Escrever, enfim, é um ofício secular

28 de agosto de 2009 às 18:40 - Comentar
Por Nelson Patriota

A crença de que a literatura é uma espécie de ofício que alguém aprende por seus próprios meios, dispensando qualquer auxílio exterior, começa a ganhar ares de ideia passadiça. De fato, está se firmando pouco a pouco um novo paradigma nessa área: cursos regulares para a formação de escritores (denominados em inglês de “creative writing” = escrita criativa) que, ao final, concedem aos inscritos um “diploma de autor”. Tais cursos não só são viáveis, como já aconteçam regularmente em muitos países, sendo que, nos Estados Unidos, a elite literária contemporânea é oriunda dessa espécie de cursos e vem arrebatando com certa regularidade, da década passada para cá, o principal prêmio literário daquele país: o Pulitzer de Ficção.

Essa moda, todavia, não é de todo inédita no Brasil, se lembrarmos que o escritor pernambucano Raimundo Carrero é um pioneiro nessa área desde os anos 1980, quando fez um curso semelhante na Universidade de Iowa, EUA. Desde então, vem ministrando no Recife cursos regulares para a formação de ficcionistas, além de ser autor de um dos poucos manuais do gênero escritos em português. Trata-se do livro A Preparação do Escritor (Iluminuras).

Se Raimundo Carrero tem o mérito de ter introduzido no Brasil os cursos para formação de autor, é no sul/sudeste onde eles aparecem em plena efervescência, conforme reportagem do caderno “Mais!”, da Folha de S. Paulo do último domingo. A Casa das Rosas, na capital paulista, está com suas aulas para a formação de autor lotadas, apesar de oferecer meia dúzia de oficinas de escrita criativa. Uma das atrações dos cursos é o escritor Marcelino Freire (ex-aluno de Raimundo Carrero), que mantém outra oficina no Espaço Barco, também em São Paulo.

Mas, o que se discute, de fato, nessas oficinas, que atrai um número cada vez maior de interessados? Para esclarecer essa questão, a Folha ouviu o já citado Marcelino Freire e mais os professores Luiz Antônio de Assis Brasil e Luís Augusto Fisher. A cada um deles, pediu que pontificassem sobre duas vertentes da literatura: a leitura e a escrita.

O resultado do questionário mostra um pouco do que deve ser a rotina desses cursos que visam a habilitar seus alunos nessa pouco clara seara da “leitura criativa”. Com visão mais conservadora, Luiz Antônio de Assis Brasil recomenda ignorar os best-sellers, usar em abundância o ponto final e dedicar mais tempo à leitura do que a escrita.

Teatral, Marcelino Freire joga com o contraditório e recomenda que “quanto mais um livro fizer mal, melhor” (faltou explicar em que sentido um livro faz mal), para, em seguida, advertir: “Desconfie das dicas que lhe dão”.  Mais comedido, Luís Augusto Fisher contemporiza: “Um texto literário, obra de arte que é (ou aspira a ser), tem direito de ser como é. Isso alerta para a necessidade de a leitura ser respeitosa: o leitor deve dispor-se a receber as informações e as formas do texto tal como o autor as concebeu. Mas isso não impede que o leitor comum pule fora ao perceber que seu honesto empenho de leitura não está sendo recompensado”. Sobre a leitura, Fisher diz, entre outras coisas: “”Embora no sentido trivial o leitor é quem escolhe o texto que vai ler, num sentido mais profundo é o texto que escolhe seu leitor”.

É fácil, portanto, retirar ideias práticas comuns desse domínio das letras, não obstante o fato de que a visão de mundo de cada instrutor seja às vezes de ordem muito pessoal. Mas não resta dúvida de que a formalização do ato de escrever (que necessariamente também implica o da leitura) descortina um campo vasto de novas possibilidades e pode ser um diferencial do nosso tempo, no qual o fetiche do livro exerce um fascínio de rara espécie. De fato, há uma pulsão social que move cada vez mais pessoas a tentar a escrita, sob qualquer uma de suas formas. Cursar um desses programas de “escrita criativa” pode resultar benéfico não só para o futuro autor, mas também para seus eventuais leitores.

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: eu faço do meu corpo o que quero foi conquista a greve do ventres vem desde os gregos quem possui o direito sobre o corpo feminino? voce, o estado, o papa, Deus"! todos falharam como inquisidores. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Roberta Aymar: Beleza e Proibição... coisas necessárias e, ao mesmo tempo, contingentes nas curvas dos "Plurais Substantivos"... Eu que agradeço, João. - A Viúva Negra
    • João da Mata: domingo é dia de fazer niente nem tente! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: O inquisidor Um dia ele organizou um livro e não selecionou Outro dia ele foi o júri de concurso de poesia e não entrei nem na menção honrosa. Outro dia eu quis abortar e ele disse não pode mas foi taõ bom!. Não pode! Depois disse que e eu não sou Outra vez disse conheço a lei Sou procurador. Como juiz ele errou Como cristo acho que não voga - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Marcos Silva: Alex: Faltou acrescentar que Maria engravidou sem contato sexual com José por vontade de Deus, não é? Dessacralização do coito, embora Deus deva ter pênis e bolsa escrotal pois Adão foi feito a sua imagem e semelhança, e Eva tenha recebido vagina por obra e graça de Quem a fez. Jesus não engravidou porque não quis. Nem precisaria ser inseminado por outro homem, Ele poderia inseminar-Se, se o quisesse, ou Deus poderia usar o mesmo procedimento ocorrido em relação a Maria. Nada disso se deu, pelo que se sabe e que vc, gentilmente, nos trouxe à lembrança. Quanto a Maria Madalena, nada sei. O conhecimento histórico sobre o tempo dela e de Jesus é muito limitado (alguma coisa a partir de Arqueologia), os Evangelhos são escritos de devoção, não propriamente fontes literais de informação (ou são informação sobre eles mesmos). De qualquer maneira, muito obrigado pelas preciosas informações. Aproveito para lembrar que uma coisa é o Cristianismo ideal (todos filhos de Deus etc.). Outra coisa é o Cristianismo histórico, como Cruzadas e Inquisição bem o demonstraram: ou os hereges não eram filhos de Deus (quer dizer: nem todos o são) ou, se o fossem, mereciam morrer por desagradarem aos representantes do Pai. Até Leonardo Boff, há poucos anos, foi punido pelo órgão que ocupou as funções da Inquisição na Igreja Católica, submetido a "Silêncio obsequioso", não é? E durante o Nazismo, o Vaticano manteve um silêncio nada obsequioso diante do Holocausto... Mas diga-se a favor de alguns membros da Igreja Católica (não do Papado) que muitos deles apoiaram os perseguidos pelo Nazismo e até morreram em campos de concentração, como Claudio Galvão estudou, a partir de um caso específico, no livro "Campo da esperança" (EDUSC). Mas Nietzsche já ensinou: a Morte de Deus não é papo para beira de piscina, é um acontecimento mais que gigantesco. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”