Eastwood chega aos 80 anos, íntegro e coerente

31 de maio de 2010 às 17:28 - Comentar

Por Inácio Araújo
UOL

E hoje, nem bem eu havia acordado, o Giannini me liga em estado de euforia: “Sabia que hoje o Clint faz 80 anos”? E daí?

O Manoel de Oliveira está com 102. E este parece ser o ano dos 80 anos. Chabrol em junho. Godard em dezembro.

Mas, ok, existe algo especial no aniversário de Clint.

Ele me lembra uma coisa que disse Rossellini: o mais importante para um diretor de cinema é manter-se livre.

Diante de um colega que se queixou da falta de liberdade que sentia, Clint respondeu mais ou menos o seguinte: ninguém te obriga a nada.

Quer dizer: a liberdade é uma batalha. Não tem essa de ficar reclamando pelas costas e dizendo sim senhor ao produtor.

Isso é o que mais me impressiona no Clint. A imensa coerência. Ok, ela é maior e mais irretocável hoje. Mas as coisas em que acredita ou acreditou estão em seus filmes desde “Play Misty for Me” (Perversa Paixão), sua estréia como diretor, em 1971, por aí.

Ora, elas estão de forma ainda mais intensa.

“Gran Torino” (foto), para ficar com sua obra-prima mais recente, é uma retomada de parte considerável de sua vida. É uma espécie de Dirty Harry renascido num subúrbio de Detroit, mas agora incapaz de conceber a salvação do que quer que seja por sua ação.

Nada. Existe decadência, desindustrialização. Existe perda de um espírito que fez a grandeza da América e que o veterano de guerra acredita que está dita cuja, na guerra, na discriminação, na negação do outro.

Mas é o perfeito contrário: é na aceitação da convivência que está esse espirito, porque o americano puro que ele julga ser não passa de um Kowalski, de um polaco. Não é tão diferente de chineses, latinos, coreanos.

O que existe agora, para esse moralista que é Clint, é uma derrota da civilização.

Não há herói que reponha as coisas nos eixos, a não ser nos filmes 3D, nas HQs, nessas fantasias.

Ser fiel a si mesmo, ser fiel ao mundo que conheceu, ser fiel ao cinema, evocar essa grande tradição da imagem na América, essa é a tarefa a que Clint se designou.

Não, não é fácil chegar íntegro aos 80, não nos EUA, onde a indústria existe para boicotar cada autor, para dobrá-lo. E Clint chega com a força de seus pistoleiros.

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    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

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    • Roberta Aymar: Beleza e Proibição... coisas necessárias e, ao mesmo tempo, contingentes nas curvas dos "Plurais Substantivos"... Eu que agradeço, João. - A Viúva Negra
    • João da Mata: domingo é dia de fazer niente nem tente! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: O inquisidor Um dia ele organizou um livro e não selecionou Outro dia ele foi o júri de concurso de poesia e não entrei nem na menção honrosa. Outro dia eu quis abortar e ele disse não pode mas foi taõ bom!. Não pode! Depois disse que e eu não sou Outra vez disse conheço a lei Sou procurador. Como juiz ele errou Como cristo acho que não voga - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Marcos Silva: Alex: Faltou acrescentar que Maria engravidou sem contato sexual com José por vontade de Deus, não é? Dessacralização do coito, embora Deus deva ter pênis e bolsa escrotal pois Adão foi feito a sua imagem e semelhança, e Eva tenha recebido vagina por obra e graça de Quem a fez. Jesus não engravidou porque não quis. Nem precisaria ser inseminado por outro homem, Ele poderia inseminar-Se, se o quisesse, ou Deus poderia usar o mesmo procedimento ocorrido em relação a Maria. Nada disso se deu, pelo que se sabe e que vc, gentilmente, nos trouxe à lembrança. Quanto a Maria Madalena, nada sei. O conhecimento histórico sobre o tempo dela e de Jesus é muito limitado (alguma coisa a partir de Arqueologia), os Evangelhos são escritos de devoção, não propriamente fontes literais de informação (ou são informação sobre eles mesmos). De qualquer maneira, muito obrigado pelas preciosas informações. Aproveito para lembrar que uma coisa é o Cristianismo ideal (todos filhos de Deus etc.). Outra coisa é o Cristianismo histórico, como Cruzadas e Inquisição bem o demonstraram: ou os hereges não eram filhos de Deus (quer dizer: nem todos o são) ou, se o fossem, mereciam morrer por desagradarem aos representantes do Pai. Até Leonardo Boff, há poucos anos, foi punido pelo órgão que ocupou as funções da Inquisição na Igreja Católica, submetido a "Silêncio obsequioso", não é? E durante o Nazismo, o Vaticano manteve um silêncio nada obsequioso diante do Holocausto... Mas diga-se a favor de alguns membros da Igreja Católica (não do Papado) que muitos deles apoiaram os perseguidos pelo Nazismo e até morreram em campos de concentração, como Claudio Galvão estudou, a partir de um caso específico, no livro "Campo da esperança" (EDUSC). Mas Nietzsche já ensinou: a Morte de Deus não é papo para beira de piscina, é um acontecimento mais que gigantesco. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”