Dennis Hopper

30 de maio de 2010 às 19:06 - Comentar

Leon Cakoff*
Especial para o UOL

Confirma-se mais uma vez que os gênios se despedem do mundo dos vivos é mesmo nos fins de semana

Hopper é um gigante e fincará sua estátua no nosso imaginário de heróis transgressores e videntes. Ele deu sentido ao desejo reprimido a gerações de jovens que queriam mostrar suas caras ‘on the road’, desafiando paisagens e personagens diferentes de suas realidades adormecidas.

Bom, com a Mostra Dennis Hopper foi de uma humanidade e de uma solidariedade inesquecíveis. Estávamos na 8ª Mostra, em 1984, a primeira independente, fora das amarras e do manto protetor do Masp, com uma produção cheia de dificuldades. Tinha visto e adorado seus filmes “The Last Movie” e “Out of the Blue” seguidos a “Easy Rider” (“Sem Destino”). Convidei-o para vir a São Paulo temendo nem mesmo poder pagar a sua passagem na classe econômica. Mesmo assim lancei o convite atrevido.

Surpreendentemente, Dennis Hopper aceitou o convite, veio em econômica de Los Angeles a São Paulo e ainda trouxe na bagagem seus três filmes para exibir na Mostra.

Mais surpreendente ainda é que ele fixava seus olhos marejados nos meus olhos ao longo da Mostra e repetia que eu tinha salvado a sua vida. Sem saber, tinha sido a Mostra o primeiro festival a convidá-lo depois de um longo inferno astral que havia enfrentado com drogas pesadas, álcool, antidepressivos e tratamentos de choque em clínicas horrorosas, me dizia.

Voltamos a nos encontrar, por acaso, nas escadarias do Festival de Cannes de 1991, na exibição especial de “Truth or Dare” (aqui, “Na Cama com Madonna”), de Alex Keshishian. Dennis Hopper continuou se mostrando agradecido e feliz, exagerando imagino, mas carinhoso, dizendo que eu havia mudado a sua vida. Sapecou-me um inesperado beijo na boca para o espanto dos fotógrafos surpreendidos que gritavam para ele repetir o beijo. E repetiu.

Tinha o seu telefone pessoal e chegara a telefonar-lhe muitas vezes para convidá-lo a voltar à Mostra. “Não posso, não posso, não paro de trabalhar, me dizia se desculpando”. E rindo, emendava: “a culpa é sua”.

(Leon Cakoff é diretor da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo)

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    Vento nordeste
    10-02-2012 às 7:14 - Comentar
    Por Oreny Junior

    sopra
    meu vento nordeste
    sou todo seu
    feito de sol e sal
    visto as velas
    desse cais cansado
    que tanto me espera
    levado pelas caiçaras
    nos lemes canguleiros
    sopra
    meu vento nordeste
    a amada me aguarda
    o rancho está vazio
    aproveita a baixa da maré
    e me atraca
    joga essa âncora
    onde o tempo
    por uns dias
    será meu amigo
    sopra
    meu vento nordeste
    sopra
    sopra
    ..

    COMENTÁRIOS

    • Marcos Silva: Certamente, existem ONGs sérias. Infelizmente, a desqualificação geral tende a se tornar corriqueira. Lembro que ela aparece com todas as letras no filme Tropa de elite (I). - Brado retumbante
    • Marcos Silva: No diálogo de 2010 sobre esse tema aqui, SP, considerei o direito do feto como especialmente frágil, uma vez que é uma vida ainda sem voz. Prefiro que haja debate sobre esse e outros temas. Não procuro convencer ninguém. Apenas considero fundamental ocupar o espaço público com argumentos em confronto, evitar a política de cada macaco em seu galho. Sou homem, não engravido. Mas posso engravidar uma mulher. Para evitar isso, tomo as providências necessárias (camisinha, em especial). Se engravidasse alguém, defenderia o feto, sim - parte de mim, parte do direito ao meu corpo. Melhor conversar. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Marcos silva, discordo. O tema do aborto é tão absurdo que nem sequer deve ser debatido. Você não percebe que isso é exatamente o que os abortistas desejam? Eles desejam pôr em discussão um assunto que até então é evidente: a vida humana ganhou um valor intrínseco com o Cristianismo (todos são filhos de Deus, todos são irmãos), mas agora os que querem erradicar Cristo da sociedade estão querendo justamente questionar esse valor, "discuti-lo". Seria o mesmo que você propor que o tema da pedofilia é muito sério e precisa ser debatido, ou então que como alguns seres humanos têm tendência homicida, deveríamos debater o homicídio. A discussão em si já questiona o valor, e eu te asseguro que as pessoas que propõem isso sabem o que estão fazendo, porque eu estudei com essa gente que quer manipular a linguagem para mudar a sociedade. Elas nunca vão apresentar suas reais intenções, porque tais intenções não atrairiam ninguém, causariam repugnância. A propósito, desculpem-me: nos comentários anteriores errei o endereço. Querem ver se o aborto é algo a ser discutido? Assistam a esse vídeo: abort67.co.uk Abs - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Yuno Silva: Pelo visto dá para ver que o assunto é polêmico, cultural, um tabu histórico, e abordado com o lado emocional da racionalidade. Deixemos a cristandade de lado para um debate amadurecido. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Carmen Vasconcelos: Grata, Anchieta. - Avoengo
    • Marcos Silva: Walter: Entendo que o grande equívoco foi terem implantado uma ditadura no país. Objetivamente, os guerrilheiros do Araguaia e outros não tinham poder de fogo para o enfrentamento com um Exército regular e minimamente equipado, que sustentatava o regime. Mas a guerrilha anunciou, tragicamente (porque muita gente morreu e sofreu - e não só os guerrilheiros propriamente ditos), que nem tudo era ditadura. Não anunciou sozinha, claro. Parte da produção artística (música popular, artes visuais, teatro, cinema, literatura) também o fez. A mesma situação se observou nos movimentos sociais que foram se estruturando contra o regime. A "milicada" não precisava de treinamento, já era bem treinada e o demonstrou desde o começo do regime, oprimindo os adversários. É possível que a guerrilha tenha servido como álibi para o regime. Mas uma ditadura, quando não tem álibi, inventa, como o Nazismo o fez em relação aos judeus. - À sombra da ditadura
    • Clarissa Torres: Paiva, texto incrível! Que alma atormentada e corajosa. Realmente, a imagem é igualmente perturbadora e por isso belíssima. Me lembrou Ego Schiele. - Rita louca
    • Jarbas Martins: Seja apocalíptica, não, Paglia.Tenha medo não. De hora em hora Deus melhora. - Camille Paglia, em entrevista recente
    • Jarbas Martins: Sai dessa, M.Couto. - À sombra da ditadura
    • Jarbas Martins: Tô contigo, Alex. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”