Poesia

Eles me Querem

napoo

Dar o corpo a quantos quisessem,
cedê-lo – se for mais apropriado assim dizer, gastá-lo, esfregar em avulsos sexos despudorados, enterrá-lo no gozo mais profundo, latejante,
sem nuvem de remorso,
ou coisa parecente.

O prazer bebido em taças de cristal cada vez mais esbarrotadas,
satisfazendo não só a vontade de beber, comer, mas de lambuzar-se, e vomitar depois.

Um dia, ao que parece já escrito, havia eu acalentado provar desse veneno bom,
não sei se em sonho,
em sonho de olho aberto,
de excitação da carne,
ou simplesmente querido mesmo todos esses sambas para minha vida.

Quiçá intuísse que seria melhor assim.

Para o lugar inteiro, esse cafundó de maldizentes, havia eu caído na vida, mas para mim caíra tão somente nas garras moles da liberdade,
o que, francamente, não sei dizer qual dos dois bichos desembestados o mais difícil
de puxar as rédeas.

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