Entrevista com o escritor Aluísio Azevedo

Tácito Costa
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Nesta terça-feira, 07, às 19 horas, será lançado no TCP – FJA (Teatro de Cultura Popular) o livro “Literatura Brasilis – Colleción Potiguar”. Na entrevista baixo, o escritor Aluísio Azevedo Filho fala sobre a obra, organizada por ele, sobre a viagem de comitiva de autores potiguares a Cuba, para participar da Feira Internacional do Livro de Havana, e do papel do Fórum Potiguar do Livro e da Leitura.

Como nasceu este livro?

Da necessidade de apresentação da nossa literatura na Feira Internacional do Livro em Havana, Cuba. A partir do momento em que nos foi atribuída a responsabilidade de representar o Brasil, ocupando stand próprio de 25 m2, foi impositiva a edição de um livro bilíngue. Não poderíamos nos apresentar nesse evento, sem levar trabalhos traduzidos para a língua do país anfitrião.

São textos de ficção e de poemas? Quantos?

Uma coletânea de 46 poemas e 7 contos. Todos traduzidos para a língua espanhola, um trabalho delicado e cuidadoso, realizado pela Professora Maria Velasco.

terrraSerá vendido, a quanto?

No evento de lançamento, serão disponibilizadas duas versões da obra. A primeira, uma edição de luxo, capa dura, série exclusiva, numerada de 1 a 200, preço de R$ 70,00; a segunda, uma versão comercial, papel pólen, capa comum, a R$ 40,00. Os recursos levantados serão destinados à cobertura das despesas editoriais e de tradução da obra.

Quem participa da coletânea?
Trata-se de uma seleção de textos que expressam a produção literária do Rio Grande do Norte, desde os escritores precursores aos contemporâneos. Nela, encontraremos autores clássicos como Zila Mamede, José Bezerra Gomes, e Newton Navarro. Da produção contemporânea, foram contempladas as figuras referenciais de Diógenes da Cunha Lima, Tarcísio Gurgel, Dorian Gray, Jarbas Martins, Diva Cunha. Poetisas de valiosa produção se fazem presentes. Destaquemos Salizete Freire, Marize Castro, Carmen Vasconcelos, Anchella Monte, Iracema Macedo, Jeanne Araújo, Diulinda Garcia, Leocy Saraiva e Maria Maria Gomes. Jovens escritores também foram lembrados. Gonzaga Neto, Ada Lima e Regina Azevedo demonstram o vigor de seus versos. Uma grande mescla de tradição com jovialidade. João Andrade, Cefas Carvalho e Ruben G Nunes são exemplos de premiadíssimos escritores pertencentes a gerações distintas. Numa reverência à poesia concreta e ao poema processo, Horácio Paiva, Anchieta Fernandes, Marcos Campos. Acrescentemos a prosa qualificada de Osair Vasconcelos, Damião Gomes, Júnior Dalberto, Márcio Benjamin e Ângelo Girotto.
Não esqueçamos de citar, ainda, homenagem à romanceira Militana, com versos de Rosa Régis. A poesia relevante de Marcos Cavalcanti, José de Castro, Anchieta Rolin, Marcos Medeiros, José Acaci e Aluísio Azevedo. Poemas musicais de Carlos Zens, José Martins e Antônio Ronaldo. Conjunto harmonioso e irresistível. Um convite à boa leitura.

Quem são os escritores que irão à Feira Internacional do Livro de Havana? Fale sobre esse evento literário.

Ficcionistas: Damião Gomes e Aluísio Azevedo; poetas: David Leite, Marcos Campos, Marcos Cavalcanti, José Martins, Crispiniano Neto; poetas musicais: Carlos Zens e Antônio Ronaldo. Professores com livros técnicos e pedagógicos também se agregam ao grupo.
A XXVI Feira do Livro de Havana, que terá como país homenageado o Canadá, acontecerá de 09 a 19 de fevereiro deste ano, com sede principal na Fortaleza de San Carlos de la Cabaña, expectativa de milhares de visitantes cubanos e de todo o mundo.

O que está sendo levado à Feira?

Além da coletânea LITERATURA BRASILIS – Colección Potiguar, estamos levando à FIL-Havana livros cedidos especialmente por autores potiguares. Anchela Monte, Carmen Vasconcelos, João Andrade, Paulo Caldas Neto, Marcos Medeiros, Roberto Lima, Josimey Costa, Ricardo Dantas, Diulinda Garcia, Jânia Souza, Cleudivan Jânio, Marcos Girão, Maria Maria Gomes, Damião Gomes, Isabel Melo, Lívio Oliveira, Gláucia Marilac, Iracema Macedo, Maria Rocha Girão, Fátima Feitosa e Júnior Dalberto já deixaram suas obras conosco.
Instituições, como a União Brasileira dos Escritores, Seção RN, a Editora da UFRN, a Editora do IFRN, e a Fundação José Augusto também cederam livros.
Os livros recebidos serão expostos no stand do Brasil, e também destinados a depósito, em doação, a instituições culturais cubanas, como a Biblioteca Nacional e a Universidade de Havana.

Qual o papel do Fórum Potiguar do Livro e da Leitura na edição do livro e na viagem à Cuba?

A Edição do livro contou com grandes colaborações. Destaquemos a Editora CJA que acreditou no Projeto. A Gráfica Offset, uma parceira fundamental à realização do empreendimento, em tempo recorde. Instituições como o SEBRAE-RN, o IFRN, o SETURN, e a Fundação José Augusto colaboraram com a produção da obra.
O Fórum, por sua vez, foi o coletivo agregador de todos os participantes. Mesmo que as iniciativas se tenham originado do desprendimento individual de colaboradores, a partir de certo momento, o FLEB-RN tornou-se a liga necessária para ajuntar, de forma cooperativa, escritores, artistas, professores, e outros atores, todos imbuídos de objetivos convergentes. Sem o FLEB-RN, não conseguiríamos transformar em realidade o grandioso empreendimento que sonhamos e imaginamos.
O projeto de participação na feira internacional teve grandes e importantes colaboradores. Precisamos apresentá-los, na ordem cronológica de suas participações. O FLEB-RN foi o primeiro a amparar os visionários (quase loucos) interessados nesta empreitada internacional; em seguida, a agregação da Casa de Amizade Brasil-Cuba, com a colaboração do incansável Olavo Queiroz; Veio a Frente Parlamentar do Livro e da Leitura no Senado, na pessoa de Fátima Bezerra, que inclusive se incorporou ao grupo, e também viajará com a Comitiva; a participação da senadora – registre-se – foi fundamental para que a Embaixada Cubana no Brasil se incorporasse ao grupo de apoiadores; a Cônsul Geral Laura Pujol também colaborou nas tratativas com os órgãos oficiais cubanos; e, mais recentemente, de forma decisiva, a Embaixada Brasileira em Cuba e o Ministério da Cultura do Brasil passaram a nos apoiar, de forma extremamente dedicada e atenciosa. Ressaltemos, ainda, todas as intermediações do Professor Osvaldo Balmaseda, Diretor da Faculdade de Letras e Artes da Universidade de Havana.
Em nenhum momento, o grupo recebeu apoio financeiro. Todos os custos de passagens e hospedagem serão pagos pelos próprios integrantes da comitiva. Contudo, em razão da participação significativa de seus docentes, inclusive com programação específica para eventos pedagógicos na capital cubana, o IFRN está fornecendo o traslado de Natal até o aeroporto de Recife, onde a delegação realizará seu embarque internacional.

O que mais está sendo pensado para 2017?

Creio que a experiência de participação numa feira internacional, após a agregação de tantos esforços e diferentes forças, poderá nos deixar um legado importante. Certamente, aprenderemos um pouco mais sobre o valor da cooperação, da solidariedade, em prol de objetivos nobres e decentes. Quem sabe, compreendamos que somos decentes. Apesar das alopradas manchetes de jornais.
Vivemos num país dividido, em pedaços distintos, em guetos. Cidadãos enclausurados em redes sociais. Pessoas que se negam a tolerar. Que buscam o conflito, a violência, como forma de autoafirmação.
De repente, conseguimos provar que não há tantas diferenças, quando os fins e os meios são corretos, dignos, quando os estímulos e as participações são construtivos.
Pensamos, assim. E continuaremos, assim, persistentes.
Porque somos a criança josé-bezerreana, meninos corredores, correndo em busca da sombra de remansos voadores.

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Tácito Costa

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