Poesia

“En passant”

palacio

Passam os tzares
Catarina I, Catarina II, a Grande (de amores intensos)
Pedro, Ivan, Alexei, Nicolau
passaram nas armas, sem necessidade
Olga, Tatiana e Anastássia
todas três belas meninas
inclusive o infante, sua roupa cravejada de diamantes.
Passaram todos
na sofreguidão das alcovas
na indolência dos palacetes
na euforia das guerras que começam
e na comemoração da paz anunciada pelos armistícios
no sangue que respinga dos patíbulos
na opulência eternamente feita para escandescer
a fome dos pobres sempre sem vez.
A Terra, nosso planeta, nunca deixou de girar
nos séculos de ouro
nos milênios perdidos
deixando para trás
dia após dia
ano após ano
um rasto de paixão e ódio, vaidade e tolice
que lhe sucede
como a poeira cósmica de um cometa perdido.

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