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27 de janeiro de 2010 às 8:24 - Envie para o twitter

Do crepúsculo do formato “livraria”

Por fernando monteiro

Gostaria de aproveitar esse assunto do livro de Samarone Lima (“Viagem ao Crepúsculo”) nas livrarias de Natal – segundo o próprio, em diálogo com S. Vilar -, “só se houvesse procura nas livrarias que provocasse a solicitação” etc etc, para abordar uma mudança no ramo livreiro, aqui no Brasil, que talvez ainda passe despercebida de muita gente, neste momento.
Trata-se do seguinte: a maior parte das livrarias brasileiras, hoje em dia, só querem o “bem-bom” do RISCO ZERO.
Ou seja, nenhuma margem de apostas. Isto é, elas só se interessam em vender aquilo que naturalmente já está
“vendido”. Quer dizer, os livros que estejam “na mídia”, por ser de autoria de Chico Buarque, por exemplo, ou por algum personagem da “novela das oito” (da Globo, é claro) ter aparecido, num capítulo, lendo o dito cujo etc. Qualquer coisa desse tipo.
Ou, então, por ser um livro que se proponha a fazer a revelação “final” sobre o acidente que matou Lady Diana, ou que contenha a confissão palpitante do homem dos dólares na cueca (ou nas meias), essas coisas.
Se não for algo assim – ou então um bestseller americano tipo “Código da Vinci” (melhor ainda, pra eles) que virou filme -, um livro só estará nas estantes das livrarias (na maioria) de “shoppings”, se se der esse caso referido pela informação do Samarone ao Vilar: caso haja “procura nas livrarias” que provoque “a solicitação da remessa”.

Uai, mas como é que as pessoas vão procurar, e ler e informar ao outro (no popular “boca-a-boca”) que o livro “X” ou “Y” é um livro bom, se a tal obra não se encontra presente nas estantes das casas comerciais livreiras, para você topar com ela???????????
Respostas das [atuais] livrarias:
Sei lá!
Não quero saber.
Só vendemos o que já está garantido que será vendido. Simples assim.
“E o que ainda precisa de ser conhecido para poder ser vendido?”
Livrarias:
“A gente num quer saber, não. Virem-se. O aluguel dos espaços dos shoppings é caro, os livros são caros, as editoras não fazem mais consignação, e, enfim, gente tá se lixando para o leitor que vem em busca de algum livro pra ler, sem saber, ainda, qual livro vai ser”..
Bom, pessoal: é assim que está funcionando a coisa, atualmente. Se você quiser um determinado livro, tem que ir lá e “e-n-c-o-m-e-n-d-a-r”. Talvez chegue. Talvez não chegue.
E muita gente, muitíssima gente a encomendar um livro, todo santo dia, aí então é possível que as livrarias “moderníssimas” façam a encomendazinha de um título que esteja sendo bastante (e bota “bastante” nisso!) PROCURADO…
Isso – me dizem – é o Mercado (hoje em dia). Tudo é “sob demanda”, sacaram?
EM TEMPO:
Por favor, quem tiver uma passagem em máquina-do-tempo sobrando (contanto que seja para o século XIX ou XVIII), me diga que eu compro.
Quero sair, urgente, do século da “sob demandice”: este 21, que só se consegue suportar com a “51″ (não é, Lulinha?)…

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