Ex-ministro Juca Ferreira quebra o silêncio sobre o retrocesso no MinC

6 de abril de 2011 às 17:17 - 8 Comentários

Comentário enviado ao SP pelo ex-ministro do MinC Juca Ferreira ao post “O PT e a política cultural de esquerda no Brasil: uma história acidentada” (aqui), assinado por Idelber Avelar.

Por Juca Ferreira

Precisamos compreender como foi possível acontecer o que está acontecendo: em um governo que nasce das entranhas da experiência e do sucesso do governo que lhe antecedeu, que afirma diariamente, através de atos e palavras, seu compromisso com a continuidade das políticas do governo anterior, como pode, de forma absolutamente dissonante, o ministério da cultura se por a destruir tudo que foi construído nos oito anos do governo do presidente Lula, ultrapassando a capacidade destrutiva do que poderíamos esperar de um governo de oposição. E, o que é mais grave.Sem representar um outro projeto, sem representar uma crítica consistente. Como é possível que isto esteja acontecendo? E, o mais paradoxal, que fazem essa demolição em nome do partido que foi e é a base dessa experiência histórica de resgate do Estado para servir a toda a sociedade, para construir igualdade, inclusão, justiça, acesso à educação e à cultura e outras liberdades.

Tenho me mantido distante e calado. Mesmo quando tentam explicar as dificuldades que estão tendo por coisas que supostamente teríam herdado da nossa gestão. Essa é a segunda vez que o autor desse e de outro artigo me sensibiliza pela lucidez, coragem e serenidade. Não resisti. Parabéns¡ Juca

8 Comentários

  1. Eduardo Freitas
    6 de abril de 2011

    Minc com Gil e Juca foi uma das melhores pastas do Gov de Lula.
    Agora estamos andando para trás…
    A Cultura anda esquecida…
    Votei na Dilma por achar que haveria continuidade no trabalho de Juca.
    Espero que Dilma troque logo essa Ana de Hollanda
    A cultura merece !!!

  2. 6 de abril de 2011

    Gostei muito do estilo Juca. Foi uma pena ele não ter continuado msm. Seria bom que o Juca Ferreira voltasse mais vezes ao SP,

  3. Roney Belhassof
    8 de abril de 2011

    Nas conversas nas esquinas offline e online que escuto parece haver um consenso de que a atual ministra está a serviço de uma industria que se agarra a um modelo de propriedade intelectual que não funciona mais. Essas empresas desapareceram naturalmente substituídas por outras que entenderam como obter lucro em uma sociedade onde a cultura é patrimônio da humanidade (convenhamos que sempre foi). Até ai trata-se de seleção normal.

    O problema é que uma nação não deve se permitir sofrer pela cegueira comercial de qualquer corporação que seja, principalmente na arte e na cultura que, tenho certeza, são as bases de toda sociedade humana: quanto maior o acesso a elas, mais civilizada, justa e próspera é a sociedade.

    Nosso país, acima de muitos outros, precisa de uma política cultural favorável! Sem ela cuntinuaremos a assistir a morte de milhare de crianças para a fome, doenças, abortos e violência urbana, sem falar nas que vivem, mas em tristes condições que nenhum humano devia viver…

  4. 8 de abril de 2011

    [...] comentário enviado ao Substantivo Plural sobre o artigo “O PT e a política cultural de esquerda no Brasil: uma história [...]

  5. fabiana eboli santos
    11 de abril de 2011

    bom texto! bom comentário do Juca Ferreira! eu também, ainda me encontro na perplexidade com a “redução”, a “restrição”, o amesquinhamento que a política do Minc tem sofrido, desde o início do governo Dilma.
    Participei das pré-conferências setoriais de cultura do Minc em 2010, acompanhei todo o processo de abertura que começou com Gil e teve intensa continuidade e aprofundamento com Juca. Há anos eu não me identificava tanto com uma política pública. Desde que o PT começou a deixar de ser um partido de ideais aqui no Rio, e eu me afastei da militância. Foi uma grande e feliz experiência, ter observado e participado da mobilização cultural nacional, em escala nunca antes realizada, onde todos os segmentos culturais do país tiveram voz e escuta ! era o começo de um mapeamento e da estruturação de uma representação nacional capaz de dar ressonância às mais diversas manifestações culturais, cuja força e importância são inquestionáveis: são a diversidade cultural brasileira (sem conversa fiada, sem retórica). Foi emocionante também ouvir o discurso do então ministro, em Brasilia, na abertura das pré-conferências e me dar conta da minha própria surpresa com o fato de, enfim, termos um ministro que entendia de cultura, que entendia o que é ARTE ! algo básico, que estando nós num país sério, seria o mínimo exigido de um ministro. Mas isso nunca foi exigido, a pasta da cultura sempre foi moeda de troca, negociada por partido e prestígio, nunca por competência e visão. Na gestão Juca conseguimos sair desse padrão! E lastimo muito que agora este movimento ascendente, este movimento includente, de ampliação, de abertura, esteja prestes a se perder… que o grupo que “tomou o poder” no Minc e na Funarte tenha uma visão pequena, anódina, vendida, e sob o rótulo de “petistas históricos” negociem prioritariamente com o poder economico e não com os criadores. Aliás, parecem os “atravessadores” da cultura, como o papel que a ministra fez recebendo Romero Brito no planalto… (sempre me pergunto se ela sabia o que estava fazendo ou se só desempenhou uma cena encomendada – e as duas opções são péssimas !)
    Eu sou do movimento ‘volta Juca !”

  6. fabio peixoto
    12 de abril de 2011

    Interessante perceber que alguémque se diz calado resolve, pela segunda vez, admitir que fala. Paradoxal comportamento de um importante quadro do “governo anterior” que esquece, ainda, que o Partido que cita como base desse projeto de Estado também construiu as políticas do ministério da Cultura em sua gestão.

    Não há mudança de projeto, mas na condução, talvez. Falar em gestão não tem sempre o mesmo tom ou ideologia. Observo que, no MinC de hoje, exsite empenho em gerir as políticas públicas com o cuidado de quem zela pelo Estado…esse mesmo que juntos começamos – e continuamos – a transformar…democraticamente através de um projeto efetivamente popular.

  7. Yuri Kotke
    25 de abril de 2011

    Tá. E pagar 600.000 reais a alguém para manter um blog por um ano pode ser chamado de parte de um projeto “efetivamente popular”?

  8. tales rodrigues
    12 de maio de 2011

    VOLTA JUCA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! SERÁ QUE O SR. JACQUES WAGNER, GOVERNADOR DA BAHIA, NÃO VÊ O QUE ESTÁ ACONTECENDO? OU SERÁ MEDO DE CRIAR NOVAS LIDERANÇAS APESAR DA FIDELIDADE QUE JUCA SEMPRE DEMONSTROU EM ATOS E PALAVRAS?

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POESIA

    Névoa
    16-05-2012 às 9:40 - 7 Comentários
    Por Jarbas Martins

    Carl Sandburg

    Vem a névoa
    em breve pisar de gata.

    Queda-se olhando
    o porto e a cidade
    sentada em seu silêncio e
    esgueirando-se em seguida.

    (Tradução de Jarbas Martins)

    * * *

    Fog

    The fog comes
    on litlle cat feet.

    It sits looking
    over harbor and city
    on silent haunches
    and then moves on.

    (Carl Sandburg, “Selected Poems”, G.Books,1992)

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Amigo Carlão, Vejo com muita alegria a sua inquietação e leitura. Tb indico fortemente o livro .Jerônimo, A Técnica do Livro de autoria do grande Dom Paulo Evaristo Arns ( Sua tese de doutorado) , trad. de Cleone Augusto Rodrigues e prefácio de Alfredo Bosi . Belíssimo livro em capa dura Jeronimo traduziu a vulgata da biblia e é considerado o patronomo dos bibliófilos e amantes do livro. Saudações bibliófilas. ab imo corde - Help
    • edjane linhares: Muito lindo, Jarbas. A experiência do haicai, como Fernando nos lembrou, ajuda muito neste processo de contemplação e silêncio, ato solitário e sublime. Quero agradecer a homenagem às mães no seu último haicai (único vestígio da data por aqui). Aguardo coletânea deles. Um abraço. - Névoa
    • Jarbas Martins: Amigo Jóis: gosto da sua poesia e da sua prosa digressiva, inflada de saberes e sabores, biscoito fino para raros paladares.Nem precisava dizer isso, mas como em seu comentário você se reportou a um incógnito Aguinaldo Soares, usando termos utilizados por ele contra mim - deu-me vontade de voltar ao assunto. Repito mais uma vez: Aguinaldo Soares sabe escrever, e a expressão "sólida cultura" é tão infeliz que não me restou outra alternativa: pedi desculpas ao ilustríssimo desconhecido.Não conheço o Aguinaldo, mas presumo que ele, como eu, temos algo em comum: fizemos o curso de direito.Daí o nosso gosto pelas sentenças líquidas e certas. Abraços, Poeta ! - Ditirambo
    • Marcos Silva: Li um livro interessante sobre Jerônimo, A Técnica do Livro Segundo São Jerônimo, de Paulo Evaristo Arns - Help
    • Jarbas Martins: Tradução inventiva a tua, Marcos. Nenhuma novidade nisso. Você é um reconhecido mestre na arte tradutória. - Névoa
    • Jóis Alberto: O poema é bom! Afirmo isso, embora não tenha plena consciência do ofício de poeta. Porque se eu for intelectual, sou dos mais incompletos – em meio a preconceitos, totens e tabus, como vocês já tiveram oportunidade de ler mais de uma vez, aqui neste democrático SP. Além do mais, como posso ter sólida base cultural nesses tempos em que tudo que é sólido se desmancha no ar? Tempos de modernidade e amores líquidos, de fodas em excesso e entediadas, blasé até – foda blasé é ‘foda’! – de gente que trepa com a mesma rotina de quem escova os dentes, tema objeto das sátiras ingênuas de meia dúzia dos meus poemas eróticos. Ingênuas não só se comparadas às sátiras e poemas eróticos/pornográficos de um grande poeta, Bernardo Guimarães, por exemplo, mas ‘ingênuas’ também no sentido libertino, filosófico, da palavra ‘ingênuo’! Ou então as fodas são escassas como as leituras de gente que, se leram os gregos, leram em traduções, não no original, e fazem a pose erudita de quem muito entende esses clássicos da filosofia, da poética e da ética, da antiguidade greco-romana. O que danado é ‘inveja poética’? Se é inveja não é poética, nem ética! Porque a ética, é verdade, pode tratar da inveja, da emulação, mas a inveja despreza a ética. O que danado significa ‘fracasso moral da estética’? De qual moral estamos falando? Da moral burguesa? Sinceramente! Qual o poeta que não esconde a fonte onde bebe? Como poeta bissexto, escondo e revelo fontes. Sem maiores dificuldades coloco as cartas na mesa, porque nesse jogo de cartas – de cartas muitas vezes marcadas, e viciadas – uma das minhas cartas prediletas é a do coringa, do joker! Porém, como há muito não jogo nem pif-paf, buraco ou sueca, uso essa expressão ‘jogo de cartas marcadas’ como um dos inúmeros clichês que pululam por aí, em discussões de intelectuais de prestígio... - Ditirambo
    • Cássio: Biografia eu não sei, mas recomendo o filme do júlio bressane. No seu livro Cinemancia tem também uma tradução interessante da "epifania" de são jerônimo. - Help
    • Marcos Silva: Belo poema, bom poeta, boa tradução. Sugiro a alternativa: NÉVOA. Névoa vem em pés de gatim Senta e olha sobre porto e cidade ancas silêncio e se moveu - Névoa
    • Jarbas Martins: Tenho a honra e o dever de confessar que a tradução que fiz do poema "Dormire", de Ungaretti, publicado há alguns dias neste SP - teve a orientação do poeta Fernando Monteiro ! Obrigado, mestre Fernando, obrigado poetas Anne Guimarães e Lívio Oliveira. - Névoa
    • Nina Rizzi: "A capa já dá o tom da revista. Uma foto de Câmara Cascudo passeando de riquexó (uma espécie de carroça de duas rodas e movida a tração humana) em Moçambique, ao lado de uma pessoa não identificada. A foto - de autoria desconhecida - foi clicada em 1963, quando o folclorista estudava costumes e tradições africanos. As observações e anotações depois seriam o mote para o livro Made in África. A imagem foi cedida pela família. E a filha, Ana Maria Cascudo, escreve artigo contando as inúmeras viagens do pai, em um diálogo emblemático entre Natal e o estrangeiro." Viu, neguinho não existe não, ô rapá! - Tributo ao mar