Amigos e amigas:
Recomendo a todos a leitura da entrevista de Fabio Konder Comparado sobre cotas raciais. Embora eu tenha restrições ao critério de raça e deteste a cobrança de provas de cor, entendo que a questão é muito séria e Comparato argumenta com extrema ponderação. Assistimos a uma ofensiva do DEM e de outros setores conservadores brasileiros que negam a existência de racismo entre nós (ouviu, Lima Barreto? ouviu, Elza Soares?) e invocam critérios meritocráticos no acesso à universidade pública, como se quem tem pele escura não tivesse méritos. Comparato lembra que a população negra beneficiada por cotas também é obrigada a fazer vestibular e que seu desempenho tem se revelado rigorosamente igual ao dos não-negros.
Trabalho numa universidade pública – USP – onde cotas dessa natureza não foram implantadas, embora, timidamente, tenha começado uma política de pensar em uma reserva de vagas para os que estudaram em escolas públicas. É um passo. Enquanto a universidade pública não puder atender a toda a demanda existente, é preciso pensar em critérios de democratização de suas vagas que são… PÚBLICAS.
Quanto ao DEM e a seus aliados: por que não abrir o jogo e declarar simplesmente que estão satisfeitos com as iniqüidades existentes no Brasil, que tanto os beneficiam? Não precisa conspurcar a memória de Gilberto Freyre para defender a opressão reinante.
Abraços a todos e todas: