresta. Estamos nos idos finais da década de 80, na Penitenciária Dr. João Chaves, zona norte de Natal. Tais eventos vão fazer com que o local ganhe a alcunha de Caldeirão do Diabo.

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Os protagonistas ficaram conhecidos como o “trio ternura”. Eles eram compostos por: Ivanaldo Félix da Silva, o Naldinho do Mareto, Paulo Nicácio da Silva, o Paulo Queixada e Vlademir Alex Mendes de Oliveira, o Demir. Presos por crimes que envolviam assassinatos e estupros, foram para a Penitenciária Dr. João Chaves, em 1982. Lá continuaram suas matanças.

Estima-se que o trio assassinou mais dez detentos em rituais macabros de canibalismo até o seu derradeiro fim. Porém, temos como o maior destaque, Paulo Queixada, ele era um psicopata de primeira linha. Possuía uma mentalidade cruelmente fria para planejar os seus assassinatos que sempre terminavam se alimentando dos restos mortais de suas vítimas.

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A ineficiência da polícia potiguar para tratar do caso, e, os movimentos progressistas na luta pela proposta antimanicomial fizeram de Queixada um prisioneiro comum. Resultado. Enlouqueceu todo o presídio. Esses casos escandalosos de Alcaçuz, bem como se tem ocorrido nos demais estados, resulta inicialmente, na falta de distinção entre prisioneiros comuns com terríveis psicopatas. Suas capacidades de arregimentação criam grupos e fazem crimes mais escandalosos.

As violências do Presídio Dr. João Chaves, durante os anos 80, foram de proporções muito mais escandalosas do que em Alcaçuz. No caso atual também se encontra a disputa pelo mercado negro do tráfico de drogas. Mas a psicopatia das atitudes dos presidiários é exatamente a mesma.

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Enumerar como culpado pelos casos de Alcaçuz: a) “corrupção da classe policial”, b) “Ineficiência do Estado”, e, c) “falta de educação” é uma falácia monumental. Durante a década de 1960, população brasileira era muito mais analfabeta que atualmente.

O Estado tinha a mesma ineficiência, e a corrupção, infelizmente, sempre existiu. O diferencial de tudo isso foram o surgimento dos movimentos antimanicomiais. Pregando uma “Reforma Psiquiátrica” que resultou no fim dos manicômios. Basta mencionar que o V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado em outubro de 1978, teve a presença de Felix Guattari, importante intelectual comunista francês que escreveu Capitalismo e Esquizofrenia, em 1972.

Com a ascensão política das esquerdas, durante os anos 80, houve a implantação das reformas antimanicomiais e ostensiva redução na construção e melhoria dos presídios. Simultaneamente, surgem movimentos de luta pela liberação das drogas, que posteriormente seria o sustento dos políticos progressistas na tomada do poder, sendo auxiliadas pelo tráfico de drogas das FARC.

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A única reação diante disso foram os surgimentos de inúmeros grupos de extermínios. Membros da polícia que não compreendiam intelectualmente o que ocorria no país, porém, buscavam tentar continuar combatendo o crime de toda maneira. Entregando mais uma bandeira para os intelectuais progressistas atacarem a dita: “classe reacionária” e conquistar o apoio da opinião pública.

Assim, com o consumo de substâncias psicoativas e convívio continuo com pessoas portadoras de distúrbios psicológicos, a população carcerária brasileira não possui nenhuma capacidade de regeneração, somente aumentando cada vez mais. Apenas seguem realizando as atitudes de barbárie instigadas pelos detentos psicopatas que habitam os presídios. Por isso, é necessário existir um departamento psiquiátrico, altamente especializado, na polícia estadual.

Bem como presídios específicos para criminosos com distúrbios mentais. Pois, na maioria dos casos os psicopatas acabam se misturando entre os prisioneiros comuns, e formando grupos que terminam exterminando um aos outros.

Enquanto esse trabalho de distinção psiquiátrica não for realizado a população brasileira continuará assistindo esse confronto monstruoso entre Leviatã e Behemoth. Por parte do governo estadual e federal ocorreram apenas medidas paliativas que, em breve, se mostraram falhas. A única receita médica para população suportar esse terror é a fé e a paciência de Jó.

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John Nascimento

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