Do aborto
15 de janeiro de 2010 às 11:48 - ComentarPor Sergio Vilar
Tácito, tenho acompanhado os relatos a respeito do aborto. O tema é delicadíssimo. E eu, que acesso este site diariamente, exponho meu corpo de braços abertos às pedras justo nessa seara. E para que joguem logo a primeira, afirmo: sou contra o aborto. Não por religião, nem pelo sentimento de culpa tão enaltecido na obra dosteivskiana. Muito mais em defesa da vida e de um parâmetro mínimo de responsabilidade. É opinião sem radicalismos.
O texto da “Marina” é espelho do que escrevo. Três abortos! E sob justificativas contraditórias, e sob condições precárias, segundo ela mesma. Isso é certo?
Quando peço responsabilidade, penso nos inúmeros contraceptivos e propagandas de conscientização, afora o conhecimento dos ciclos naturais da mulher. Tudo bem, todos temos lá nossas irresponsabilidades, mas arcamos com as consequências na maioria das vezes. O tamanho da nossa falha é quase sempre proporcional ao prejuízo herdado.
Veja que ela abortou por dependência financeira da mãe, ainda estudava, etc. Talvez seja o motivo da maioria dos casos. Depois houve outro aborto quando já morava com um rapaz. Então, não tem limites? Pode-se brincar com a vida dessa maneira sob o argumento da “livre escolha”?
Quando a Marina afirma que “não teve escolha, mas a falta de”, ela esquece que havia uma escolha antes da relação. Usar ou não preservativo? Transar ou não com ele? E aí também a responsabilidade do parceiro.
Somos (des)humanos, como ela afirmou? Somos. Somos contraditórios? Somos. E incompletos? Mais ainda. Mas se somos isso tudo podemos fazer o que quisermos e tudo bem?
Em outra passagem, Marina argumenta que “em se tratando de seres plurais com diferentes formações, visões e inserções culturais diversas, deveria ser assegurado que cada mulher pudesse agir de acordo com sua consciência”. Permita-me: a diferença de caráter, personalidade, educação, formação, cultura ou o que for responde a leis ou o moral. Há que existir parâmetros de controle mínimos. Ou essa diferenciação salutar vira justificativa para inúmeros delitos.
Reafirmo: minha opinião foge dos preceitos religiosos. E há casos passíveis de discussão. Mas lembro de uma frase notória de Dostoievski: “Se Deus não é existe, tudo é permitido”. Talvez a frase resuma o que pretendo argumentar. E lembro só que Isso aqui não é julgamento. Longe disso. Apenas uma opinião contrária.


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