De urubus, corvos e similares

23 de janeiro de 2010 às 20:35 - Comentar
Por Rodrigo Levino

Nuns poucos dias de descanso nos arredores de Búzios e Barra de Tabatinga, entre o fim de 2009 e começo deste ano, me aprazia o vôo dos urubus, perenes por aquelas bandas, por causa dos restos de peixes deixados pelas redes dos pescadores ou trazidos pelo mar, mortos de variadas formas.

O bicho tem um vôo bonito que é danado. Quer dizer, vôo não, que aquilo é uma ode à preguiça. Arqueiam-se asas e plana-se adoidado a fáceis cem metros de altura. Deve ser gostosa a sensação.

De tanto assistir o espetáculo diário de às vezes dez, doze bichos desses, fui revirar literatura sobre o tema.

Diz o Houaiss que urubu é urubu (espécies Coragyps ou Cathartes) e corvo é corvo (Corvus), e que o parentesco do primeiro dá-se mais aproximadamente com a gralha (Pyrrhocorax graculus). Aceitando todos como bichos de pena e por causa disso apenas variadas formas de urubus, me vem logo à cabeça Edgar, o corvo de Poe, assim como algumas anotações de Roth e Murakami, sobre os bichos que crocitam, grasnam e voam bonito que é uma beleza.

Escreve o americano: Quem diz que o corvo é um bicho feio que come porcaria – e quase todo mundo diz isso – é maluco. Eu acho o corvo lindo. Acho, sim. (…) Como será que é voar? A gralha sobe lá no alto, mas o corvo parece que só vai aonde ele quer ir. Não fica voando por aí, de bobeira, pelo menos é o que me parece. (…) Deixa a gralha se encarregar de planar. Deixa a gralha subir até não poder mais, quebrar todos os recordes e ganhar todos os prêmios. Os corvos têm que ir de um lugar para outro.

Sobre corvos, conta Murakami: Com o nascer do sol, corvos vêm para a cidade em bandos para buscar alimentos. Suas asas negras e oleosas brilham sob a luz do sol. Para os corvos, essa questão de dualidade não tem importância. O que realmente importa para essas aves é garantir o alimento necessário para sua própria subsistência. (…) Os corvos emitem grasnidos ásperos e vão aterrissando em todos os cantos da cidade, num mesmo mergulho de aviões em bombardeios.

A respeito de urubus propriamente ditos, não tem lugar melhor para observá-los – tirar conclusões e tecer considerações – do que as falésias de Tabatinga.

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente