Equívocos sentimentais

12 de março de 2010 às 16:26 - Comentar

Carta Capita
Da redaçao

O presidente lula equivoca-se no caso dos dissidentes cubanos em greve de fome (um deles morto em consequência da decisão). Primeiro, por insistir em opinar sobre o assunto. Depois, por usar argumentos que não têm sido válidos em outras ocasiões. Quando metalúrgico, Lula valeu-se da greve de fome para denunciar os arbítrios da ditadura. Se mudou de ideia a respeito do ato, como afirmou o chanceler Celso Amorim, é uma questão pessoal- e não pode servir para condenar quem ainda acredita neste instrumento de protesto secularmente adotado de leste a oeste do planeta.

A dita esquerda brasileira (e Lula, que diz não ser de esquerda, parece ter embarcado nesta) tem usado de certa leviandade em relação a Orlando Tamayo (o morto) e o jornalista Guillermo Fariñas, atualmente em greve de fome. Insinuam tratar-se de presos comuns e pedem respeito à Justiça cubana. Da mesma forma a ditadura brasileira tratava seus dissidentes, tachados de terroristas e bandidos. Muitos responderam a processo criminal, mas nem por isso é possível levar a sério a pantomima armada nos tribunais durante o regime militar. Cuba é um ditadura. Portanto…

Parte da esquerda, se assim podemos chamá-la, comporta-se como espelho da mídia tradicional que tanto critica. Até os cactos do Semiárido estão secos de saber: os meios de comunicação nativos movem-se por uma moral e indignação seletivas. Mas hipocrisia não se combate com hipocrisia.

É engraçado ver, por exemplo, os textos do ex-ministro José Dirceu em seu blog. Os cubanos são criminosos comuns, mas o italiano Cesare Battisti é um perseguido político digno de asilo. Não há nenhum informação de que Tamayo e Fariñas tenham matado alguém em nome de sua causa (o que em uma ditadura seria até justificável, a depender das circunstâncias). Já Battisti carrega no lombo quatro assas-sinatos, entre eles o de um açougueiro e o de um joalheiro de periferia, fundamentais, como sabemos, à grande causa. Seus crimes foram consumados em um país sob normalidade democrática e em pleno Estado de Direito. Ainda assim, o mesmo governo capaz de questionar uma decisão da magistratura italiana e corroborada pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos não duvida da lisura da Justiça cubana.

Há maneiras melhores de defender Cuba e o legado da revolução castrista.

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    COMENTÁRIOS

    • Tácito Costa: Sr. Paulo. Grato pelo alerta. Não tiro nenhuma vantagem pessoal desse trabalho. Não temos anúncios e nem patrocinadores e apoiadores monetários. Move-me somente o desejo de democratizar o acesso ao conhecimento. Vamos continuar. Somos favoráveis a cópia sem fins lucrativos. - Viajantes e apaixonados em transe
    • Anne Guimarães: Um poema ensolaradamente gris em tons de azul.... A vida simples e sagrada de quem encontra no mar a sua honra, a sua luz. Admiro tudo que eleva a vida de um pescador.... Lindos versos, bela vida natural potiguar! :) - Tarrafas
    • Anne Guimarães: Poeta Anil.... Sempre bom ler seus poemas.... Ouvir sua voz, receber sua alma.... "Abracei novas incertezas /Sussurro, nem sempre é gozo/ Só o agora é urgente" afff mexeram aqui dentro, rsrs. Esse também é o papel da poesia, motivar, emocionar, contar aquilo que a gente não disse , mas viveu ou vive - em silêncio - na quietude dos sentimentos mais intensos.Você sabe bem o que isso significa, vive poesia e respira versos na beleza do cotidiano sagrado. Beijos,querida! :) - Fio de luz
    • Anchieta Rolim: ...só o agora é urgente...Belo poema, Ednar. - Fio de luz
    • Anne Guimarães: Querida poeta-flor! ô coisa lindaaaa.... Lembrei agora de um poema de Carlos Nejar para sua filha Carla, em um dos versos sábios ele diz: " é no simples que as coisas são completas." É isso mesmo, quanto mais simples, mais doce, mais prazer nessa vida breve vida. Estarei sempre contigo, menina! Suas palavras serenas me mostram que - de uma forma ou de outra - é especial cada segundo de leitura aqui. Beijos no espírito. :) - Vagalume da Paz
    • Anchieta Rolim: Romana, é justamente isso que falta no mundo minha amiga, luz e paz. Bela poesia! Parabéns ! - Vagalume da Paz
    • Anchieta Rolim: Beleza de texto J. Paiva. Só espero que os meninos de hoje também sonhem com um Brasil melhor...Pois ainda há muito a ser feito.Parabéns! - Política de menino
    • Paulo César: Sr. Tácito, Pelo que eu saiba jornais não permitem a transcrição de artigos da forma como o senhor vem fazendo no seu site. Colocar um link é uma coisa, transcrever e fazer o leitor continuar no seu site, quando o artigo tem direitos autorais e está hospedado em outro local e tem regras de uso.O utilização da forma como o senhor vem fazendo denota pirataria, palavra muito em voga e contraditória, mas ainda passível de sanções pelas atuais leis do país. Não alerto apenas por alertar, mas sugiro consultar - se me permite a sugestão - um advogado para entender a sua situação atual(devidamente gravada e arquivada para uso, mesmo que esse e outros conteúdos sejam retirados do ar imediatamente). Com muito respeito, Paulo César - Viajantes e apaixonados em transe
    • Jarbas Martins: Qualquer seleção de poemas, antologia, florilégio, ou que outro nome tenha, sempre passou, no período histórico chamado de Modernidade, pelo crivo da parcialidade. Baudelaire, que além de poeta, era crítico de poesia, e da arte de um modo geral, sabia disso.O poeta e antologista Paul Éluard,à época da festiva revolução surrealista, tanto sabia que lançou a sua parcialíssima seleção - "Le Meilleur choix de poèmes est celui que l'on fait pour soi- 1818-1918". (A Melhor seleção de poemas é aquela feita para si mesmo -1818-1918"). Nestes rasos tempos da Pós-Modernidade - o prestígio, uma espécie de capital simbólico, segundo Bourdieu (e viva as lições do meu colega e amigo, professor-doutor Emmanuel Barreto), teria que entrar como um critério.O mercado assim determina.Daí a razão porque Ferreira Itajubá e Jorge Fernandes (mesmo com o aval de nomes como Luís da Câmara Cascudo,Mário de Andrade e Manuel Bandeira) - sempre são "esquecidos" das antologias feitas no preconceituosíssimo e longínquo Sudeste. Pobres, marginalizados e insulados em sua província submersa - não contam com uma "fortuna crítica" que merecem. - A identidade do verso brasileiro
    • Jairo llima: Fernando Monteiro está no centro do cânone de nossa literatura. Fico feliz de ser contemporâneo e conterrâneo deste artista. - As asas da noite que surgem (1)