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Crise existencial na literatura no RN

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No tempo das startups a literatura do RN passa por uma crise nas estantes, nos leitores e nos escritores, assim interpretam o visionários do momento, que ainda não enxergaram as modalidades startups atuais. Uma crise existencial temendo o futuro, com histórias presentes. A somatização de ideias e comportamentos, criando a ideia do medo, de perder a cultura construída. A oferta de literatura é enorme e variada. Partimos da ideia que literatura não é apenas um texto bem escrito, acomodado em folhas encadernadas em capa dura, com letras douradas e desenhos atrativos em uma capa. A literatura está nas ruas, no corpo das pessoas e nos símbolos pintados no asfalto e nas calçadas.

Escritores inconformados com os resultados de seus textos transformados em livros, colocam em pauta em suas vidas, desistir de produzir literatura. Ameaçam escrever um epílogo em suas carreiras literárias. Acostumados com o que aprenderam na história literária do estado, não conseguem consolidar seus espaços. Já não existem Autas, Cascudos, Nísias e Zilas. Os nomes são outros, e não nomeiam as ruas. Não fazem parte do urbano ou de florestas.

Mas Natal não tem uma identidade. Primeiro estava ocupada por índios e era uma aldeia. Chegaram os portugueses, com ideias de vilas e cidades. Os holandeses fizeram parte da história, na disputa pela terra. Chegaram os navios, com jornais. livros e notícias. Chegaram os aviões com pilotos de nacionalidades diversas. Trouxeram um pedaço de metralha de Roma, dizendo ser um presente. E Cascudo apropriou-se de ideias, morava perto do porto e do roncar de motores. O apito do vapor ou do trem, traziam notícias e ideias. Os americanos construíram um quartel e uma pista, transformada em aeroporto. Deixam um título e um obrigado à cidade. Trampolim da Vitória à Parnamirim Feeld.

Natal não tem uma identidade própria, sempre foi influenciada por outros povos e aberta para o mundo, a Geni da história. E com interferências diversas, surge a necessidade de um renascimento constante. Natal a cidade do renascimento, ainda aguarda descobrir coisas ocultas, com a inversão de suas letras (NATAL). O elo perdido de Atlântida (ATLAN). ou o local de um Hub (LATAN), já prometido, mas que ainda não veio. A Barreira do Inferno aguarda inerte a continuação da história.

E a literatura atual disponível, vai além de seus usos e oferecimentos em livros. Filmes relatam uma literatura em uma tela. Filmes na TV aberta, na TV por assinatura, nos aplicativos com uma infinidade de filmes para assistir no computador, na TV em casa, na TV do bar ou em casas de amigos, ou ainda na telinha que cabe na palma da mão. Um leque de escolhas de títulos e modalidades de apreciação. No meio da rua, observado a janela do vizinho ou confortavelmente em uma poltrona, que com intervalos programados no controle pode se fazer uma passagem na cozinha, abastecendo pratos e copos com suas preferências. Melhores que pipocas. Um filme pode ser um relato ou uma interpretação, com diálogos e imagens, Aos olhos do espectador ou do diretor, mudam as ideias. Tanto na tela como na plateia existe um continuísta.

Ainda existe uma literatura por imagens, em condições estáticas, com fotos ou fotografias. A legenda das imagens pode estar na responsabilidade daquele que é o dono do álbum, e faz um relatos a cada foto observada. Nas modalidades estáticas impressas ou em tela, o observador ainda pode fazer links com suas ideias e imaginações construindo um enredo e construindo uma história, que talvez um dia seja narrada, ou pode ser perdida entre uma infinidade de neurônios sem ser transferida para outras mentes, com novas ideias e novas interpretações;

O rádio proporciona uma imagem para quem ouve músicas ou notícias. Relatos pessoais e entrevistas. Cada ouvinte constrói imagens e histórias a partir do que é escutado pelo rádio. A televisão vai um pouco mais além, oferecendo imagens, além dos relatos. O homem atual está cercado de literatura por todos os lados, nem fechando os olhos é possível fugir das imagens. Imagens na mente podem ser interrompidas por avisos sonoros: “Chegou uma mensagem”; É necessário abrir os olhos.

Nem tudo é real e nem tudo é verdadeiro. Nem todos possuem uma mesma capacidade de interpretação. Nem o mesmo ponto de vista. Nem todos possuem uma gama de conhecimentos para produzirem outras histórias, baseadas no conhecimento adquirido, conjugando com outras imagens e histórias. E esta é a principal função do conhecimento, criar outros a partir dos existentes, rumo ao infinito.

Só um supermercado pode oferecer produtos diferentes com marcas e qualidades diferenciadas. Mercadorias para diferentes gostos, possibilidades e posses. Um fato semelhante se dá com uma literatura impressa, como um produto de um supermercado. Um livro é apenas um produto diante de uma infinidade de mercadorias, construídas com letras, palavras e imagens; gestos e comportamentos avistados nas ruas. O corpo também é uma mídia que contém uma história. Basta saber ler e interpretar, o que está inscrito ou se quer insinuar.

Diante de uma heterogeneidade de pessoas com diferentes conhecimentos e modalidades aquisitivas, mais os modelos literários oferecidos, surge a necessidade do escritor de letras, palavras e imagens ajustar seu foco e identificar sua fatia, do grande bolo de informações que compõem o mercado. Existem saberes e sabores por toda parte. Mas é necessário identificar o cliente, conhecer seus gostos e sabores mais apreciados.

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