Entrevista com Paulo Neves
19 de dezembro de 2009 às 9:22 - ComentarCultura – Gostaria de focar esta entrevista no seu processo de criação poética. Você poderia começar comentando, de uma forma mais geral, como percebe a poesia, hoje, no Brasil?
Paulo Neves – Vou começar pela segunda parte da pergunta, tentando resumir um tema muito amplo. A poesia sempre gozou de certo prestígio na sociedade, mesmo sendo uma atividade marginal. Essa situação parece ter mudado nas últimas décadas. Editam-se proporcionalmente menos livros de poesia e é raro que se fale dela fora das universidades. Quase não há mais revistas ou suplementos literários. É verdade que na Internet estão surgindo muitos sites de poesia, sei mesmo de poetas que põem esperança nesse novo campo. Mas o que observo (e isso vale para toda a Internet) é que ficou mais difícil de avaliar o que se produz, não só por causa da dispersão, mas porque a nossa época tende a valorizar a expressão em detrimento da invenção e da crítica. E isso é problemático para o fazer poético, ainda mais quando se sabe que este não é uma atividade puramente solitária mas envolve um diálogo com o mundo, diálogo que hoje me parece diminuído em comparação com o passado.


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