ENFIM, DIZER
12 de agosto de 2010 às 18:39 - 1 ComentárioEu chorei. Chorei.
Como O Idiota de Dostoiévski a contemplar a arte
d’O Cristo crucificado e sentir medo
de a humanidade nunca mais ter fé;
Como pela prima hora ser fodida pelo pai
- imagem fidedigna da virtude;
Como, aos treze anos, se estatelar na calçada
ao encontrar no chão as Incompletas de Nietszche
- a realidade não como verdade cristalina, mas representação cristalizada;
Como sonhar Van Gogh, a menina Alegria
a correr nos trigais para o Homem dos Girassóis
- a menina Melancolia que está só com um girassol;
Como cheirar, entre os dedos, um sexo barroco
- sensual, brutal, das primeiras auroras enlouquecidas;
Como ver, ver, ver O Idiota de Kurosawa
a espantar, alumbrar o Olhar em poesia.
Nunca mais.
Eu chorei. Chorei.
De pavor, desespero, alegria:
Nunca mais
ver o mundo com os mesmos olhos
[...] -> (fragmento censurado pelas cem mil virgens suicidas)


1 Comentário
adoro esse tom confessional de tua poesia.que é a raiz da poesia, desde Odisseu e suas queixas, não ? beijos.