Entrevista com Nélida Pinõn

23 de fevereiro de 2010 às 17:31 - Comentar

Por Janilson Carvalho

A grande escritora Nélida Pinõn em recente entrevista a ISTOÉ analisou o processo cultural vigente no Brasil e comentou a importância da educação para uma possível evolução ou mudança. Para que isto ocorra, pais, professores e intelectuais precisam assumir papeis de guias. Não incluo aqui governantes, nem políticos, pois sabemos, com raríssimas exceções, do que são capazes para consolidar a ignorância e a pobreza na população carente. É de lá que sai a sua força política inesgotável.

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ISTOÉ – Esse processo é reversível?

Nélida – Certamente. Esses ditames são revogáveis.Hoje alguém pode ter um comportamento intransigente quanto a um universo que poderia ser considerado anacrônico, e, de repente, através de um fenômeno sociológico , a juventude pode se voltar de forma apaixonada para sua história.Pode haver uma reversão.

ISTOÉ – Essa reviravolta viria dos jovens?

Nélida – Os jovens são massacrados por um tipo de arte repetitiva. Há muito tempo a criação brasileira está imersa no esquecimento, por conta do rock, do pop. As letras das músicas são de uma pobreza, de uma indigência extraordinária. Dificilmente surge um grande letrista. A arte brasileira tem vôos extraordinários. Não defendo que nos fechemos. Sou uma mulher que tem paixão pelos gregos, pelos clássicos. Todos os grandes autores da civilização ocidental me aperfeiçoaram, mas não afugentaram minha índole pátria. Nunca dei às costas a realidade brasileira.

ISTOÉ – Isso faz o público ficar embrutecido?

Nélida – O que está em pauta é uma existência acelerada, sem tempo para refletir. Não é só no Brasil. Isso se alastra pelos outros países. Só que eles têm uma infraestrutura cultural muito sólida, grandes universidades , grandes bibliotecas, grandes museus, estão mais preparados para levantar muros e permitir que a banalidade se expresse, mas não derrube as muralhas de Jericó. O Brasil tem muitas fragilidades culturais, é um país onde a leitura é uma raridade.

ISTOÉ – Mas há avanços. Reduzimos o analfabetismo, por exemplo.

Nélida – Isso é muito relativo porque as pessoas não entendem o que lêem. A leitura induz a processar o conceito. Se ao ler você não entende o que alguém está dizendo e se não exerce a crítica diante do que lhe está sendo dado , não aprende e passa a ser apenas um escravo da informação.

ISTOÉ – Qual é a solução para esse problema?

Nélida – Eu enfatizo a educação.E uma educação que não queira manter a infância pobre no gueto.Porque há uma tendência, em nome de uma falsa valorização da origem da criança, de dar somente o que já seja do meio dela. Não. Esses pequenos, seja qual for a origem, devem ser tratados como aristocratas. A educação dessa criança brasileira, “pobrinha”, que já sofrem terríveis transtornos sociais , deve criar condições para ela ser tratada como se fosse de classe média alta.

ISTOÉ – Como a sra. avalia as condições atuais da educação brasileira?

Nélida – Hoje, muitos alunos vão para escola e saem sem saber nada. É preciso também dar condições de saúde, comida…Se uma criança mora num barraco com oito pessoas e sem essas condições, não vai estudar. Vai apenas sobreviver.

Comentários fechados.

AGENDA

  • Pinacoteca está com Edital aberto para ocupação das Salas de Exposições

    Artistas plásticos e visuais ainda podem se inscrever no Edital de Ocupação das Salas de Exposição da Pinacoteca Potiguar para todo o ano de 2012.

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  • Rede Cinemark exibe direto de Londres a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House

    Espetáculos serão transmitidos em mais de 30 complexos espalhados pelo Brasil, sendo dois ao vivo. Natal-RN participa da programação e os ingressos já estão à venda

    A Rede Cinemark traz para o Brasil, com exclusividade, a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House (ROH), de Londres, a partir do dia 25 de fevereiro.

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  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente