Crônicas e Artigos

Do tempo que se vive

fernando-antonio_do-tempo-que-se-vive

O ano já está avistando o outro. Chega dezembro e logo os dias correm em direção ao dia primeiro do novo ano. Há, de certo, um sentimento diferente nos dias que se passam… Para uns, de saudade; para outros, de fraternidade; para a maioria, um bom contágio de votos de esperança, paz e felicidade que vão e voltam.

Para o Seridó que a gente ama o tempo também é de olhar para o céu em busca de perspectivas de chuvas. Agora, com a internet e outros mais recursos tecnológicos, também procuramos entender nas telas do telefone e do computador as fotografias do satélite.

Para quem já opinava sobre quase tudo – de futebol, religião a política – falar de meteorologia não é tão impróprio. Muitos estão animados, mesmo tendo consciência que o nosso período invernoso não começa agora, mas toda chuva é necessária e benfeitora de vida.

O fato é que final de ano é começo de esperança, sobretudo, pelas notícias de chuvas no Maranhão e Piauí. Quando fevereiro chegar, mesmo o Brasil cheio de catabilhos, se chover no sertão, a gente escapa! Quem conseguir chegar vivo ao inverno vai ser recompensado.

O pecuarista, em particular, que à custa de muito trabalho, segurou o peso do boi, vai ter um faturamento um pouco melhor para atravessar os meses seguintes que, pela previsão de quem estuda economia e política, pode ter de tudo um pouco, de marmota a assombração, tal o estoque de notícias ruins que dizem ainda existir.

Mas, se baixarmos a guarda, o sopapo pode ser maior. Para os cristãos, que a alegria seja a força e, mesmo para os de menos fé, que o derradeiro suspiro ainda seja de otimismo. A alegria contagia e, alimentada por um bom inverno, se agiganta.

As coisas do mundo não estão de fácil convivência, entretanto, se nos afastarmos do combate o mal avançará ainda mais. Com a alegria, para uns; com otimismo, para outros, o bom combate precisa ser enfrentado e a passagem de ano tem uma mágica de revigoramento, pela fé ou pela tradição, que deve ser aproveitada.

E mais: quem aproveita melhor o tempo presente consegue diminuir a velocidade do dia e alongar a vida.

No mais, o tempo também inspira solidariedade. A miséria e a escravidão ainda estão presentes. A solidariedade agora é importante, mas não deve nos acomodar amanhã. No novo ano milhares de pessoas continuarão precisando de ações que minimizem os efeitos da pobreza extrema. Cada um, a seu modo e crença, em regra, pode fazer um pouco mais. E, mesmo não podendo fazer muito, se o assunto incomoda, já é um bom começo. O pior é indiferença.

Assim, sem muito arrodeio, é bom viver o tempo que se vive, com a larga esperança que o inverno chegue generoso o quanto antes, mesmo antes da quadra tradicional de chuvas, e pinte de verde a caatinga e faça soar o hino sagrado cantado pelas águas que passam pelos sangradouros dos açudes de todos os sertões do Nordeste, inclusive, no meu e no seu!

Share:
Fernando Antonio Bezerra

Comentários

Leave a reply